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Escatologia

Apresentaremos nesta apostila as três Escolas Escatológicas mais conhecidas: Pré-milenar; Pós-milenar e A-milenar – Começaremos pela visão escatológica chamada de Pré-milenar, ou seja, a visão em que Jesus volta antes do Milênio.

A HERMENÊUTICA E A ESCATOLOGIA
Sendo a hermenêutica a responsável pelo estudo das regras de interpretação bíblica não seria possível deixá-la de fora de um trabalho como este, já que a escatologia trabalha em meio a muitas profecias e passagens de difícil compreensão, por isso precisaremos conhecer os dois principais métodos de interpretação para que tomemos um caminho coerente nas Escrituras, e acima de tudo não a deturpemos para provar teorias infundadas.
O alegorismo e o literalismo são hoje, os métodos mais utilizados, sendo que o primeiro vem ganhando mais espaço entre os teólogos, espaço este antes dominado, quase em totalidade pelo método literal.
1.1- O ALEGORISMO
O alegorismo tem suas raízes no platonismo e no alegorismo judaico, dois de seus defensores são Orígenes (185-254) escritor, teólogo e professor e Clemente de Alexandria que faziam parte da escola de Alexandria. Orígenes defendia que a interpretação era dividida em três aspectos o literal, ao nível do corpo, o moral, ao nível da alma, e o alegórico, ao nível do espírito. Clemente por outro lado defendia cinco pontos a serem usados para interpretação de um texto: o histórico, o doutrinário, o profético, o filosófico e o místico. Agostinho de Hipona reformulou os sentidos do alegorismo e os transformou em quatro: o sentido literal, o que o texto realmente quer dizer; o sentido moral, uma visão do texto que retratasse um ensinamento sobre conduta; sentido alegórico, como crer e em quem crer e de que maneira; o sentido analógico, o que o texto promete ou representa para o futuro. Assim vemos que Agostinho ao ler um texto tinha consciência de seu sentido literal, mas empregava outros mecanismos para que o texto dissesse mais que o que estava escrito.
Para definirmos o alegorismo podemos dizer que este método é aquele que em lugar de reconhecer o texto como naturalmente se apresenta, perverte-o dando um sentido secundário anulando a intenção primária do escritor, um exemplo deste tipo de interpretação está em Apocalipse 20 quando João fala a respeito de um período de mil anos em que a teocracia seria instituída e o próprio Jesus reinaria sobre a terra, os alegoristas ou espiritualizadores de textos dizem que este período está sendo cumprido agora pela igreja, e os mil anos não são literais, mas sim espirituais. Grandes perigos rondam a alegorização já que esta não interpreta as Escrituras, mas dá um novo sentido a ela baseados na imaginação do intérprete, sendo que, como diz a regra fundamental da hermenêutica, a Bíblia deve explicar-se por si mesma.
Por muitos motivos a interpretação das Escrituras por alegorização deve ser rejeitada, no entanto é importante que fique claro que num sermão usa-se de alegorias para trazer um ensino à igreja dentro de um texto que às vezes foge do seu sentido literal, porém isso é permitido, pois se trata apenas da aplicação de conceitos contidos no texto em uso, o que não se permite é estabelecer doutrinas baseadas em textos alegorizados como o exemplo acima citado que perverte um ensino bíblico com uma interpretação mística de um texto que não poder ser compreendido de outra maneira senão literalmente. É importante ressaltar que o método alegórico trata-se de um sistema usado para interpretar a bíblia e nada tem a ver com alegorias existentes nas Escrituras.
1.2- O LITERALISMO
Também conhecido como método histórico-gramatical o literalismo difere do alegorismo por interpretar as palavras e frases de uma maneira natural como elas se apresentam; o Dr J.D. Pentecost define o método literal da seguinte maneira:
“O método literal de interpretação é o que dá a cada palavra o mesmo sentido básico e exato que teria no uso costumeiro, normal, cotidiano empregada de modo escrito oral ou conceitual”.
Com certeza este é o único método que satisfaz as exigências bíblicas no sentido de trazer uma interpretação equilibrada e dentro de um contexto correto, ou seja, ele não modifica a idéia inicial que o autor procurou transmitir, mas a explica de maneira coerente. A bíblia foi elaborada por Deus para que o homem conhecesse seus propósitos e mandamentos e, portanto não permitiria que este mesmo homem interpretasse seus ensinos literais dando a eles um novo sentido, portanto Deus espera que suas palavras sejam entendidas da maneira como ele as disse, é certo que temos linguagens figuradas, simbólicas e alegorias nos textos bíblicos, no entanto o fato deles existirem não obriga ao interprete usar outros métodos, pois por trás das parábolas, tipos, figuras e símbolos estão verdades literais, sabemos também que, não podem ser interpretados ao pé da letra, mas deve-se sempre buscar dentro do contexto, em passagens paralelas, tipos paralelos que tenham a explicação contida na bíblia, a compreensão correta do texto.
Um exemplo de alegoria se vê em João 15:5 quando Jesus diz que Ele é uma videira e seus discípulos os ramos, ou em João 6:51-58 onde diz:
“Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente;… Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue permanece em mim, e eu, nele”.
É obvio que Jesus não é uma videira ou um pão, nem também ele gostaria que literalmente sua carne fosse comida, no entanto o que os textos expressam é o fato da comunhão, a ligação que o homem precisa ter com Cristo. Mesmo sendo uma alegoria o texto traz uma verdade literal e absoluta que não aceita outra interpretação senão a que o texto sugere.
Vejamos um exemplo de um texto que tem uma linguagem figurada que não pode ser levada ao pé da letra, mas que traz uma verdade literal. Lucas 19:40: “Mas ele lhes respondeu: Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão”. Nos é claro que as pedras não falariam, porém usa esta expressão para advertir aos que se incomodavam com o clamor do povo.
1.2.1 – Os judeus e o literalismo.
Os muitos mandamentos e advertências de Deus para seu povo necessitavam de que fossem passados a eles seja pelo profeta, juiz ou sacerdote e isto fazia com que este interpretasse as palavras de Deus para então serem transmitidas, quando estas mensagens eram escritas pelos receptores também careciam de interprete para que o ensino fosse totalmente entendido, mas qual método era usado para esta interpretação? Quando Deus falava, suas palavras eram entendidas literalmente? A resposta é sim. O método usado pelos Judeus para interpretar todos os oráculos do Senhor era o literal. Quando Deus disse para Adão e Eva que se comessem o fruto da arvore do conhecimento morreriam ele queria que assim como falou fosse entendido, e comendo o fruto o casal provou do castigo da literal advertência de Deus.
Quanto às profecias, os judeus aguardavam delas um cumprimento literal, as que falavam da vinda do Messias (Gn 3:15; Nm 24:17; Gn 49:10; Is 9; Mq 5:2 etc) alimentavam a esperança da nação que aguardava um cumprimento literal de todas elas.
1.2.2 – O literalismo no Novo Testamento.
Não só Jesus, mas também os discípulos sempre interpretaram os livros do antigo testamento de maneira literal. Jesus em Mt 12:17 ao mencionar a si mesmo, disse que nele se cumpriria a profecia de Isaias que está em Is 42:1-4, ou seja, o que disse o profeta, Jesus interpretou como literal não alegorizando seu sentido; outro versículo interessante que mostra a interpretação literal está em Lc 18:31.

Tomando consigo os doze, disse-lhes Jesus: Eis que subimos para Jerusalém, e vai cumprir-se ali tudo quanto está escrito por intermédio dos profetas, no tocante ao Filho do Homem;
Os apóstolos procediam da mesma maneira, João 19:24, 28, 36 demonstram que o apóstolo via na crucificação e morte de cristo, o cumprimento literal de profecias do antigo testamento.
1.2.3 – O literalismo na história da igreja
Por toda a história da igreja, mesmo com o surgimento de outros métodos de interpretação os grandes nomes do cristianismo verdadeiro sempre interpretaram as Escrituras da mesma forma que Jesus ensinou e os apóstolos praticaram o que segue são breves comentários referentes ao uso do literalismo no decorrer da história da igreja de Cristo.
a) Na igreja primitiva
Grandes nomes da igreja primitiva criam nas Escrituras assim como elas ensinavam, como exemplo, temos Papias que viveu entre 70 e 140 d.C que ao escrever sobre a profecia de Apocalipse que menciona a existência do reino milenial ele diz:
“Haverá dias em que nascerão vinhas que terão, cada uma, dez mil videiras; cada videira terá dez mil ramos; cada ramo terá mil galhos; cada galho terá dez mil cachos e cada cacho terá dez mil uvas e cada uva espremida renderá vinte e cinco metretes de vinho. E quando um dos santos pegar um dos cachos, o outro cacho gritará: ‘pega-me porque sou o melhor e, por meu intermédio, bendize o Senhor’. Da mesma forma, um grão de trigo produzirá dez mil espigas e cada espiga dará dez mil grãos; cada grão dará dez libras de farinha branca e limpa. Também os outros frutos, sementes e ervas produzirão nessa mesma proporção. E todos os animais que se alimentam dos alimentos dessa terra se tornarão pacíficos e viverão em harmonia entre si, submetendo-se aos homens sem qualquer relutância”.
Isso quer dizer que enquanto hoje, muitos teólogos ensinam que o milênio nunca existirá literalmente, os cristãos primitivos acreditavam piamente em sua existência.
Outro texto antigo que nos informa como os cristãos antigos viam as promessas de Jesus, é uma frase extraída da “Apologia de Aristides” que foi escrita por volta do século II, onde o autor fala da vinda de Cristo, “A glória de sua vinda poderás – ó Rei – conhecê-la, se lerdes o que entre eles (os cristão) se chama Escritura Evangélica”. Aqui Aristides não só defende o ensino da volta de Cristo como fala de sua referência nas Escrituras.
Atanásio, teólogo do século quatro, em sua carta a Marcelino, a respeito da interpretação dos Salmos, faz ligação entre os acontecimentos verídicos do Pentatêuco e Juizes com os Salmos interpretando-os de maneira literal, como sendo narrativas dos eventos passados e não trazendo novos sentidos a eles como fazem os alegoristas.
Os fatos concernentes a Josué e aos Juízes como o referem brevemente o Salmo 106 com as palavras: “Fundaram cidades para habitar nelas, semearam campos e plantaram vinhas” (Sal 106, 36-37). Pois foi sob Josué que se lhes entregou a terra prometida. Ao repetir reiteradamente no mesmo Salmo: “Então gritaram ao Senhor em sua atribulação, e Ele os livrou de todas suas angústias” (Sal 106,6), está indicando o livro dos Juizes. Já que quando eles gritavam os suscitavam juízes a seu devido tempo para livrar a seu povo daqueles que o afligiam. O referente aos reis se canta no Salmo 19 ao dizer: “Alguns se vangloriam em carros, outros em cavalos, porém, nós, no nome do Senhor nosso Deus. Eles foram detidos e caíram; porem nós nos levantamos e mantivemo-nos em pé. Senhor, salva ao Rei e escuta-nos quando te invocamos!” (Sal 19,8-10). E o que se refere a Esdras, o canta no Salmo 125 (um dos salmos graduais): “Quando o Senhor trocou o cativeiro de Sião, ficamos consolados” (Sal 125,1); e novamente no 121: “Me alegrei quando me disseram: ‘Vamos à casa do Senhor’. Nossos pés percorreram teus palácios, Jerusalém; Jerusalém está edificada qual cidade completamente povoada. Pois ali sobem as tribos, as tribos do Senhor, como testemunho para Israel” (Sal 121,1-4). (A numeração dos Salmos é referente ao texto original Católico Romano)
Teodoro de Mopsuéstia, grande teólogo e pensador cristão do século IV e V perseguiu de maneira voraz o método alegórico de interpretação, e ao comentar disse:
“Há pessoas que se empenham em distorcer os sentidos das Escrituras divinas e fazem tudo quando está escrito servir a seus próprios fins… Eles arquitetam algumas fábulas tolas em sua própria mente e dão à sua tolice o nome de alegoria. Usam mal o termo do apóstolo como uma autorização em branco para suprimir todos os sentidos da Escritura divina”.
Mesmo com o início da ascensão do alegorismo o método literal foi defendido pelos mais ilustres teólogos e mestres da história, um exemplo destes é Tertuliano, tido por muitos, como o maior depois do apóstolo Paulo.
b) Entre os reformadores
Durante quase toda a idade média a igreja Católica Romana teve o domínio da interpretação bíblica atribuindo a si mesma, como a única capaz de fazê-lo corretamente:
“Pois tudo o que concerne à maneira de interpretar a Escritura, está sujeito em última estância ao juízo da igreja, que exerce o mandato e ministério divino de guardar e interpretar a palavra de Deus”. (Bíblia Ave Maria, Constituição dogmática Dei Verbum sobre a revelação divina).
Com a reforma protestante, o método literal volta com grande força por ser este o método usado por seus líderes. Weldon E. Viertel em seu artigo sobre os “Princípios Hermenêuticos de João Calvino”, escreve:
“Calvino doutrinava que a primeira responsabilidade de um intérprete é deixar que o autor diga aquilo que de fato diz, em vez de atribuir a ele o que nós pensamos que ele deveria dizer. É tarefa do intérprete mostrar a mente do escritor. Considerou como sacrilégio o uso da Escritura à mercê do prazer de cada um. Ele recusou apresentar seus pontos de vista teológicos em conjunto com sua interpretação da Escritura. Os princípios de Calvino sobre a interpretação incluíam o sentido literal (princípio gramático-histórico) (…)”.

Sabemos que parece um pouco contraditório o fato de Calvino ser literalista e espiritualizar vários textos, principalmente escatológicos, para que seus ensinos sejam fundamentados, porém o que nos importa é seu reconhecimento quanto ao uso indispensável do método literal.
Todo o movimento reformista aderiu ao método literal, a declaração de fé de Westminster tem o seguinte parágrafo:
“A regra infalível de interpretação da Escritura é a mesma Escritura; portanto, quando houver questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da Escritura (sentido que não é múltiplo, mas único), esse texto pode ser estudado e compreendido por outros textos que falem mais claramente”.
Este foi incluído também, na declaração de fé Batista de 1689.
Paulo R. B. Anglaba em seu artigo faz comentário sobre o rompimento com o alegorismo medieval:
John Colet (1467-1519) foi um dos primeiros reformadores a romper com o método alegórico medieval, ao expor em 1496, em Oxford, as cartas do apóstolo Paulo em seu sentido literal e no seu contexto histórico. Três anos depois, em 1499, ele já sustentava o princípio de que as Escrituras não podem ter senão um único significado: o mais simples.
Lutero também rejeitou a interpretação alegórica. Defendeu que ‘‘nós devemos nos ater ao sentido simples, puro e natural das palavras, como requerido pela gramática e pelo uso do idioma criado por Deus entre os homens.’’
Quanto a Calvino, sua aversão à interpretação alegórica era de tal ordem que ele chegou a afirmar ser satânica, por desviar o homem da verdade das Escrituras. ‘‘É uma audácia próxima do sacrilégio’’, escreveu ele, ‘‘usar as Escrituras ao nosso bel-prazer e brincar com elas como com uma bola de tênis, como muitos antes de nós o fizeram’’.
Muitos outros nomes poderiam ser citados, porém os destacados falam por todo o grupo, que mesmo divergindo em questões doutrinárias tinham comum parecer quanto ao método de interpretação.
A conclusão que chegamos, tendo em vista que a igreja moderna e a contemporânea seguiram os passos da reformada quanto à hermenêutica, é que não há outro método de interpretar a palavra de Deus, que não seja o de respeitar e não deturpar o seu sentido original, ou seja, levar em consideração aquilo que o escritor realmente queria dizer. O fato é que na escatologia lidamos com textos de difícil elucidação, no entanto não temos o direito de dar-lhe outro sentido apenas baseando-se em nossos pensamentos e raciocínios e é justamente o que tem acontecido em nossos dias. Sobre os que brincam com o sentido das Escrituras, Teodoro de Mopsuéstia disse “agem como se toda a narrativa histórica da Escritura divina de nenhum modo diferisse de sonhos à noite”.

O DISPENSACIONALISMO E SUAS ALIANÇAS
É de suma importância nos determos, por breve momento, no estudo das dispensações já que esta está ligada fortemente a escatologia. Os pactos realizados por Deus durante determinado tempo da história permanecem até hoje e as promessas inclusas nestes pactos esperam cumprimento total.
Dispensações são períodos de tempo em que Deus estabelece diferentes maneiras de tratar com seu povo, sendo que em cada uma delas há a pactos estabelecidos por Deus em que são feitas promessas que foram ou serão cumpridas e também exigências como condições para que as alianças ou parte delas sejam concluídas. É interessante ressaltar que as alianças ou pactos tinhas características diferentes relativas ao seu cumprimento, algumas eram totalmente condicionais, onde, aquela pessoa ou nação com quem foi feita a aliança, deveria cumprir alguns pormenores para sua realização. As incondicionais ao contrário, não estavam dependentes da pessoa ou grupo com que a aliança era feita, Deus prometia e independente de qualquer coisa ele se comprometia a fazer.
O dispensacionalismo apresenta todo o plano de Deus através dos séculos por períodos, como se fossem capítulos de um livro, embora sejam distintos têm o mesmo contexto, ou seja, mesmo as dispensações sendo diferentes estão interligadas e elas tratam do mesmo contexto, que é a revelação de Deus ao homem e também o desenvolvimento deste relacionamento.

No quadro abaixo veremos um resumo das dispensações e suas alianças:
AS DISPENSAÇÕES ALIANÇAS DA DISPENSAÇÃO INÍCIO DA DISPENSAÇÃO
1- da Inocência 1- Edênica Gn 1:27-30 Na criação
2- da Consciência 2- Adâmica Gn 3:14-21 Na queda do homem (durou cerca 1656 anos)
3- do Governo humano 3- Noêmica Gn 9:1-17 No fim do dilúvio (durou cerca de 415 anos)
4- Patriarcal 4- Abraâmica Gn 12:1-3 Na chamada de Abraão (durou cerca de 430 anos)
5- da Lei 5- Mosaica Ex 19:1-25
6- Palestínica Dt 28,19,30
7- Davídica IISm 7:12; Sl 89:3-4 No Sinai quando Deus dá a lei a Moisés (1445 a.C.)
6- da Graça ou da Igreja 8- Nova aliança Na morte vicária de Cristo na Cruz do Calvário
7- Milenial Não existe aliança específica para esta dispensação, mas sim a confluência de algumas que encontrarão seu total cumprimento. Na vinda de Cristo para julgar a terra e estabelecer seu reino

2.1- AS ALIANÇAS E A ESCATOLOGIA
Encontramos nas alianças: Abraâmica, Mosaica, Palestínica e Davídica, implicações escatológicas que resolvem e explicam grandes discussões em várias áreas da doutrina. O que estudaremos a seguir serão estas implicações e o que cada uma delas representa para a igreja, para os gentios e para Israel.
A aliança com Abraão é a raiz das demais, Deus prometeu ao patriarca a posse da terra e isto foi confirmado pela aliança palestina. A promessa também inclui a formação de uma numerosa nação e o estabelecimento de um reinado eterno confirmado na aliança Davídica. Através de sua descendência todas as nações seriam abençoadas o que é confirmado na Nova Aliança. Veja no esquema abaixo e confira as referências, as promessas e suas ligações com as outras alianças.

2.2- ALIANÇA ABRAÂMICA
A cronologia bíblica mais aceitável apresenta o nascimento de Abraão no ano 2166 a.C., na era do baixo bronze IV. Filho de Terá morava na cidade Sumeriana, Ur dos Caldeus que ficava às margens do rio Eufrates, neste tempo a cidade havia sido conquistada por povos bárbaros ocasionando a saída de seu pai juntamente com filhos e noras para a cidade de Harã, onde Deus se revela a ele. Seu chamado está registrado em Gênesis 12:1-3
“Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra”.
Em outros textos encontramos complementos desta aliança:
Gênesis 12:6-7 Atravessou Abrão a terra até Siquém, até ao carvalho de Moré. Nesse tempo os cananeus habitavam essa terra. Apareceu o SENHOR a Abrão e lhe disse: Darei à tua descendência esta terra. Ali edificou Abrão um altar ao SENHOR, que lhe aparecera.
Gênesis 13:14-17 Disse o SENHOR a Abrão, depois que Ló se separou dele: Ergue os olhos e olha desde onde estás para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente; porque toda essa terra que vês, eu ta darei, a ti e à tua descendência, para sempre. Farei a tua descendência como o pó da terra; de maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, então se contará também a tua descendência. Levanta-te, percorre essa terra no seu comprimento e na sua largura; porque eu ta darei. (leia também 15:1-21; 17:1-14)
Podemos numerar as promessas da seguinte forma:
1. De Abraão sairia uma grande nação.
2. Ele seria abençoado;
3. Seu nome seria engrandecido;
4. Ele mesmo seria uma grande bênção;
5. Deus promete abençoar os que o abençoassem e amaldiçoar os que o amaldiçoassem;
6. Através dele e de sua descendência todas as nações seriam abençoadas;
7. Canaã seria de sua descendência;
8. A possessão da terra seria eterna;
9. Seria o patriarca de vários reis;
10. A aliança permaneceria perpetuamente em sua descendência.
Qualquer aliança feita por Deus com os homens pode ter ou não uma condição, ou seja, se a pessoa ou o povo tiver que fazer algo para que o pacto venha a ser cumprido é uma aliança condicional, se for ao contrário é uma aliança incondicional.
A aliança de Deus com Abraão tem uma condição inicial que é “Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei”. Ao cumprir esta parte todo o restante era de caráter incondicional, Deus iria cumprir. Eugene H. Merril ao comentar sobre o caráter da aliança diz:
A divina promessa da terra e as outras bênçãos (Gn 12:1-3; 15:18-21; 17:1-8) estão registradas numa forma de aliança tecnicamente conhecida nos estudos do antigo oriente Médio como sendo um “concerto da graça”. É uma iniciativa que parte daquele que concede o favor, e quase sempre sem que para isso exista quaisquer pré-requisito ou qualificação.
No Novo Testamento vemos claramente a imutabilidade da aliança Abraâmica em Hebreus 6:13-17
Pois, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha ninguém superior por quem jurar, jurou por si mesmo, dizendo: Certamente, te abençoarei e te multiplicarei. E assim, depois de esperar com paciência, obteve Abraão a promessa. Pois os homens juram pelo que lhes é superior, e o juramento, servindo de garantia, para eles, é o fim de toda contenda. Por isso, Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se interpôs com juramento,(…)
As promessas a Abraão eram definitivas, pois dele surgiria uma grande nação, e para sua posteridade seria dada a terra de Canaã como posse eterna; seu nome seria grande e quem ele abençoasse seria abençoado, se amaldiçoasse seria amaldiçoado; através dele todas as nações seriam abençoadas e a aliança que Deus estabelecia com ele seria eterna. As promessas da aliança têm caráter literal e não figurado, se Deus o prometeu iria cumprir cabalmente todas elas. É notório que as promessas não foram, ainda, realizadas em sua totalidade já que Israel nunca possuiu a terra de maneira definitiva, o reinado literal ainda não existe, porém, como veremos adiante, estas promessas encontrarão cumprimento no milênio.
2.3- ALIANÇA PALESTINA
Após a aliança Mosaica ser decididamente desobedecida, e chegar o momento de transição de liderança, Deus fala a Moisés e renova a aliança estabelecida com o pai Abraão, o caso é que devido à desobediência não se tinha mais esperança de entrar na terra prometida e esta revitalização da promessa trazia consigo uma nova esperança ao povo de Israel. Esta aliança é encontrada em Deuteronômio 30:1-10:
Quando, pois, todas estas coisas vierem sobre ti, a bênção e a maldição que pus diante de ti, se te recordares delas entre todas as nações para onde te lançar o SENHOR, teu Deus; e tornares ao SENHOR, teu Deus, tu e teus filhos, de todo o teu coração e de toda a tua alma, e deres ouvidos à sua voz, segundo tudo o que hoje te ordeno, então, o SENHOR, teu Deus, mudará a tua sorte, (…) O SENHOR, teu Deus, te introduzirá na terra que teus pais possuíram, e a possuirás; e te fará bem e te multiplicará mais do que a teus pais. O SENHOR, teu Deus, circuncidará o teu coração e o coração de tua descendência, para amares o SENHOR, teu Deus, de todo o coração e de toda a tua alma, (…) pois, darás ouvidos à voz do SENHOR;(…) O SENHOR, teu Deus, te dará abundância em toda obra das tuas mãos, no fruto do teu ventre, no fruto dos teus animais e no fruto da tua terra(…) se deres ouvidos à voz do SENHOR, teu Deus(…)
O ponto central desta aliança é a possessão da terra que havia sido prometida à descendência de Abraão, e perdida devido a desobediência de Israel (Dt 28:63-68), no entanto o novo pacto traria não só o restabelecimento da promessa mais sua reafirmação. Vejamos os pontos desta aliança:
1. Deus tirará Israel do cativeiro (v.3-4)
2. Seria-lhes restituída a terra por posse eterna; (v.5)
3. Teriam grande prosperidade (v.5,9)
4. Deus converterá toda a nação para si (v.6)
5. É-lhes garantida proteção contra os inimigos (v.7)
A promessa de Deus para Israel permanece firme e inabalável. Claramente se vê uma repetição do que foi prometido a Abraão de maneira também incondicional, o fato de a conversão de Israel ser aparentemente a condição para que Deus cumpra sua promessa não torna a aliança condicional, pois o Senhor disse que converteria seu povo, veja bem, ele seria o autor da conversão:
SENHOR, teu Deus, (ele) circuncidará o teu coração e o coração de tua descendência, para amares o SENHOR, teu Deus, de todo o coração e de toda a tua alma, para que vivas. De novo, pois, darás ouvidos à voz do SENHOR; cumprirás todos os seus mandamentos que hoje te ordeno.
O único fator que adiaria ou atrasaria o cumprimento da promessa seria, quando; ou seja, o tempo em que Israel desse ouvido ao Senhor (Dt 28:2), isto não condiciona a promessa porque o tempo desta conversão será determinado por Deus “porém o SENHOR não vos deu coração para entender, nem olhos para ver, nem ouvidos para ouvir, até ao dia de hoje” (Dt 29:4). E esta “abertura de ouvidos” ocorrerá no fim da grande Tribulação.
E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o espírito da graça e de súplicas; olharão para aquele a quem traspassaram; pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigênito e chorarão por ele como se chora amargamente pelo primogênito. Naquele dia, será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom, no vale de Megido.(Zc 12:10-11)
2.4- ALIANÇA DAVÍDICA
A aliança com Davi também está ligada diretamente a Abraâmica, porém com pormenores que se referiam a Davi e seus descendentes. Sua apresentação por parte de Deus através do profeta Natã se encontra em 2Sm 7:12-16:
Quando teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; se vier a transgredir, castigá-lo-ei com varas de homens e com açoites de filhos de homens. Mas a minha misericórdia se não apartará dele, como a retirei de Saul, a quem tirei de diante de ti. Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre.
Davi havia colocado em seu coração o desejo de construir um templo ao Senhor (2Sm 7:2), Deus não permitiu, porém fez com ele esta aliança onde podemos observar que:
1. Deus lhe daria um filho (Salomão);
2. Após sua morte o reino seria entregue a este filho;
3. Seu filho edificaria o templo do Senhor;
4. Deus amaria esse filho;
5. Deus promete ter misericórdia de seu filho mesmo diante de suas transgressões;
6. Sua casa (descendência), seu reino (nação) e seu trono seriam estabelecidos para sempre.
Deus deixa claro para Davi que ninguém, a não ser de sua descendência, sentaria no trono (Sl 89:3-4) e esta promessa como todas as outras é de caráter incondicional, Deus se compromete a fazer. Só nos resta saber quem será este descendente que sentará no trono, uma vez que Israel está novamente em sua terra e formando novamente uma nação, sobre isto o apóstolo Pedro em Atos 2:30-31:
Sendo, pois, profeta e sabendo que Deus lhe havia jurado que um dos seus descendentes se assentaria no seu trono, prevendo isto, referiu-se à ressurreição de Cristo, que nem foi deixado na morte, nem o seu corpo experimentou corrupção.
Lucas 1:31-33 esclarece:
Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim.
Ao amilenistas (os que não crêem na existência de um milênio literal) tem lutado para provar que este reino é espiritual e que a igreja cumpre esta promessa, onde Jesus, o descendente de Davi, reina soberano, no entanto para tal interpretação é necessário espiritualizar demasiadamente o texto e seu cumprimento, não observando que desde o início os eventos prometidos como: o nascimento de Salomão, a construção do templo, seu reinado, seus pecados e castigo divino, como também a permanência da misericórdia do Senhor em sua vida, que foram cumpridos literalmente. Estes acontecimentos literais, indicam o caráter da promessa, o fato é que os amilenistas argumentam que estes cumprem apenas a parte literal da aliança, permanecendo a parte espiritual cumprida por Cristo ao longo de seu reinado sobre a igreja.
O reino prometido a Davi era totalmente literal, o próprio Jesus pregou o reino dessa forma em Mt 25:31-33.

Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda.
Não há a menor base para um reino espiritual cumprir este aspecto da aliança, o fato de em apocalipse Jesus ser apresentado num trono não permite ligação ao trono de Davi, apenas indica a majestade de Cristo. O profeta Ezequiel também fala da permanência literalmente perpétua do trono de Davi em 37:24:
O meu servo Davi reinará sobre eles; todos eles terão um só pastor, andarão nos meus juízos, guardarão os meus estatutos e os observarão.
Jesus é o grande rei “que veio para os seus, mas os seus não o receberam”, porém retornará e estabelecerá seu trono. Deus tem providenciado a preservação da casa de Davi, isto é, a nação de Israel, a qual irá, no final da grande tribulação, ter seu trono ocupado através de seu “descendente”, Jesus que virá para instituir seu reino eterno.
2.5- NOVA ALIANÇA
Esta com certeza é das quatro a que traz mais dúvidas e questionamentos, no entanto quando averiguamos as Escrituras todos desencontros se dissipam. Deus havia estabelecido uma aliança com Moisés (Ex. 19:1-25), nela foram prometidos benefícios exclusivos à nação de Israel, entretanto esta aliança era temporária, e assim é chamada em Hebreus 8:13, por isso em Jeremias 31:31-33, Deus promete uma nova e definitiva aliança, chamada de eterna em Is 61:8, na qual eram prometidas bênçãos materiais e espirituais definitivas para Israel. O texto de Jeremias 31:31-40 diz o seguinte:
Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei um concerto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme o concerto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, porquanto eles invalidaram o meu concerto, apesar de eu os haver desposado, diz o SENHOR. Mas este é o concerto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o SENHOR: porei a minha lei no seu interior e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. E não ensinará alguém mais a seu próximo, nem alguém, a seu irmão, dizendo: Conhecei ao SENHOR; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior, diz o SENHOR; porque perdoarei a sua maldade e nunca mais me lembrarei dos seus pecados. Assim diz o SENHOR, (…) esta cidade será reedificada para o SENHOR, desde a Torre de Hananel até à Porta da Esquina.(…) Esta Jerusalém jamais será desarraigada ou destruída.
O resumo desta promessa de aliança é:
1. A promessa de uma nova e futura aliança;
2. Esta promessa é exclusiva a Israel e a casa de Judá;
3. Uma conversão real e definitiva;
4. Comunhão eterna entre Deus e Israel;
5. Perdão dos pecados e esquecimento dos mesmos por parte de Deus;
6. Jerusalém será reedificada e eternizada.
Encontramos uma repetição desta aliança em Ezequiel 37:21-28, os termos são os mesmos, porém destacamos os versos 26 e 27 que dizem:
Farei com eles aliança de paz; será aliança perpétua. Estabelecê-los-ei, e os multiplicarei, e porei o meu santuário no meio deles, para sempre. O meu tabernáculo estará com eles; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.
O escritor de Hebreus defende o sacerdócio de Cristo como sendo o mediador da nova aliança (Hb 8:6) e diz que a primeira aliança era ineficaz, falando da mosaica, que, portanto, deveria ser substituída por uma eficaz e eterna (Hb 8:7,13). O escritor continua no capítulo 9 a discorrer o assunto dizendo que Moisés ao receber a lei (aliança) aspergiu sangue sobre o povo, sobre o tabernáculo e os vasos do ministério (v.19-21) “dizendo: Este é o sangue da aliança, a qual Deus prescreveu para vós outros”. E complementa dizendo que “quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e, sem derramamento de sangue, não há remissão”. O fato é que ano após ano haveria de fazer novos sacrifícios para se alcançar o “perdão” dos pecados, tornando esta aliança incompleta, ou, como diz o escritor, ”uma sobra de bens futuros”. Jesus sendo o próprio sacrifício aceitável diante de Deus, (Hb 9: 11-17) tornou-se o mediador desta aliança, tornado-a perfeita e completa.
Um problema surge quando observamos que esta, como todas as outras, foram feitas com Israel e a Casa de Judá e não com a igreja, isso quer dizer que esta não pode cumprir a aliança pois apenas Israel e Judá o poderiam fazer. Vemos na proclamação da aliança Deus dizer “Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei um concerto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá”. O caso é que os amilenistas dizem que a igreja hoje cumpre esta aliança tornando desnecessário um milênio literal, no entanto é impossível, pois, aqueles que crêem no sacrifício de Jesus pela fé, são, como diz o apóstolo Paulo, enxertados (Rm 11:24), não são ramos naturais, a relação que existe entre a igreja e a nova aliança, é apenas de beneficiamento por parte da igreja, esta participa de suas bênçãos, porém, não pode cumpri-la. Nos pontos da aliança vistos anteriormente fica claro que na nova aliança, Deus estabeleceria um novo relacionamento com Israel, devolvendo-lhe Jerusalém, permitindo sua reedificação definitiva e prometendo estar no meio deles. Todos os pontos desta aliança são também definitivos e eternos, e isto, até hoje nunca se viu acontecer na nação de Israel, o porque tem resposta simples, a aliança é futura para eles.
João em seu Evangelho fala da oportunidade que a nação teve em estabelecer a nova aliança e com ela o reino messiânico, dizendo que Jesus “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam”, a questão é que Deus tinha um propósito específico que era o de incluir os gentios em seu plano de salvação. “Eu, o SENHOR, te chamei em justiça, tomar-te-ei pela mão, e te guardarei, e te farei mediador da aliança com o povo (Israel) e luz para os gentios (igreja) (Is 42:6). Estes gentios se tornaram a igreja, sendo então, participantes das bênçãos espirituais da aliança através da fé no mediador dela, Jesus Cristo”.
Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.(Jo 1:12)
A conclusão é que o milênio é literal, ao contrario do que dizem os amilenistas, e necessário, pois nele a nova aliança será estabelecida em Israel e Deus cumprirá todos os desígnios desta aliança, como também das outras. Os pormenores referentes ao milênio serão abordados mais adiante.
2.6- O FIM DA ATUAL DISPENSAÇÃO
Das sete dispensações, cinco já foram concluídas: inocência consciência, governo humano, patriarcal e lei, e estamos vivendo a dispensação da graça que dará lugar a milenial. O que é necessário percebermos é que Deus tendo dividido a história da humanidade em dispensações deu para cada uma delas um propósito ou missão e todas elas deveriam ter um inicio e um fim, portanto esta era atual, ou este período de tempo chamado graça em que vivemos terá um fim, o que marcará este fim? Dois grandes eventos marcarão o fim, o arrebatamento da igreja e a volta visível de Jesus para inaugurar o milênio. Nos capítulos seguintes estudaremos detalhes dos eventos como também tudo o que os envolve.
DEFINIÇÃO DOS TERMOS ARREBATAMENTO E VINDA
Neste capítulo buscaremos uma definição esclarecedora quanto à idéia principal que cada termo usado no original quer dizer, pois temos muitos escritores nomeando o arrebatamento e a vinda em glória usando palavras gregas que, como veremos não permitem tal nomeação de modo definitivo.
Os dois eventos, principalmente o primeiro, são esperados ansiosamente pela igreja, pois trarão consigo a consumação de uma expectativa viva e que deve ser alimentada com as palavras de Jesus que disse em João 14:2-3.
Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.
No entanto existem teorias que negam sua existência ou que mesmo reconhecendo a realidade do arrebatamento o colocam em posição errada quanto ao tempo de seu acontecimento, é preciso então definir o evento de uma forma decisiva para romper com as dúvidas.
3.1- ARREBATAMENTO
O termo arrebatamento é encontrado em seu sentido escatológico em I Ts 4:17, quando o apóstolo Paulo explica acerca da situação dos mortos em Cristo na sua vinda e ao dizer com relação ao momento da retirada da igreja diz que os mortos ressurgirão primeiro e:
… Depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor.
Harpádzo (é o termo que é traduzido para arrebatamento), este tem um significado abrangente, em Mateus 11:12 é traduzido como “apoderaram-se” no sentido de tomar para si; já em Mateus 13:19 a idéia é de “roubo” como também em João 10:28; uma tradução menos comum nos encontramos em João 10:12, “atacar” no sentido de investida. É derivado de haireomai (que significa tomar para ii, preferir, escolher, escolher pelo voto, eleger para governar um cargo público). De qualquer forma arrebatamento significa tomar para si, roubar, raptar, capturar; qualquer uma é valida desde que esteja de acordo com o contexto, por isso “harpadzo” em I Ts 4:17 ficaria melhor como:
…depois, nós os que estivermos vivos, juntamente com eles (os mortos ressurretos) seremos levados por Jesus até as nuvens para nos encontrarmos com ele nos ares, e assim, estaremos para sempre com o Senhor.
Alguns comentaristas sugerem roubo ou rapto da igreja como possível tradução, no entanto, a igreja não vai ser tomada indevidamente, pois Jesus a comprou com seu sangue (At 20:28) a obtenção da igreja é legitima. Portanto arrebatamento é o evento em que Jesus vem até as nuvens buscar para si a sua igreja, Paulo adverte a igreja a esperar em santidade e vigilância.
1 Ts 5:23 O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.
3.2- VINDA
Três palavras são usadas para referir-se à vinda de Cristo e estas são utilizadas nos textos originais de várias maneiras, no entanto precisaremos conhece-las para que tenhamos uma compreensão melhor sobre seus significados e se podemos utilizá-las ou não para nomear a vinda gloriosa de Cristo.
Parousia (Sua tradução segundo o dicionário grego de Willian Carey é: presença, vinda, chegada, volta; “visita real, chegada de um rei”) (Souter); “a futura visível volta de Jesus, o messias, do céu para ressuscitar os mortos, realizar o juízo final, e estabelecer formal e gloriosamente o reino de Deus” (Thayer)
Parusia é derivado de pareimi (que significa estar perto, estar a mão, ter chegado, estar presente estar pronto, em estoque, às ordens (Strong).
Seu sentido é abrangente, tanto pode se referir ao arrebatamento quanto à volta gloriosa de Jesus. Em 2Co 10:10 e Fp 2:12 parusia refere-se a presença pessoal de qualquer pessoa; em 1Co 16:17 trata da vinda pessoal de alguém, que no caso é Estéfanas, Fortunato e Acaico, como em Fp 2:12 onde Paulo fala de sua parusia (presença) entre os filipenses em contraste com sua apousia (usência); em 2Ts 2:9 trata do aparecimento do anticristo; em 1Co 15:23, 1Ts 2:19, 4:15 e 5:23 entre outros referem-se ao arrebatamento; e em Mt 24:3, 27, 37, 39, 1Ts 3:13, 2Pe 1:16 entre outros, tratam da vinda gloriosa de Jesus a terra. Concluímos então que parusia não tem condições de ser usada para definir decisivamente e exclusivamente como sendo a vinda no arrebatamento, já que pode significar qualquer vinda. Parusia expressa na língua portuguesa o sentido da palavra “presença”, e esta presença pode ser de qualquer coisa ou pessoa.
O fato é que este termo tem sido usado por vários escritores como sendo a palavra que define o arrebatamento como a “parusia de Cristo”, e isto é um erro, pois o termo , como vimos, pode significar vários tipos de vinda.
Epifhanéia manifestação, aparecimento, “vinda”; literalmente significa “brilho à frente” (Vine). É usada por vários escritores para designar a volta gloriosa de Jesus após a grande tribulação.
Sua raiz epifa sempre está ligada a aparição e manifestação, outra forma é epifhaino (que significa: aparecer, fazer uma aparição, mostrar-se, como em Lc 1:79, At 27:20 e Tt 2:11; e ainda epifhaísco: aparecer, surgir, como em Ef 5:14).
Epifhanéia é usado para de referir a volta gloriosa de Jesus em 2Tm 4:1 “Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino”, e Tt 2:13 “aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” neste versículo encontramos os dois eventos aguardados pela igreja de Cristo, a expressão “bendita esperança” refere-se ao arrebatamento, enquanto “manifestação da glória” trata da vinda gloriosa de Jesus. Em 1Tm 6:14 e 2Tm 4:8 o contexto indica que se trata do arrebatamento e em 2Tm 1:10 o contexto indica claramente se tratar da encarnação de Jesus Cristo; em Mt 24:27 revela o brilho da glória do Senhor Jesus. A conclusão é simples: devido o fato se tratar de vários tipos de vinda e “aparições”, e não definir claramente qual, não pode ser estabelecido que quando se fala da vinda gloriosa e visível de Cristo use-se o termo “a epifhanéia de Cristo”.
Apokalupsis – Revelação, exposição, manifestação. Mesma raiz de apokalupto (revelo, descubro).
Seu uso é freqüente para designar a revelação de Jesus Cristo, ou seja, a sua vinda, no entanto, também não consegue por si só definir qual das vindas está se referindo. Em Lc 17:30, 2Ts 1:7, 1Pe 4:13 nitidamente indica a vinda visível de Cristo; em 1Co 1:7, Cl 3:4 e 1Pe 1:7, 13 refere-se ao arrebatamento. Devido seu significado e uso abrangente também é usado nas Escrituras para referir-se a descobrimento e revelação da palavra de Deus na alma entre outros usos. Em Lc 12:32 fala da revelação da palavra aos gentios; Rm 16:25 e Ef 3:3 falam da revelação do “mistério” que é o plano de Deus para esta era; Ef 1:17 o termo retrata a questão da revelação do conhecimento de Deus à alma do homem e etc… Portanto, fica difícil provar que este termo indique claramente que evento ele se refere já que alem, de ser utilizado para relatar os dois, tem outros usos.
Phanerósis – Existe ainda uma palavra usada por alguns escritores para designar a volta gloriosa de Cristo, que é Phanerósis, no entanto, esta não é usada nos textos que falam da vinda de Cristo, este termo aparece em 1Co 12:7 “A manifestação (phanerósis) do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso”, não indicando a manifestação de Cristo na sua vinda, mas uma manifestação do Espírito Santo, no sentido simples de demonstração. O verbo que está relacionado ao termo em questão é phaneró (revelar, mostrar, fazer conhecido, como em Mc 4:22; Jo 7:4; 17:6; 21:14; Rm 1:19; 3:21; 2Co 2:14; Ef 5:13; 1Tm 3:16; Tt 1:3; Hb 9:8; 9:26; 1Jo 1:2 e 2:28). Nunca e em nenhuma de suas formas (phanerós-adjetivo, phanerôs-advérbio ou phaneró-verbo) o termo se refere à manifestação de Cristo.
A conclusão final a que chegamos é que cada palavra dessas não foi introduzida no texto com a intenção de classificar qual das vindas o escritor se referia, mas sim para deixar claro o ensino sobre o retorno do Senhor, cada uma delas revela características marcantes sobre sua volta; Parusia expressa que a vinda manifestará sua presença; epiphanéia trata da volta como algo glorioso devido seu aparecimento e apokalupsis fala da manifestação completa no sentido de se revelar, tornar-se conhecida sem qualquer obscuridade, perante o mundo, como Rei dos reis.
Adendo Cultural
Escolas e Tempos – Reflexões sobre o Apocalipse
A maioria das diferentes escolas de interpretação pode ser entendida na forma em que seu método explica o tempo. Os preteristas afirmam que a maior parte do Apocalipse tem sua principal referência no passado. Os futuristas declaram que a maior parte do livro ainda deverá ter cumprimento futuro. Os historicistas estão seguros de que o livro foi cumprido parcialmente no passado, está ainda tendo cumprimento no presente, e somente se cumprirá plenamente no futuro.
A escola Idealista rejeita todas essas três escolas. O idealista diz que essas três escolas são por demais específicas ao interpretar os símbolos proféticos. O idealista busca um método de interpretação mais espiritual, filosófico ou poético.
Escola do Idealismo
A escola idealista de interpretação julga que o livro de Apocalipse é um desdobrar de princípios em figuras. O propósito do livro de Apocalipse não é falar de eventos específicos a virem. É somente para ensinar verdades espirituais que podem ser aplicadas a todas as situações (ou serem delas derivadas).
Contudo, é difícil ver um propósito no livro de Apocalipse se for somente um retrato detalhado de princípios encontrados noutras partes. Se tais princípios já foram ensinados claramente alhures, por que agora se apresentam em forma tão misteriosa?
Erdman indaga:
. . . os princípios não se tornam até mais impressionantes quando incorporados em eventos que o autor viu, e em eventos ainda mais momentosos que nas visões proféticas ele contemplou no horizonte de uma era mais luminosa que deveria ainda raiar? (Chrles R. Erdman, Revelation, p. 25)
Incoerências do Idealismo
Absoluta coerência é impossível para o Idealismo, tanto quanto para todas as outras escolas. O Apocalipse descreve a segunda vinda de Cristo. Se esse for um evento histórico real, por que alguns dos retratos dos eventos do Apocalipse antes disso também são históricos?
É impossível divorciar qualquer livro de sua ambientação histórica. Isso é duplamente verdadeiro com respeito ao livro do Apocalipse porque é o exemplo máximo de literatura apocalíptica. Todo esse gênero literário trata com história. Não está interessado em abstrações.
Escola Preterista
O preterismo é a metodologia mais popular para o exame do Apocalipse entre os eruditos críticos. Essa escola é também conhecida como a contemporânea-histórica. Essa escola inclui exegetas tão brilhantes quanto Beckwith, Swete, Ramsay, Simcox, Moses Stuart, e F. F. Bruce.
Esses escritores entendem que as principais profecias do livro do Apocalipse cumpriram-se na destruição de Jerusalém (em 70 AD) e na queda do Império Romano.
A força do Preterismo é que se baseia em considerável montante de verdade. O livro de Apocalipse de João deve ter feito sentido para os seus primeiros leitores, seus contemporâneos. Que pastor escreveria uma carta para o seu rebanho que não tivesse imediato significado para essas ovelhas?
Protesto Contra o Preterismo
O principal defeito do Preterismo é que parece deixar a igreja ao longo das era sem direção específica. Milligan declara:
. . . o livro [de Apocalipse] apresenta distintamente em sua aparência o fato de que não está confinado ao que o Vidente contemplou imediatamente ao seu redor. Trata de muito do que devia acontecer até o pleno cumprimento da luta da Igreja, a completa conquista de sua vitória, e o integral alcance de seu descanso. A Vinda do Senhor tão freqüentemente referida certamente não se esgotou naquela destruição da política judaica que agora sabemos que devia preceder por muitos séculos o encerramento da Dispensação presente; e os inimigos de Deus descritos continuam a sua oposição à verdade não meramente num ponto determinado e próximo, quando são contidos, mas ao final, quando são derrotados derradeiramente e para sempre. Há uma progressão no livro que é somente detida com o advento final do Juiz de toda a Terra; e nenhum sistema justo de interpretação nos permitirá considerar as diferentes pragas dos Selos, Trombetas, e Taças como simbólicos somente de guerras que o Vidente havia contemplado em seus princípios, e que sabia que terminariam com a destruição de Jerusalém e Roma. Contra a idéia de que São João estava limitado aos acontecimentos de seu próprio tempo o tom e espírito do livro são um contínuo protesto. Nem se pode alegar que ele combine isso com o que se daria por fim, deixando, por razões inexplicadas da parte dele, um longo intervalo de tempo sem notícia. Não há evidência de um intervalo. Os relâmpagos e trovões se desencadeiam em sucessão próxima desde o princípio até o fim do livro. Julgado mesmo por seu caráter geral, o Apocalipse não pode ser interpretado segundo esse sistema moderno. (W. Milligan, Lectures, págs. 141, 142).
O Preterismo Ignora o Futuro
Deixamos o Preterismo com as palavras do profeta João ecoando em nossos pensamentos: “Sobre para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas”. Apocalipse 4:1. Tenney escreveu:
A fraqueza desse ponto de vista [o Preterismo] é sua limitação terminal. Obviamente os juízos preditos não se cumpriram, e conquanto figurativamente se possa interpretar a conquista do mundo por Cristo e o retrato de um juízo final, nada disso ainda apareceu. O preterista tem uma interpetação que possui um firme pedestal, mas que não dispõe de uma escultura acabada para nela ser firmada. (M. C. Tenney, Revelation, pág. 144).
A Escola do Futurismo
O futurismo situa-se no outro extremo da interpretação, com relação ao preterismo. O futurismo acredita que o livro de Apocalipse, com a possível exceção dos três primeiros capítulos, aplica-se totalmente ao futuro. O Futurismo aponta à tribulação final da igreja e é, portanto especialmente dirigido aos crentes nos primeiros últimos anos da história. Digo “especialmente” porque nenhum futurista nega o valor presente das promessas e princípios achados na profecia.
Diz Todd sobre o Apocalipse:
Não devemos, destarte, procurar o cumprimento de suas predições nem nas primeiras perseguições e heresias da igreja nem na longa série de séculos desde a primeira pregação do Evangelho até agora, mas nos eventos que devem imediatamente preceder, acompanhar e seguir-se ao Segundo Advento de nosso Senhor e Salvador. (J. H. Todd, Six Discourses on the Apocalypse, quoted by W. Milligan, Lectures, p. 135).
Futurismo e Literalismo
Os futuristas tendem a ser literalistas. Seguem a regra de que “todas as declarações proféticas devem ser interpretadas literalmente a menos que evidência contextual, ou o bom senso, tornem esse procedimento impossível”. A maioria dos expositores (outros que não os futuristas) dizem que essa regra devia ser revertida quando interpretando-se o Apocalipse.
As objeções ao Futurismo são semelhantes àquelas contra o Preterismo. O Futurismo torna o livro de Apocalipse de pouco valor para a maioria dos cristãos no que se refere ao desenrolar da maior parte da história. A maioria dos cristãos são ignorados ao longo da história. Dirige-se somente aos que vivem nos últimos momentos da história. O Futurismo estreita demasiadamente a perspectiva da Revelação.
A Igreja Sobre a Terra
Uma posição básica assumida por futuristas dispensacionalistas é de que após Apocalipse 4:1 a igreja nunca é vista sobre a Terra. Alegam que os capítulos 6 ao 19 somente retratam um remanescente judaico.
A resposta a isto é que o livro de Apocalipse representa a igreja no céu misticamente. Isto se dá por causa da união da igreja com o Seu assunto Senhor.
Outros versos do Novo Testamento encaram a igreja nessa forma mística (Efés. 2:6; Fil. 3:20, Col. 3:1). Os membros da igreja que originalmente leram esses versos de que a igreja estava no céu o fizeram enquanto fisicamente sobre a Terra!
Apocalipse 7, 11 e 12 retratam a igreja cristã sobre a Terra. Certamente esses capítulos o fazem sob o simbolismo do antigo povo do concerto de Deus. Contudo, qualquer método de interpretação que admite o simbolismo judaico da revelação literalmente torna o livro sem sentido. O próprio estofo da literatura apocalíptica é pictórico e emblemático, não o literal.
O livro de Apocalipse inteiro é dirigido aos servos de Cristo, ou seja, às igrejas cristãs. Aqueles que foram mortos por confessarem o evangelho de Cristo são mencionados sob o quinto selo. Apocalipse 8 fala das orações de todos os santos (“santos”, no Novo Testamento significa somente cristãos ou anjos).
A Escola do Historismo
O historicismo é o método de interpretação da profecia que declara que o livro do Apocalipse é um histórico profético da igreja e do mundo, desde o tempo de João até o segundo advento.
As predições dadas no livro do Apocalipse não são somente movimentos gerais na história, declara o Historicismo. Mesmo eventos específicos são preditos. Isso inclui a identificação de datas reais do calendário.
Historicistas destacados incluem Begel, Mede, Newton, Elliott, e Guinness. O livro Prophetic Faith of Our Fathers [A fé profética de nossos pais], de L. E. Froom, é um esplêndido compêndio do Historicismo e sua apologia. Alista os nomes e posições expositórias de centenas de intérpretes.
Hoje, somente um pequeno número de eruditos protestantes são conhecidos como historicistas. Esses eruditos se acham somente em grupos isolados. Os mais conhecidos dentre tais grupos são os membros da denominação adventista do sétimo dia.
Três Problemas do Historicismo
M.C. Tenney fez sua crítica ao historicismo:
Há várias objeções a uma interpretação do Apocalipse segundo um ponto de vista completamente historicista. Primeiramente, a exata identificação dos eventos da história com sucessivos símbolos nunca foi finalmente empreendida, mesmo após os acontecimentos terem-se dado. É razoável supor que durante o lapso de 1.900 anos pelo menos uma porção das predições teriam tido cumprimento. Se tivessem de ter algum valor para o leitor do Apocalipse como uma indicação de seu lugar dentro do processo histórico, deviam ser identificáveis com certeza. Tal, contudo, parece não ser o caso. Os pontos de interpretação sobre o qual a maioria dos intérpretes doutrinários concorda que podem ser interpretados como tendências tanto quanto eventos. Uma vez que as tendências podem ser evidentes em qualquer período da história, tais profecias não apontam a nenhuma época.
Em segundo lugar, os intérpretes históricos não têm explicado satisfatoriamente porque uma profecia geral deva confinar-se às fortunas do Império Romano ocidental. A interpretação histórica destaca principalmente o desenvolvimento da igreja na Europa ocidental; pouca atenção dá ao Oriente. Contudo, nos primeiros séculos da era cristã a igreja aumentou tremendamente no Oriente, e difundiu-se até alcançar a Índia e China, embora não tenha conseguido uma base permanente em todas as regiões desses países. Se um método contínuo-histórico deva ser seguido, deve ter um escopo mais amplo.
Em terceiro lugar, se o método contínuo-histórico for válido, suas predições teriam sido suficientemente claras desde o princípio para dar ao leitor alguma pista do que significavam. Se o fogo e a saraiva da primeira trombeta (8:7) realmente se referiam às invasões dos godos, é difícil ver como qualquer cristão do primeiro século poderia ter entendido a predição de tal modo a ter qualquer valor de sua parte para sua reflexão. (M. C. Tenney, Revelation, pp. 138, 139).
O Historicismo Não Tem Aplicação aos Primitivos Cristãos
Notem também a queixa de Hendriksen contra um livro historicista de orientação de esquerda:
Sobre minha mesa jaz um comentário recentemente publicado sobre o Apocalipse. É um livro muito “interessante”. Considera o Apocalipse como um tipo de história escrita em antecipação. Descobre nesse último livro da Bíblia copiosas e detalhadas referências a Napoleão, às guerras balcânicas, à grande guerra européia de 1914-1918, ao ex-imperador germânico Guilherme, Hitler, e Mussolini, N.R.A., etc. -nosso veredito? Essas explicações e coisas desse tipo devem ser descartadas imediatamente. . . . Diga-me, caro leitor, que benefício os cristãos severamente perseguidos e sofredores do tempo de João obteriam de predições específicas e detalhadas concernentes às condições européias que prevaleceriam cerca de dois mil anos depois? (W., Hendriksen, More Than Conquerors, p. 14).
Essa crítica é válida.
O Historicismo Ignora os Ciclos da História
Os filósofos da escola historicista percebem que a história é cíclica. (O cristão entende que esses ciclos têm lugar dentro da linha reta da história que se estende da Criação à Segunda Vinda).
Em todas as eras, Deus e Satanás seguem princípios apropriados ao caráter que possuem. É por tal razão que a história se “repete”, conquanto em diferentes graus de desenvolvimento. A luta entre o bem e o mal produz situações semelhantes durante diferentes épocas da história. Se o historicista estrito devesse reconhecer essa natureza obviamente cíclica da história, deixaria de ser um historicista estrito.
O Historicismo é Demasiado Extra-Bíblico
Outra objeção ao historicismo é que requer muito conhecimento extrabíblico. O estudante da Bíblia deve depender de historiados, como Gibbon, D’Aubigné ou Wylie. Moisés, os profetas, os evangelhos e as epístolas não seriam suficientes?
O Historicismo Ignora a Iminência
Nossa última crítica é a mais forte. Os historicistas criam cuidadosos esquemas ou gráficos de cálculos de longo prazo. Mas esses esquemas negam a clara evidência do Novo Testamento de que nunca foi ideal de Deus que muitos séculos dividissem os dois adventos de Cristo.
De uma forma ou de outra, o pensamento de que os vários eventos preditos no livro de Apocalipse devessem ter lugar num futuro não distante é especificamente declarado sete vezes-“coisas que em breve devem acontecer” (caps. 1:1; 22:6), “o tempo está próximo” (cap. 1:3), e “Venho sem demora” (cap. 3:11; 22:7; 12, 29). Referências indiretas à mesma idéia aparecem nos caps. 6:11; 12:2; 17:10. A resposta pessoal de João a essas declarações do breve cumprimento dos propósitos divinos foi, “Vem, Senhor Jesus!” (cap. 22:20).
Em qualquer um dos vários pontos críticos da história deste mundo, a justiça divina poderia ter proclamado, “Está feito!” e Cristo poderia ter vindo para inaugurar o Seu reino de justiça. Há muito tempo atrás poderia ter posto em execução os Seus planos para a redenção deste mundo. Assim como Deus ofereceu a Israel a oportunidade de preparar o caminho para o Seu reino eterno sobre a Terra, quando se estabeleceram na Terra Prometida e novamente quando retornaram de seu cativeiro babilônico, assim Ele deu à igreja dos tempos apostólicos o privilégio de completar a comissão evangélica.
. . . embora o fato de que a segunda vinda de Cristo não se baseie em quaisquer condições, a repetida asserção das Escrituras de que a vinda está iminente era condicionada à resposta da igreja ao desafio de concluir a obra do evangelho em sua geração. A Palavra de Deus, que séculos atrás declarou que o dia de Cristo “vem chegando” (Rom. 13:12), não falhou. Jesus teria vindo muito rapidamente se a igreja tivesse realizado sua obra designada. . . .
Assim, a declaração do anjo do Apocalipse a João com respeito à iminência do retorno de Cristo para terminar o reino de pecado deve ser entendida como uma expressão da vontade e propósito divinos. Deus nunca teve o propósito de delongar a consumação do plano da salvação, mas sempre expressou Sua vontade de que o retorno de nosso Senhor não se retardasse demasiado.
Essas declarações não devem ser entendidas em termos da presciência de Deus de que ocorreria um atraso tão grande, nem mesmo à luz da perspectiva histórica do que realmente teve lugar na história do mundo desde aquele tempo (SDA Bible Commentary [Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia], vol. IV, pp. 728-729).
Eu concordo. Não que Deus Se tenha frustrado. Não, por momento algum. Deus sempre oferece um ideal que é capaz de ser alcançado por completa dependência nEle. Lamentavelmente, isso é raramente reconhecido.
Graças a Deus Por Todas as Escolas
Que concluiremos a respeito das várias escolas de interpretação? Somos gratos a Deus por elas todas! Mas nós mesmos praticamos o ecletismo. Todas as escolas têm a verdade, bem como problemas. Obtemos a verdade de cada uma dessas escolas.
Devemos ver essas várias escolas e metodologias como reflexões fragmentadas da verdade integral. Vejamos novamente a necessidade de “afirmar o que é afirmado, mas negar as negações”.
As Melhores Ferramentas de Interpretação
Devemos sempre começar nossa exegese (ou interpretação) da Escritura considerando as pessoas e tempos a que sua mensagem se dirigia. Para entender o que lhes foi escrito devemos entender o que para eles significava.
Juntamente com isso, reconheçamos a sabedoria de Deus, cujos anos não têm fim e que prometeu nunca esquecer a igreja. Este é Aquele que declarou através de Amós: “Certamente, o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas”. (Amós 3:7).
Certamente Este pode ser digno de confiança quanto a que manterá a sua promessa.
Em vista de que Deus nunca muda os Seus justos caminhos, Ele será o mesmo em todas as épocas. As obras de Deus sempre refletirão o mesmo selo, conquanto estejam em diferentes estágios de desenvolvimento.
O princípio apotelesmático vê sucessivos cumprimentos da profecia. Esses cumprimentos atingem o clímax nos últimos dias. É provavelmente a melhor ferramenta interpretativa de todas quando a ligamos com os princípios contextuais gramaticais, históricos e hermenêuticos.
Ferramenta Espiritual de Interpretação
Finalmente, é verdade que somente os puros de coração verão a Deus (Mat. 5:8). É verdade que os perversos prosseguirão agindo impiamente e nenhum desses perversos entenderá (Daniel 12:10).
Portanto, todo exegeta, todo estudante da Bíblia deve dizer: “Como vai a minha alma”?
Devemos perguntar: “Já compreendi o evangelho eterno que mudou nosso mundo no primeiro século? Que novamente o mudou no século dezesseis? Que é o único fator que pode transformar o nosso triste e lamentável tempo? Esse evangelho já me transformou?”
Quando está bem a minha alma, aceitarei com equanimidade seja o que os tempos (na providência divina) me reservem. Continuamente ajustarei o meu pensamento segundo a luz progressiva.
Mesmo nossas deficiências como intérpretes das profecias cooperarão para o bem! Elas nos situarão em humildade perante Deus, que somente é a Verdade. Deus somente pode fortalecer-nos a caminhar nessa verdade.
O TEMPO DO FIM
Muitos estudiosos têm buscado nas Escrituras sinais evidentes que marquem efetivamente o tempo da volta de Cristo, o fato é que muitos destes argumentos são apenas especulações infundadas. Grande é a diversidade de pensamentos quanto aos sinais da vinda de Cristo ou mesmo do arrebatamento da igreja, o que procuraremos tratar neste capítulo serão pontos chave que marcam e denunciam o tempo do fim, ou seja, fatos e características que indicam, biblicamente, como estaria a sociedade, a igreja e até o meio político no tempo próximo à vinda do Senhor.
4.1 – MATEUS 24
Um dos grandes problemas teológicos a respeito dos sinais da vinda de Cristo, se encontra em Mateus 24 e suas passagens paralelas, Marcos 13 e Lucas 21, neste texto os discípulos fazem uma pergunta a Jesus: “Dize-nos quando sucederão estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século”. (Mt 24:3), a mesma pergunta é feita em Lucas e Marcos, porém, de maneira diferente: “Mestre, quando sucederá isto? E que sinal haverá de quando estas coisas estiverem para se cumprir?” (Mc 13:4 e Lc 21:7). A diferença na pergunta se dá devido o interesse do autor do evangelho, no caso de Mateus, seu evangelho foi escrito para judeus que conheciam as promessas messiânicas e aguardavam ansiosamente seu cumprimento, sendo necessário incluir a parte originalmente feita pelos discípulos a Jesus onde era perguntado quando seria sua volta para inaugurar o reino messiânico, isto também demonstra que os discípulos viam Jesus como o messias esperado. No caso de Marcos e Lucas, seus evangelhos foram escritos para gentios, estes não conheciam as profecias referentes a um reino messiânico, portanto era desnecessário incluir esta parte evitando dúvidas por parte dos futuros leitores, é importante ressaltar que nunca o Espírito Santo deixou de estar no controle da inspiração de todos os textos sagrados, se estas aparentes diferenças existem o Espírito Santo as permitiu.
Os discípulos fizeram uma pergunta dupla: 1) quando sucederão estas coisas 2) e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século. Alguns escritores entendem que a pergunta foi tripla, dizendo que quando perguntaram que sinal haveria da consumação do século, desvinculavam esta consumação de sua volta, no entanto, a frase não permite isso, pois eles perguntaram de uma forma que demonstra claramente que os discípulos associavam seu retorno ao fim desta era. Existe, também um grande problema em várias traduções com relação “consumação do século”, o caso é que em algumas bíblias encontramos uma tradução mal aplicada de (sinteléias tú aiônos) que é traduzido por “fim do mundo”, sinteléias segundo o dicionário grego de Carey, significa consumação, fim, acabamento, completamento e aiõn (os), significa: ciclo, era, época, eternidade; também pode ser traduzido por mundo, porém, apenas na questão temporal, espaço de tempo. O mundo físico, o planeta, no original grego é(kosmos). Sobre a tradução do termo Strong faz a seguinte o seguinte comentário:
“Freqüentemente traduzem aion (por mundo, dessa forma obscurecendo a distinção entre esta e kosmos). Aion é geralmente melhor traduzida como geração, é o mundo num dado momento, um período particular na história mundial”.
A tradução de fim do mundo não tem apoio do texto original nem do contexto, já que os discípulos aguardavam Jesus para governar a terra como rei, portanto ao perguntarem não se referiam ao término da humanidade, ou a destruição do planeta, mas sim o fim de um tempo, para dar-se início a outro, que no caso era o reino messiânico.
Devido o que Jesus havia dito referente à destruição do templo, veio dúvida, quando isto acontecerá? Diante também de outros ensinos sobre um futuro retorno para reinar e julgar a terra eles perguntaram, que sinal haveria para identificar a destruição do templo como também o seu retorno.
4.1.1- O problema dos sinais
Existe uma grande dificuldade para qualquer que se deter a estudar Mateus 24, pois este capítulo trata de assuntos de acontecimentos breves, mas também de acontecimentos mais distantes, Jesus faz comentário de sua volta a terra e também de juízos vindouros, todos os assuntos se misturam no decorrer do discurso trazendo dificuldade de interpretação. O que nos cabe é buscar a melhor harmonização possível dos textos sem ferir o contexto, numa busca das verdades escatológicas. Existem basicamente três teorias a respeito dos sinais de Mateus 24 1:15, que são:
a) Os sinais apontam apenas para a destruição de Jerusalém
Esta é defendida pelos amilenistas que dizem ser os sinais, a resposta de Jesus a respeito da destruição do templo e da cidade, a qual se cumpriu no ano 70d.C.
Os fato de Jesus iniciar sua resposta aos discípulos dando-lhes sinais, isso não indica que estes se referiam a destruição do templo, já que a pergunta também era com respeito a sua volta. Também podemos destacar que predições feitas por Jesus não se cumpriram naquele tempo, como, por exemplo, terremotos em grande escala, guerras mundiais (v.7), e muito menos a pregação do evangelho em todo o mundo vindo após isso o fim (v.14). Portanto é impossível afirmar que os sinais indicam a destruição de Jerusalém.
b) Os sinais apontam para o arrebatamento da igreja, estes vem se cumprindo ao longo dos anos, porém tendo se intensificado nos últimos tempos.
Esta teoria é defendida por uma parte dos pré-milenistas, estes acreditam que os sinais estão ligados diretamente ao arrebatamento.
Esta possibilidade é grande, porém, tem alguns problemas já que, 1 – Segundo Jesus não haveria sinais diretos e específicos que marcariam o arrebatamento da igreja (Mt 24:36-44), 2 – O texto de Mt 24:3-15 não é especifico e trata de um longo período de tempo, temos ainda o versículo 14 e 15 que se referem diretamente ao período tribulacional, seguido pela volta visível de Cristo.
c) Não existem sinais diretos para marcar o arrebatamento, estes sinais descritos em Mateus acontecerão após o arrebatamento marcando o retorno glorioso de Cristo e o fim da grande tribulação.
Uma parcela dos pré-milenistas pré- tribulacionistas, pensam desta forma. O Dr Ryrie, comentarista da Bíblia Anotada, é um dos grandes defensores da teoria.
De todas, esta parece ser a mais lógica, o que não quer dizer que seja a correta. Ryrie faz um paralelo entre os sinais de Mateus e os quatro primeiros selos de apocalipse no qual encontramos certa harmonia entre os eventos descritos em Mateus com os descritos em Apocalipse. A teoria apresenta os sinais como ligados ao retorno visível de Cristo, não permitindo que haja sinais diretos ao arrebatamento, e isto tem fundamento bíblico.
Os selos de Ap 6: 1-7 Os sinais de Mateus 24
V.2) Um falso Cristo. “Vi, então, e eis um cavalo branco e o seu cavaleiro com um arco; e foi-lhe dada uma coroa; e ele saiu vencendo e para vencer.” V.5) Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos.
V.4) E saiu outro cavalo, vermelho; e ao seu cavaleiro, foi-lhe dado tirar a paz da terra para que os homens se matassem uns aos outros; também lhe foi dada uma grande espada. V.6) E, certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras;
V.5) Então, vi, e eis um cavalo preto e o seu cavaleiro com uma balança na mão.(…) Uma medida de trigo por um denário; três medidas de cevada por um denário; V.7) Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares;
V.8) E olhei, e eis um cavalo amarelo e o seu cavaleiro, sendo este chamado Morte; V.9) Então, sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome.
A fim de completar este raciocínio podemos utilizar o quinto selo que fala dos mártires do período tribulacional, em especial o v.9, comparando-o a predição de Cristo onde se refere a morte de seus discípulos por causa de seu nome (Mt 24:9-10). Também se pode utilizar o sexto selo onde são vistos sinais no céu (v.12-14) e compará-los a Lucas 21:25. O Sétimo selo, que marca o inicio da segunda metade da grande tribulação onde se inicia o período de maior terror sobre Israel, como também a investida da Besta sobre a nação, entra em harmonia com o cerco de Jerusalém profetizado na passagem de dupla referencia de Mt 24:15-21, que também se refere ao inicio desta segunda fase.

É importante ressaltar que independente destes sinais não estarem ligados diretamente ao arrebatamento sua preparação pode servir de indicador para demonstrar a sua proximidade, é como Jesus disse em Mt 24: 31-32.
Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. Assim também vós: quando virdes todas estas coisas, sabei que está próximo, às portas.
4.2- OS SINAIS DO TEMPO DO FIM
Independente dos sinais de Mateus serem ou não indicadores do arrebatamento temos outros sinais nas Escrituras que apontam para o tempo do fim, muito mais que identificar a proximidade da volta de Jesus, revelam aspectos sociais, morais e religiosos que aconteceriam justamente no tempo em que o Senhor voltaria. Buscaremos nas epístolas referencias de como estaria a igreja e mundo no tempo de sua manifestação. É certo que estes sinais não estão apenas no tempo do fim, mas sim por todo o decorrer da história da igreja, o que os escritores queriam deixar claro é que no fim dos tempos estes sinais se tornariam evidentes e corriqueiros.
4.2.1- Apostasia
“Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé” (ITm 4:1).
O apóstolo Paulo é enfático ao dizer isto, o fato é que o inicio do cristianismo foi marcado por alguns movimentos locais que traziam variações ao cristianismo recém inaugurado. As comunidades cristãs que se formavam eram lideradas muitas vezes por pessoas que tinham um conhecimento muito limitado a respeito de Cristo, não havia a palavra escrita, portanto muito do que se dizia não era bem verdade. No entanto o que Paulo quer dizer a Timóteo é referente aos últimos tempos, é claro que Timóteo não necessitava desta advertência, isto porque ela era para o tempo do fim, ou melhor, para a igreja que viveria esta época.
A tradução de apostasia no grego é, revolta, rebelião, afastamento doutrinário e religioso. Podemos dizer que no sentido de fé significa o desvio ou afastamento de um propósito definido, que é o de servir a Deus, podemos encarar o apóstata com desertor da fé. A palavra traduzida por divórcio no grego é uma palavra derivada de apostasia, daí então, da para nos termos uma idéia mais clara do que é apostatar da fé, é divorciar-se de Deus.
Esse grande mal que assola o meio cristão tem se desenvolvido rapidamente. A igreja de Laodicéia (Ap 3:14-22) que é uma representação da igreja atual traz consigo a evidente marca da apostasia espiritual, “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!”.
4.2.2- A generalização de desvios doutrinários
“Por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que tem cauterizada a própria consciência”
Paulo dá o motivo da apostasia: os desvios doutrinários. Hoje o estado de frieza e indiferentismo toma conta das igrejas que se tornam a cada dia mais politizadas e menos espirituais, mais humanistas e menos cristocêntricas. O uso de filosofias e práticas espíritas, a criação de doutrinas que giram em torno da prosperidade plena, ensinos sobre a obrigatoriedade de Deus abençoar seus servos etc, formam o novo quadro teológico de muitas igrejas, a verdade é que virou um bom negócio. Todo esse desvio doutrinário vem criando uma geração de cristãos puramente místicos, avessos à sã doutrina. Nunca a igreja de Jesus Cristo esteve numa situação como a atual, onde se perdeu o padrão bíblico para o cristão, isto se torna uma evidencia marcante, pois o apostolo diz que nos últimos tempos a igreja estaria como está hoje.
4.2.3- Degradação moral generalizada
Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus (IITm 3:1-4)
Este texto da epístola a Timóteo tem uma relação muito estreita com Rm 1:28-32 onde o contexto fala da condição pecaminosa em que se encontra a humanidade, também no texto acima a questão é: como estará a condição moral no fim dos tempos? Paulo responde a pergunta de maneira completa e dura, referindo-se a este tempo como “tempos difíceis”. Não é preciso entrar em detalhes para termos a certeza de estarmos vivendo um tempo final, como o descrito por Paulo. O discurso do apóstolo quando analisado no texto original parece trazer uma seqüência de atitudes que vão causando uma progressão negativa na moral da humanidade, ou seja, uma atitude que desencadeia outras.

Paulo começa com a base de toda a degradação moral, o amor a si mesmo e o amor ao dinheiro. Em muitas Bíblias nos encontramos a tradução; egoístas e avarentos ou egoístas e gananciosos, porém Paulo é mais claro que as traduções parecem apresentar, pois o que ele quer dizer é que os homens serão amantes do ego e amantes de dinheiro como encontrado apenas na versão em inglês. O que segue são conseqüências do egoísmo e da ganância.
Traduzindo o texto de uma maneira mais clara, ficaria assim:
“Saiba disto, nos últimos tempos virão tempos difíceis, pois os homens amarão a si próprio e amarão ao dinheiro, terão um coração vaidoso, arrogantes, falarão mentiras contra Deus, desobedientes a pais e mães, ingratos, não cumpridores da religião, terão um coração duro e frio, serão difíceis de entrar em acordo pois não honrarão sua palavra, falarão mentiras contra os outros, sem domínio de seus sentimentos e ações, selvagens, sem amor para com os bons, traidores, agirão sem pensar, orgulhosos, amarão os prazeres da carne mais do que a Deus”.
4.2.4- Desenvolvimento da ciência e transportes
Temos também, em Daniel um indicador muito importante sobre o tempo do fim. “Tu, porém, Daniel, encerra as palavras, e sela o livro, até o tempo do fim; muitos correrão duma para outra parte, e a ciência se multiplicará”.(Dn 12:4)
O tempo do fim também seria marcado por um avanço tecnológico sem precedentes, este seria também estendido aos meios de transporte. Deus revela a Daniel que as pessoas esquadrinhariam a terra, ou seja, iriam de uma parte à outra, também lhe é dito sobre uma multiplicação da ciência, tudo isto temos visto desde o inicio do século XX, pois antes disso não havia muita diferença do meio de transporte no século primeiro ao utilizado no século XIV; as pessoas andavam em carros de boi, as engrenagens dos maquinários eram extremamente rudimentares, não havia equipamentos eletrônicos e etc.
Em nossos dias a ciência já procura criar clones de humanos, e há aqueles que dizem que já conseguiram fazê-los nascer. O fato é que tudo vem indicando que o tempo do fim mencionado por Deus a Daniel tem todas as características de nosso tempo. Quanto à profecia em Apocalipse sobre o uso de um numero (666) para uma identificação mundial já é totalmente possível, temos meios que possibilitam hoje sua existência, como por exemplo, o sistema de código de barras, aliás, este já está sendo descartado, pois já está sendo produzido o biochip, que pode conter quantas informações forem necessárias sobre seus usuários.
4.2.5- Restauração de Israel
No texto de Ezequiel 37:1-14, vemos a profecia referente a restauração nacional, moral e espiritual de Israel , também em Lucas 21:20-24 Jesus profetiza sobre a dispersão de Israel, o qual seria dominado pelos gentios
Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua devastação. Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os que se encontrarem dentro da cidade, retirem-se; e os que estiverem nos campos, não entrem nela. Porque estes dias são de vingança, para se cumprir tudo o que está escrito. Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Porque haverá grande aflição na terra e ira contra este povo. Cairão a fio de espada e serão levados cativos para todas as nações; e, até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles.
Este tempo em que os gentios dominariam sobre Israel é representado pela estátua vista em sonho por Nabucodonozor no capítulo 2 de Daniel, esta sucessão de governos gentios tinham um tempo para dominar sobre todo o Israel e é durante este tempo que os israelitas deveriam ser exilados de sua terra, entretanto Deus prometia que seriam restabelecidos à sua pátria em tempo oportuno.
Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que não sejais presumidos em vós mesmos): que veio endurecimento em parte a Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios. E, assim, todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá de Sião o Libertador e ele apartará de Jacó as impiedades. Esta é a minha aliança com eles, quando eu tirar os seus pecados. Rm 11:25-27
No ano 70 d.C. o general Tito filho do imperador Vespaziano invadiu Jerusalém, destruindo o templo e exilando toda a nação. No entanto a profecia começa a tomar sua forma de cumprimento no ano de 1897 quando Teodoro Herzl inicia o movimento sionista, ou seja, um movimento para a criação de um estado autônomo em Israel, fazendo com que houvesse um grande retorno de Judeus a sua terra natal. Em 14 de Maio de 1948, Sir Alain Cunningham, assina o fim da intervenção britânica na terra santa. Neste mesmo dia o pai do Israel restaurado, David Ben Gurion, lê a declaração de independência do mais novo país do mundo. ÉRETZ-ISRAEL (Terra de Israel).
Hoje Israel está restaurado como estado e terra independente, restando apenas sua restauração espiritual que ocorrerá no final da grande tribulação.
TEORIAS SOBRE O ARREBATAMENTO
Este é o evento mais esperado pela igreja, no entanto esta não é unânime em sua crença, ou seja, não vê da mesma maneira como e quando será o arrebatamento. Neste capitulo serão apresentadas três das quatro teorias a seu respeito, é importante mencionar que esta discussão só existe em meio aos pré-milenistas já que os amilenistas e pós-milenistas não crêem que existirá arrebatamento.
5.1-TEORIA DO ARREBATAMENTO PARCIAL
Das quatro teorias a serem apresentadas apenas a do arrebatamento parcial não discute quando será o evento referente a grande tribulação, ou seja, se antes, no meio ou depois, o que ela traz a discussão é que participará dele. Para o parcialista não são todos os crentes, mesmo sendo autênticos, que serão arrebatados, mas somente um grupo formado por aqueles que estão ansiosamente aguardando seu retorno e são dignos de participar.
Quanto ao tempo os parcialistas são pré-tribulacionistas, crêem que o arrebatamento será antes da grande tribulação, fazendo com que os salvos que não esperavam com ansiedade a volta do senhor passem por ela a fim de aguardarem o retorno visível de Cristo.
Veja no gráfico o pensamento parcialista:
Toda a estrutura desta teoria está baseada nas seguintes referências bíblicas: Mateus 25:1-13; Lucas 21:36 “Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas essas coisas que hão de acontecer e de estar em pé diante do Filho do Homem”; Tito 2:13 “aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo”; Hebreus 9:28 “assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para a salvação.” e I João 2:28 “E agora, filhinhos, permanecei nele, para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e não sejamos confundidos por ele na sua vinda.” Em todas estas referências há uma exortação a vigilância, no entanto não há o menor indicio de que só serão salvos os “havidos por dignos” até porque este grupo não existe; ninguém é digno.
Para uma sustentação viável desta teoria o parcialista precisa negar pontos fundamentais da doutrina cristã como:
• A eficácia do sacrifício de Cristo (Hb 10:11-12)
• A adoção divina através de Jesus (Rm 8:15-16)
• A unidade da verdadeira igreja de Cristo sob a qual ele é a cabeça (Ef 4: 4-6)
• A eficácia da graça de Deus (Rm 3:24)
• O fato de que nenhuma parte da verdadeira igreja de Jesus irá passar pela grande tribulação (Ap 3:10)
O apóstolo Paulo nos dá a resolução final em I Coríntios 15:51-52:
Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.
Paulo nos informa que “todos” os que estiverem em Cristo serão transformados, isto se baseia na Justiça divina e não na humana, seguidos por aqueles que morreram em Cristo que também foram justificados e isto sim nos torna dignos.
Por tudo isso fica totalmente descartada a possibilidade de um arrebatamento parcial.
5.2- TEORIA DO ARREBATAMENTO MESO OU MIDI TRIBULACIONISTA
Diferente do parcialista este grupo entende que todos os que estiverem em Cristo serão arrebatados, sua discussão é referente ao tempo do arrebatamento, isto é, quando ele acontecerá. Para o meso-tribulacionista ocorrerá em meio a grande tribulação. Veja no gráfico o pensamento meso-tribulacionista:
O Meso-tribulacionismo tem suas bases firmadas em interpretações figuradas ou alegorizadas de passagens que deveriam ser interpretadas literalmente. Vejamos quais são seus argumentos.
5.2.1-A grande tribulação é dividida em duas fases distintas
Quanto à duração do período tribulacional surge o primeiro problema, que é referente a uma suposta divisão em duas fases distintas, no entanto ao olharmos para Daniel 9:27 não encontramos nenhuma divisão na septuagésima semana, é certo que Jesus disse em Mateus 24:21 que na segunda metade do período as coisas iriam se agravar, porém isto não permite dizer que existirão duas partes independentes a ponto de caracterizarmos apenas a segunda metade como sendo a verdadeira grande tribulação. Segundo Daniel o pacto com Israel dará inicio a semana profética, sendo que no meio desta o anticristo rompera’ este pacto (Dn 9:27) trazendo dura perseguição aos israelenses (Ap 12:6). Este agravamento da situação é devido o fim da falsa paz instituída pelo anticristo (Ap 6:2) que agora revela sua verdadeira face e não devido o inicio de um outro período distinto.
5.2.2- O capitulo 11 de apocalipse revela a ocasião do arrebatamento.
Para sustentar um arrebatamento em meio a grande tribulação utilizam o capitulo 11 de apocalipse com sendo um fato incontestável da ocasião em que este ocorrerá, porém isto também só é possível se desprezamos uma interpretação cuidadosa de todo o livro quanto à sua cronologia. Os defensores da teoria afirmam que do capitulo 4 ao 11 temos a primeira parte de grande tribulação seguindo o raciocínio, afirma que do capitulo 12 ao 19 temos a segunda parte. Tendo capitulo 11 bem no meio da semana profética usam o seguinte versículo para afirmarem o momento do arrebatamento: “E ouviram uma grande voz do céu, que lhes dizia: Subi cá. E subiram ao céu em uma nuvem; e os seus inimigos os viram.” (Ap 11:12). Se usarmos de analogias com certeza chegaremos á mesma conclusão, no entanto se interpretarmos o texto de maneira coerente e de acordo com uma exegese perfeita veremos que tudo não passa de um mal entendido. Vejamos alguns pontos que não se encaixam quando interpretamos corretamente:
a. Deduzem por analogia que as duas testemunhas apresentadas no capitulo 11 são figuras, sendo assim representam os dois grupos a serem arrebatados, os vivos e os mortos. O texto, mesmo lido sem muita atenção deixa claro que as duas testemunhas não são tipos ou símbolos, mas pessoas literais.
b. Essas duas testemunhas não poderiam representar a igreja já que são enviados para o povo de Israel, isto é claramente visto através dos vs. 3 e 4 onde o texto fala de oliveira e candeeiro. Também o ministério das testemunhas demonstra similaridade com o ministério profético do velho testamento.
c. Alegam que a nuvem em que as testemunhas subiram ao céu (v.12) representa o arrebatamento. Como vimos as duas testemunhas são representantes de Israel e não da igreja, sendo assim nuvem para o Judeu simboliza a presença de Deus, até por que não existe promessa de arrebatamento para a nação de Israel.
5.2.3- A trombeta de ICo 15:52 e Its 4:16 é a mesma de Ap 11:15
Outro ponto complicado para ser sustentado pelos meso-tribulacionistas é o fato de afirmarem que as trombetas de I Co 15:52, onde diz: “num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados”; I Ts 4:16 ”Porque haverá o grito de comando, e a voz do arcanjo, e o som da trombeta de Deus, e então o próprio Senhor descerá do céu” e Ap 11:15 “E tocou o sétimo anjo a trombeta, e houve no céu grandes vozes,” são a mesma coisa. Em I Coríntios Paulo fala de uma trombeta de vitória, um chamado à presença de Deus, algo ansiosamente esperado pela igreja, o mesmo vemos em I Ts 4:16; enquanto que, em apocalipse a trombeta é de apresentação à chegada do Rei dos Reis que vem para julgar.
E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e o tempo dos mortos, para que sejam julgados, e o tempo de dares o galardão aos profetas, teus servos, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra.
Um outro detalhe que não pode passar desapercebido é que em I Ts 4:16 a trombeta é de Deus ao passo que em apocalipse a trombeta é de um anjo.
Existe ainda um ponto a ser mencionado que é o fato de acreditarem que “a grande voz do céu” de Ap 11:12 é uma referencia ao chamado de Deus, como em I Ts 4:16 ”Porque haverá o grito de comando”. Isto, devido às questões de diferença entre Israel e igreja, se torna impossível.
Estes são os pontos principais da teoria, no entanto não são os únicos, os meso-tribulacionistas ainda têm que negar pontos doutrinários muito sérios para alicerçar sua teoria. Como segue:
• A eminência do arrebatamento. Já que uma vez conhecido o inicio da primeira metade do período tribulacional, saberemos com certeza o momento do arrebatamento em meio à mesma.
• Para tornar coerente a teoria é preciso ferir a cronologia do livro de apocalipse e tirar capítulos inteiros do contexto.
• É preciso sobrepor dois planos distintos. O da igreja, já que esta estaria na terra durante o inicio da grande tribulação, e o plano de Israel, que também estaria em plena execução durante o mesmo período. É bom lembrar que Deus nunca administrou dois planos de uma só vez.
5.3- TEORIA DO ARREBATAMENTO PÓS-TRIBULACIONISTA
A terceira teoria a ser discutida é a do arrebatamento após a grande tribulação, ensinam que o arrebatamento será seguido imediatamente pela volta gloriosa de Jesus; Jesus vem, arrebata a igreja e rapidamente vai ao céu retornado imediatamente à terra com a igreja arrebatada para instituir o milênio. Esta é a que mais cresce em nossos dias e que se torna mais resistente, no entanto ao estudá-la veremos que biblicamente, não há como sustentá-la. Veja no gráfico o pensamento pós-tribulacionista. O pós-tribulacionismo desenvolveu argumentos para defenderem sua teoria, que são no mínimo improváveis, já que se baseiam em uma interpretação alegórica e espiritualizada das Escrituras não observando os contextos das passagens bíblicas, ainda que insistam em dizer que são literalistas, o negam na prática. Vejamos os principais argumentos pós-tribulacionistas:
5.3.1- Daniel 9:24-27 já teve seu cumprimento histórico concluído

O primeiro grande argumento a respeito do assunto é referente ao cumprimento da profecia de Daniel, dizem todo o plano ali determinado já teve seu cumprimento concluído no ano 70 a.C. com a destruição de Jerusalém. No entanto vamos observar algumas questões que provam que a profecia ainda aguarda seu cumprimento, baseados numa interpretação literal e cuidadosa do texto.
• Todo o plano das setenta semanas (v.24) inclui seis bênçãos: 1) extinguir a transgressão, 2) dar fim aos pecados, 3) expiar a iniqüidade, 4) trazer a justiça eterna, 5) selar a visão e a profecia, 6) ungir o Santo dos santos.
Entendemos que estas bênçãos em sua totalidade
ainda não foram cumpridas, até porque as três últimas só serão estabelecidas com a instituição do milênio.
• O texto fala de uma aliança por parte “do príncipe que há de vir” que seria estabelecida com o Israel apóstata, a qual seria desfeita na metade da semana (v.27). Nunca na história houve qualquer tipo de aliança que restabelecesse o culto judeu, até por que isto só será possível quando Deus iniciar seu plano de restauração espiritual com Israel, e isto será no período tribulacional.
• Erram ao dizer que Jesus morreu na ultima semana restante, dizendo que sua morte vicária é esta “aliança com muitos” a qual seria quebrada. Julgam que o “Ele” do v.27 é Jesus, porém se olharmos no verso anterior, veremos que se trata do “Príncipe que há de vir”, o qual é o anticristo. Dessa maneira a septuagésima semana não pode ter ocorrido pois só quando o anticristo estivesse em ação poderíamos dizer que este período seria a ultima semana de Daniel.
5.3.2- A igreja tem promessa de tribulação
Um dos principais argumentos pós-tribulacionista com certeza é o de que a igreja deverá cumprir as profecias com respeito a passar pela tribulação para isso usam Lucas 23:27-21.
E seguia-o grande multidão de povo e de mulheres, as quais batiam nos peitos e o lamentavam. Porém Jesus, voltando-se para elas, disse: Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos. Porque eis que hão de vir dias em que dirão: Bem-aventuradas as estéreis, e os ventres que não geraram, e os peitos que não amamentaram! Então, começarão a dizer aos montes: Caí sobre nós! E aos outeiros: Cobri-nos! Porque, se ao madeiro verde fazem isso, que se fará ao seco?
Também Mateus 24:9-11; Marcos 13:9-13, além de passagens como João 15:18-19; 16:1-2,33.
Para provar biblicamente que a igreja deve passar pela tribulação é necessário:
• Esquecer-se que existem vários tipos de tribulação, e que esta pode ser referente às lutas e dificuldades em se viver uma vida cristã frente a um mundo dominado pelo pecado. João 15:18-19; 16:1-2,33.
• Esquecer-se que existem passagens que falam a respeito do sofrimento que o povo Judeu passará durante a grande tribulação. Lucas 23:27-21; Mateus 24:9-11; Marcos 13:9-13.
• Esquecer-se que um dos propósitos da grande tribulação é a purificação do povo de Israel, e sendo já a igreja purificada pelo sangue de Jesus não existe a menor razão para ela ser purificada novamente, se assim fosse o sacrifício de Cristo seria insuficiente.
• Interpretar por analogia e não de maneira coerente o capitulo 4 de apocalipse onde vemos a referência aos 24 anciãos, que para alguns simboliza 12 representantes do velho testamento com 12 representantes da nova aliança, o fato é que não cabe outra interpretação que não seja de que os 24 anciãos são representantes da igreja arrebatada, os motivo são claros: 1) O capitulo 4 refere-se a uma visão do céu enquanto na terra se inicia a grande tribulação, portanto não pode haver representantes de Israel no céu já que Deus está os purificando na terra. 2) estão usando uma coroa (que no grego de uma forma geral traz a idéia de recompensa (2Tm 4:8) ninguém a essa altura do plano escatológico de Deus, a não ser a igreja arrebatada poderia usar uma coroa de vitória (Ap 2:10). 3) as promessas para igreja vitoriosa, expressas nas sete cartas as igrejas da Ásia menor encaixam-se com a aparência, posição local e de honra em que os 24 anciãos estão.
5.3.3- A ressurreição em Ap 20:4 revela o momento do arrebatamento.
Um argumento que os pós-tribulacionistas tem por forte é o da ressurreição, porém não é necessário muito para provar o contrário. O texto usado para sua afirmação é Ap 20:4-5 onde lemos:
E vi tronos; e assentaram-se sobre eles aqueles a quem foi dado o poder de julgar. E vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta nem a sua imagem, e não receberam o sinal na testa nem na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição.
Somente desconhecendo ou ignorando a doutrina da ressurreição para se afirmar essa interpretação pois o fato do versículo conter “primeira ressurreição” não confirma a suposição de esta ser literalmente “primeira”, querendo indicar que anteriormente não houve outra. Os motivos são claros:
• A primeira ressurreição não se trata de primeira em numero, mas em gênero, já que dois tipos de ressurreições são mencionados por Jesus, uma para a vida e outra para condenação (Jo 5:29), as quais não podem ser colocadas em mesmo espaço de tempo, porque a ressurreição da vida é seguida pelas bodas do cordeiro e o tribunal de Cristo, como também a ressurreição para condenação é imediatamente seguida pelo juízo.
• O galardão dos arrebatados (Ap 4;19:1-10) é antes da vinda em glória de Cristo (Ap11:15-19;19:11-21), e isto pode ser confirmado pela cronologia do livro de apocalipse, provando assim que não existe relação entre a ressurreição no momento do arrebatamento da igreja e a ressurreição de Ap 20:4-6.
• Outro fato pode ser visto em Ap 20:4 é que o texto fala da ressurreição “daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus e pela palavra de Deus”, ou seja, o texto narra a ressurreição dos mártires da grande tribulação que é o ultimo grupo dos que “são de Cristo” (ICo 15:22-23). Fechado o grupo, Ap 20:5-6 encerra o assunto sobre primeira ressurreição.
Por tudo o que foi apresentado podemos concluir que o pós-tribulacionismo, ainda que tenha argumentos favoráveis, estes são insuficientes para que sua teoria seja aceita, e no que se refere aos seus argumentos acima citados e discutidos nenhum dele é capaz de servir como base para um arrebatamento após a grande tribulação.

TEORIA DO ARREBATAMENTO PRÉ-TRIBULACIONISTA
Não foi por acaso que esta teoria foi separada das demais. Por ser a mais aceita e mais coerente, é a que de um modo geral, é ensinada nas igrejas pentecostais, neopentecostais como também em muitas igreja históricas. Por isso merece uma atenção melhor para que aprendamos de uma maneira mais profunda e esclarecedora, já que muitos conhecem a escatologia superficialmente estando inabilitados a defender o ponto de vista pré-tribulacionista.
Para o pré-tribulacionista o arrebatamento será antes da grande tribulação, trazendo aos crentes em Jesus o livramento dos sofrimentos vindouros (Ap 3:10). Veja no quadro gráfico abaixo o pensamento pré-tribulacionista:
6.1- O PRÉ-TRIBULACIONISMO E A HISTÓRIA

Os pós-tribulacionistas usam o argumento de que o pré-tribulacionismo é uma doutrina nova e estranha para a igreja primitiva como também para a igreja no decorrer de toda a história. O fato é que isso não pode ser dito sem uma averiguação em documentos da igreja primitiva como também no contexto bíblico. O pré-tribulacionista repousa em argumentos sadios e coerentes com a interpretação correta das Escrituras, e também está baseado na chamada “doutrina da iminência”, ou seja, a palavra de Deus sempre nos exorta a estarmos vigilantes pelo fato de não sabermos a que horas, dia, ano ou século Jesus virá “Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor”.(Mt 24:42), e isto demonstra que sua vinda é algo inesperado. Veja o que diz Clemente, bispo de Roma (séc I) aos Coríntios:
Que nunca se aplique a nós a passagem da Escritura que diz: “Infelizes os que hesitam no coração e desconfiam na alma; aqueles que dizem: ‘Tais promessas já escutamos na época de nossos pais e eis que envelhecemos e nada disso aconteceu”.
4Ó insensatos, comparai-vos à uma árvore; reparai na videira que, primeiro perde as folhas e então brota, a seguir vêm a folha, então a flor e, depois disso, a uva verde é seguida da uva madura”. Considerai como, em pouco tempo, o fruto da árvore se torna maduro. 5É bem assim que a vontade de Deus se cumpre, em ritmo veloz e inesperado, como a própria Escritura nos atesta: “Virá logo e não tardará. Subitamente o Senhor entrará no seu santuário, o Santo a quem esperais”. Malaquias 3:1
Podemos perceber que desde a igreja primitiva, se esperava uma vinda a qualquer momento, o que é contrário ao pós-tribulacionismo já que, segundo eles, o arrebatamento vem após a grande tribulação; sendo assim, saberemos exatamente quando este ocorrerá. Desta forma todo o processo de espera dos crentes é alterado, pois terão como identificar claramente não só a proximidade, mas também o exato momento, descartando as advertências referentes a vigilância contidas em todo o novo testamento. Isto demonstra que a igreja desde os primórdios era pré-tribulacionista, ou seja, esperava que o arrebatamento fosse antes da grande tribulação, pois acreditava que não passaria por ela.
Quanto a dizerem que é uma doutrina nova, é uma grande irresponsabilidade, pois o fato de não ser bem explicada por todo decorrer da história da igreja não quer dizer que não esteja correta, também é exigirmos demais que desde aqueles tempos já tivesse este nome, que, aliás, tornou-se necessário para identificar a “teoria” diante das outras. Se seguirmos este raciocínio, a doutrina da salvação só tem quinhentos anos, pois esta foi discutida e definitivamente estabelecida no período da reforma, a verdade é que algo não pode ser considerado novo por apenas não ter sido detalhado no passado.
6.3- A DOUTRINA DA IMINÊNCIA
O pré-tribulacionismo se destaca das outras teorias por ser a única baseada numa interpretação literal, que, como já vimos, é o método usado pela própria escritura para se explicar. Outro ponto importante é o fato de respeitar a doutrina da iminência como também reafirma-la.
Esta doutrina trata da condição em que está a igreja quanto à volta de Jesus para arrebata-la, ou seja, Jesus disse que seria a qualquer momento. A promessa de buscar sua igreja foi feita por ele mesmo: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também”. ( Jo 14:2-3). Porém, quanto ao tempo em que isto ocorrerá, Jesus disse que: “daquele Dia e hora ninguém sabe” (Mt 24:36a), logo, sua vinda é repentina.
Mesmo não havendo sinais específicos que indiquem o arrebatamento, o prenuncio da grande tribulação já nos serve como “sombra de sinal”, contudo não devemos atentar cegamente para estes aparentes sinais e nos esquecermos que sua vinda é iminente. A igreja é constantemente exortada a vigiar “aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tt 2:13); “Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa”. (Mt 24:43); “Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão” (I Ts 5:4).
O pós-tribulacionismo como também o meso-tribulacionismo, negam este fato, que é o da vinda a qualquer momento. Seus argumentos, em suma, são:
• Jesus disse que para que ele pudesse retornar o evangelho deveria ser pregado em todo o mundo (Mt 24:14), sendo assim sua vinda dependia de um longo espaço de tempo sinalizando seu retorno e descartando a doutrina da iminência.
O equivoco está na interpretação, pois “este evangelho do reino”, acima citado não são as boas novas, ou seja, o evangelho que Jesus pregava e que hoje a igreja prega. O contexto é claro, trata-se das boas novas pregada aos Judeus durante a grande tribulação, possivelmente pelo remanescente (Ap 7), pelas duas testemunhas (Ap 11:3-13).
• Devido o desdobramento de acontecimentos da história, sofrimento dos apóstolos e declinio da vida espiritual dos cristãos no fim dos tempos, indicam que antes de tudo isso acontecer, Jesus não poderia retornar, sendo assim não existe um retorno iminente, pois, supostos sinais que o antecedem devem ser cumpridos cabalmente.
Isto pode ser verdadeiro se não levarmos em consideração que o curso da história pode ser interrompido a qualquer momento, ao se comparar com um ladrão disse: “se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria”, um ladrão não se limita a roubar apenas de noite, mas a qualquer momento. Existem sinais que de maneira secundária indicam o arrebatamento, e é importante perceber que estes, primariamente indicam a preparação para grande tribulação, sendo assim Jesus não está preso a cumprimento de supostos sinais ou ocorrências na historia para arrebatar sua igreja.
Por todas as referências bíblicas, (e isto fala mais alto que qualquer argumentação), e pelos pontos acima discutidos, fica, sem qualquer sombra de dúvida, confirmada a doutrina da iminência.
6.4- PORQUE O ARREBATAMENTO DEVE SER PRÉ-TRIBULACIONAL?
Alguns pontos devem, necessariamente ser observados para que tenhamos uma compreensão clara e sustentável referente ao pré-tribulacionismo, e para isto estudaremos alguns pontos que afirmam e sustentam um arrebatamento antes da grande tribulação.
6.4.1- A igreja não necessita de mais uma purificação, pois esta já foi consumada na cruz.
“Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra” (Ap 3:10)
Numa promessa à igreja de Filadélfia, Jesus diz que não permitiria que a igreja fiel, ou salva passasse pela “provação” que haveria de vir sobre o mundo. No original grego o termo usado neste versículo é peirasmos, de um modo geral significa: experimento, tentativa, teste, prova; tentação da fidelidade do homem, integridade, virtude, constância; de acordo com o contexto, significa: adversidade, aflição, aborrecimento: enviado por Deus e servindo para testar ou provar o caráter, a fé, ou a santidade de alguém. (Strong).
O caráter da grande tribulação é de purificação como também de juízo, quanto a isso aqueles que realmente são servos de Cristo e verdadeiramente “lavaram suas vestiduras no sangue do cordeiro” estão isentos. Perceba bem, purificação aqui, não se refere a santificação. Como já visto anteriormente a igreja foi justificada (Rm 3:19-26); regenerada (IICo 5:17); adotada (Rm 8:15-16) e aguarda apenas sua completa redenção (Rm 8:23; Ef 4:30).
6.4.2.- a igreja precisa ser retirada da terra para que se inicie a grande tribulação

“agora, vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado. Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que, agora, resiste até que do meio seja tirado; e, então, será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará pelo esplendor da sua vinda;”
Nesta referência o iníquo ou profano que é o anticristo, não poderá iniciar seu governo sem que aquele que o impede de agir seja retirado da terra, e sobre a identidade deste, existe muita especulação, no entanto podemos concluir que não se trata de outro a não ser o Espírito Santo, e sendo a igreja templo do Espírito Santo (ICo 3:16), quando esta partir ele irá também. Podemos declarar então que, para que o anticristo possa iniciar sua atuação é necessário que o Espírito Santo juntamente com sua habitação sejam retirados da terra, o que em termos de tempo só pode ser antes de iniciar a grande tribulação, deixando então o “caminho livre” para a besta. É preciso não confundir; a igreja não é a detentora pelo fato de ser a habitação do Espírito Santo, ela apenas age por meio dele, no entanto o agente do poder espiritual que impede a manifestação da besta é o Espírito Santo, a igreja será beneficiada com o arrebatamento porque o Espírito não pode estar desvinculado dela.
Este fato torna impossível que a igreja passe pela grande tribulação deixando claro que o arrebatamento é pré-tribulacionista.
6.4.3- É necessário que hajam salvos no fim da grande tribulação para ingressarem no milênio.
Com o retorno vivível de Cristo a terra, o milênio será instituído; se o arrebatamento acontecesse neste momento, como pensam os pós-tribulacionistas, não restaria nenhum santo para reinar com Cristo no milênio, sendo que a bíblia nos ensina que neste tempo as pessoas terão uma vida humana, ou seja, vão gerar filhos, se alimentar, trabalhar, terão prosperidade, paz etc… Como está registrado em Is 65:20-25; se assim fosse, isto não seria possível.
Outra questão muito importante é o fato de que Jesus disse em Mateus 24:14 que o “evangelho do reino” seria pregado, evangelho este que não pode ser anunciado pela igreja, pois esta anuncia o evangelho da graça (At 20:24), chamado por Paulo de evangelho de Deus (Rm 1:1), evangelho de Cristo (ICo 9:12). Com exceção de Mateus, nenhum dos escritores do Novo Testamento o identificou como evangelho do reino, o que é explicado pelo fato de Mateus ter sido escrito para os Judeus que devido o sofrimento causado pelo império romano, aguardam a vinda do messias para instituir seu reino.
Este evangelho do reino anunciará, durante a grande tribulação, a vinda do messias para inaugurar este reino literal, e através dele muitos se converterão (Ap 7:13-17).
6.4.4- Os tipos no velho testamento indicam um arrebatamento pré-tribulacional
Quanto aos tipos é importante ressaltar que eles serão introduzidos neste trabalho apenas por serem largamente usados como símbolos do arrebatamento, no entanto eles são apenas uma suposta alusão ao arrebatamento, teologicamente não pode ser provada devida não haver menção da igreja, especificamente, no velho testamento, contudo os tipos são:
a) Enoque, bisavô de Noé, é o primeiro suposto tipo da igreja arrebatada, teve um relacionamento de obediência com Deus, e por isso foi arrebatado para não morrer no dilúvio (Gn 5:24; Hb 11:5).
b) Bisneto de Enoque, Noé foi salvo pela arca, do terrível dilúvio que se aproximava (Gn 7:1,7). O tipo tem grande semelhança com o fato de que Deus os livrava do dilúvio para posteriormente os colocar na terra novamente; da mesma forma com o arrebatamento, a igreja será poupada da grande tribulação, retornando novamente a terra na manifestação de Cristo, para juntos entrarem na terra milenial. É interessante ressaltar que a expectativa do arrebatamento, como também seu repentino acontecimento, foi comparada por Jesus aos dias de Noé (Mt 24:37-39).
c) O juízo sobre Sodoma veio após a saída de Ló, desta maneira ele representa a igreja que após ser retirada virá o Juízo na terra com a grande tribulação (Lc17:28-30).
Os tipos por mais parecidos com a realidade que sejam não servem para se estabelecer doutrina, porém revelam o cuidado de Deus com aqueles que lhe servem fielmente, por isso podemos crer que por seu amor incondicional a igreja ele não a deixará perecer na grande tribulação.
Por todos os motivos citados fica claro que o arrebatamento não pode ser localizado em outro tempo, senão antes da grande tribulação, sabemos, no entanto que os argumentos pós-tribulacionistas tem certa lógica e base bíblica, mas isso não é o suficiente para que consigam provar suas teorias, o que não acontece com o pré-tribulacionismo que mesmo não resolvendo todos os problemas que existem devido passagens de difícil interpretação, consegue harmonizar os textos de maneira correta e dentro do contexto, trazendo-nos o ensino sobre o arrebatamento mais completo e coerente do todas as teorias existentes, não é à toa que os maiores mestres, doutores e escolas teológicas no mundo inteiro, são pré-tribulacionistas; porém nunca devemos crer em algo apenas porque uma maioria crê, mas o testemunho das Escrituras deve sempre prevalecer.
PONTOS SOBRE O ARREBATAMENTO
O arrebatamento possui alguns pormenores que não podem ser deixados para trás. Afim de que tenhamos a melhor visão possível referente ao evento, estudaremos alguns detalhes importantes como: o propósito do arrebatamento; quem será arrebatado e o momento do arrebatamento.
7.1- OS PROPÓSITOS DO ARREBATAMENTO
7.1.1- Glorificar a igreja
No capítulo anterior pudemos observar que a igreja deve ser arrebatada antes da grande tribulação, e este é o propósito do arrebatamento. A bíblia apresenta a igreja como sendo a noiva de Cristo:
Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. (Ef 5:25-27)
No casamento judeu, após os pais do noivo terem pago o dote pela noiva (Gn 24:53; 34:12), era marcado o dia do casamento e esta não sabia o momento da chegada deste, que era anunciado por um grito; ao encontrar a noiva, o noivo e os parentes da noiva a elogiavam, seguindo-se o banquete de comemoração, e este deveria ser na casa do noivo. Neste mesmo esquema de ritual, Jesus fará com sua noiva, a igreja; ele a buscará para estar com ele; no céu será galardoada através do tribunal de Cristo (Rm 14:10; II Co 5:10), seguido pelo banquete das bodas do cordeiro (Ap 19:7, 9).
Para que todo o propósito espiritual que existe entre Cristo e Sua igreja possam se cumprir, é necessário que haja um arrebatamento, ou seja, que o noivo venha buscar sua noiva para consumar esta união, de outro modo outros ensinos como os mencionados acima perderiam todo o valor. Portanto o arrebatamento é necessário para que a igreja seja glorificada
7.1.2- Galardoar os crentes em Jesus que já morreram
Uma característica importante do arrebatamento é o fato de nele estarem incluídos os crentes que já morreram “porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis” (I Co 15:52). Com certeza estes poderiam ser ressuscitados com os demais na grande tribulação (Ap 20:4), porém receberão um galardão diferenciado juntamente com toda a igreja viva.
7.1.3- Livrar a igreja do sofrimento da grande tribulação
No capítulo anterior observamos alguns pontos que demonstram que o arrebatamento será antes da grande tribulação, isto porque não é aceito pelas Escrituras que a igreja passe por este juízo. Existem três juízos a que o cristão é submetido, 1) Seu juízo mediante a morte de Jesus na cruz do calvário (João 12:31-32). Ao crer na morte vicária de Cristo, a pessoa é submetida a juízo, e porque agora tem a Cristo como seu advogado (I João 2:1) é absolvido de todos os pecados, sendo perdoado todo seu passado de incredulidade. 2) O juízo diário em que o Espírito Santo opera através do processo da santificação. A este processo podemos chamá-lo de auto-julgamento, ou seja, sendo uma habitação do Espírito Santo o crente em Jesus não consegue ter uma vida dissoluta sem que se sinta culpado; sobre isto Paulo diz que: “Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo”. (I Co 11:31-32). 3) Este não é propriamente um juízo, no sentido de ser salvo ou não, representa um juízo onde os crentes serão submetidos para serem galardoados, cada um conforme as suas obras. (II Co 5:10).
Se tivermos esta visão percebemos claramente que não resta outro juízo para a igreja, vemos em Ap 3:10, justamente este aspecto, de que a igreja será poupada de qualquer juízo que será estabelecido com a vinda da grande tribulação, como vimos anteriormente a igreja aguarda seu noivo para que ela não sofra as aflições vindouras.
7.2- QUEM SERÁ ARREBATADO?
“Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda” (I Co 15:22-23).
Através da afirmação de Paulo temos a certeza de que somente os “os que são de Cristo” serão arrebatados, ou seja, sua igreja. Ao tratar do assunto I Tessalonicenses 4:16-17 ele diz:
Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.
Apenas dois grupos, na igreja, que podem ser detectados como sendo participantes do arrebatamento estes são “os que morreram em cristo” e “os que ficarmos vivos”.
Existem muitas especulações quanto a este fato, pois muitos pensam que pelo fato de pertencerem a uma igreja isto faz dele um participante do arrebatamento seja vivo ou morto, o fato é que nos coloca em posição de futuros arrebatados, é a nossa condição “estar em Cristo”, ter uma vida de Cristão autêntico, cultivando seu relacionamento com Jesus. Sobre isto Paulo nos diz:
Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra; porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, também vós vos manifestareis com ele em glória. (Cl 3:2-4)
Outro fato importante a ser mencionado é quanto à ressurreição ou não dos salvos do Antigo Testamento, no entanto devemos separar as coisas, o arrebatamento é para “os que são de Cristo” e os Judeus não se encontram nessa condição, mesmo estando salvos os que viveram antes de Jesus só serão ressuscitados na ressurreição que está expressa em Ap 20:4 entendemos que o arrebatamento é um tratar de Deus para com a igreja e difere do plano que Deus tem para Israel. Voltaremos a tratar do assunto com mais detalhes em momento oportuno.
7.3- O MOMENTO DO ARREBATAMENTO
Jesus em sua primeira encarnação esteve por volta de trinta e três anos na terra, sendo que apenas três, realizando a sua obra, após sua morte e ressurreição a igreja inicia uma nova expectativa, a do aparecimento do Senhor para arrebatar a igreja da terra. Uma pergunta nos vem, como será este momento? Paulo nos explica que seremos chamados por ele “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus” (I Ts 4:16), neste momento os mortos em Cristo ressurgirão “e os mortos ressuscitarão incorruptíveis” (I Co 15:52), seguindo os mortos que ressuscitaram, nós “os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (I Ts 4:17).
Quanto à duração deste evento, em I Co 15:52 Paulo diz que “será num momento, num abrir e fechar de olhos” no original grego é: én atomo én ripe oftalmou, o termo átomo significa algo que não pode ser dividido, muito bem traduzido por “um momento”, ripe significa pulsação, batida, uma batida de olho ou um piscar de olho. Aqui vemos que o tempo necessário para que tudo o que envolve o arrebatamento aconteça é mínimo, não há como medir senão comparando a um piscar de olhos. Daí o motivo de devermos estar sempre em comunhão com o Senhor.
Paulo nos informa que o arrebatamento em si é o grito de vitória da igreja, que agora não sofrerá mais o dano da morte nem da dor, pois o noivo veio consumar a vitória da igreja sobre a morte e o inferno.
Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então, cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. I Co 15:53-54
A IGREJA APÓS O ARREBATAMENTO
No capítulo anterior observamos os principais pontos referentes ao arrebatamento, neste veremos o que acontecerá com os crentes que agora estão no céu com Jesus.

Dois eventos aguardam a igreja arrebatada ao céu, o Tribunal de Cristo e as Bodas do Cordeiro. Enquanto na terra acontece a grande tribulação a igreja tem um período de núpcias com seu noivo.
8.1- O TRIBUNAL DE CRISTO
Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; na verdade, o Dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo. I Co 3:11-15
Também chamado de Tribunal de Deus em Rm 14:10 (ARA), o tribunal de Cristo será o próximo acontecimento para a igreja após o arrebatamento. O texto acima detalha como será o Tribunal, porém com este titulo é somente encontrado em Romanos 14:10 (RC) e II Co 5:10.
Existem dois termos gregos usados no Novo Testamento para se referir a um tribunal:
kriterion (krithrion): O primeiro nome para tribunal encontrado no novo testamento é kriterion (krithrion), que significa:
1) instrumento ou meios usados para julgar algo; critério ou regra pela qual alguém julga; 2) lugar onde acontece o julgamento; tribunal de um juiz; assento dos juízes; 3) assunto julgado, coisa a ser decidida, processo, caso. (Strong).

Kritérion é usado em I Co 6:2, 4 e Tg 2:6, para se referir julgamento, avaliação para possível condenação ou absolvição, este termo, como também o traduzido por Juiz, krites (krithv), têm como raiz a palavra krino (krinw) que significa:
1) separar, colocar separadamente, selecionar, escolher; 2) aprovar, estimar, preferir; 3) ser de opinião, julgar, pensar; 4) determinar, resolver, decretar; 5) julgar.
A conclusão a que chegamos é que nas referências em que são usados estes termos acima citados, não podem descrever ou ser utilizados para se referir ao Tribunal de Cristo.
Bema (bhma): este termo é usado em Rm 14:10 e II Co 5:10 para designar o tribunal de Cristo, Strong define assim:

1) um degrau, um passo, o espaço que um pé cobre; 2) um lugar elevado no qual se sobe por meio de degraus, plataforma, tribuna; assento oficial de um juiz; o lugar de julgamento de Cristo; Herodes construiu uma estrutura semelhante a um trono na Cesaréia, do qual ele via os jogos e fazia discursos para o povo.
Diferente do primeiro, Bema fala do tribunal em si, ou seja, do lugar onde o julgamento é feito e não do julgamento propriamente dito, também retrata um lugar de honra, uma tribuna de honra. Sale-Harrison ao comentar sobre o bema, diz:
Nos Jogos gregos de Atenas, a velha arena tinha uma plataforma elevada na qual na qual se assentava o presidente ou juiz da arena. Dela ele recompensava todos os competidores; e lá ele recompensava todos os vencedores. Era chamado bema ou assento de recompensa. Nunca foi usado em referencia a um assento judicial
Concluímos que o tribunal de Cristo não se trata de um julgamento onde os réus correm o risco de serem condenados, mas sim um “grande evento” onde os crentes em Jesus receberão suas recompensas.
Não podemos cair no mesmo erro que os Católicos Romanos, usaram esta passagem para criar o ensino sobre purgatório crendo, então, que este é um tribunal de juízo. Ao lerem o que Paulo fala a respeito de “salvos como pelo fogo”, dizem que os que não fizeram o bem necessário para serem salvos, nem o mal necessário para serem condenados, irão para o purgatório esperar um julgamento posterior que poderá lhes dar uma segunda chance. Para amenizar sua pena no purgatório e ir mais rápido para o céu, o réu pode contar com ajuda dos vivos através de velas, missas, orações, indulgências etc.
8.2.1- Como será o tribunal de Cristo
Quando em II Co 5:10 Paulo diz que “todos devemos comparecer” diante deste tribunal, e este “comparecer” no grego é phaneroo (fanerow), que significa :tornar manifesto ou visível ou conhecido o que estava escondido ou era desconhecido, manifestar, seja por palavras, ou ações, ou de qualquer outro modo. (Strong) Isto quer dizer muito mais que comparecer, nós seremos manifestos. Cristo revelará publicamente a essência de nossas obras, “a obra de cada um se manifestará” (I Co 3:13), e isto de maneira individual, um por um.
De um modo geral divide-se as obras em dois grupos, de acordo com os materiais usados por Paulo em I Co 3:12-13:

“Se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará: na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um”.
a) O grupo das obras destrutíveis: madeira, feno e palha.
Todos este materiais apresentados por Paulo são totalmente destruídos quando lançados ao fogo, e o paralelo que ele faz é justamente esse, pois ele mesmo nos diz que “o fogo provará qual seja a obra de cada um”.Obras feitas sem a devida sinceridade, praticadas para a própria glória, nunca passarão pelo fogo revelador, porém é importante ressaltar que a avaliação do tribunal não julgará as obras como sendo boas e más, mas sim como sendo úteis e inúteis, também é bom lembrarmos que o propósito central do bema de Cristo não é humilhar ou envergonhar os salvos, e sim galardoa-los.
b) o grupo das obras indestrutíveis: ouro, prata e pedras preciosas.
O fundamento do edifício é o próprio Jesus Cristo, e por isso mesmo se deve usar materiais, que condigam com este fundamento. Este grupo fala das obras produzidas pela direção do Espírito de Deus, feitas com sinceridade e sem nenhuma pretensão de vanglória, o fogo trará a tona o que realmente é verdadeiro em nossas obras, e é sobre o que restar, e se restar algo, que seremos galardoados.
Quanto à recompensa, parece-nos sensato pensar que ela será uma coroa, devido a representação da igreja pelos 24 anciãos em Ap 4, estes usavam coroas que no grego é stephanos, este termo era usado para se referir as coroas ou guirlandas que os vitoriosos em jogos olímpicos recebiam como prêmio (I Co 9;24-25).
8.3- BODAS DO CORDEIRO
Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória, porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. (…) disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus.(Ap 19:7, 9)
Uma das mais importantes metáforas a respeito da igreja com certeza é a de apresenta-la como “noiva”. Existem outras muito usadas e importantes que apresentam como “corpo de Cristo” e “rebanho”, porém a metáfora de noiva nos parece ser a mais atraente e define melhor o relacionamento entre Cristo e sua igreja. João batista apresentou Jesus como o noivo e ele sendo apenas o amigo que se alegrava em ver a sua alegria (João 3:29). Paulo também usa a metáfora para falar a respeito da vida conjugal, fortalecendo seu ensino com o exemplo de Jesus, que amou sua igreja (noiva) e deu a vida por ela (Ef 5:21-29). Nos versículos acima vemos o João, o apóstolo, usando para falar do momento da celebração da união de Cristo com sua amada igreja.
“As bodas do Cordeiro” serão realizadas no céu, já que é lá que a igreja se encontra após o arrebatamento, será também após o tribunal de Cristo, e isto pode ser visto pelas vestes que a “igreja usa” quando é apresentada ao noivo (Jesus) representando a justiça confirmada pela avaliação do tribunal (Ap 19:8).
Vemos que esta união no céu revela a importância deste evento, pois, para um judeu, existem três acontecimentos significativos na vida, que são: o nascimento, o casamento e o dia da morte, sendo que dentre todos o casamento é o mais importante, já que para um judeu um homem só realmente é considerado como tal, quando se casa e forma uma família. Por isso vemos o casamento ser usado com abundância no Velho Testamento, falando do relacionamento entre Deus e Israel (Jr 3:20; Ez 16:32, 45; Os 2:2, 16); no Novo Testamento, Jesus usa para falar sobre a rejeição dos judeus ao evangelho (Mt 22:1-14), para alertar quanto à vigilância devido sua futura vinda (Mt 25:1-13) entre outros, porque era algo que os Judeus entendiam muito bem e sabiam a responsabilidade que era ser noiva, seja esta noiva Israel ou a igreja.
CAPÍTULO 9
A GRANDE
TRIBULAÇÃO
A grande tribulação com certeza é o assunto mais discutido na doutrina da escatologia bíblica, é também o que apresenta maiores dificuldades de interpretação com respeito a acontecimentos e profecias que devem ser cumpridas no período tribulacional; portanto devemos ter grande atenção, devido sua importância dentro das Escrituras, tanto no Velho quanto no Novo Testamento.
Como já vimos, a igreja estará isenta de passar por este período de sofrimento nunca visto na Terra; enquanto no céu a igreja se regozija com o tribunal de Cristo e com as Bodas do Cordeiro, na terra acontece a grande tribulação.
Devemos saber distinguir os vários tipos de tribulações existentes na bíblia, pois nem todos falam a respeito do período tribulacional. Segundo o Dr.Duffiede e Van Cleave, existem nas Escrituras três tipos de tribulação diferentes:
1. Aplicada às provações e perseguições que os cristãos sofrerão através de toda a era da igreja como resultado de sua identificação com Cristo (João 16:33)
2. Aplicada a um período especial de tribulação para Israel, profetizado por Daniel (Dn 9:24-27)
3. Aplicada à ira final de Deus sobre o anticristo e as nações gentias que o seguem, (Ap 6:12-17), chamada de “grande dia da ira deles”.
9.1- TERMOS UTILIZADOS PARA TRIBULAÇÃO
Diante dos três aspectos de tribulação apresentados, se faz necessário definirmos os termos utilizados nas Escrituras para se referir à tribulação.
Encontramos quatro substantivos que podem ser traduzidos por tribulação e aflição entre outros.
1. kakopatheia (kakopayeia) : sofrimento que procede do mal, aborrecimento, angústia, aflição (Strong). Este substantivo é formado de kakos “mau”, e paschõ “sofrer” (Vine), foi traduzido por “aflição” em Tg 5:10: “Meus irmãos, tomai por exemplo de aflição e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor”. Neste caso o sentido é de aflições sofridas, sejam angústias, perseguições, aborrecimentos, etc. Somente é usado neste versículo, e nunca para se referir à grande tribulação.
2. kakosis (kakwsiv): opressão, aflição, maltrato. Somente utilizado em Atos 7:34 “Tenho visto atentamente a aflição do meu povo que está no Egito, e ouvi os seus gemidos, e desci a livrá-los. Agora, pois, vem, e enviar-te-ei ao Egito”.Aqui indica os maltrates sofrido por Israel enquanto estava cativo no Egito, também nunca é usado para indicar a grande tribulação.
3. pathema (payema): aquilo que alguém sofre ou sofreu externamente; sofrimento, infortúnio, calamidade, mal. Aflição dos sofrimentos de Cristo, também as aflições que cristãos devem suportar pela mesma causa que Cristo pacientemente sofreu. Este substantivo geralmente é usado para descrever sentimentos causados por infortúnios externos, seja a perseguição ou qualquer outra circunstância. É utilizado em Rm 7:5; 8:18; 2 Co 1:5-7; Cl 1:24; 2 Tm 3:11; Hb 2:9-10; 10:32; I Pe 1:11;4:13; 5:1; 5:9.
Todos os termos descritos falam de sofrimentos diversos, sejam externos ou internos, e retratam apenas as aflições numa esfera meramente humana e cotidiana num sentido geral, diferente do termo a seguir que é o utilizado para se referir à grande tribulação.
4. thlipsis (yliqiv): literalmente, ato de prensar, imprensar, pressão; metaforicamente: opressão, aflição, tribulação, angústia, dilemas (Strong). Vine define como sendo “qualquer coisa que sobrecarrega o espírito”. Thlipsis é derivado de thlibo (ylibw) que significa: prensar (como uvas), espremer, pressionar com firmeza; caminho comprimido.
Este é o termo utilizado em Ap 7:14 para se referir à grande tribulação. “E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram de grande tribulação, lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro”.Também é usado por Jesus em Mt 24:21, numa referência ao período tribulacional: “porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais”.
9.2- O DIA DO SENHOR
A doutrina da grande tribulação tem sido discutida em vários ramos da escatologia bíblica, seja por milenistas ou amilenistas. Nas Escrituras encontramos não poucas passagens falando de um período de tempo em que Deus traria juízo sobre Israel e os gentios; este período é chamado de grande tribulação.
Para entendermos melhor este ensino é necessário identificar este período não só no Novo Testamento, mas também, e principalmente, no Velho Testamento, já que um dos propósitos é trazer os judeus a uma conversão definitiva.
São fartas a passagens que mencionam o dia do Senhor como também outros nomes dados ao mesmo acontecimento, onde a principal idéia é de juízo contra o Israel impenitente. Vejamos alguns nomes dados à grande tribulação no Velho Testamento:
Isaías 13:9 Eis que o dia do SENHOR vem, horrendo, com furor e ira ardente, para pôr a terra em assolação e destruir os pecadores dela.
Ezequiel 13:5 Não subistes às brechas, nem reparastes a fenda da casa de Israel, para estardes na peleja no dia do SENHOR.
Joel 2:1 Tocai a buzina em Sião e clamai em alta voz no monte da minha santidade; perturbem-se todos os moradores da terra, porque o dia do SENHOR vem, ele está perto.
Isaías 10:3 Mas que fareis vós outros no dia da visitação e da assolação que há de vir de longe? A quem recorrereis para obter socorro e onde deixareis a vossa glória,(…)?
Jeremias 46:10 Porque este dia é o dia do Senhor JEOVÁ dos Exércitos, dia de vingança para se vingar dos seus adversários; e a espada devorará, e fartar-se-á, e embriagar-se-á com o sangue deles; porque o Senhor JEOVÁ dos Exércitos tem um sacrifício na terra do Norte, junto ao rio Eufrates.
Isaías 13:13 Pelo que farei estremecer os céus; e a terra se moverá do seu lugar, por causa do furor do SENHOR dos Exércitos e por causa do dia da sua ardente ira.
Isaías 17:11 No dia em que as plantares, as cercarás e, pela manhã, farás que a tua semente brote; mas a colheita voará no dia da tribulação e das dores insofríveis.
Ezequiel 7:7 vem a tua sentença, ó habitante da terra. Vem o tempo; chegado é o dia da turbação, e não da alegria, sobre os montes.
O dia do Senhor não se trata literalmente do espaço de vinte e quatro horas, mas sim de um período, como em Gn 2:4; Is 22:5 e Hb 3:8. Este período será entre as vindas de Jesus, ou seja, o arrebatamento e seu retorno em glória.
“Dia” no hebraico, yôm, significa: luz do dia, dia, tempo momento, ano. Como vemos seu significado é abrangente, pode significar “luz do dia” como em Gn 8:22: “Enquanto durar a terra, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite.”; período de vinte quatro horas como em Gn 39:10: “Falando ela a José todos os dias, e não lhe dando ele ouvidos, para se deitar com ela e estar com ela,”; em Gn 2:17 yôm refere-se a um momento: “mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”; sua forma plural, yãmîm, aparece em Ex13:10, significando ano: “Portanto, guardarás esta ordenança no determinado tempo, de ano em ano.” Finalmente yôm com referencia a espaço de tempo, encontramos em Gn 2:3 “E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera.” É acordo entre a maioria dos teólogos que este sétimo dia não trata de um dia literal, mas de um período que vai desde a criação até a vinda de Cristo. (Adaptação do dic.Vine).
No novo Testamento também temos referências ao “dia do Senhor”
1 Ts 5:2 Pois vós mesmos estais inteirados com precisão de que o Dia do Senhor vem como ladrão de noite.
2 Ts 2:2 A que não vos demovais da vossa mente, com facilidade, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como se procedesse de nós, supondo tenha chegado o Dia do Senhor.
2 Pedro 3:10 Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas.
Não devemos confundir com o “dia de Cristo”, como está expresso em Filipenses 1:6; 1:10; 2:16, com o dia do Senhor, este dia refere-se não ao tempo de juízo, e nunca está ligado a isso, mas sim, a recompensa que os crentes em Jesus receberão, e isto é claramente declarado por Paulo em Filipenses 2:16, onde lemos: “preservando a palavra da vida, para que, no Dia de Cristo, eu me glorie de que não corri em vão, nem me esforcei inutilmente”.
Tanto o Velho como o Novo Testamento apresenta o dia do Senhor como tempo de juízo, dia cruel, com ira e ardente furor (Is 13:9); dia da vingança (Is 34:8); dia nublado (Ez 30:3) grande é o Dia (…) e mui terrível! (Jl 2:11); dia de trevas e não de luz (Am 5:18); dia da ira (Sf 2:2). No Novo testamento as referencias ao dia do Senhor têm uma ligação mais próxima ao advento de Cristo, ou seja, os escritores neotestamentários usavam este termo como referencia à volta de Jesus e não diretamente à grande tribulação, ainda que um estivesse ligado ao outro.
A certeza deste “dia” ser de juízo derruba de uma vez por todos os argumentos pós-tribulacionistas, que acreditam que a igreja passará por este período, como também os amilenistas que não aceitam a existência do “dia do Senhor” como um período de extrema tribulação sobre os judeus e gentios. Este período é real e futuro.
A conclusão em que chegamos é que a grande tribulação será um período de juízo e sofrimento nunca experimentado pela humanidade. Numa passagem de dupla referencia em Mateus, Jesus nos revela a severidade deste tempo “porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais” (Mt 24:21).
9.3- AS SETENTA SEMANAS DE DANIEL
A duração do período tribulacional tem suas bases em Daniel 9:24-27
24 Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniqüidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santo dos Santos. 25 Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos. 26 Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará; e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas. 27 Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele.
Nesta passagem encontramos um esboço de todo o plano messiânico de Deus para Israel, como também seu juízo e dos gentios, no entanto dificuldades surgem quando os pontos de vista escatológicos se chocam, ou seja, pré-milenistas dispensacionalistas encaram e interpretam esta profecia de maneira que os amilenistas ou os contra o dispensacionalismo, chamam de fantasiosa. Antes de observarmos a interpretação dispensacionalista, daremos a oportunidade de defesa a uma teoria defendida por grande parte de teólogos e professores. A interpretação defendida por Edward J. Young, entre outros, diz que toda a profecia já foi cumprida, e isto pode ser comprovado por suas próprias palavras.
Esta notável seção (Dn 9:24-27) declara que um período definido de tempo havia sido decretado por Deus para a realização da restauração de Seu povo da escravidão (…) Pode-se assim ver que os seis objetivos que seriam realizados são todos messiânicos, e pode-se notar que, quando nosso Senhor ascendeu ao céu, cada um desses propósitos tinha sido cumprido.
Young luta bravamente para provar algo impossível. Ao dizer que toda a profecia estaria cumprida na ascensão de Cristo parece se esquecer que aspectos apresentados no texto, nunca encontraram cumprimento na história de Israel, e isso se prova facilmente. Veremos na posição em que nos baseamos e defendemos neste livro, a interpretação correta que, além de responder a questões complicadas a respeito da escatologia, nos dá a defesa diante de teorias infundadas e o entendimento necessário quanto ao texto referido.
Para se tornar clara a profecia precisamos desmembrá-la de maneira que se veja a vontade de Deus revelada ao profeta.
9.3.1. “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade” (v.24)
Deus determinou o espaço de setenta semanas sobre o teu povo (Judeus) e sobre a tua santa cidade (Jerusalém), para que seis objetivos fossem alcançados. A primeira questão que surge é quanto a estas setenta semanas que de forma alguma podem ser de dias, mas de anos. A palavra hebraica traduzida por “semana” é shãbûa, que literalmente significa “sete”, este substantivo aparece cerca de vinte vezes por todo o Velho Testamento. Este “sete” se refere a um período que pode ser de dias ou de anos como em Gn 29:27: “Decorrida a semana (sete) desta, dar-te-emos também a outra, pelo trabalho de mais sete anos que ainda me servirás”.(também Lv 25:8 Ez 4:4,5), neste versículo a palavra semana,ou “sete”, refere-se a um período de sete anos, como o próprio verso explica. Encontramos na septuaginta, (versão grega do Velho Testamento), tendo o mesmo sentido que o apresentado no hebraico, ebdomekonta ebdomades, “setenta setes”, devido ser um período de sete dias ou anos foi usado “semana” na tradução para melhor compreensão.
Para chegarmos ao total de anos que Deus determinara multiplicamos as setenta semanas por sete que são a quantidade de dias/anos que cada uma tem (70×7), chegando ao numero de 490 anos.
Os seis objetivos mencionados no v. 24, que deveriam ser concluídos nestes 490 anos são: 1) cessar a transgressão; 2) dar fim aos pecados; 3) expiar a iniqüidade; 4) trazer a justiça eterna; 5) para selar a visão e a profecia e 6) ungir o Santo dos Santos.
O próprio Deus nos deu todas as diretrizes necessárias para compreendermos seu plano, e isto se vê claramente através da divisão feita em três períodos distintos: 1) sete semanas, 2) sessenta e duas semanas e 3) uma semana. Em cada destes períodos estão determinados acontecimentos, como o próprio texto explica.
9.3.2- “desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas”.
Para uma melhor compreensão podemos colocar o texto da seguinte forma: “desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, sete semanas; até ao Ungido, ao Príncipe, sessenta e duas semanas”, isto quer dizer que desde a saída pra a reconstrução de Jerusalém foram 49 anos, concluídos os 49 anos; conta-se mais 434 anos para então chegarmos ao messias, ao príncipe. “Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido”, com isso sabemos que as primeiras 69 semanas têm seu fim com a morte do messias; resta-nos saber quando foi seu início, pois é fundamental para que Jesus Cristo seja confirmado como aquele que cumpriria esta profecia. O texto nos diz “desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém”, temos nas Escrituras três editos que tratam da restauração judaica após anos de cativeiro na Babilônia. O primeiro é encontrado em 2Cr 36:22-23, quando Ciro, rei da Pérsia, decretou a reconstrução do templo em Jerusalém, conforme Deus lhe havia ordenado, e agora era confirmado por suas próprias palavras: “O SENHOR, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém”, a repetição deste mesmo decreto vemos em Ed 1:1-3. Outro decreto encontra-se em Ed 6:3-8, onde o rei Dário reafirma o decreto de Ciro. Em Ed 7:7 Artaxerxes em seu sétimo ano de reinado, decretou auxílio a Esdras e Neemias dando-lhes autoridade, mantimentos, ouro e prata para o Templo.
É necessário observarmos um detalhe vital em todos estes decretos; eles dizem respeito à reconstrução do templo, e não da cidade de Jerusalém, condição esta que torna estes decretos incapazes de serem tomados como datas iniciais para se contar o período de 69 semanas, pois o v. 25 nos diz que o que marcaria o seu inicio seria uma ordem, um decreto para a reconstrução da cidade: “desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém”, e isto nos leva ao decreto de Artaxerxes em Ne 2:1-8, onde finalmente encontramos a ordem para edificar Jerusalém
No mês de nisã, no ano vigésimo do rei Artaxerxes,(…) O rei me disse: Por que está triste o teu rosto, se não estás doente? (…) Como não me estaria triste o rosto se a cidade, onde estão os sepulcros de meus pais, está assolada e tem as portas consumidas pelo fogo? (…) Disse-me o rei: Que me pedes agora? (…) peço-te que me envies a Judá, à cidade dos sepulcros de meus pais, para que eu a reedifique.(…) Aprouve ao rei enviar-me.
A data deste decreto torna-se o ponto inicial das 69 semanas. Todas as cronologias sérias apontam o ano de 445 a.c. como sendo o vigésimo ano de reinado de Artaxerxes , o texto nos revela que este decreto se deu no mês de nisã (também chamado Abib), mês da páscoa judaica (em nosso calendário está localizado entre o mês de março e abril). Como a profecia diz que a partir desta data seriam contadas as 69 semanas, devemos atentar para a data em que Jesus morreu para então confirmarmos se sua morte cumpriu a profecia.
Jesus morreu durante a comemoração da páscoa que se iniciava com a lua nova, que no ano 32, de acordo com o calendário gregoriano, teve início dia 11 de março as 19:08h (calendário de eventos astronômicos na história), e este horário marca 1:08h do dia seguinte no calendário judaico; 12 de março em nosso calendário.
A tradição demonstra que aquele que estivesse fora da cidade deveria ir comemorar a páscoa, chegando pelo menos seis dias antes, sendo assim Jesus chegou dia 6 de março do ano 32 em Jerusalém, provavelmente numa sexta feira. (Outras datas são utilizadas para a páscoa do ano 32 d.C. Porém, esta foi utilizada neste trabalho devido ser fruto de pesquisa do autor e não uma simples cópia de estudos já escritos. É importante ressaltar que a diferença entre as datas propostas é mínima). Concluindo assim, podemos calcular da seguinte maneira: 69 semanas multiplicados por 7 anos de 360 dias (quantidade de dias dos anos bíblicos), chegamos a 173 880 dias. Isto nos revela um intervalo de 476 anos e alguns dias, multiplicando esses anos por 365 dias de acordo com o calendário gregoriano, somando a isso 119 dias dos anos bissextos chegamos a 173 859, apenas faltando 21 dias para que a soma seja redonda. Se levarmos em conta que não sabemos o dia correto do mês em que foi feito o decreto em 445 Ac., e que pode haver falha de alguns dias nos cálculos, chegamos a um resultado muito satisfatório que prova que a morte de Jesus ocorreu após o fim das 69 (7+62) semanas como predito por Daniel “Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará”. Para se provar o contrário é necessário negar não só a narrativa Bíblica como também a história secular.
9.3.3- “para a fazer cessar transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniqüidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santo dos Santos”.
Já foi dito que Deus designou seis acontecimentos, e estes deveriam ser concluídos durante as setenta semanas. Com a morte de Jesus, os três primeiros cessar transgressão, dar fim aos pecados e expiar a iniqüidade, foram cumpridos por Cristo através de sua morte vicária, um problema aparece quando percebemos que os Judeus, como nação, não se beneficiaram disto, necessitando então do período tribulacional para que Deus venha a tratar com Israel de maneira que se apropriem de um bem já oferecido por Deus, ou seja o sacrifício necessário para perdão de seus pecados. Os três últimos tratam do reinado do messias, que obviamente será no milênio, e isto pode ser visto claramente quando lemos “para trazer a justiça eterna”, o reinado messiânico daria fim à validade das Escrituras, pois o próprio Deus habitará com os seus, e para concluir quando o lugar santíssimo no templo milenial for ungido, a glória de Deus habitará em meio a seu povo, tendo Jesus assentado em seu trono.
9.3.4- “Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará; e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, (…) Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana”.
Passadas as 69 semanas, resta-nos uma. Os versículos 26 e 27, falam desta última semana. O que estaremos focalizando agora será apenas concernente ao período destes sete anos e não o que, em detalhes acontecerá nele, isto veremos quando for oportuno.
Uma questão bastante debatida é a que se refere ao suposto espaço que existe entre as 69 e a ultima semana, e é suma importância analisarmos este ponto, pois só assim poderemos ir adiante no estudo da grande tribulação. Uma conclusão que se tem defendido, conforme já foi dito, é que todo o período das setenta semanas já foi concluído, no entanto percebemos que isto não é possível.
Este espaço entre as 69 semanas e a ultima, torna o assunto discutível, pois os defensores de que todo o período das setenta semanas já foi cumprido não aceitam este intervalo nem como suposição. Veremos que este espaço não é algo novo, mas as Escrituras estão repletas de profecias que dentro de seu cumprimento existem intervalos, também, alguns pontos que exigem um intervalo entre os períodos.
1. Intervalo em Is 61:2 “… a apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus…”. Entre o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança, temos um intervalo de quase dois mil anos, que é a dispensação da igreja.
2. Os apóstolos demonstram que existe um intervalo entre a inclusão dos gentios no plano da salvação e o cumprimento das profecias referentes a Israel. “Cumpridas estas coisas, voltarei e reedificarei o tabernáculo caído de Davi; e, levantando-o de suas ruínas, restaurá-lo-ei”. (At 15:13-21)
3. Se não houvesse um intervalo entre a sexagésima nona e a septuagésima semana, Jesus já deveria ter retornado já que todo o período de setenta semanas foi concluído sete anos após sua morte.
4. No próprio texto, se observarmos cuidadosamente perceberemos um intervalo entre o v.26 e o 27, pois o primeiro diz: E, depois das sessenta e duas semanas, será tirado o Messias e não será mais; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas assolações. Vemos que o texto apresenta duas seqüências de fatos, 1) após a morte do messias “o povo do príncipe” destruirá Jerusalém e o templo e o fim deste será como uma inundação, 2) “e até ao fim” haveria guerras, e terrores estariam determinados.A primeira seqüência está ligada a morte do Messias, porém a segunda funciona como um parêntese, um intervalo entre a destruição de Jerusalém e do templo e a septuagésima semana, isto se pode ver por se tratar de um espaço de tempo que se iniciou após os primeiros fatos, resumindo, após a destruição determinada, seria iniciado um período de guerras e desolações sobre Israel, e este tempo perduraria até que fosse firmado um acordo de (falsa) paz entre Israel e as nações, que supostamente duraria uma semana, mas… “na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; e sobre a asa das abominações virá o assolador”
Com certeza os motivos apresentados são suficientes para deixar claro que realmente existe este intervalo, e mais, ele é necessário para que a profecia tenha coerência com o plano de Deus estabelecido no v.24.
9.3.5- “E ele firmará um concerto com muitos por uma semana; e, na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; e sobre a asa das abominações virá o assolador”.
Uma segunda questão a ser observada, é quanto ao início da septuagésima semana, e isto pode ser claramente visto no próprio texto, pois este fala de um “príncipe que há de vir” e este quando firmar este acordo de paz com Israel estará inaugurada a grande tribulação. Temos, na verdade, um sinal gritante que marcará seu inicio, que é o arrebatamento da igreja.
Fica concluído, então que a septuagésima semana de Daniel é futura, tendo como base este intervalo entre a sexagésima nona semana e a septuagésima, e os fatos concernentes à profecia que aguardam seu cumprimento. Outro aspecto que fica claro é que a grande tribulação terá um período literal e definido, de sete anos.
9.4 – O PROPÓSITO DA GRANDE TRIBULAÇÃO
Já foi discutido anteriormente o caráter da grande tribulação e observamos que Deus estabeleceu um tempo de aflição nunca vista pela humanidade, porém isto tem propósitos específicos, e é o que veremos agora.
9.4.1- Purificar os Judeus para receberem a Jesus como Messias.
Deus havia prometido a Israel, através de alianças, que daria bênçãos eternas, o fato é que este tempo dependeria de um outro tempo. Ezequiel 20:33-38 encontramos o resumo do plano de Deus para Israel.
Vivo eu, diz o Senhor JEOVÁ, que, com mão forte, e com braço estendido, e com indignação derramada, hei de reinar sobre vós; e vos tirarei dentre os povos e vos congregarei das terras nas quais andais espalhados, com mão forte, e com braço estendido, e com indignação derramada. E vos levarei ao deserto dos povos e ali entrarei em juízo convosco face a face. Como entrei em juízo com vossos pais, no deserto da terra do Egito, assim entrarei em juízo convosco, diz o Senhor JEOVÁ. E vos farei passar debaixo da vara e vos farei entrar no vínculo do concerto; e separarei dentre vós os rebeldes e os que prevaricaram contra mim; da terra das suas peregrinações os tirarei, mas à terra de Israel não voltarão; e sabereis que eu sou o SENHOR.
Após séculos de exílio profetizados antecipadamente neste texto, Israel retornou a sua terra e aguarda agora, justamente este tempo, o tempo em que Deus diz: “entrarei em juízo convosco face a face”, e mais, “farei entrar no vínculo do concerto; e separarei dentre vós os rebeldes e os que prevaricaram contra mim;”. Aqui vemos a natureza do “dia do Senhor” discutido anteriormente. Neste tempo haverá a preparação necessária para que a nação de Israel se converta ao Senhor.
9.4.2- Julgar a nações gentílicas
Toda infidelidade e descrença serão julgadas na grande tribulação, os judeus receberão o tratamento devido, como também os infiéis e suas nações. Jesus relata em Ap 3:10 um tempo de “provação que há de vir sobre os moradores da terra”, entendemos aqui que um juízo sobre a humanidade está previsto, Paulo aos tessalonicenses diz que “por isso, Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira, para que sejam julgados todos os que não creram a verdade; antes, tiveram prazer na iniqüidade.” (2Ts 2:11-12). Durante o governo do anticristo as nações o apoiarão e serão influenciadas por ele. Os gentios afrontaram a Deus “pisarão a Cidade Santa por quarenta e dois meses”.(Ap 11:2); ao serem mortas a duas testemunhas enviadas por Deus “povos, e tribos, e línguas, e nações verão seu corpo morto (…) não permitirão que o seu corpo morto seja posto em sepulcros”.(Ap 11:9); as nações se deliciaram com o pecado, “as nações beberam do vinho da ira da sua prostituição”, como também seus governantes, “Os reis da terra se prostituíram” (Ap 18:3); rebelaram-se contra Deus praticando tudo o que ele abomina “porque todas as nações foram enganadas pelas tuas feitiçarias.”(Ap 18:23); sendo merecedores da fúria do rei dos reis, “da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações”(Ap 19:15).
9.5- A ESTRUTURA DA GRANDE TRIBULAÇÃO
Já sabemos que a grande tribulação é a septuagésima semana de Daniel, e que este período é de sete anos. O que veremos agora é quanto à sua estrutura, ou seja, como será seu desenrolar quanto ao tempo. Observe o gráfico abaixo, e em seguida serão dadas a s devidas explicações.
Com o estabelecimento do acordo de paz entre o anticristo e Israel, inicia-se a grande tribulação. A igreja já foi arrebatada, restando na terra os gentios e os Judeus. No meio da semana, segundo Daniel, o anticristo “fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação”, este fato fará com que, a partir da metade da semana, ou seja, após os primeiros três anos e meio, se dê inicio ao período descrito em Daniel 7:25 “E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues nas suas mãos por um tempo, e tempos, e metade de um tempo”. Este mesmo período é mencionado em Ap 11:2 e 13:5 como 42 meses; também aparece como 1260 dias em Ap 11:3 e 12:6, todos tratam do mesmo espaço de tempo como também do mesmo período. Em Daniel observamos que ele apresenta os três anos e meio finais da grande tribulação como: um tempo (um ano), e tempos (dois anos), e metade de um tempo (meio ano).1260 dias, correspondem a 42 meses de 30 dias cada.
Após os sete anos de grande tribulação, Jesus retornará novamente para julgar os inimigos de Israel, inclusive satanás, o anticristo e o falso profeta.
Concluímos então, que o período tribulacional durará sete anos, porém tendo duas fazes, a primeira está em torno de uma falsa paz determinada através de um acordo entre o anticristo e Israel; com o rompimento deste, desencadeia-se um ataque violento contra Israel e todos moradores da terra, que termina com a volta gloriosa de Jesus Cristo. O fato de o período tribulacional ter duas fazes, não dá margem para que se ensine que somente os últimos três anos meio sejam a grande tribulação, se assim fosse, não existiria a septuagésima semana, mas sim, meia semana de Daniel.
CAPÍTULO 10
A BESTA
O anticristo, depois de Jesus, é a figura mais marcante do período tribulacional. O seu título denuncia seu caráter e suas intenções.
Anticristo vem do grego antichristos, e seu sentido é óbvio, adversário de Cristo ou contra Cristo. Alguns escritores apresentam este título como sendo de alguém que quer se passar pelo Cristo e não necessariamente contra ele, talvez esteja em mente o uso paralelo de “antipapa”, que se refere a alguém que se intitula papa mesmo não sendo reconhecido pela igreja romana e na história são vários os exemplos a esse respeito. A questão é que neste caso isto não pode ser admitido, pois todos os textos que o apresentam falando de sua postura, atitudes e intenções, sempre estão voltadas à destruição de Cristo e seus propósitos, se assim fosse Jesus ou outro escritor neotestamentário o intitularia de pseudocristo, como em Mateus 24:24.
O termo anticristo é emprestado de 1ª João 2:18, 22; 4:3 e 2ª João 7 à primeira besta de Apocalipse 13, porque este termo define muito bem seu caráter e propósito, e esta é a única relação que existe entre os dois. No livro de Apocalipse a besta nunca é chamada de anticristo, porém nada impede que a chamemos desta maneira, já que de uma maneira ou outra ele é um anticristo.
10.1- SEU REINO E SUA CHEGADA AO PODER
“E eu pus-me sobre a areia do mar e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e, sobre os chifres, dez diademas, e, sobre as cabeças, um nome de blasfêmia”.(Ap 13:1).
A Bíblia traz com abundancia textos que se referem à pessoa do anticristo. Ap 13:1 relata seu surgimento, e o fato de ser do mar pode ser forte indicação que será um gentio (Ap 17:15). Um governo mundial será criado, e é através deste sistema político que ele vai governar o mundo. Veremos em alguns pontos como será esta escalada do anticristo ao poder.
10.1.1 – A estátua de Nabucodonosor
Em Daniel capítulo 2, vemos a interpretação dada por Deus a Daniel, do sonho que o rei havia tido, neste era apresentada uma estátua, “A cabeça era de fino ouro, o peito e os braços, de prata, o ventre e os quadris, de bronze; as pernas, de ferro, os pés, em parte, de ferro, em parte, de barro”. (Dn 2:32-33). Cada uma destas partes representa um império, como segue:
• Cabeça de ouro: império Babilônico
• Peito e braços de prata: império Medo-Persa
• Ventre e quadris de bronze: império grego
• Pernas de ferro, e pés parte ferro, parte barro: império Romano.
Cada império representado teve seu fim, sendo seguido pela ordem apresentada na estátua.
Daniel nos versos 41-44, faz uma observação referente ao ultimo império, o Romano, segundo Daniel, o fato de serem duas pernas com dois pés indicam que seria um reino divido, o que realmente aconteceu em 395 d.C. Ainda é mencionada a questão mais importante a respeito deste último, o fato de ter pés que eram parte ferro e parte barro, e é o próprio profeta que nos dá a explicação referente a esta mistura “Como os artelhos dos pés eram, em parte, de ferro e, em parte, de barro, assim, por uma parte, o reino será forte e, por outra, será frágil”.

Procuremos agora entender que relação tem este texto com o anticristo. A interpretação dada por Deus a Daniel revela que o império Romano seria dividido, e que este mesmo império surgiria numa forma diferente, representada pelos dez dedos, estes representam dez reis que formariam uma confederação. Daniel fala desta junção dizendo que “misturar-se-ão mediante casamento, mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro.” Isto representa um governo unido por um acordo, permanecendo porém a individualidade de cada um, e isto só é possível com um líder para fazer com que a confederação não se dissolva por falta de um mediador. Um fato muito importante acerca destes dez reis e deste líder nos o encontramos em Ap 17:12-13 “Os dez chifres que viste são dez reis (…) Têm estes um só pensamento e oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem”, Aqui vemos que estes dez reis entregarão a liderança desta confederação a um homem, a besta. Esta é a forma de governo que será estabelecido no fim dos tempos, um império saído do antigo, não um outro, mas o mesmo sob um novo aspecto.
O fim deste império também é declarado por Deus, “Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; (…) como viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro.” (vs. 44-45).Quando esta confederação estiver em pleno poder, o próprio Deus vai intervir. A pedra cortada e lançada contra as forças hostis é o próprio Jesus Cristo que vem destruí-los e inaugurar o “reino que jamais será destruído”. O milênio.
10.1.2 – A visão dos quatro animais.
Esta surpreendente visão no capítulo 7, revela o mesmo simbolismo já representado na estátua, porém é ainda mais clara quanto aos acontecimentos relacionados a esta ultima forma do império Romano.
Daniel vê quatro animais (v. 3), e assim como cada parte da estátua simbolizava um império, também cada animal representa os mesmos impérios, vejamos a apresentação feita por Daniel:
• “O primeiro era como leão e tinha asas de águia; enquanto eu olhava, foram-lhe arrancadas as asas, foi levantado da terra e posto em dois pés, como homem; e lhe foi dada mente de homem.”: Império Babilônico
• “o segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou sobre um dos seus lados; na boca, entre os dentes, trazia três costelas”: Império Medo-Persa
• “e eis aqui outro, semelhante a um leopardo, e tinha nas costas quatro asas de ave; tinha também este animal quatro cabeças”: Império Grego
• “o quarto animal, terrível, espantoso e sobremodo forte, o qual tinha grandes dentes de ferro; (…) e tinha dez chifres.”: Império romano
Os atributos de cada animal têm total relação com as características de cada império, porém o que nos interessa neste estudo é o quarto animal, símbolo do império Romano. Daniel se interessa em particular por este último (v.19), e vê algumas características neste animal que distingue ele dos outros e o torna terrível, era um animal: 1)muito forte; 2) tinha grandes dentes de ferro; 3) unhas de metal; 4) devorava e destruía tudo que estava em seu caminho; 5) tinha dez chifres; 6) do meio destes dez chifres surge um menor com olhos e, 7) este surgimento causa a queda de outros três.
Aqui temos uma simbologia diferente para o mesmo assunto retratado na estátua do capítulo 2. Este quarto animal, com seus atributos, ele representa o império Romano (v. 23), e segundo a revelação dada ao profeta, estes dez chifres representam os mesmos reis simbolizados pelos dez dedos da estátua (v. 24), a diferença é que nesta visão, lhe é mostrado o surgimento de um “chifre menor”, este representando o líder da confederação de dez reinos, que em sua ascensão derrubará três reis (v. 20).

O caráter maligno do anticristo é mencionado no texto “tinha olhos e uma boca que falava com insolência (…) e eis que este chifre fazia guerra contra os santos” (v. 20-21), como também suas atitudes profanas, “Proferirá palavras contra o Altíssimo” (v. 25). Todo o período de ataque do anticristo durará três anos e meio (um tempo, dois tempos e metade de um tempo), que serão a segunda parte da grande tribulação. Após o tempo ser cumprido, virá o “Ancião de dias”, que é a mesma pedra que destrói a estátua; Jesus Cristo. Destruirá este império e instituirá seu reino (v. 22).
10.1.3. – A besta que emergiu do mar
Outro texto magnífico das Escrituras que vem confirmar as revelações dadas a Daniel sobre a besta e seu governo se encontra em Ap 13:1-10. Faremos um breve estudo do texto para entender esta revelação que vem num processo de desenvolvimento dentro das Escrituras, ou seja, na estátua foram dadas algumas informações, a visão dos quatro animais soma alguns dados não encontrados na estátua, como também este texto de Apocalipse que, mesmo tendo menos versículos, contém mais informações sobre a besta que todos os outros, ainda assim precisaremos recorrer a Ap. 17 onde são revelados os símbolos mencionados no cap. 13. Vejamos as informações que contém neste texto.
“Vi emergir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças e, sobre os chifres, dez diademas e, sobre as cabeças, nomes de blasfêmia”. (Ap. 13:1)
a) Vi emergir do mar uma besta.
Muitos estudiosos do assunto afirmam, por esta informação, que o anticristo será um gentio, já que o mar freqüentemente simboliza as nações (Ap 17:15)
b) tinha dez chifres (…) e, sobre os chifres, dez diademas

Ap 17:12-13 esclarece: “Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino”. Assim como os dedos da estátua e como os chifres do animal terrível. Estes reis receberão sua autoridade no tempo designado por Deus para que todo seu plano seja estabelecido. O fato de terem diademas sobre os chifres demonstra essa futura autoridade, pois diadema significa, de um modo geral, ornamento real para a cabeça, coroa.
Uma característica importante aqui revelada, se refere a duração deste governo: “recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora”; este período de domínio será muito curto. O v. 13 nos informa que devido serem uma confederação “Têm estes um só pensamento”, e isto faz com que elejam um líder “e oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem”… Esta escolha obviamente está ligada à permissão de Deus já que seu propósito é completar seu plano com Israel e os gentios.
c) e sete cabeças (…) e, sobre as cabeças, nomes de blasfêmia.
O fato de o anticristo ter sete cabeças é porque ele está relacionado a sete governos “As sete cabeças são sete montes, (…). E são também sete reis: cinco já caíram, e um existe; outro ainda não é vindo; e, quando vier, convém que dure um pouco de tempo”.(Ap 17:9-10). Os sete montes se referem a Roma; chamada “a cidade das sete colinas” . Os sete reis e seus respectivos reinos são representados pelas sete cabeças, são objetos de controvérsia entre os especialistas em escatologia; alguns entendem como sendo fazes do império Romano, no entanto a visão dispensacionalista crê que os cinco reis que “já caíram” representam os impérios que dominaram o mundo, que são: 1) Egípcio, 2) Assírio, 3) Babilônico, 4) Medo-Persa e o 5) Grego. O que “existe” no tempo de João é o Romano, e o que é futuro é justamente sob o qual o anticristo reinará. Uma observação interessante é quanto à descrição feita por João, onde são demonstradas características de suas atitudes enquanto governo “A besta que vi era semelhante a leopardo, com pés como de urso e boca como de leão” (comparar com Dn. 7:3-6) com isso o anticristo parece representar uma confluência dos impérios já existentes que, com seu poder, assolaram o mundo.
d) “E deu-lhe o dragão o seu poder, o seu trono e grande autoridade”.
O dragão é Satanás (Ap 12:9) e este dará poder e autoridade á besta. Paulo diz que seu aparecimento é segundo a “energeia”, ou seja, seu trabalhar, sua força sobrenatural, isto demonstra que o anticristo tem sua origem em satanás, sua habilidade política vem das trevas (Dn 8:25), sua prosperidade é de procedência maligna (Dn 11:36), e toda esta relação com satanás o constituirá inimigo de Deus, “abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para lhe difamar o nome e difamar o tabernáculo, a saber, os que habitam no céu” (Ap 13:6). Mais uma vez é indicado o período em que a besta governará, que é de quarenta e dois meses (Ap 13:5), ou 1260 dias (Ap 12:6). Dominará o mundo e perseguirá todo aquele que se recusar a adorá-lo uma vez que são servos de Deus (Ap 13:7-8), perseguirá Israel e este será preservado pelo próprio Deus (Ap 12:6).
Nunca o mundo teve um governo desta maneira como também um líder desta conjuntura, por mais que se tente associar estas profecias a qualquer fase da história será um esforço sem êxito, agora, quando olhamos para o quadro Europeu atual vemos todo o sistema governamental sendo preparado para o surgimento de um líder. Esta União Européia é:
Organização supranacional européia dedicada a incrementar a integração econômica e a reforçar a cooperação entre seus estados-membros. A União Européia (UE) nasceu no dia 1º de novembro de 1993, quando os doze membros da Comunidade Européia (CE) — Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Holanda, Portugal e Espanha — ratificaram o tratado da União Européia (Enciclopédia Microsoft® Encarta®).
Algo relevante é o fato destes paises fazerem parte do mesmo território que o antigo império Romano, e isto demonstra que a possibilidade da união Européia ser a confederação que dará ao anticristo o poder de governar é muito grande, quase impossível de ser de outra maneira. Características como uma só língua, uma só moeda, livre comércio, conselho unificado etc… são idênticos ao sistema Romano antigo.
10.2 – O DETENTOR
E, agora, sabeis o que o detém, para que ele seja revelado somente em ocasião própria. Com efeito, o mistério da iniqüidade já opera e aguarda somente que seja afastado aquele que agora o detém; (2 Ts 2:6-7)
Eis aqui uma questão muito importante, que é referente à identidade deste “que detém” a manifestação do anticristo, é certo que existem alguns problemas a respeito desta identidade, mas buscaremos soluciona-los.
Uma das teorias bastante aceita é a de que o império Romano era o que impedia o surgimento do anticristo, para F.F. Bruce, não poderia ser de outra maneira quando escreve:
O apóstolo é intencionalmente vago quando escreve sobre o assunto, (…) Isto apóia a interpretação de o Império Romano ser o agente retentor, (…) Paulo tinha razão em mostrar-se constantemente grato pela proteção das autoridades imperiais, que reprimiam as forças mais hostis ao evangelho. Quando essa proteção fosse retirada, as forças do anticristo poderiam exercer, livremente, a sua própria vontade.
Para isto se baseiam na questão de Paulo se preocupar em ser discreto, não mencionado a identidade do detentor, o que parece ser uma grande contradição, pois, já que ele se sentia grato ao império, porque não menciona-los como sendo seus “amigos”, tornando o relacionamento entre igreja e Roma mais próximo ainda? A questão é que este relacionamento nunca existiu.
Outra teoria aponta a igreja como sendo “aquele que detém”, o que também não pode ser possível devido à natureza da igreja, pois esta é apenas habitação do Espírito de Deus, embora seja o meio que Deus usa para deter as forças espirituais malignas, não pode ser a detentora já que é passível de acusação.
Neste caso é necessário um detentor que seja um ser espiritual, tenha poder infinito, seja inculpável e possua autoridade suprema, e tudo isto só encontramos na trindade, e devido ser algo que impede a manifestação terrena do anticristo concluímos que o Espírito Santo é o único que pode atender a estes requisitos, já que Ele foi enviado para habitar no crente em Jesus, sendo a força vital da igreja, ou seja, é o próprio Deus na terra, morando conosco e em nós e impedindo que o anticristo venha a se manifestar antes da hora definida por Deus. E isto só não parece razoável como é a única possibilidade que consegue explicar de maneira coerente à questão “deste que detém”.
Sendo o Espírito Santo o detentor fica ainda mais confirmado o arrebatamento antes da grande tribulação, é onde está a explicação de tudo, pois sendo a igreja seu templo será retirada juntamente com “aquele que detém”, deixando o caminho livre para que se manifeste o “iníquo”, e não permitindo que a igreja redimida sofra com o terror de sua ira.
10.3 – O FIM DO ACORDO DE PAZ
Nos primeiros três anos meio de governo do anticristo, sabemos que haverá um acordo que introduzirá no mundo uma paz aparente, porém Daniel diz que “na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele” (Dn 9:27). O versículo nos diz que devido este rompimento, a besta cessará todos os sacrifícios judaicos que haviam retornado com o acordo de paz, agora tendo sido desfeito, ele se revela como o terrível assolador, que com toda a fúria busca destruir Israel.
Em Apocalipse 12 temos um retrato da fúria de satanás contra Israel na segunda metade da grande tribulação, por isso se faz necessário observarmos alguns pontos do texto.
O texto fala de uma mulher (v. 1) e esta não pode ser outra coisa a não ser um símbolo que representa Israel, alguns interpretam como sendo Maria mãe de Jesus, outros como sendo a igreja, porém nenhuma das duas merece atenção pois estão totalmente fora de cogitação, e para que houvesse algum paralelo, teríamos que espiritualizar o texto demasiadamente. A interpretação de que a mulher é símbolo de Israel torna-se clara, pois vemos que: 1) ela está vestida sol, símbolo sempre ligado a Israel (Ml 4:2); 2) tem uma coroa de doze estrelas na cabeça, numero que além de simbolizar as doze tribos, simboliza governo. Estas estrelas não poderiam ser ligadas aos apóstolos, pois estes foram mais que doze. 3) A mulher grávida (v. 2) não poderia ser a igreja, já que não foi a igreja quem concebeu a Jesus, mas Jesus concebeu a igreja, também não pode ser Maria, porque os fatos descritos no v. 6 e 14 nunca aconteceram a ela. 4) o v. 17 indica fortemente se tratar de Israel, pois vendo que não conseguiu destruir a Jesus se voltou contra a nação. Tanto Maria quanto à igreja não se enquadram neste versículo, a não ser que o texto fosse violentamente alegorizado. Por tudo isto fica claro que neste caso João está falando de Israel e a luta de satanás para destruir aquele que nasceria para governar o mundo (v. 5).
Do v. 7 ao 9 vemos o motivo da fúria de satanás. Alguns interpretam estes versículos com sendo uma tentativa de Satanás em subir ao céu para contender com Deus, os midi tribulacionistas acham que se trata de uma luta para impedir o arrebatamento da igreja, há quem diga que se trata de uma tentativa em subir ao céu para impedir o nascimento de Jesus. Ao que parece nenhuma das conjecturas serve para explicar o texto. Existe ainda uma interpretação que coloca o texto como sendo a queda de Lúcifer o motivo do ódio pela nação que Deus escolheu para revelar o messias ao mundo; torna-los sacerdotes messiânicos e fundar seu reino teocrático; fúria esta que acontece de maneira terrível a partir da segunda metade do período tribulacional (esta parece ser a menos improvável). Todo o capítulo 12 tem a intenção de mostrar a crescente perseguição de satanás a Israel tendo o seu momento máximo na segunda metade da grande tribulação (v. 10-18). E para isto faz surgir um instrumento, um messias (Ap 13:1-10) pelo qual derramará sua ira após o rompimento do acordo instituído com Israel.
10.4 – A BESTA QUE SURGIU DA TERRA
“E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão” (Ap 13:11)
A primeira besta tem um aliado, este é conhecido como o falso profeta, (Ap 19:20 e 20:10) este caráter religioso pode ser visto pelos seus “dois chifres semelhantes aos de um cordeiro”, cordeiro sempre está ligado a algo religioso, neste caso, poder religioso. Outro ponto interessante é que ele surge da terra, e assim como o mar simboliza as nações, a “terra” simboliza Israel, portanto o falso profeta será um judeu.
A segunda besta tornará obrigatório o culto ao anticristo “e faz que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta” (v. 12), e fará uma imagem de escultura deste, para que todos adorem (v. 14), com seu poder satânico dará vida à estátua e todo aquele que não prestar culto á besta será morto (v. 15). Será instituído um sinal, “E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na mão direita ou na testa”, (v. 16), sem este sinal ninguém poderá comprar, vender etc…(v. 17), o número é 666. Este número parece personificar o anticristo, ou seja, satanás em sua tentativa de ser deus enviará seu messias, e assim como o número 7 indica perfeição o 6 indica imperfeição, digamos que se Deus tivesse um numero seria 777, qualquer tentativa de sê-lo seria imperfeita, 666.
Se pensássemos nesta marca a pouco mais de cinqüenta anos, não admitiríamos outra possibilidade a não ser que ela seria feita com um ferro em brasa, e assim como um animal é marcado seriamos também. Logo depois veio a possibilidade de se tratar do código de barras, mas esta já foi substituída pelo biochip, que pode ser até menor que um grão de arroz e conter todas as informações que forem necessárias. De qualquer forma, o falso profeta instituirá este sistema como sendo obrigatório a todos não por força, mas por persuasão. Seu fim será o mesmo que o do anticristo (Ap 19:20).
CAPÍTULO 11
A INVASÃO NA PALESTINA
Já sabemos que a grande tribulação será um período de juízo contra Israel, e que o propósito de Deus para esta nação é que se convertam ao Senhor e o sirvam com sinceridade. Para isto meios serão utilizados, e um deles é uma invasão de confederações a Terra Santa.
O que iremos estudar neste capítulo está relacionado à confederação que invadirá Israel durante o período tribulacional, é bom deixar claro que estes conflitos não são especificamente a guerra do Armagedom, esta acontecerá no fim da grande tribulação, marcando o momento da vinda gloriosa de Jesus para inaugurar seu reino messiânico.
11.1- OS INIMIGOS DO NORTE
Para sabermos quem são estes inimigos buscaremos no livro do profeta Ezequiel, que nos capítulos 38 e 39, falam a respeito de uma confederação de vários reinos que se juntarão sob uma liderança para invadir o território de Israel, afim de destruí-lo.
No cap 38:1-6, são mencionadas as nações que se juntarão para formarem esta confederação. Todas estas estarão sob o comando de um líder, chamado Gogue. Vejamos o texto.
Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Filho do homem, volve o rosto contra Gogue, da terra de Magogue, príncipe de Rôs, de Meseque e Tubal; profetiza contra ele e dize: Assim diz o SENHOR Deus: Eis que eu sou contra ti, ó Gogue, príncipe de Rôs, de Meseque e Tubal. Far-te-ei que te volvas, porei anzóis no teu queixo e te levarei a ti e todo o teu exército, cavalos e cavaleiros, todos vestidos de armamento completo, grande multidão, com pavês e escudo, empunhando todos a espada; persas e etíopes e Pute com eles, todos com escudo e capacete; Gômer e todas as suas tropas; a casa de Togarma, do lado do Norte, e todas as suas tropas, muitos povos contigo. (Em itálico estão os nomes das nações que se unirão.)
Para conhecermos os detalhes sobre a invasão, precisaremos, anteriormente, identificar que são atualmente estes paises, a começar pelo líder desta confederação.
11.1.1- Gogue príncipe de Magogue
Gogue será o líder das forças do norte, este não se trata de Gogue filho de Semaías, mas um nome simbólico. O que realmente nos importa é quanto a sua terra, e esta é chamada Magogue, formada por Rôs, Meseque e Tubal.
Magogue é o segundo filho de Jafé, neto de Noé (Gn 10:2), com a distribuição das terras, cada um dos filhos de Noé juntamente com suas famílias, povoaram cada região da terra. Magogue, foi para a região da Caucásia, esta que é uma:
Região que se localiza no extremo sudeste da Europa, entre o mar Negro e o mar Cáspio, divide-se em duas regiões pela cordilheira do Cáucaso. A zona norte, situada no interior da Federação Russa e conhecida como Cáucaso,(…) A parte mais meridional e extensa, Transcaucásia,(…). Essa região compreende a Geórgia, Armênia e o Azerbaijão.
A Caucásia é conhecida como o “berço da raça branca”, portanto, Magogue é a raiz dos Caucasóides, que é uma classificação, em termos de raças humanas, aos povos de pele, olhos e cabelos claros.
Desde a antiguidade estes povos eram chamados de citas. Flávio Josefo, historiador do século I, identifica os descendentes de Jafé como sendo a origem dos Citas, Gregos e Romanos (é claro que estes povos se dividiram e hoje compreendem até certo ponto, os latinos). Josefo indica Magogue como o pai da raça Cita “Magogue fundou a (colônia) dos Magogianos a que eles (os gregos) chamam de citas” (Primeiro livro Cap 6:18). A Enciclopédia Encarta define assim os Citas:
Cita, nome dado pelos escritores gregos clássicos a um grupo de tribos nômades que ocuparam a Europa central e a Ásia durante o século VIII a.C. Esta denominação abrange os habitantes da zona de Cítia, ao norte do mar Negro, entre os Cárpatos e o rio Don, no que são atualmente a Moldávia, a Ucrânia, o leste da Rússia, e todas as tribos nômades que habitaram as estepes entre a Hungria e as montanhas do Turquestão.
Gogue é o príncipe desta região, que é formada a, principio, por três territórios, Rôs, Meseque e Tubal.
Ao iniciarmos o reconhecimento de cada um deles nos deparamos com um problema que é o fato de muitas versões omitirem o território de “Rôs”, traduzindo este termo por “chefe”, portanto se faz necessário averiguarmos essa tradução antes de continuarmos.
Rôs vem da palavra hebraica ro’sh (var), e significa: cabeça, topo, cume, parte superior, chefe, total, soma, altura, fronte, começo (Strong). De um modo geral é traduzido por cabeça em seu sentido literal (Gn 3:15; 40:16), outra vezes é traduzido por cume ou topo de um monte, torre ou escada (Nm 14:40; Gn 11:4; gn 28:12), também é traduzida por capitão no sentido de chefe (Nm 14:4; Ex 6:14). Seu sentido é abrangente. No texto de Ezequiel 38:2, várias traduções empregam a Ro’sh, o sentido de chefe “Gogue, terra de Magogue, príncipe e chefe de Meseque e de Tubal,” (RC), a tradução na linguagem de Hoje diz “Gogue, o principal governador das nações de Meseque e Tubal, na terra de Magogue.”.
Estas traduções estariam corretas se, neste caso, “ro’sh” fosse um substantivo, assim como é apresentado em outras referências, no entanto o contexto do versículo como também a oração em hebraico não permitem que seja dessa forma, obrigando “ro’sh” a ser um nome próprio. Isso pode ser visto através de seu precedente, nasiy’ que significa: pessoa elevada, chefe, príncipe, capitão, líder; ou seja, Ro’sh quando usado no sentido de chefe, príncipe ou capitão, torna-se sinônimo de nasiy’, o que torna ro’sh, enquanto substantivo, totalmente desnecessário, até porque príncipe no hebraico tem sentido completo e suficiente para qualificar Gogue como príncipe, chefe, líder etc. O fato de ro’sh ser seguido Meseque e Tubal, torna mais convincente sua tradução como nome próprio que como algumas Bíblias apresentam. A Septuaginta (versão grega do Velho Testamento Séc.III a.C.) traduz ro’sh como nome próprio, pois a oração em grego não permite ser de outra maneira, já que príncipe no grego archon, tem o mesmo significado que no hebraico.
Algo que marca ro’sh como sendo a “cidade cabeça ou chefe”, pode ser o fato dela ser um tipo de capital ou metrópole da terra de Magogue. De qualquer maneira este nome pode ser, inicialmente um adjetivo que veio a ser definitivamente um nome próprio da “cidade”.
Resolvido este problema, nos resta saber quem são, atualmente estas cidades. O que sabemos a respeito da terra de Magogue é que fica na região da Rússia e adjacências. Desde o século XVI , os intérpretes da palavra de Deus ligam Rôs à Rússia, e esta interpretação tem permanecido firme e sustentável até hoje.
Meseque é a segunda “cidade” que faz parte do território magogiano. Este nome veio de Meshek (Kvm), (transliterado para o português como Meseque) sexto filho de Jafé.
A descendência de Jafé, como já visto, foi a que deu origem aos citas, como também outros povos daquela região, dessa forma, Meseque é considerado como o que deu origem aos russos.
A descendência de Meseque se dirigiu à região que fica entre o mar Negro e o Cáspio, e ali foram chamados de “Moschi”. Mais tarde, durante o período de domínio Babilônico e Persa na Ásia ocidental, boa parte deles cruzaram o Cáucaso, espalhando-se pela região mais ao Norte, onde foram conhecidos como “Muscovs”, uma forma primitiva de Moscou, atual capital Russa. Em inscrições assírias são mencionados como “Muski”.
Tubal, irmão de Meseque, quinto filho de Jafé. Tubal sempre é visto, nas Escrituras, juntamente com Meseque (Gn 10:2; 1 Cr 1:5;), ambos eram mercadores de escravos; sua fama era de serem um povo cruel que traziam destruição onde passavam (Ez 27:13; 32:26), o que vem confirmar o motivo da ira de Deus contra eles.
Tubal é mencionado em documentos assírios como sendo os “Tibareni”, o historiador grego, Heródoto (484?-425 a.C.), também dá o mesmo nome aos descendentes de Tubal. Este povo vivia também na região do Cáucaso, e hoje seu nome é Tobolsk, cidade Siberiana, que é a parte oriental da região asiática Russa.
Concluímos que a terra de Magogue trata-se do território, hoje conhecido como Federação Russa. Meseque é Moscou e Tubal é Tobolsk.
11.1.2- Os aliados de Gogue
Por mais breve que pretendamos ser neste estudo, é necessário um esforço em identificar quem são estes aliados que juntamente com a Rússia invadirão Israel na grande tribulação, portanto conheceremos quem são para podermos iniciar nossa pesquisa.
Ez 38:5-6 relaciona os aliados dessa forma: Persas, etíopes, Pute, Gômer e a casa de Togarma.
A região Pérsia foi resumida ao território do atual Irã, e isto pode ser observado facilmente em qualquer livro de história.
Os etíopes são os descendentes de Cuxe, primeiro filho de Cam e neto de Noé. Alguns historiadores não vêem os etíopes mencionados por Ezequiel como sendo os mesmos da atual África, isto não se deve ao fato de ser uma região impossibilitada de ter um exército com condições de guerra de grande proporção, mas sim a uma questão de evidência histórica. Foram descobertas inscrições assírias que apresentam um povo com características semelhantes aos descendentes de Cuxe que habitaram mais ao norte da Arábia (a Etiópia da África fica ao sul da Arábia), chamados Cassitas, estes parecem representar melhor, devido a posição geográfica, os etíopes mencionados por Ezequiel.
O terceiro aliado é apresentado como Pute, esta nação leva o nome do terceiro filho de Cam , também de fácil identificação, é a atual Líbia. Josefo no século primeiro escreveu “Pute (…) povoou a Líbia e chamou a estes povos Puteenses”. Alguns historiadores colocam Pute como sendo outro povo que habitava nas cercanias da Pérsia (atual Irã).
Gômer, quarto do grupo, primeiro filho de Jafé, irmão de Magogue, Tubal e Meseque. É indicado categoricamente como o que originou os Cimerios e os Celtas. Ambos eram povos arianos que viviam em sistema nômade; no século VIIa.C. foram para a região da Ásia Menor, de onde foram expulsos. A maior parte rumou para o norte, mais precisamente para a região da atual Alemanha, o que confirma a indicação encontrada no Tamulde judeu, onde os descendentes de Gomer são chamados de “Germanis”. Alguns historiadores reconhecem Gomer como sendo a Capadócia, atual Turquia; isto parece difícil devido não haver ligação étnica entre os povos Celtas e os atuais turcos.
O quinto poder confederado é chamado de “casa de Togarma”. Togarma era o filho mais velho de Gômer; é reconhecido, por um consenso majoritário que se trata da atual Armênia.
A bíblia ainda nos revela que estes terão consigo “muitos povos”; não podemos identifica-los, mas sabemos que muitas nações têm interesse na região da Palestina e por isso se unirão na intenção de conquista-la. Um ponto relevante está em que todos este paises já combateram de forma direta ou indireta contra Israel.
11.2- O MOMENTO DA INVASÃO
Quanto à época da invasão da confederação do Norte à Palestina, temos algumas divergências; existem os que pensam que será nesta dispensação, os que acham que será após o milênio, no final da grande tribulação, no começo da grande tribulação, enfim, os pensamentos são variados, no entanto a Bíblia não nos permite “filosofar” mas sim observar seus textos e extrair deles o que realmente pode nos direcionar a um caminho correto.
Sem perder tempo refutando cada pensamento, iremos direto à interpretação adotada neste trabalho, a qual entende que esta invasão será em meio a grande tribulação. Alguns pontos que confirmam esta invasão na grande tribulação, e mais precisamente na metade do período.
• Alguns posicionam esta invasão durante o milênio baseado em Ez 38: 8;11-12; entretanto esta paz descrita refere-se ao período inicial da grande tribulação onde Israel estará sendo “protegido” pela besta devido o acordo firmado no inicio da semana profética.
• Aqueles que a posicionam no fim do milênio baseiam-se em Ap 20:8; porém esta referência a Gogue e Magogue, é apenas um símbolo das nações gentílicas que, com a soltura de satanás, serão persuadidos a uma última revolta contra Israel. Serão exterminados pelo fogo do Senhor. (v.9)
• Outro detalhe que chama a atenção é o uso das expressões “fim dos anos” e “últimos dias”, que, no Velho Testamento, sempre estão relacionadas ao dia do Senhor; a grande tribulação.
• Ez 38:23 demonstra que esta invasão desencadeará o juízo do Deus todo Poderoso e sua proclamação diante das nações que só ele é Senhor. No cap. 39:21-29 observamos com clareza que o período que se está falando se tratada grande tribulação já que o propósito expresso nesta passagem é fazer com que os Gentios e judeus reconheçam a Deus e se convertam a ele.
• Os que localizam este evento no inicio da grande tribulação apegam-se, dentre outras passagens, a Ez 39:9, onde é mencionado um período de sete anos para que sejam consumidos os despojos bélicos da guerra. A questão que estes sete anos são apenas simbólicos e não se referem à duração do período tribulacional, pois serve para demonstrar o tamanho do exército que fora destruído, a ponto de suas armas servirem de lenha por tanto tempo.
• Vemos em Dn 9:27 que será feito um acordo e que no meio da semana este será quebrado, é cabível concluir que algo trará o fim desta aliança, e será, justamente esta invasão.
• Algo que posiciona esta invasão na metade da semana profética é também encontrado em Ez 39:21-29, onde vemos que a vitória divina sob os exércitos inimigos servirá de sinal para os gentios (v.21) e os da casa de Israel (v.22); isto fará com que surjam gentios e um remanescente judaico que pregarão a vinda do reino messiânico; e, conforme descrito em Ap 11:1-14, acontecerá na segunda metade da grande tribulação. Então se cumprirá o que está descrito em Ez 39:28-29; todo o Israel glorificará ao Senhor.
CAPÍTULO 12
OS PRINCIPAIS EVENTOS
DA GRANDE TRIBULAÇÃO
Todo o período tribulacional será marcado por vários acontecimentos e em especial a segunda metade que terá eventos singulares e sem precedentes em toda a história da humanidade, será tempo de grande ação sobrenatural, por isso observaremos os principais eventos que sucederão neste período. Observe o gráfico abaixo.
Dos eventos mencionados no gráfico, alguns já foram abordados por estarem interligados com assuntos já discutidos, o restante são eventos que necessitam ser observados num contexto geral dos acontecimentos da segunda metade do período tribulacional. É bom lembrarmos que quando nos deparamos com textos extremamente obscuros, a melhor opção é relatar apenas o que está escrito sem procurar uma explicação, caindo no erro de “arranjar” uma resposta para o que não tem.
12.1- AS DUAS TESTEMUNHAS
Um estudo bastante interessante é o que diz respeito as duas testemunhas que surgirão durante a grande tribulação, mais precisamente no meio do período. Sua apresentação e ministério estão expressos no capítulo 11 de apocalipse; junto com a visão do anjo e do livrinho do capítulo 10, formam um parêntese entre a sexta e a sétima trombeta.
Quanto à afirmação de que surgirão em meio a tribulação pode ser claramente evidenciado pelo v.2, já que há uma referência ao período final da tribulação que é de quarenta e dois meses ( três anos e meio, sendo cada mês de trinta dias), que é quando surgem as testemunhas. Seu ministério durará durante toda segunda metade da grande tribulação “Darei às minhas duas testemunhas que profetizem por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de pano de saco” (v.3).
No final da grande tribulação, terão concluído o propósito de anunciarem o evangelho do reino e os juízos divinos; a besta irá contra eles; serão mortos tendo seus corpos estirados em praça publica durante três dias e meio, até que Deus os ressuscite e os arrebate até o céu.(v.7-11)
Muitas teorias surgem quando se tenta identifica-los, porém o v. 4 nos dá uma informação mui valiosa pois revela de maneira simbólica, que serão judeus, já que candeeiros e oliveiras estão totalmente ligados a Israel (Zc 4); o v.5 caracteriza o ministério como sendo profético: “Elas têm autoridade para fechar o céu, para que não chova durante os dias em que profetizarem. Têm autoridade também sobre as águas, para convertê-las em sangue, bem como para ferir a terra com toda sorte de flagelos, tantas vezes quantas quiserem.”; são chamados de “profetas” no v.10. O grande problema está em que vários escritores e comentaristas buscam uma identificação para estes, o que tem gerado uma série de especulações infundadas; uns dizem ser Elias e Enoque, outros dizem ser Elias e Moisés, porém tudo se resume a dois pontos básicos para que se chegue a esta suposição, o primeiro aspecto que leva a esta conclusão é o fato de Elias e Enoque terem sido arrebatados, portanto não morreram; o segundo ponto defende ser Elias e Moisés baseando-se nos milagres apontados no texto (v.6), que são semelhantes aos feitos pelos dois profetas no passado. O autor deste estudo prefere a posição que não identifica as duas testemunhas, reconhecendo-as apenas como dois homens que Deus encherá do seu Espírito para que lhe sirvam como profeta durante o período tribulacional; em defesa desta afirmação, podemos refutar as duas possibilidades acima sem muita dificuldade.
É pouco provável que sejam identificados como Elias e Enoque porque o fato de terem sido arrebatados não os obriga a voltarem a terra para morrerem baseando-se em Hb 9:27, pois se os temos como tipo da igreja que há de ser arrebatada, temos que ter em mente que da mesma forma, se nos formos arrebatados agora, também não provaríamos a morte física, excluindo a total necessidade de ressuscitarmos para morrermos e outra vez sermos levados por Cristo, portanto este argumento é totalmente inválido para estabelecermos esta identificação.
A identificação das testemunhas como sendo Elias e Moisés também não tem fundamento, pois: 1) a questão dos milagres serem semelhantes não prova nada, até porque durante a segunda metade da grande tribulação três vezes são mencionados juízos sobre as águas e estas se tornando sangue (Ap 8:8; 16:3-4); a falta de água também é mencionada nas profecias sendo operada pelo próprio Deus (Ap 16:12). Devemos ter em mente que quem opera o milagre é o Senhor Deus, e ele não necessitar trazer alguém à vida ou do passado para que seja realizado um prodígio. 2) também não serve como argumento a aparição dos dois no monte da transfiguração (Mt 17:1-13), pois aparecem em corpos glorificados semelhantes ao de Jesus após a ressurreição; é importante ressaltar que o propósito da transfiguração é confirmar a impecabilidade de Cristo; sua autoridade,visto que a lei e os profetas estão ali representados; o assunto em pauta na conversa foi sua morte em Jerusalém (Lc 9:31), o que não os liga, no caso de aparecerem juntos, aos eventos escatológicos.
Algo que tem trazido muita discussão está relacionado à futura vinda de Elias, profetizada em Malaquias 4:5-6:
Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do SENHOR; ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição.
Dentre muitas teorias a respeito do assunto será destacada apenas a que tem maior sustentação bíblica. Esta se baseia na afirmação de que João Batista não cumpriu esta profecia pelo fato de Israel não ter-lo aceitado.
Vemos em Malaquias que a profecia a cerca de João batista está, de certa forma, dividida em duas fazes: Ml 3:1 e 4:5-6. Lucas 1:17 mostra que o Elias predito não era o literal, mas sim alguém “no espírito e poder de Elias”; esta preparação referia-se ao seu primeiro advento e foi confirmado o cumprimento desta profecia pelo próprio Jesus Cristo “Este é de quem está escrito: Eis aí eu envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho diante de ti” (Mt 11:10).No entanto o segundo ponto (Ml 4:5-6) da profecia de Malaquias está totalmente relacionado ao dia do Senhor, o qual já sabemos que se refere a grande tribulação; a promessa diz que Elias seria enviado “antes que venha o grande e terrível dia do Senhor”, a fim de preparar a geração que vivesse no tempo final, “ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais”; podemos concluir, então que isto ainda não aconteceu. O que deu errado para que a profecia não se cumprisse? Numa resposta aos seus discípulos Jesus dá a entender o que aconteceu “E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias, que estava para vir” (Mt 11:14); o que Jesus quis dizer aqui foi que se a nação quisesse reconhece-lo como o Elias profetizado automaticamente o reconheceria como o Messias, assim o reino seria instituído, os inimigos julgados, e Israel seria restaurado; a questão é que isso não aconteceu, ou seja não o reconheceram como o que cumpria a profecia fazendo com que esta parte ficasse pendente. Em Mt 17:10-11, o assunto volta à tona e Jesus é enfático na resposta aos discípulos: “Mas os discípulos o interrogaram: Por que dizem, pois, os escribas ser necessário que Elias venha primeiro? Então, Jesus respondeu: De fato, Elias virá e restaurará todas as coisas”; o versículo seguinte vem reafirmar o que ele já havia dito anteriormente “Eu, porém, vos declaro que Elias já veio, e não o reconheceram”, sendo assim João não pode cumprir toda a profecia; ele mesmo, ao ser perguntado se era Elias disse que não. “Então, lhe perguntaram: Quem és, pois? És tu Elias? Ele disse: Não sou” (João 1:21).

A conclusão que chegamos é que haverá um ministério profético futuro que deverá cumprir em sua totalidade a profecia de Malaquias, entretanto esse “futuro Elias” não precisa ser literal, pois Jesus demonstrou, reconhecendo em João o Elias predito, que este será alguém “no espírito e poder de Elias”.
12.2- OS 144 MIL SELADOS
A referencia ao 144 mil judeus remanescentes não se trata de um evento em si, no entanto sua aparição no texto profético é por demais importante, por isso se az necessário uma análise o texto a fim de identificarmos com cuidado de quem o texto está falando.
A citação a respeito deste numeroso grupo é feita em Ap 7:1-8 e 14:1-5. uma primeira discussão que surge é se estes dois grupos são os mesmos ou se referem-se a povos diferentes, o que parece claro interpretar com sendo apenas duas referencias ao mesmo povo. Os amilenistas por não acreditarem num milênio literal, não aceitam a idéia de que estes são um remanescente judeu que permanecerá fiel, pois não vêem nenhuma necessidade disso para que as profecias se cumpram, já que também não acreditam que existirá a Grande tribulação, sendo assim acreditam que este grupo se trata de um símbolo da igreja redimida que servirá a Cristo na terra; eles crêem também que todas as promessas que foram feitas ao povo de Israel, essas promessas Deus as cumpre hoje na igreja, que segundo eles é o Israel Espiritual.
Quanto a esse raciocínio amilenista, devemos estuda-lo com cuidado, pois existe uma necessidade total na existência de um remanescente judeu, pois, como visto anteriormente, as alianças feitas com Abraão (Gn 12:1-3), com Israel no deserto (Dt 30:1-10), com Davi (IISm 7:12-16) e através do profeta Jeremias (Jr 31:31-34), todas têm em comum o caráter incondicional e restrito, ou seja, é Deus quem fará e se refere a Israel, pois nelas estão implícitas bênçãos a respeito da posse da terra, da perpetuidade da nação, do reinado do descendente de Davi e etc. Todas estas e outras características demonstram que as alianças não se destinam a outro povo que não sejam os judeus. Quanto ao seu cumprimento, já foi abordado anteriormente que estas profecias nunca se cumpriram, portanto para que se cumpram é necessário que haja um povo remanescente, este em hipótese alguma é a igreja, mas sim judeus preservados e que permaneceram fiéis.
Em Ap 14:1-5 é onde obtemos maiores informações sobre este grupo de israelitas; através do v.4 percebemos que estes serão judeus que se converterão a Jesus, o texto deixa claro que eles “seguem” o Cordeiro. Parece legitima a interpretação que coloca esta conversão durante o período tribulacional, mais precisamente no meio desta, posto que com o fim do acordo de paz instituído pelo anticristo, todo o furor satânico se dirigirá contra a nação de Israel, trazendo a conversão deste remanescente israelense. Outra característica destes é sua castidade (v.4), parece claro que em meio a Grande tribulação ninguém poderá ter um casamento normal, portanto casar-se parece fora de cogitação durante um tempo de tamanha aflição. É errado pensar que eles foram escolhidos por serem justos, ou por serem virgens, pois se assim fosse estaríamos corrompendo a santidade do casamento como também o processo de justificação divina, mas sim que o chamado de Jesus os tornou convictos em sua posição de santidade e permanência da castidade, da mesma forma que Paulo procedeu. Parece razoável crer que este grupo pregará o evangelho do reino durante a Grande tribulação já que Deus não levanta servos para permanecerem inertes.
12.3-OS JUÍZOS DIVINOS
Quanto aos juízos, existe grande divergência referente a interpretação, este fato se dá pelo motivo de uma boa parte dos comentaristas não aceitarem que existe um literalismo, e este deve estar preso a um contexto, ou seja, a própria Bíblia, como um todo, deve fornecer informações que ajudem a interpretar as passagens; é certo que ainda assim não teremos muito êxito, pois o uso de símbolos é demasiado, mas estaremos estudando os textos com coerência.
Os entendimentos são variados; preteristas procuram acomoda-los à história secular; os espiritualistas preferem encará-los como sendo lições para a vida cotidiana, onde preceitos morais são ensinados (o principal deles é Agostinho de Hipona); os continuístas ensinam que se trata apenas de um retrato da ação de Deus, no decorrer da história, contra a igreja católica (os reformadores criam desta maneira). Neste oceano de idéias os futuristas se destacam por ter o Apocalipse e os juízos descritos nele, como sendo real, futuro e algo que deve advertir os crentes a santificarem suas vidas a fim de não participarem da tribulação que há de vir, e isto esta baseado no ensino geral das Escrituras e não numa conveniência humana.
12.2.1- Os sete selos (Ap 6:1-17 e 8:1-6)
Em Ap 5:1, João menciona um livro selado com sete selos, estes têm uma revelação de tempos futuros. Estes acontecimentos serão na primeira metade da grande tribulação.
1o selo (v.2)- “Vi, então, e eis um cavalo branco e o seu cavaleiro com um arco; e foi-lhe dada uma coroa; e ele saiu vencendo e para vencer.” Muitos têm encontrado neste, uma analogia a Jesus Cristo e a proclamação do evangelho, no entanto isto está fora de cogitação, já que o período tribulacional não está ligado ao evangelho da graça. Esta comparação se dá apenas pelo fato de: 1) o cavalo ser branco, que geralmente está ligado a pureza, santidade e, no caso de apocalipse, vitória; 2) ter uma coroa; e 3) a expressão “ele saiu vencendo e para vencer”. Aqui não se trata de Cristo e seu evangelho, mas sim da ascensão do anticristo que aparece trazendo uma falsa paz e proclamando-se um “rei”; a frase acima kai exhlyen nikwn kai ina nikhsh, poderia ser traduzida por “e saiu conquistando e para conquistar”. Os selos seguintes confirmam esta interpretação.
2o selo (v.3-4)- “E saiu outro cavalo, vermelho; e ao seu cavaleiro, foi-lhe dado tirar a paz da terra para que os homens se matassem uns aos outros; também lhe foi dada uma grande espada” O anticristo em seu processo de conquista imporá uma paz à força que trará, justamente o contrário; guerras. As reações de nações descontentes com o novo sistema político serão violentas. A exemplo disto estudamos anteriormente a questão da batalha iniciada pela confederação do norte e o reino do sul.
3o selo (v.5-6)- “E, havendo aberto o terceiro selo, eu ouvi o terceiro animal, dizendo: Vem e vê! E olhei, e eis um cavalo preto; e o que sobre ele estava assentado tinha uma balança na mão” Com a guerra vem a escassez e fome generalizada, enquanto a besta fortalece seu governo as pessoas sofrerão a total falta de alimento. Um denário era o salário de um dia de um empregado; vemos que neste tempo uma pessoa trabalhará um dia por um punhado de farinha.
4o selo (v.7-8)- “Quando o Cordeiro abriu o quarto selo, ouvi a voz do quarto ser vivente dizendo: Vem! E olhei, e eis um cavalo amarelo e o seu cavaleiro, sendo este chamado Morte; e o Inferno o estava seguindo, e foi-lhes dada autoridade sobre a quarta parte da terra para matar à espada, pela fome, com a mortandade e por meio das feras da terra.” É obvio que com a guerra e a fome as doenças se alastrarão de maneira absurda; os animais sofrerão da mesma fome e buscarão outro alimento, o ser humano. A mortandade é prevista, um quarto da humanidade; esta fração sendo simbólica ou não, demonstra de maneira expressiva a proporção do acontecimento.
5o selo (v.9-11)- “Quando ele abriu o quinto selo, eu vi, debaixo do altar, as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam” João vê, debaixo do altar as almas dos que morreram por causa da palavra de Deus. Vários escritores têm buscado saber a que tempo pertencem estes mártires, entretanto, se nos levarmos em consideração o contexto dos selos, nos chegaremos a conclusão de que são os mortos em Cristo que durante a grande tribulação anunciarão sua palavra. Estes ansiavam pelo momento do Juízo de Cristo; foi-lhes dado uma veste branca e dito que aguardassem até o ultimo mártir. Estes mesmos são vistos novamente no cap. 7:9-17 onde são apresentados como vencedores e em 20:4 onde são participante da ressurreição. A principal observação que devemos fazer não é quanto à identidade destes, e sim quanto ao cuidado de Deus por seus servos; eles não são vistos em qualquer lugar, mas no céu; debaixo do altar; aos pés de Jesus.
6o selo (v.12-17)- “Vi quando o Cordeiro abriu o sexto selo, e sobreveio grande terremoto. O sol se tornou negro como saco de crina, a lua toda, como sangue, as estrelas do céu caíram pela terra, como a figueira, quando abalada por vento forte, deixa cair os seus figos verdes, e o céu recolheu-se como um pergaminho quando se enrola. Então, todos os montes e ilhas foram movidos do seu lugar” Estamos chegando ao fim da primeira metade da grande tribulação; o fim está próximo. Haverá um grande terremoto; uma catástrofe cósmica acontecera’. Todo este alvoroço causará um pânico incontrolável; a partir daqui muitos outros terríveis acontecimentos estão para vir. Alguns intérpretes vêem estas descrições como sendo o retrato do sistema político-religioso do fim dos tempos, preferindo uma interpretação bastante figurada da narrativa; melhor é permanecer no sistema literal tendo o cuidado de não forçar o texto.
7o selo (8:1-6)- Depois de um intervalo, Ap 8 dá seqüência à abertura dos selos. Este tem características diferentes, pois dá inicio a segunda metade da grande tribulação que traz consigo uma nova seqüência de juízos divinos; as sete trombetas. O silencio (v.1) vem, chamar a atenção para a magnitude do momento que se iniciará. Os setes anjos (v.2) surgem com sete trombetas para, com cada uma delas, anunciar uma sentença sobre a terra. As orações dos santos e o incensário com o fogo do altar são lançados na terra anunciando o tempo da ira do Deus eterno.
Nos seis primeiros selos encontramos o cumprimento do discurso profético feito por Jesus poucos dias antes de sua morte (Mt 24:4-13), e é importante lembrar que estas situações de falsos sinais, guerras, doenças, fome, perseguições etc. perdurarão até o fim do período tribulacional; os selos não estarão restritos apenas à primeira metade deste.
12.2.2- As sete trombetas (Ap 8:7-12; 9:1-21 e 11:15-19)
Com o inicio da segunda metade da grande tribulação, a ira de Deus começa ser derramada; ela vem a abertura do sétimo selo. ”Então, os sete anjos que tinham as sete trombetas prepararam-se para tocar” (Ap 8:7)
As trombetas se dividem; as quatro primeiras estão ligadas a catástrofes naturais, enquanto as demais falam de acontecimentos de caráter diferenciados. Cada uma delas traz conseqüências terríveis; independente de como e quão estranhos sejam, denotam a proporção do estrago que trará ao planeta.
1o Trombeta (8:7)- “O primeiro anjo tocou a trombeta, e houve saraiva e fogo de mistura com sangue, e foram atirados à terra. Foi, então, queimada a terça parte da terra, e das árvores, e também toda erva verde.” Uma grande chuva de granizo e fogo misturado com sangue cairá sobre a terra, e mais precisamente sobre as florestas e campos, a devastação é incontrolável; a terça parte será queimada. Muitos encontram aqui uma simbologia ao juízo de Deus contra a Palestina pela razão ser sobre a “terra”; devemos reconhecer que o tipo bíblico permite esta interpretação (Ap 13: 11), no entanto considerando que interpretamos os selos literalmente; porque agora mudar de método de interpretação se estamos lidando com uma seqüência linear e cronológica de acontecimentos ? O juízo desta trombeta é semelhante à sétima praga lançada sobre o Egito (Ex 9:23-25).
2o Trombeta (8:8)- “O segundo anjo tocou a trombeta, e uma como que grande montanha ardendo em chamas foi atirada ao mar, cuja terça parte se tornou em sangue, e morreu a terça parte da criação que tinha vida, existente no mar, e foi destruída a terça parte das embarcações” A conseqüência desta trombeta é idêntica à primeira praga do Egito que tornou em sangue o rio Nilo (Ex 7:20-21); a diferença é que neste caso, a terça parte dos mares atingidos. Seguindo o mesmo simbolismo da trombeta anterior identifica-se esta praga sobre o mar, como sendo sobre as nações gentílicas (Ap 17:15); mas com certeza, a melhor opção é interpretar como sendo um acontecimento literal, pois Deus já mostrou que pode fazer qualquer coisa quando assim for seu propósito. De qualquer forma a calamidade será grande, pois um terço dos seres marinhos morrerão, e a terça parte das embarcações serão destruídas.
3o Trombeta (8:10-11)- “O terceiro anjo tocou a trombeta, e caiu do céu sobre a terça parte dos rios, e sobre as fontes das águas uma grande estrela, ardendo como tocha.O nome da estrela é Absinto; e a terça parte das águas se tornou em absinto, e muitos dos homens morreram por causa dessas águas, porque se tornaram amargosas.” Nesta trombeta, os rio e fontes de água são atingidas se tornando imbebíveis causando mortes devido à falta de água potável. Quanto à “estrela absinto”, ela provavelmente será algo vindo do céu contendo substância que infectarão a água. Muitos preferem interpretar de maneira simbólica; dizendo que, assim como a terra e o mar têm um simbolismo agora os rios e fontes de água, referindo-se a vida espiritual dos que estarão na grande tribulação, esta será atingida de maneira que, para muitos não haverá a menor chance se salvação, seja pelo fato de ter aceitado a marca da besta ou por outro motivo. Entretanto esta estrela é literal, e tornará amarga a água doce; um exemplo de fato semelhante, mas ao contrário, temos as águas de Mara que pelo poder sobrenatural, foram purificadas (Ex 15:23-25).
4o Trombeta (8:12-13)- “O quarto anjo tocou a trombeta, e foi ferida a terça parte do sol, da lua e das estrelas, para que a terça parte deles escurecesse e, na sua terça parte, não brilhasse, tanto o dia como também a noite. Então, vi e ouvi uma águia que, voando pelo meio do céu, dizia em grande voz: Ai! Ai! Ai dos que moram na terra, por causa das restantes vozes da trombeta dos três anjos que ainda têm de tocar!” A terra, o mar, os rio e as fontes de água já sofreram irremediável dano, agora o céu é ferido; mais precisamente o sol, a lua e as estrelas, a terça parte de cada, perdeu sua luminosidade. No mesmo raciocínio apresentado até aqui, estes astros representariam os governos e lideres políticos. Não podemos, por mais que tenha fundamento, ceder a interpretações que apelem para um significado que negue a possibilidade de Deus fazer algo para nós, impossível, ou seja, muitos acham improvável que haja um acontecimento nos céus deste porte, o fato é que Jesus mencionou que sua vinda seria precedida por eventos desta conjuntura.
Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória. (Mt 24:29-30)
Também nesta trombeta são mencionados três “ais” que estão por vir, pondo fim a esta primeira faze de trombetas, seguindo-se imediatamente as outras.
5o Trombeta (9:1-12)- Este é o primeiro “ai”. Um dos mais terríveis juízos vem com a quinta trombeta; ao soar desta João vê “uma estrela que caiu do céu na terra. E foi-lhe dada a chave do poço do abismo.” (v.1), indicando um anjo caído ou um demônio que libertará um exército de seres demoníacos. Por ser demasiado o simbolismo nesta passagem podemos supor que esse anjo represente um indivíduo que iniciará um período de sofrimentos horríveis, o qual podemos presumir que está em foco a pessoa do anticristo. Não há exagero em tomar estes gafanhotos como literais, mas segundo a descrição feita nos vs. 7-11 demonstram que estes serão seres demoníacos ou pessoas possuídas por demônios, mas nunca uma raça meio-homem meio demônio. É importante lembrarmos que Deus já usou um evento semelhante para julgar Israel; o fato é descrito pelo profeta Joel (cap. 1 e 2) que fala da invasão de gafanhotos como sendo um exército a serviço do juízo divino (Jl 2:25), neste caso uma melhor interpretação indica que foram gafanhotos literais, não impedindo que outros intérpretes pensem ser um exército humano, seja qual for a interpretação, no caso desta trombeta, qualquer das duas demonstra que o terror será angustiante.
Foi lhes dado poder não para matar, mas para trazer dano, sofrimento apenas aos homens que “não têm nas suas testas o selo de Deus” por um tempo determinado; o nome de seu rei, Abadom (destruidor) esclarece a intenção; a questão de este período ser de cinco meses está ligada à duração da vida de um gafanhoto. O texto diz que buscarão a morte, mas esta fugirá deles, isto é, Deus não permitirá que morram neste período para que se complete seu plano.
6o Trombeta (9:13-21)- Após os juízos derramados a terra estará em total desolação, os sofrimentos causados aos descrentes terão sido terríveis. A sexta trombeta, o segundo “ai”, traz consigo a libertação dos quatro anjos que estão junto ao rio Eufrates, a leste de Israel onde ficava a Assíria e a Babilônia, estes anjos com certeza são “caídos”, pois estavam presos (v.14). O texto nos diz que eles aguardam o momento já determinado para agirem; o exército que os segue é gigantesco, duzentos milhões. Aqui João parece ter visto realmente um exército bem aparelhado e com grande poder de destruição, não podemos deixar de perceber a literalidade por traz da simbologia, pois fogo, fumaça e enxofre poderiam ser bombas, ou munição de algum tipo de arma usada pelos tanques de guerra (possíveis cavalos), tudo isso é suposição a verdade que se tem é que este exército matará um terço dos descrentes. O mais interessante é o que está expresso nos vs. 20 e 21, pois revelam o propósito destes acontecimentos, que é a conversão dos incrédulos, ou seja, que através de assolações como as descritas nas seis primeiras trombetas, o homem pudesse reconhecer a Jesus como salvador.
7o Trombeta (11:15-19)- A seqüência de “ais” parece, a primeira vista, ter si interrompida, no entanto o que acontece é um parêntese nos acontecimentos. A sétima trombeta faz as ultimas preparações para volta de Jesus, o que é descrito no texto. A igreja arrebatada, simbolizada pelos vinte e quatro anciãos (v.16), adora a Jesus por sua vitória. A visão da arca indica que todos os propósitos estabelecidos para o reino, estariam prestes a se cumprir, e que, portanto a consumação dos tempos era chegada; as convulsões da natureza demonstram a importância do momento, assim como foi na morte de Jesus (Mt 27:51; Lc 23:44-45). Um segundo aspecto desta trombeta é que ela dá inicio, assim como o sétimo selo, a uma outra seqüência de juízos, as sete taças; estas compreendem o terceiro “ai”.
12.2.3- As sete taças (Ap 16)
No gráfico das trombetas vimos que as sete taças aparecem com o soar da última trombeta, isto significa que estas serão derramadas no fim da grande tribulação; é bom relembrar que enquanto as trombetas marcam toda a segunda metade do período o juízo das taças vem num último “instante“ antes da vinda de Jesus, para concluir a ira de Deus sobre os incrédulos.
De um modo geral as taças têm, a primeira vista, paralelo com as trombetas, no entanto elas são dirigidas diretamente aos homens e fica óbvio que será sobre os adoradores da besta, ao contrário das trombetas que se vistas de maneira literal tem relação com o mundo, ou seja, as árvores, o mar, a terra etc.
1o Taça (v.2)- “E foi o primeiro e derramou a sua taça sobre a terra, e fez-se uma chaga má e maligna nos homens que tinham o sinal da besta e que adoravam a sua imagem.” Esta primeira é semelhante à sexta praga lançada sobre o Egito (Ex 9:8-12); seu alvo são os adoradores da imagem da besta.
2o Taça (v.3)- “E o segundo anjo derramou a sua taça no mar, que se tornou em sangue como de um morto, e morreu no mar toda alma vivente.” Aqui encontramos a continuação da segunda trombeta (Ap8:7), ou seu agravamento; o algo “semelhante a um monte ardendo em fogo” não é mencionado, mas fica claro que a situação piorou pois a pedra ao ser lançada polui “com sangue” a terça parte do mar e mata a terça parte dos seres marinhos; agora todo o restante é morto pelo avanço do poluente.
3o Taça (v.4-7)- “E o terceiro anjo derramou a sua taça nos rios e nas fontes das águas, e se tornaram em sangue” A praga do Egito também está explicita aqui (Ex 7:14-25); também existe relação com a terceira trombeta (Ap 8:8-9). O sangue nas águas doces tem a intenção de vingar os mártires que derramaram seu sangue por causa da palavra. Sem água potável não há condição de vida; a água do mar também não pode ser aproveitada por estar contaminada, restando a espera pela morte.
4o Taça (v.8-9)- “O quarto anjo derramou a sua taça sobre o sol, e foi-lhe dado queimar os homens com fogo. Com efeito, os homens se queimaram com o intenso calor, e blasfemaram o nome de Deus, que tem autoridade sobre estes flagelos, e nem se arrependeram para lhe darem glória” Aqueles que interpretam de maneira simbólica, neste caso, não tem outra opção a não ser ver este versículo de maneira literal, posto que o quarto anjo atinge o sol de maneira que este queimará as pessoas, e é assim que o texto exige que seja interpretado. Na quarta trombeta vimos que o sol teve a terça parte ferida; aqui ele ganha poder para com seu calor provocar queimaduras terríveis fazendo que com que amaldiçoem a Deus. Com o grande avanço da destruição da camada de ozônio vemos que isto não só é capaz de acontecer como já há problemas devido a exposição ao sol por tempo prolongado, com o derramar da quarta taça isto será muito pior a ponto das queimaduras serem imediatas.
5o Taça (v.10-11)- “Derramou o quinto a sua taça sobre o trono da besta, cujo reino se tornou em trevas, e os homens remordiam a língua por causa da dor que sentiam e blasfemaram o Deus do céu por causa das angústias e das úlceras que sofriam; e não se arrependeram de suas obras.” A primeira declaração de João a respeito do trono e reino da besta é um tanto obscuro porem parece indicar algum tipo de flagelo que trouxe a seus seguidores o sofrimento que João menciona. O termo traduzido por “angústias” é ponos (ponov) que ficaria melhor como na tradução corrigida, “dores”; uma tradução literal seria “grande problema”; portanto sofrem dores generalizadas, somadas a isso, as ulceras que piorava ainda mais a situação. Como em outras passagens, vemos que Deus permite tais sofrimentos para que se arrependam, no entanto a humanidade não buscará o perdão de seus pecados. (Ap 9:20-21)
6o Taça (v. 12-16)- “Derramou o sexto a sua taça sobre o grande rio Eufrates, cujas águas secaram, para que se preparasse o caminho dos reis que vêm do lado do nascimento do sol. Então, vi sair da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs; porque eles são espíritos de demônios, operadores de sinais, e se dirigem aos reis do mundo inteiro com o fim de ajuntá-los para a peleja do grande Dia do Deus Todo-Poderoso (…) Então, os ajuntaram no lugar que em hebraico se chama Armagedom.” Mais uma vez o rio Eufrates é mencionado, desta vez, após secar, dá passagem aos “reis que vem do lado do nascimento do sol”; estes são inevitavelmente ligados à China como sendo o líder desta confederação asiática. O dragão, que é satanás, juntamente com a besta e o falso profeta, expelirão cada, um demônio que, com poder de engano, persuadirão os lideres de governo de modo que se juntarão para a batalha do Armagedom.
7o Taça (v. 17-21)- Então, derramou o sétimo anjo a sua taça pelo ar, e saiu grande voz do santuário, do lado do trono, dizendo: Feito está! A sétima taça traz a consumação. Jesus está vindo! Na sua morte o céu escureceu e houve um terremoto, porém aqui as dimensões dos abalos nunca foram visto na Terra; os trovões e relâmpagos São como trombetas que anunciam sua chegada (v.18). “E a grande cidade se dividiu em três partes, e caíram as cidades das nações.” Quanto à “grande cidade” é impossível identifica-la, no entanto podemos excluir Jerusalém desta possível lista, pis conforme Zacarias 14 indica ela estará “de pé”, diferente das outras grandes cidades que estarão em total ruínas devido o grande terremoto. “E lembrou-se Deus da grande Babilônia para dar-lhe o cálice do vinho do furor da sua ira.” Esta referência à Babilônia indica o Juízo não por vir, mas consumado; se neste caso estiver em mente a Babilônia religiosa, esta destruição é apresentada nos capítulo 17. De acordo com o desenrolar dos acontecimentos esta ira sobre esta Babilônia aconteceu no fim da primeira metade da grande tribulação; é importante lembrar que o Apocalipse não segue uma cronologia sistemática na maior parte do livro, portanto o fato do acontecimento estar adiante (Cap. 17) não quer dizer que acontecerá após esta taça, até porque esta precede imediatamente à volta de Jesus. Se esta for a Babilônia política apresentada no capítulo 18, aí sim este versículo estará se referindo a algo após o derramamento da sétima taça. “Todas as ilhas fugiram, e os montes não foram achados; também desabou do céu sobre os homens” além da destruição das grandes cidades (v.19) parece que teremos um verdadeiro caos em todo o planeta, nos momentos antes do retorno de Cristo. Deus revela a João um último flagelo que virá sobre os homens para que se arrependam, isto porque estes se conduzem para o vale de Megido onde acontecerá a batalha do Armagedom, “grande saraivada, com pedras que pesavam cerca de um talento; e, por causa do flagelo da chuva de pedras, os homens blasfemaram de Deus, porquanto o seu flagelo era sobremodo grande”.
12.3- A QUEDA DAS DUAS BABILÔNIAS
Os capítulos 17 e 18 de Apocalipse são motivo de bastante discussão no que se refere à identidade das duas Babilônias. Para podermos estudar os acontecimentos com cada uma delas precisaremos faze-lo separadamente, nomeando a principio a do cap. 17 como Babilônia religiosa, e a do cap. 18 como Babilônia política.
12.3.1- Babilônia religiosa (Ap 17)
Boa parte deste capítulo já foi estudada anteriormente, por isso nos deteremos apenas no que se refere à Babilônia religiosa.
Veio um dos sete anjos que têm as sete taças e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz que se acha sentada sobre muitas águas,(v.1) Este capítulo fala de um sistema religioso que vai imperar no inicio da Grande tribulação, é chama de “a grande prostituta”; no v.2 lemos que sua influência e domínio perverteram os lideres mundiais.
“vi uma mulher montada numa besta escarlate,(…) Achava-se a mulher vestida de púrpura e de escarlata, adornada de ouro, de pedras preciosas e de pérolas, tendo na mão um cálice de ouro transbordante de abominações e com as imundícias da sua prostituição.” (v. 3-4). Por estar vestida de púrpura e vermelho e adornada com jóias de valor, indica um poder sacerdotal riquíssimo que tem “sobre seus ombros” um histórico de pecados abomináveis. João ao ver que a meretriz está “embriagada” com o sangue derramado pelos verdadeiros cristão por causa do evangelho fica admirado (v.6-7). Esta falsa religião perseguirá aqueles que se recusarem a servi-la, preferindo morrer ou sofrer por Cristo.
Dados muito importantes são apresentados nos vs. 8 a 18, pois se referem a essa prostituta e os que estão com ela:
1) Será uma religião que tem características pagãs herdadas da antiguidade, pois as sete cabeças que a besta, na qual ela está assentada, possui (v.3), representam sete montes e sete reinos mundiais (v.9-10)), cinco já haviam caído: o egípcio, o assírio, o babilônico, o medo-persa e o grego; um existe: o Romano; e um existirá: o império Romano vivificado; cada um deles tinha práticas religiosas que foram herdadas pela religião apóstata. O versículo 15 nos mostra que ela abrange todas as nações tendo de uma forma ou outra influência sobre elas, tornado-a um instrumento político poderoso.
2) A babilônia religiosa será um poder religioso-político (v.18) que, devido influência, terá grande utilidade para os dez reis (v.12) representados pelos dez chifres, que como já vimos formam o império romano ressurreto, ou seja, uma confederação de dez reis que estarão unidos com esta falsa religião para, juntos , darem ao anticristo o poder que ele necessita para controlar o mundo (v. 9-13).
3) outro dado muito interessante é que realmente ela é uma meretriz, pois assim que o anticristo consegue seu intento ela é descartada como uma prostituta que não tem mais valor, e mais que isso eles a destruirão (v.16), para dar inicio a adoração a si mesmo, uma nova religião centrada no próprio anticristo; ele será o deus que muitos adorarão como sendo o Deus verdadeiro (Ap 13:15).
Para uma identificação mais precisa e sem se valer de intrigas religiosas é bom atentarmos para a historia babilônica e seus credos religiosos, pois tem muito a nos revelar, já que sua forma de adoração pagã permeia todo o cenário religioso de nosso tempo, e é este sistema pagão que caracterizará esta religião da mentira.
Como é conhecido por todos, a Babilônia foi fundada por Ninrode, bisneto de Noé, e assim também é conhecida como a terra de Ninrode (Mq 5:6). De acordo com a história suma mulher Semíramis conhecia a promessa feita da Adão e Eva que suscitaria um descendente da mulher para pisar a serpente (Gn 3:15) e assim teve um filho supostamente de maneira milagrosa e lhe deu o nome Tamuz. Este foi apresentado como o libertador prometido e assim começou a ser adorado juntamente com sua mãe, dando início a uma prática de adorar o filho salvador e a mulher escolhida para concebê-lo. Jeremias condenou a entrega de oferendas a Semíramis (também conhecida por Astarte), conhecida como “rainha do céu” (Jr 7:18; 44:17-19,25), como também a adoração a Tamuz que havia sido morto por um javali e supostamente ressuscitado (Ez 8:17).
Todo esse culto pagão se alastrou por toda a Mesopotâmia chegando até a Síria e a Canaã. O uso de imagens de Semíramis segurando uma criança foi difundido chegando a Fenícia e a partir de lá, conquistou toda a terra. No Egito foram conhecidos como Ísis e Hórus, no panteão egípcio são Osíris e Isis; na Grécia como Afrodite e Eros, Tamuz também é apresentado como Adonis; na Itália como Vênus e Cupido. Todo o sistema religioso pagão da Babilônia teve ramificações, tendo relação estreita com outros deuses, sendo Tamuz associado a Baal e a Dagon, o deus-peixe, também chamado de “guardião da ponte”.
Todo o mundo era influencia de alguma maneira por este paganismo, entre os imperadores era algo defendido e eles mesmos se colocavam como lideres destes cultos, dessa forma com a cristianização do império romano através de Constantino em 313 d.c e a oficialização do Cristianismo como a religião do império por Flávio Teodósio em 378-9 d.c, todos foram obrigados a se dizerem cristãos. Constantino era muito mais que um, imperador ele era o chefe da igreja colocando em uso esta “bagagem pagã” causando uma separação entre os professos e os verdadeiros cristãos, os que ficaram ao seu lado absorveram todas as idéias, ordens e mistura cristã-pagã na religião, imposta por ele e aceita sem o menor problema, já que o homem sempre prefere ser guiado por instintos e aparências que pela palavra de Deus. Com isso logo tivemos a introdução do culto à mãe e filho no cristianismo. Com o decorrer do tempo, na igreja cristã; era, para muitos “convertidos”, irresistível a idéia de fundir práticas herdadas de antigas religiões ao culto cristão, e isso é patente também em nossos dias.
A religião Babilônica tinha credos que existem até hoje como:1)o sinal da cruz, pois Tamuz era o deus da fertilidade e para ele esta significava o principio da vida e a primeira letra de seu nome; 2) criam que depois que uma pessoa morria ia para um lugar específico para que fossem purificados de seus pecados para, então, poderem entrar no céu, hoje isso se chama purgatório; 3)acreditavam que após uma oração a água se tornava “santa” capaz de curar e espantar o mal; é conhecida hoje como “água benta”; 4) Havia uma festa chamada de “festival de Istar” onde javalis eram comidos em memória a morte e ressurreição de Tamuz, e quarenta dias antes do mês de Sivã (depois substituído pelo nome Tamuz) começava-se um período de “choro por Tamuz”, que terminava na festa, Ezequiel condenou esta prática que também passou a ser feita pelos judeus apóstatas (Ez 8:14); o período da quaresma tem grande semelhança com este.
Por tudo isso nos vemos que a religião babilônica está viva, e quando a verdadeira igreja de Jesus Cristo for arrebatada deixará o “caminho livre” tornando tudo mais fácil para que a “mãe das prostituições” possa ser usada por satanás em seu propósito.
12.3.2- A babilônia política (Ap 18)
Muitos têm empreendido esforços para identificar esta Babilônia, pois ela é apresentada com aspectos diferentes da anterior, aqui não está em questão uma autoridade eclesiástica, mas sim política. Vejamos o que o texto nos tem a dizer.
”Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, covil de toda espécie de espírito imundo e esconderijo de todo gênero de ave imunda e detestável” (v.2). Através desta e outras referencias no texto, podemos concluir que estamos falando de uma cidade literal, um tipo de “capital” que proporcionou a expansão do pecado e do engano.
Alguns comentaristas querem provar que esta Babilônia política será uma cidade literalmente construída na região da antiga Babilônia, edificação esta que seria feita durante a grande tribulação e destruída no fim dela; o problema é que tudo isso está baseado na questão de haverem profecias no antigo testamento (Is 13; 14 e Jr 51) que falam de uma destruição repentina da cidade, e que segundo os intérpretes , nunca aconteceu. A verdade é que estes textos indicam a destruição da Babilônia pelos Medos por volta de 530 a.C. (Is 13:17). Isaias teve a revelação da queda da Babilônia mesmo antes dela se tornar uma potencia mundial, pois em seu tempo quem dominava era o império Assírio, que foi, por sua vez, dominado pelo babilônico. Este argumento não tem condições suficientes para podermos aceitar a idéia de uma babilônia reconstruída durante o período tribulacional.
Através do próprio capítulo 18 obtemos detalhes que nos fazem entender de quem se trata; o v. 3 nos diz que: “(…) Com ela se prostituíram os reis da terra. Também os mercadores da terra se enriqueceram à custa da sua luxúria.”, percebamos que toda a narrativa a respeito daqueles que estão ligados a babilônia política está no passado, claro que isto se deve ao fato da sua destruição mas também demonstra que não é acontecimento recente o enriquecimento ilícito, os pecados e toda sorte de abominações; o v. 5 diz que “os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se lembrou dos atos iníquos que ela praticou.”, ou seja, Deus vem suportando as atitudes e procedimentos pecaminosos, porém haverá um fim para tanta iniqüidade; assim como a antiga babilônia foi destruída por afligir os judeus, este império político-religioso será massacrado por derramar o sangue dos santos (v.24).
Estes dois aspectos da babilônia refletem seus dois campos de ação, através do poder eclesiástico persuadem, dominam e impõem uma submissão maligna; através de seu poder político negociam não só dinheiro, terras e bens, mas também vidas humanas. Em si há um sentimento de superioridade baseada na arrogância e não em razão de um poder divino legitimamente concedido, ela mesma se exaltou e se glorificou, viveu de maneira extravagante; sua soberba chegou aponto de dizer: “porque diz consigo mesma: Estou sentada como rainha. Viúva, não sou. Pranto, nunca hei de ver!” (v.7). A medida com que mediu, também será medida: “Dai-lhe em retribuição como também ela retribuiu, pagai-lhe em dobro segundo as suas obras e, no cálice em que ela misturou bebidas, misturai dobrado para ela.”(v.6). Todo o seu poderio de anos ruirá de uma só vez, primeiro como religião depois a própria cidade será arrasada.
Uma leitura, mesmo que desatenciosa, pode revelar a identidade deste império como sendo a religião Católica Romana e o Vaticano que desde sua ascensão a partir de Constantino afligiu o mundo durante toda a idade média, lançando milhões a fogueira e outros tipos de morte; o Vaticano tem sido a sede deste poder; o v. 16 narra de maneira clara, características desta babilônia “Ai! Ai da grande cidade, que estava vestida de linho finíssimo, de púrpura, e de escarlata, adornada de ouro, e de pedras preciosas, e de pérolas, porque, em uma só hora, ficou devastada tamanha riqueza!”; neste versículo vemos a ostentação e a luxúria, por outro lado nos é apresentado, como no cap. 17, vestida de púrpura e escarlata demonstrando uma suposta autoridade sacerdotal.
É interessante notar que a liturgia desta religião é apresentada no v.23 como sendo “feitiçarias”, e que, por meio delas, enganaram as nações. A palavra feitiçaria, do grego pharmakeia (farmakeia), é definida por Strong, dentre outras, da seguinte maneira: “feitiçaria, artes mágicas, freqüentemente encontrado em conexão com a idolatria e estimulada por ela. (Metáf.) as decepções e seduções da idolatria”.
O capítulo termina de maneira dramática, uma verdadeira expressão de vingança por parte de nosso Deus contra aquela que ousou tocar nos verdadeiros ungidos do Senhor (v.19-24).
12.4- A BATALHA DO ARMAGEDOM
A mais importante das batalhas travadas durante todo o período tribulacional com certeza é a que ocorrerá em Armagedom. A bíblia nomeia como sendo “a peleja do grande dia do Deus Todo-Poderoso” (Ap 16:14), pois se trata do “acerto de contas” de Jesus com o anticristo.
Armagedom, ou Har-Magedon, é um nome figurativo para a “Cidade de Megido”, ou ainda Vale ou montanhas de Megido; é o mesmo lugar mencionado em 2Cr 35:22 como sendo o “vale de Megido”, onde o rei Josias morreu em guerra contra Neco rei do Egito na famosa batalha de Carquémis; foi também onde morreu o rei de Judá, Açazias (2Rs 9:27). Fazia parte desta mesma região, a planície de Jezreel mais conhecida como planície de Esdrelom, onde o rei Saul morreu juntamente com seus três filhos (1Sm 31:8); foi também onde Israel obteve vitórias como a de Débora e Baraque contra Sísera (Jz 4:13-14; 5:19-21); e a de Gideão quando venceu os midianitas (Jz 7). Esta região era e é conhecida por ser tradicionalmente, um lugar de batalhas travadas por Israel no decorrer de sua história; no momento que antecede a volta de Jesus este mesmo lugar será novamente palco de uma peleja que, como nunca visto, será vencida por Jesus Cristo.
A batalha de Armagedom é descrita em Ap 19:11-21, neste texto vemos a dimensão do combate como também do que restará dos exércitos inimigos de Cristo; no entanto é fácil perceber que o numero de soldados será grande demais para um território tão pequeno como o vale de Megido, a questão é que ali será o centro das atividades bélicas mas os exércitos se estenderão por toda circunvizinhança até Jerusalém (Zc 14:2)
Vemos em Joel uma referencia a esta batalha apresentando-a no vale de Josafá (Jl 3:2,12), neste caso este nome é simbólico fazendo referencia ao vale de Megido.
12.4.1- o tempo da guerra
Com certeza o primeiro ponto a ser analisado é quanto ao tempo, ou seja, quando esta batalha acontecerá? Existem algumas teorias a respeito da época do acontecimento, mas por serem pensamentos de uma minoria não nos deteremos além do necessário na observação de suas bases.
1) Há alguns que localizam esta batalha antes do arrebatamento, e isto se dá por confundirem com a invasão do de Gogue que também não acontecerá antes do arrebatamento, se assim fosse a doutrina da iminência seria de todo descartada.
2) Os que a posicionam no inicio do milênio também o fazem por confundirem o Armagedom com a invasão de Gogue e seus aliados; de qualquer forma seria impossível que acontecesse no milênio já que a terra neste período estaria purificada não cabendo a hipótese de imundícia causada pelos corpos espalhados por todos os lados.
Percebemos que o maior problema de localização no tempo e em alguns pontos se dá por colocarem como sendo a mesma peleja a de Gogue e seus aliados e a batalha de Armagedom.
Armagedom é futura e é o evento que marca a vinda de Jesus Cristo para estabelecer seu reino messiânico (Ap 19:11).
12.4.2- os exércitos inimigos
Uma questão bastante interessante é quanto aos exércitos que estarão em marcha contra Israel para a grande batalha, pois para identificarmos a razão da invasão e seus agentes precisaremos observar que Armagedom é a última batalha de uma guerra iniciada no meio da grande tribulação. Quando as forças aliadas da Rússia invadirem a palestina para saqueá-la (Ez 38:11-12), o anticristo ainda estará em aliança com Israel, fazendo que este após presenciar o próprio Deus destruindo a confederação do Norte, romperá esta aliança com Israel a fim de subjuga-la e tomar-lhe como propriedade. Após este conflito em que Deus vence os inimigos de Israel inicia-se a segunda metade da grande tribulação que será marcada por um domínio mundial de um só governo, o do anticristo.
Em Daniel 11:36-45 é profetizado a vinda de um rei maligno e soberbo, sua boca proferirá blasfêmias contra o Deus Todo-Poderoso (v.36; Ap 13:5-6), este é o mesmo chifre pequeno de Dn 7:8; a besta; o anticristo. Em especial do v.40 ao 45 é descrita uma movimentação de guerra: “E, no fim do tempo, o rei do Sul lutará com ele, e o rei do Norte o acometerá com carros, e com cavaleiros, e com muitos navios” (v. 40). Esta menção ao rei do norte parece indicar que quando a confederação do norte invadiu a palestina para saqueá-la, o líder russo sobreviveu, se é que foi para a batalha; o que podemos notar é que tendo Deus destruído seu exército e seus aliados, este rei se une agora ao rei do sul para irem de encontro com o líder mundial, o anticristo, que Durante este período estará dominando toda a terra. Existem comentaristas que posicionam esta batalha em que está envolvido o rei do norte e o rei do sul como sendo a guerra de Gogue, no entanto as causas das duas batalhas são diferentes na, primeira Gogue quer tomar a terra para rouba-la e escravizar os que vivem nela (Ez 38:11-13), na segunda o alvo é o rei que há de vir, a besta. No entanto tudo isto faz parte do propósito de satanás que já influenciou líderes do mundo inteiro para que fossem para a palestina, onde uniriam as suas forças para guerrearem contra Jesus (Ap 16:13-16); em primeira instancia o rei do norte e do sul estarão guerreando contra a besta que terá alguns aliados que se submeteram a força ao anticristo que são a Líbia e a Etiópia, ou o que restou deles depois da destruição de seus exércitos pelo próprio Deus, ao mesmo que anteriormente, e é quando o anticristo recebe notícias vinda do Oriente e do Norte que o espantarão (v.44), o que parece identificar com Ap.16:12, que fala da preparação para a vinda de um exército do oriente, ou lugar do nascimento do sol, para a batalha de Armagedom; este podem ser os exércitos chineses ou uma confederação asiática, apesar da primeira hipótese ser mais aceita. Sabendo dista vinda iminente desta força oriental a besta se dirigirá a Jerusalém e: “armará as tendas do seu palácio entre o mar grande e o monte santo e glorioso; mas virá ao seu fim, e não haverá quem o socorra.” (v.45). Neste ponto todos os reis da terra já estão na região da ultima batalha, imbuídos do mesmo sentimento de revolta contra Deus, tendo suas mentes influenciadas pelo poder dos três demônios que saíram a operar sinais (Ap 16:13-14); aqueles que a principio queriam lutar contra o anticristo, agora se voltam contra Deus se juntando para um só propósito, talvez a questão não seja de aliança de paz entre eles mas numa tentativa de destruírem não só o povo de Israel mas também a cidade de Jerusalém que ao que parece será a única no mundo a permanecer de pé depois de tantas guerras e catástrofes.
12.4.3- A vitória do Senhor
A vitória do Senhor nesta batalha está totalmente ligada a volta de Jesus para inaugurar o reino messiânico, no entanto nos deteremos a expor os fatos relativos à sua vitória contra os exércitos de satanás e sua besta.
Dois textos comentam amplamente esta vitória e seus resultados que são Ap19:11-21 e Zc14. Neste ultimo o profeta demonstra que Jerusalém ainda estará de pé mesmo depois de tantas catástrofes; coma invasão dos inimigos as casas serão arrombadas e as mulheres estupradas, com isso a população fugirá para se esconder como quem sai em exílio (Zc 14:2l; leia também a profecia de dupla referencia proferida por Jesus em Mt 24:15:20). O v.3 de Zc14 faz menção a uma batalha anterior “Então, sairá o SENHOR e pelejará contra essas nações, como pelejou no dia da batalha.”; esta bem pode ser a que o Senhor venceu Gogue e seus aliados, ou apenas a uma menção geral as vitórias concedidas por Deus a Israel; a questão é que Deus promete destruir seus inimigos.”Naquele dia procurarei destruir todas as nações que vierem contra Jerusalém” (Zc 12:9).
Haverá um momento dramático nos instantes antes da vinda de Jesus Cristo, pois todos estão no vale de Megido e em toda a redondeza; quando Jesus surge Ap 19:19 diz: “E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo e ao seu exército.”; a ousadia será retribuída com fúria por parte de Cristo, que prenderá a besta e o falso profeta lançando-os vivos no lago de fogo e enxofre, e todos os exércitos foram mortos pelo próprio Cristo (v.20 e 21).
CAPÍTULO 13
A VINDA DE JESUS
Todo o desenrolar dos acontecimentos escatológicos à partir daqui, está relacionado a vinda de Jesus Cristo. Quanto a isso já sabemos que ela é dividida em duas fazes; a primeira é o arrebatamento, aonde Cristo vem até as nuvens de maneira “invisível” aos pecadores, para buscar sua igreja redimida; nesta segunda faze ele vem de maneira visível, ou seja, todos o verão, independente quem seja:“Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória.”. Sua vinda não é para redimir a humanidade, pois para isso já veio em seu primeiro advento, mas para trazer juízo sobre a terra. O que Deus falou por meio do profeta Malaquias deve servir como alerta às nações, a fim de se converterem ao Senhor “para que eu não venha e fira a terra com maldição.” (Ml 4:6)
13.1- O LOCAL DA VINDA
A ascensão de Jesus se deu no Monte das Oliveiras; naquele momento surgem dois anjos que falam profeticamente a respeito de seu futuro retorno:
E, estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto Jesus subia, eis que dois varões vestidos de branco se puseram ao lado deles e lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir. Atos 1:11
A profecia Angélica aguarda seu cumprimento literal, pois a maneira e natureza de sua volta foram claramente expostas pelos anjos “Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir”, ou seja, visível, corpórea, gradual e no monte das oliveiras. O local é da vinda de Jesus já é conhecido, e era desde o profeta Zacarias, pois Deus já o revelara “Naquele dia, estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente” (Zc 14:4).
Também conhecido como Olivete o Monte das Oliveiras fica ao oriente de Jerusalém (Zc 14:14) e o que o separa da cidade é o vale de Cedrom. A montanha tem quatro picos, o “Galileu”; o “profetas”, este nome é dado em razão de haver no local uma gruta chamada “Tumulo dos profetas”; o “Monte da Ofensa” ou “Monte da Corrupção”, leva este nome devido ser o lugar onde Salomão erigiu “altos” a Quemos, Moloque, Astarote, Camos e Milcom a fim de agradar suas esposas idólatras (IRs 11:7-8; IIRs 23:13); e por último o “Monte da Ascensão”, o mais alto de todos, onde tradicionalmente foi o lugar da ascensão de Cristo; na parte central deste encontra-se a “Igreja da Ascensão” construída por Constantino no quarto século.
O Monte das Oliveiras foi cenário de muitos acontecimentos importantes, foi por lá que Davi fugiu de Absalão, seu filho (IISm 15:30); Ezequiel, numa visão vê a glória de Deus pousando sobre o monte (Ez 11:23); foi ali onde Jesus pregou o seu ultimo e escatológico discurso (Mt 24; 25; Mc 13 e Lc 21). Era um lugar pessoalmente preferido por Jesus e onde ouve o episódio da transfiguração (Mt 17:1-13) e foi próximo da descida do monte que o povo começou a aclama-lo ao entrar em Jerusalém (Lc 19:37); ali em suas encostas ficava o Getsêmani, onde o Senhor orava constantemente (Mt 26:36). Através da profecia de Zacarias 14:4 e dos anjos em Atos 1:11, podemos concluir que Jesus aparecerá forma corpórea no monte das oliveiras, de frente para Jerusalém.
13.2- AS CONSEQÜÊNCIAS DA VINDA
Em seu primeiro advento Jesus trouxe mudanças que marcariam não só na religião como também na sociedade em geral, seus ensinos e doutrinas permanecem marcados em qualquer povo mesmo que este não o adore como Senhor. Em seu segundo advento as mudanças serão ainda mais marcantes e porque não dizer, terríveis. Neste tópico veremos as principais conseqüências de seu retorno seja no planeta ou na humanidade.
13.2.1- As mudanças topográficas
Por todo o período tribulacional haverá terremotos de escala cada vez maior (Ap 6:12; 8:5; 11:13; 11:13; 11:19; 16:18), porém no momento da vinda de Jesus acontecerão mudanças inusitadas, e isto é descrito pelo profeta Zacarias:

O monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade, para o sul. Fugireis pelo vale dos meus montes, porque o vale dos montes chegará até Azal; sim, fugireis como fugistes do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá; então, virá o SENHOR, meu Deus, e todos os santos, com ele. Acontecerá, naquele dia, que não haverá luz, mas frio e gelo. Mas será um dia singular conhecido do SENHOR; não será nem dia nem noite, mas haverá luz à tarde. Naquele dia, também sucederá que correrão de Jerusalém águas vivas, metade delas para o mar oriental, e a outra metade, até ao mar ocidental; no verão e no inverno, sucederá isto. (…) Toda a terra se tornará como a planície de Geba a Rimom, ao sul de Jerusalém; (Zc 14:4-8,10)
Ao descer do céu Jesus colocará seus pés literalmente no monte das oliveiras causando algo tão assombroso que boa parte dos comentaristas deste texto não aceitam essa afirmação do profeta como sendo literal; Calvino chama de ignorantes os que interpretam este texto desta maneira, talvez ele não tenha lido o que disseram os profetas Miquéias e Naum:
Os montes debaixo dele se derretem, e os vales se fendem; são como a cera diante do fogo, como as águas que se precipitam num abismo. (Mq 1:4)
Os montes tremem perante ele, e os outeiros se derretem; e a terra se levanta diante dele, sim, o mundo e todos os que nele habitam. (Na 1:5)
Com a abertura do monte surgirá no meio das duas metades um vale muito grande que se estenderá até Azel, o lugar é desconhecido mas usa o nome de um descendente de Saul, o terror diante de tal acontecimento causará a fuga desesperada de muitas pessoas; Deus revela que será uma fuga desesperada semelhante ao terremoto que houve no tempo do rei Uzias (IICr 26), detalhes sobre este grande tremor mencionado por Zacarias não são encontrados nas Escrituras, porém Flavio Josefo faz comentário sobre ele, fazendo menção à tradição judaica quanto ao acontecimento, dizendo:

Sentiu-se um terrível tremor de terra; o alto do templo abriu-se, um raio de sol feriu o ímpio rei no rosto, e no mesmo instante ele ficou coberto de lepra. O mesmo tremor de terra dividiu em dois, num lugar perto da cidade, de nome Eroge, o monte que está voltado para o ocidente, do qual metade foi levada a quatro estádios dali, contra outro monte que está voltado para o levante, o que barrou a estrada principal e cobriu de terra os jardins do rei.
Este dia será singular, diz a Bíblia, referindo-se à questão de não ter aparência de um dia comum (Zc 14:6-7). Outra grande mudança na topografia da região será o surgimento de uma nascente de água em Jerusalém que correrão para o mar da Galiléia e para o Mediterrâneo (v.8; Ez 47:1-12)
Interpretar estas profecias de maneira literal traz certo incômodo para muitos como já foi dito anteriormente, no entanto não podemos deixar de observar que se não for assim estaremos a mercê de interpretações que surgirão de mentes criativas e especuladoras, ou seja, se Deus usou um monte literal (o das Oliveiras) e um agente literal (o Messias) porque achar que os eventos que cercam os dois são meramente alegóricos? Temos por base, para crer que acontecerão abalos cósmicos e terrestres como também outros acontecimentos, várias referências bíblicas que mencionam tais eventos (Jl 2:30-31; Mt 24:29).
13.2.2- A restauração espiritual da nação
Este é um momento dramático da história de Israel, pois tudo o que Deus anteriormente prometera está relacionado a conversão dos judeus. Neste ponto nos deparamos com o cumprimento da aliança estabelecida com Abraão e posteriormente confirmada através do profeta Jeremias, que é a nova aliança (já estudada anteriormente) encontrada em Jr 31:31-34. em meio aos acontecimentos concernentes à vinda do Senhor, em um dado momento Deus executará a “abertura de olhos” da nação para que se convertam a ele; Zacarias descreve este momento:
E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o espírito da graça e de súplicas; olharão para aquele a quem traspassaram; pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigênito e chorarão por ele como se chora amargamente pelo primogênito. Naquele dia, será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom, no vale de Megido. A terra pranteará (…)
Naquele dia, haverá uma fonte aberta para a casa de Davi e para os habitantes de Jerusalém, para remover o pecado e a impureza. (Zc 12:10-12; 13:1)
Muitas profecias indicam este momento (Ez 37:12-14; 39:29; Jl 2:28; Is 32:15). Será o ápice do amor de Deus por um povo que rejeitara todas as iniciativas divinas de restaurar o relacionamento destruído pelo pecado.
13.2.3- Os julgamentos
A vinda de Jesus trará consigo dois juízos, estes são: o julgamento dos judeus e o dos gentios.
O propósito destes é purificar a terra daqueles que se tornaram rebeldes e incrédulos, a fim de que o Senhor possa inaugurar o reino messiânico.
a) O julgamento dos judeus
Este é o primeiro a ser realizado. Deus em Ez 20:36-38 faz menção a este momento:
Como entrei em juízo com vossos pais, no deserto da terra do Egito, assim entrarei em juízo convosco, diz o SENHOR Deus. Far-vos-ei passar debaixo do meu cajado e vos sujeitarei à disciplina da aliança; separarei dentre vós os rebeldes e os que transgrediram contra mim; da terra das suas moradas eu os farei sair, mas não entrarão na terra de Israel; e sabereis que eu sou o SENHOR.
Zc 13:1-6 parece indicar que mesmo sendo convertida a nação, ainda haverá uma purificação, o que parece razoável se levarmos em conta que o cristão sofre uma contínua purificação, mesmo que não seja referente aos pecados já perdoados por Deus mas de práticas que como passar do tempo vão sendo eliminadas da vida do convertido. Assim como Deus preparou a nação no deserto para entrar na terra prometida, fará novamente, porém de maneira definitiva, para serem introduzidos no reino messiânico.
O caráter do julgamento é de extrema rigidez, pois diz “Far-vos-ei passar debaixo do meu cajado e vos sujeitarei à disciplina da aliança”. Ainda assim parece que muitos não se arrependerão, já que Ezequiel menciona uma separação “separarei dentre vós os rebeldes e os que transgrediram contra mim”.
b) O julgamento dos gentios
Imediatamente após o julgamento dos judeus, as Escrituras mencionam o julgamento das nações, o que pode ser entendido como sendo os gentios, pois o termo traduzido por nações é ethnos, usado para se referir aos povos pagãos.
O texto que menciona este julgamento está em Mateus 25:31-46; aqui Jesus revela o momento do juízo:
Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; (v.31-32)
Este momento não pode ser localizado em outro tempo a não ser o de seu retorno; o problema que surge é quanto ao método usado por Jesus naquele dia, pois o texto parece trazer evidência de que a salvação deverá literalmente ser comprovada por obras durante o período tribulacional (v.35-46), é obvio que a morte vicária de Cristo não perderá o valor, no entanto parece lógico que os que se disserem cristãos na grande tribulação não poderão ficar só na palavra já que o ser será sentença de morte devido o culto ao anticristo e a marca da besta, ou seja, só permanecerão fiéis os que realmente se converteram ao Senhor.
Jesus traz uma questão bastante relevante que é a relação dos gentios com os “meus pequeninos irmãos” (v.40); o contexto indica que ele está falando dos judeus, assim vemos que quando o anticristo estiver perseguindo-os, os gentios convertidos que os ajudarem e visitarem terão comprovado a sua fidelidade para com Jesus Cristo, e isso lhes será imputado por justiça, não própria, mas como fruto de sua fé, cabendo então o que disse Tiago: “a fé sem as obras é morta” (Tg 2:20).
O resultado do julgamento é uma separação entre os gentios, “e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda” (v.33); os da direita representam os salvos que agora herdam o reino messiânico (v.34); conseqüentemente os da esquerda são os perdidos, aos quais é dito: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjo.” (v.41).
Outras importantes conseqüências são: o término da primeira ressurreição e a inauguração do reino messiânico. No entanto, por merecerem ainda melhor atenção, serão tratadas em capítulos separados.
CAPÍTULO 14
AS RESSURREIÇÕES
Este assunto é bastante discutido na escatologia bíblica; muitas teorias surgem quando se procura estabelecer uma seqüência ou uma localização no tempo das ressurreições mencionadas nas Escrituras. Em Ap 20:5 encontramos uma referência à primeira ressurreição, o problema surge quando percebemos que esta será após a grande tribulação, preparando os salvos para entrarem no milênio. Daí nos vem uma pergunta: será esta ressurreição a do arrebatamento? Se assim for, o arrebatamento é após o período tribulacional? A resposta para estas e outra perguntas serão respondidas ao estudarmos o plano da ressurreição.
Existem dois tipos básicos de ressurreição a chamada ressurreição para vida e ressurreição para a condenação.
14.1- A RESSURREIÇÃO PARA A VIDA
Esta é encontrada com outras apresentações, porém, o sentido é o mesmo; em Lc 14:14 é chamada de “ressurreição dos justos”; em Hb 11:35 de “melhor ressurreição”; e Ap 20:6 diz: “Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele mil anos”. Esta difere da ressurreição para condenação no que se refere à razão e conseqüência; aos que forem vivificados são prometidas bênçãos e recompensas (Mt 22:30; Ap 20:6).
Quanto ao texto de Ap 20:5 onde é mencionada a primeira ressurreição; o problema que esta referencia traz é a respeito de sua ligação com o arrebatamento, ou seja, os pós-tribulacionistas acreditam que esta é a mesma ressurreição mencionada por Paulo em sua carta aos tessalonicenses onde diz que:
Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. (ITs 4:16-17)
No entanto há um erro fatal nesta colocação, pois despreza a explicação dada nos mesmos versículos onde é mencionada a primeira ressurreição, onde lemos:
E vi tronos; e assentaram-se sobre eles aqueles a quem foi dado o poder de julgar. E vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta nem a sua imagem, e não receberam o sinal na testa nem na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição (Ap 20:4)
O texto deixa bem claro, que, ressurgirão no fim da grande tribulação os que: “foram degolados pelo testemunho de Jesus e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta nem a sua imagem, e não receberam o sinal na testa nem na mão”, ou seja, os que morreram durante o período tribulacional.

Mas então a que se refere esta “primeira ressurreição”? Como vimos anteriormente esta faz parte do grupo de nomes que se referem à ressurreição para a vida, ou seja, todas as ressurreições dos salvos formam o grupo da ressurreição que vem como prêmio aos servos de Cristo, por isso João disse: “Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade”. Paulo aos Coríntios nos fala desta vivificação futura para os crentes em Jesus Cristo, que acontecerá no arrebatamento, trazendo um ensinamento sólido contra qualquer falso ensino, pois tentam associar a do arrebatamento com a que acontecerá no final da Grande tribulação. O texto se encontra em ICo 15:22-23, estes dois versículos trazem verdades que precisam ser analisadas em separado para que tenhamos um melhor entendimento.
1) A primeira está no v. 22.
Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo.
Neste ponto muitos podem deduzir uma só ressurreição, ou seja, toda a humanidade um dia será vivificada em Cristo, o que torna a doutrina em heresia, no entanto isto não faz parte do pensamento de Paulo, nem tem relação com a linha de raciocínio que ele quer traçar aqui; o que está em sua mente é o mesmo paralelo traçado em IÇO 15:45 “Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante.”, isto é, o primeiro Adão (o Adão do Éden), foi feito homem natural; tendo pecado ficou sujeito à morte física e sofrendo a morte espiritual(Gn 2:17); da mesma forma os que ainda não estão em Cristo fazem parte desta natureza, ou seja, a morte tem poder sobre eles, diferente dos que agora são justificados por meio da morte vicária de Jesus Cristo , o último Adão (ICo 15:53-57), estes mesmo morrendo fisicamente não estão separados de Cristo (Rm 8:34-36), aguardam, porém, o momento de sua ressurreição. Então o versículo 22 fica claro; todos que estão ligados a Adão pela natureza pecaminosa e sem a devida justificação, morrerão tendo sido separados de Deus de uma vez por todas; da mesma forma os que estiverem ligados em Cristo serão ressuscitados assim como ele ressuscitou, por isso ele é chamado de “as primícias dos que dormem” (ICo 15:20).
2) A segunda verdade neste texto, refere-se aos participantes da ressurreição que acontecerá no arrebatamento; o versículo é o 23.
Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda.
A ordem é determinada neste verso, pois trata não da vinda em glória no final da Grande tribulação, mas sim da vinda no arrebatamento da igreja. Veja que Paulo confirma o que disse no versículo 20, dizendo que primeiro será ressuscitado Jesus que é “as primícias”, ou os primeiros frutos da colheita; depois, isto é, após um intervalo, os que são de Cristo ressuscitarão na sua vinda. Veja bem os que são de Cristo representam aqueles que estão “em Cristo”, não um outro grupo e qualquer outra época anterior ainda que seja de redimidos.
14.1.1- A ressurreição dos salvos do Velho Testamento
Outro questionamento bastante interessante é quanto à ressurreição dos salvos do Velho Testamento; como já vimos a primeira ressurreição de Ap 20:5 inclui três fazes que são: a ressurreição de Cristo; a da igreja no arrebatamento e a dos salvos da grande tribulação, para chegarmos a um veredicto precisaremos analisar cada uma destas fazes para sabermos em qual dela os judeus salvos caberiam. A primeira trata da ressurreição de Jesus, portanto esta já pode ser descartada; na segunda também não podem estar incluídos os Judeus, pois como vimos esta está ligada aos que “são de Cristo”. Outro fator determinante para não incluirmos a ressurreição dos Judeus salvos, no arrebatamento se dá por conta de Deus ainda estar tratando com Israel durante o período tribulacional, ou seja, no arrebatamento a igreja terá findado, iniciando o processo de restauração espiritual de Israel, sendo assim não há motivos para crer que Deus ressuscitará os Judeus salvos no arrebatamento, já que ainda não terminou seu plano para com Israel, cabendo, então esta ressurreição, no final da Grande tribulação, juntamente com os mártires do período tribulacional e em seqüência com a restauração de Israel, para que os judeus vivos que se converteram, juntamente com os vivificados, possam gozar do cumprimento das alianças feitas por Deus para com a nação.
Concluímos então que a primeira ressurreição mencionada em Ap 20:5 é composta pela ressurreição de Jesus Cristo, da igreja no arrebatamento, dos salvos da grande tribulação e dos redimidos do Velho Testamento.
14.2- A RESSURREIÇÃO PARA CONDENAÇÃO
Esta é assim apresentada em Jo 5:29 “E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação”. Também chamada de “segunda morte”, é diferente da anterior; esta não traz nenhum tipo de benefício, mas está totalmente ligada a condenação eterna. João ao mencionar a primeira ressurreição (Ap 20:5) fala também a respeito dos que não participaram dela dizendo: “Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos.”, isto é, os não salvos de todos os tempos não ressurgirão antes que se cumpra a era milenar; estes são os que “morrem em Adão” (ICo 15:22). Algo que se pode perceber é que em todo o capítulo 15 de ICorintios, Paulo nunca faz menção a este grupo de ressurretos; só vamos encontrá-los em Ap 20:11-15, no juízo do Grande Trono Branco que é após o milênio. No v.12 desta passagem João diz que as bases do julgamento serão as obras de cada um; o versículo diz: “E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros”. “O livro da vida” mencionado no v.12, indica um “controle” por parte de Deus contendo os nomes de todos os genuinamente convertidos. O resultado não pode ser modificado, não há revisão de caso ou uma nova audiência; que não tiver seu nome escrito será condenado. Algo interessante é que nenhum deles terá seu nome neste livro, esta parte do julgamento parece indicar a justiça de Deus de maneira que ele exporá provas cabais contra qualquer argumentação. Sobre o veredicto João diz: “E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo”.
CAPÍTULO 15
O MILÊNIO
O milênio não se restringe a uma parte do estudo de escatologia, é algo tão importante que se deve encarar como doutrina da igreja cristã.
Desde a igreja primitiva já se acreditava no período literal de mil anos que viria a ser instaurado por Jesus Cristo em sua vinda; no entanto a igreja Romana não reconheceu o milênio como literal e sim espiritual, ou seja, na cruz Cristo já acorrentou Satanás e agora vivemos num mundo governado diretamente por Deus. Uma desculpa para não se acreditar em sua literalidade está em ver o milênio como uma “esperança Judaica”, isto é, acreditam que está fundamentada na esperança de um tempo futuro de benção para a nação de Israel, onde o messias os governará.
Milênio vem da palavra grega chilioi (cilioi), que significa literalmente: mil; desta surgiu o termo “Quiliasmo”, mais tarde conhecido como milenarismo.
15.1- TEORIAS SOBRE MILENARISMO
O ensino de um milênio futuro tem seus perseguidores, são aqueles que não acreditam na literalidade deste tempo que virá. Estudaremos de maneira breve cada uma destas correntes de interpretação, como também a adotada neste estudo.
15.2.1- Pós- Milenismo
Tanto o pós-milenismo como o pré-milenismo tem como ponto chave à volta de Cristo a terra, ou seja, seu retorno marca o fim ou o inicio da era milenial, sendo assim o pós-milenista acredita que Jesus virá após o fim do milênio, enquanto o pré-milenista crê que a volta do Senhor será anterior ao milênio.
O pensamento pós-milenista surgiu por volta do ano 1700, na Inglaterra, num momento em que o humanismo tomava conta da Europa, se desenvolveu de maneira bastante considerável nos séculos seguinte e hoje faz parte do pensamento de alguns grandes nomes da teologia como Charles Hodge, B.B. Warfield, W.G.T. Shedd, e A.H. Strong.
Estes crêem que o milênio não se trata de um período literal de mil anos, mas sim de um período de tempo indeterminado que se iniciou com a morte de Cristo; crêem que foi neste momento em que se deu o aprisionamento de Satanás. Desde então o mundo vem num constante movimento de melhora, e tem como “motor” para essa evolução da paz e justiça social, a evangelização e a ação do Espírito Santo, ou seja, a cada mais pessoas se converterão a ponto de a grande maioria da humanidade ser de crentes em Jesus, o que fará que chegue um tempo onde o mal será tão irrisório que nem será notado, para isto baseiam-se entre outras passagens, na parábola do grão de mostarda e na do fermento (Mt 13:31-33). Os pós-milenistas acreditam que devido que todas as nações estarem debaixo da autoridade de Cristo, este mundo em que vivemos terá dias extremamente melhores. Quanto ao reinado de Jesus Cristo, a teoria acredita que o Senhor não necessita descer a terra para um reino literal, pois já reina em nossos corações e está assentado em um trono real no céu.
Quanto ao arrebatamento crêem que este acontecerá quando na terra a grande maioria for de salvos, assim Jesus vem em forma corpórea, arrebata seu povo que estiver vivo e também ressuscita os mortos salvos da era da igreja e também os do velho Testamento, levando-os consigo; retorna imediatamente a terra para julgar os ímpios. Neste ponto algo que deve ser mencionado; é que para o pós-milenista haverão duas ressurreições na vinda de Jesus, a do momento do arrebatamento e a quando ele se assenta para julgar os ímpios, ressuscitando, assim, os não salvos de todos os tempos, que é juízo final do Grande Trono Branco. Neste conceito não existe nenhuma diferença entre Israel e igreja.
Esta teoria está praticamente extinta desde o inicio do século XX, no entanto seus adeptos migraram em sua maioria para o amilenismo por terem muito ponto em comum.

15.1.2- Amilenismo
O amilenismo ou, como preferem os adeptos da teoria, “milenismo realizado”, não tem data certa para seu surgimento, no entanto sua estrutura foi estabelecida por Agostinho, bispo de Hipona, e absorvido pela igreja católica, sufocando a crença da igreja primitiva num milênio literal; quando se deu a reforma protestante no século XVI os reformadores deram continuidade a este pensamento, tanto é que a grande maioria das igrejas históricas reformadas, são amilenistas.
Os amilenistas não aceitam o milênio como sendo literal, desta maneira concluem que já estamos no milênio, por isso a preferência pelo titulo “milenismo realizado”. Desta maneira o milenio trata-se do reinado de Cristo no coração dos crentes, os quais já desfrutam dos benefícios de seu governo espiritual. Seus principais defensores são L. Berkhof, O.T. Allis, G.C. Berkhouwer , entre outros.
Quanto ao arrebatamento não crêem que este ocorrerá, pois vêem a volta de Jesus como sendo uma, sendo esta localizada no fim do tempo para ressucitar os mortos salvos e juntamente com os fiéis vivos leva-los ao céu; neste mesmo momento entendem que serão ressurretos os ímpios de todos os tempos que com os não salvos vivos comparecerão ao juízo final para serem condenados, desta maneira para o amilenista haverá duas ressurreições universais, uma única para a salvação e outra para a condenação, o que tem sido difícil de ser provado.
Esta, entre todas é que mais se fortaleceu desde a reforma protestante, e hoje é amplamente aceita na Europa e Estados Unidos, conseqüentemente o mundo se dispõe a abraçar esta crença sem maiores análises.

15.1.3- Pré-milenismo
Diferente das outras teorias o pré-milenismo acredita num milênio literal, ou seja, Jesus estará literalmente na terra governado-a e estabelecendo a justiça e paz entre a humanidade, sendo este período de exatamente mil anos.
Basicamente o pré-milenismo se divide em duas subclasses: os históricos e os dispensacionalistas
a) O pré-milenismo histórico: formado por aqueles que acreditam num milênio literal e subseqüente a vinda de Cristo, no entanto o problema é que interpretam o livro de apocalipse como sendo um quadro histórico que trata do propósito e da história da redenção, isto é, para eles o apocalipse é meramente um livro que conta a história da salvação da humanidade, desprezando o caráter profético e futurístico apresentado no livro, desta maneira não acreditam que existirá o período tribulacional, anticristo, derramamento da ira divina por meio de flagelos etc. Seus principais defensores são G.E. Ladd, A. Reese e M.J. Erickson.
b) O pré-milenismo dispensacionalista: como já foi abordado anteriormente, esta é a posição adotada neste trabalho. Este pensamento interpreta o apocalipse como tendo seus acontecimentos, ainda que obscurecidos por símbolos, como literais, sendo assim o milênio deve ser encarado como um reino literal de mil anos, que será inaugurado na vinda gloriosa de Jesus Cristo. Grandes interpretes e professores de escatologia Bíblica defendem o dispensacionalismo, como: L.S. Chafer, J.D. Pentecost, C.C. Ryrie, J.F. Walvoord e Scofield, entre outros.
Com certeza é o que mais avança na atualidade e começa a assustar os amilenistas que até então estavam em situação confortável, já que vivem na sombra dos grandes nomes da reforma. O dispensacionalismo tornou-se alvo de criticas por crer nos acontecimentos preditos por mais estranhos que pareçam ser, os perseguidores não vêem possibilidade de haverem sinais tão prodigiosos como os descritos no Apocalipse de João, da mesma forma que os egípcios não acreditavam que sucederiam pragas tão terríveis como as que Deus enviou contra eles por meio de Moisés. Observe o que pensa um Reverendo amilenista a respeito do pré-milenismo dispensacionalista:
De todas essas perspectivas protestantes, a meu ver, a que mais se coaduna com a exegese bíblica é a posição amilenista. O Pré-milenismo, se parece muito com os roteiros Hollywoodianos, muitos fantasiosos.
O pré-milenismo não é uma doutrina nova, mas sim a que fazia parte da crença da igreja primitiva, no entanto esta foi encoberta pela igreja Romana que procurando se estabelecer como autoridade suprema se colocou como a que detinha os meios para se desfrutar do reino milenar prometido por Jesus, tornado o mundo cristão obrigatoriamente em amilenistas. Hoje o pré-milenismo é o único método de ver o reino milenial de maneira satisfatória e dentro do contexto Bíblico. Sua literalidade é totalmente necessária para que se cumpram promessas feitas em alianças com a nação de Israel que nunca foram cumpridas e que em hipótese alguma podem ser cumpridas pela igreja, já que Israel e igreja são distintas no que se refere ao propósito de Deus.
15.1- A ERA MILENIAL
Um dos mais expressivos pontos da escatologia é a promessa de um reino teocrático, onde o mundo será governado por Jesus Cristo, no entanto algumas questões estão sempre trazendo dúvida aos crentes da realidade desta teocracia. O que veremos agora se trata da apresentação deste reino tanto no Velho Testamento como no Novo.
15.1.1- O milênio no Velho Testamento
Fartas, são as passagens que falam de um tempo de paz e prosperidade para Israel e de um modo quase total esta se referem ao milênio, ou seja, um reino totalmente dirigido pelo messias ansiosamente pelos Judeus. No Maimônides, uma espécie de credo Judaico se lê:
A VINDA DO MASHIACH (Messias) E A ERA MESSIÂNICA: Creio plenamente na vinda do mashiach e, embora ele possa demorar, aguardo todos os dias a sua chegada.
A esperança Judaica está totalmente baseada na vinda do messias para estabelecer este reino:
Um ser humano descendente do Rei David, comprometido em cumprir e fortalecer o cumprimento de toda a Torá, reunirá todos os judeus do mundo em Israel, reconstruirá o Templo de Jerusalém e trará a paz universal. (…) Pois além de trazer paz a Israel e erradicar a miséria do mundo todo, finalmente toda a criação finalmente atingirá o seu estado de máxima perfeição. Por mais acomodados e confortáveis que estejamos hoje em dia, o mundo, no mínimo, ainda está imperfeito… (Por Rabino Israel Rubin, diretor de Chabad em Albany)
O que vai acontecer quando o Mashiach vier? (…) Não haverá nem fome nem guerra, inveja ou competição, porque todas as coisas materiais estarão em abundância. Naquele tempo, ele continua, a ocupação do mundo inteiro será unicamente conhecer a D-us. ( Rabino Manis Friedman)
Esta tão esperada era messiânica está baseada nas alianças feitas com Abraão e Davi onde é prometida a terra por possessão eterna e um rei que regerá com justiça, no entanto encontramos por todo o Velho Testamento profecias e referencias este respeito. Ao falar da vinda de um futuro profeta, Moisés disse: Suscitar-lhes-ei um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti, em cuja boca porei as minhas palavras, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar (Dt 18:18). Vejamos alguma referencias ao reino messiânico:
Isaias: 4:1-6; 9:6-7; 11:1-9; 40:41; 60:1-22; 65: 17:25. Jeremias 23:1-8; Ezequiel 39:21-29; 43-17; Daniel 12:1-4; Oséias 3:4-5; 3:17-21; Amós 9:11-15; Miquéias 4:1-5; 5:1-15; Sofonias 3:9-20; Zacarias 8:1-8; Malaquias 4:1-6.
Todas estas e outras profecias a respeito da era messiânica têm caráter totalmente literal o que é demonstrado pela esperança judaica que se firma, justamente, nestas promessas. Para Israel não há outro meio de cumprimento a não ser através do milênio, pois como já visto as alianças tem caráter futuro e incondicional, portanto devem e serão cumpridas.
15.1.2- O milênio nos Evangelhos.
Para um judeu contemporâneo de Jesus, a esperança no messias era maior que em qualquer outra época, pois havia muitos anos que Deus não se manifestava através dos profetas; o povo era afligido pelo império Romano e tudo poderia mudar com a vinda do rei da linhagem de Davi. Desta maneira nos é apresentado no decorrer das narrativas uma seqüência de acontecimentos ligados à vinda do rei esperado, como também sua rejeição por parte da nação.
O livro de Mateus é universalmente reconhecido como o que apresenta Jesus como o messias esperado, portanto o utilizaremos como o centro desta breve consideração.
A genealogia de Jesus o liga diretamente a descendência de Davi (1:1), esta é que é fundamental para que o Senhor pudesse ao menos se dizer o Messias… Do capítulo 1 ao 11:3 Jesus é apresentado como o rei; as curas, libertações e discursos provam sua autoridade. A rejeição a Jesus se inicia a partir do capítulo 12 e vai até o 16; período marcado por controvérsias entre a liderança política e religiosa. Sua total rejeição por parte da nação vem a partir do capítulo 17 e vai até o fim do livro.
Devemos ter em mente que Jesus veio para cumprir as profecias porém esta rejeição (que fazia parte da presciência de Deus) não permitiu o seu cumprimento; João expressa com muita clareza este fato dizendo: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.” (Jô 1:11). Desta maneira o propósito de Deus para a nação foi adiado, proporcionando a inclusão dos gentios no plano divino.
15.2.3- O milênio no Apocalipse.
Freqüentemente os pré-milenistas são acusados de crer em tão grande evento, baseados em apenas um versículo (Ap 20:4), no entanto isto é uma afirmação desprovida do conhecimento sobre o assunto, pois todo conceito de um reino literal vem, como já vimos, das promessas a nação de Israel e de sua confirmação através do messianismo de Jesus, a questão é que em apocalipse foi completada a revelação a cerca da era milenar, ou seja, foi revelado aquilo que ainda estava oculto.
O argumento mais usado contra um milênio literal é a questão de serem estabelecidos exatamente mil anos, o que, para muitos, é apenas simbólico e representa um período de tempo indeterminado como, supostamente, os dias da criação e a afirmação de Pedro em 2Pe 3:8; um outro argumento usado pelos contrários ao pré-milenismo é que um reino literal de mil anos torna a era messiânica exclusivamente terrena e temporal. A questão é que tais afirmações são errôneas; em primeiro lugar devemos ter em mente que não podemos abandonar o sistema literal de interpretação apenas porque algo novo foi revelado nas Escrituras e por que esta revelação não “soa” como digna de ser levada em consideração, se assim fosse também não deveríamos crer como sendo literal à volta de Jesus (todas as correntes crêem no retorno literal), já que parece tão fantástico como sua permanência na terra por mil anos.
Quanto a referencia de 2Pe 3:8 onde lemos: “(…) para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia” É preciso perceber que Pedro apenas ressalta a natureza de Deus, isto é, sua onipresença; para Deus o remoto passado e o mais longínquo futuro são presente para Deus, e também sua eternidade, deus não se cansa ou fica velho; não há ociosidade em Deus; para ele mil anos são como um dia e de um dia ele poder tornar em mil anos.
O fato de o reino milenial durar exatamente mil anos não o torna temporal, pois este tem um caráter eterno, ou seja, assim como cristãos temos uma vida humana limitada, porém já estamos em Cristo, o que nos torna eternos em sua presença, portanto, ao compararmos nossa vida terrena em Cristo ao milênio veremos que apesar do reino ser de um tempo limitado ele tem uma validade eterna, só vai mudar o ambiente; que quando este findar não será mais a terra e sim a nova Jerusalém. O reino também não é essencialmente terreno pois também tem caráter espiritual, já que para fazer parte dele deve-se necessariamente ter experimentado da salvação em Cristo, ou seja, não estamos falando de um reino político na esfera humana mas de um reino teocrático (Governado por Deus), universal e totalmente equilibrado.
Por tudo o que foi mencionado o pré-milenismo crê que a era messiânica será literal e durará mil anos, sob governo Divino.
15.3- OS PROPÓSITOS DO MILÊNIO
Toda a questão sobre onisciência de Deus pode ser muito bem expressa na literalidade do milênio, pois os propósitos deste, são mais antigos e mais fortes que qualquer pensamento atual sobre a possibilidade deste tempo de paz e prosperidade ser real ou não. Veremos alguns desses principais propósitos que fazem com que tenhamos a plena certeza da literalidade do milênio.
15.3.1- Cumprir as alianças estabelecidas com Israel.
Em termos de propósitos poderíamos dizer que este é o principal deles, pois foram feitas promessas que nunca, na historia de Israel, encontraram cumprimento. Sobre estas alianças já tratamos anteriormente, porém veremos sua ligação com o reino milenial.
a) Aliança abraâmica (Gn 12:1-3; 15:18-21; 17:1-8)
Nesta foram asseguradas a Israel não só a posse definitiva da terra como também a perpetuidade de sua descendência; já foi colocado que esta com as outras tem caráter incondicional e nunca foram cumpridas. Sendo assim com a instituição do reino milenial a aliança abraâmica seria efetivamente cumprida. Miquéias a respeito da era messiânica disse:
Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniqüidade e te esqueces da transgressão do restante da tua herança? O SENHOR não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia. Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniqüidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar. Mostrarás a Jacó a fidelidade e a Abraão, a misericórdia, as quais juraste a nossos pais, desde os dias antigos.(Mq 7:18-20)
b) Aliança palestina (Dt 30:1-10)
A posse da terra mais uma vez é assegurada com a aliança Palestina, porém isso só ocorreria quando Israel como nação se convertesse, o detalhe é que Deus quem operará este arrependimento, e isto acontecerá na volta de Jesus Cristo no final da Grande tribulação, dando inicio ao milênio que cumprirá esta promessa a respeito da terra. Veja o que disse Ezequiel:
Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis. Habitareis na terra que eu dei a vossos pais; vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus.(Ez 36:26-28)
c) Aliança davídica (2Sm 7:12-16)
Deus prometeu a Davi que o trono permaneceria em sua descendência e seu reinado como também a nação seriam estabelecidos para sempre; promessa esta que ainda não se cumpriu. Jesus ao ser este rei do reino milenial, estabelecerá Israel em sua terra e a nação terá seus direitos garantidos, cumprindo assim esta aliança.
Farei deles uma só nação na terra, nos montes de Israel, e um só rei será rei de todos eles. Nunca mais serão duas nações; nunca mais para o futuro se dividirão em dois reinos.(…) Assim, eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus. O meu servo Davi reinará sobre eles; todos eles terão um só pastor, (…) Habitarão na terra que dei a meu servo Jacó, na qual vossos pais habitaram; habitarão nela, (…) para sempre; e Davi, meu servo, será seu príncipe eternamente. (Ez 37:22-25)
d) A nova aliança (Jr 31:31-40)
Nesta aliança foi prometido a Israel uma conversão nacional que lhes traria a comunhão com Deus; estava implícito na aliança que Deus perdoaria os pecados da nação e lhes daria um coração novo; em outras apresentações da aliança vemos que Deus os encheria de seu Espírito (Jl 2:28-29). Como as anteriores esta aliança jamais foi cumprida, e só será na vinda de Jesus quando Deus tirará a venda dos olhos da nação trazendo a conversão prometida. Portanto, para que Israel possa desfrutar das bênçãos da nova aliança é totalmente necessário um milênio literal.
15.3.2- Estabelecer o propósito inicial de Deus para a humanidade
Nos dias da criação Deus preparou todo um ambiente favorável para que sua obra prima vivesse nela, o homem (no sentido de humanidade) teve a primeira oportunidade de viver num mundo teocrático; Deus é quem governava diretamente. Vindo a queda o pecado impossibilitou o permitia tal relacionamento. Com isso a soberania de Deus de certa forma foi atingida, não que ele tenha sido surpreendido por algo inusitado, no entanto seu plano foi alterado; é como se Satanás dissesse que Deus falhara, o que é fora de cogitação. No decorrer da história seja por Moisés, pelos juizes ou reis, ficou provado que o homem não tem condições de estabelecer um reino de paz e justiça plena, isso só será possível se o próprio criador se colocar como agende deste governo. Com isso Deus espera o momento de demonstrar sua autoridade no que se refere ao governo divino. Na grande tribulação Deus provará sua onipotência, não para a igreja mas para toda a humanidade, Satanás e seus anjos; com o milênio toda a vontade de Deus como também sua soberania serão mundialmente reconhecidas, ou seja, Deus mostrará que seus planos não são frustrados.
15.4- A VIDA DO MILÊNIO

O governo de Jesus Cristo será de maneira nunca vista na terra; as condições de vida, em todos os aspectos, nunca foram experimentados pela humanidade; e é bom que fique claro que o milênio não tem nenhuma relação com a morada eterna na Nova Jerusalém. Aqui observaremos rapidamente algumas características da vida no milênio.
a) Prevalecerão a paz e justiça
Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, rei que é, reinará, e agirá sabiamente, e executará o juízo e a justiça na terra. Nos seus dias, Judá será salvo, e Israel habitará seguro; será este o seu nome, com que será chamado: SENHOR, Justiça Nossa. (Jr 25:6-7)
Com a destruição dos inimigos de Israel e também das nações ímpias, será estabelecido um governo que trará toda a questão de justiça social e jurídica sob total controle, o que proporcionará um estado sólido e coeso, trazendo como conseqüência uma paz sustentada pela autoridade do Senhor Jesus Cristo; parece claro que em alguns aspectos será uma paz , para alguns, forçada pois não poderão agir como desejam sendo obrigados a se submeterem, pois toda desobediência será rigidamente castigada (Zc 14:16-19).
b) Será quebrada a maldição que estava sobre a terra
Este é um grande ponto no que se refere às características da vida milenial, pois desde a queda do homem terra está sob uma maldição que tem trazido sofrimentos e toda sorte de mazelas a sociedade como todo e ao individuo. Em gênesis 3:17-19 lemos:
Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás.
Por causa desta maldição a terra não produz o que deveria e o homem se torna escravo dela tendo que depender do pleno esforço para obter seu sustento; esta maldição, que atingiu diretamente o homem, o torna indefeso às doenças e deformações; o pecado o separa de Deus (Rm 3:23), na era milenial isto não acontecerá pois a maldição sobre a terra será tirada e como conseqüência da conversão da humanidade, também será tirada do homem. No milênio vários aspectos de nossa vida diária serão modificados devido a retirada desta maldição. A terra produzirá como nunca (Zc 8:12), trazendo prosperidade e abundância (Is 30:23-25), até o sol e a lua produzirão mais luz, sem que haja aumento de temperatura (Is 30:26); o trabalho continuará a existir, mas este não será feito de maneira fatigante (Is 65:21-23); toda a humanidade buscará ao Senhor (Zc 14:16; Is 12:3-6), trazendo plenitude espiritual (Jl 2:28-29) e santidade (Is 4:3-5) aos servos do reino. O próprio Senhor estará com a humanidade por meio de Jesus Cristo (Ez 37:27-28), com isso, logo no inicio do milênio os doentes serão curados, os surdos ouvirão, os cegos enxergarão, os aleijados andarão, enfim, todos os que tiverem defeitos físicos serão restaurados (Is 35:3-6); as pessoas viverão muito mais que hoje se vive, portanto “morrer aos cem anos é morrer ainda jovem” (Is 65:20).
Todas estas bênçãos trarão uma felicidade real aos habitantes da terra que se alegrarão no Senhor por cada um de seus benefícios
Os resgatados do SENHOR voltarão e virão a Sião com cânticos de júbilo; alegria eterna coroará a sua cabeça; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido. (Is 35:10)
c) Os ressurretos e os vivos no milênio
Um ponto bastante interessante é a questão da relação dos crentes que ressuscitaram na primeira ressurreição (salvos do Velho e do Novo Testamento) e que viverão juntamente com os que estarão vivos na ra milenial. A questão parece delicada se ilharmos do ponto de vista humano, mas para o Senhor isso não será problema.
Os amilenistas argumentam que isso não será possível, pois se tratam de duas naturezas totalmente distintas, no entanto devemos levar em consideração duas coisas; 1) Jesus, após sua ressurreição se apresentou a Maria madalena, aos apóstolos, conversou com eles e percorreu vários lugares diferentes (João 20:11-13; 19-23; 26-29; 21:1; At 1:7-8), tornando totalmente possível uma convivência. 2) É preciso lembrar que os ressuscitados não estarão na mesma posição que os vivos, ou seja, os vivos estarão, de certa forma, sendo provados já que haverá correção diante de erros (Zc 14:16-19), e tendo a condição de súditos comuns no reino messiânico, enquanto os que ressuscitaram já experimentaram a consumação de sua salvação e agora desfrutam da benção de ter a mesma natureza santa e pura de Jesus Cristo (I João 3:2), portanto estes terão a responsabilidade e o privilegio de governar juntamente com Cristo (Mt 19:27-29; ICo 6:2; Ap 20:6).
De uma maneira maravilhosa Deus estabelecerá sua vontade independente de quão inacreditável seja.
15.4- A BATALHA NO FIM DO MILÊNIO
No fim da dispensação do milênio Satanás será solto e se levantará em sua ultima tentativa de Destruir a Cristo. Ap 20:7-9 dá os detalhes:
Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a peleja. O número dessas é como a areia do mar. Marcharam, então, pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu.
Esta será uma guerra diferente de todas as outra, muitos confundem com a invasão dos exércitos confederados de Gogue a Palestina, no entanto esta referencia a Gogue e Magogue trata da natureza inimiga dos exércitos que serão influenciados por Satanás; também se trata de uma representação de todas as nações inimigas, ou seja, assim como Gogue um dia se levantou contra Israel, todas as nações, no mesmo intento, se levantarão também. Outro ponto que deixa clara a diferença é que Os exércitos descritos em Ez 38 e 39 são de apenas uma região da terra em quanto os de Apocalipse 20 vem de toda a terra. O motivo da guerra é claro; Jerusalém será a capital do mundo e local onde estará o Rei dos Reis, isto tornará a cidade, mais uma vez, em alvo de Satanás.
A quantidade de pessoas iludidas pelo diabo será muito grande o que pode ser visto pela expressão: “e subiram pela largura da terra”; poderíamos pensar que alguém ceder a Satanás seria impossível já que viveu sob um governo divino, no entanto precisamos entender que estas pessoas nunca estiveram sob influencia maligna, e conseqüentemente não tiveram sua obediência provada, sendo assim esta ultima incursão se Satanás está totalmente nos planos de Deus que mostrará que o homem não tem condições de por si próprio ser justo a ponto de vencer as tentações do diabo, mesmo vivendo num ambiente extremamente espiritual.
A destruição dos exércitos inimigos é milagrosa “desceu fogo do céu, e os devorou” assim mais uma vez a soberania de Deus prevaleceu. O resultado é descrito por João como sendo definitivo; satanás estará de uma vez por todas no seu devido lugar.
O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos. (Ap 20:10).
15.5- O JUÍZO FINAL
O milênio trouxe o cumprimento das alianças feitas com a nação, com seu fim o plano das dispensações fica concluído, restando o ultimo julgamento; o juízo do Grande Trono Branco. Agora Deus, por meio de uma ressurreição chama os ímpios que morreram desde a criação para serem julgados; sobre isto lemos em Ap 20:11-12, 15
Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, (…). Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras,(…). Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados (…). Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo.
Como já foi comentado anteriormente, este texto fala a respeito da ressurreição para condenação; este caso não trata de um julgamento onde salvos e não salvos receberão um veredicto a respeito de sua salvação ou condenação, mas comparecerão unicamente os ímpios mortos que agora ressuscitam para serem “avisados”de sua condenação eterna. A questão de serem mencionadas as obras como base do julgamento, é importante lembrar que o principal fato, em questão de obras que os levou a condenação foi o fato de não terem recebido Jesus como Senhor e salvador ou mesmo que o receberam, mas desviaram-se, não tendo andado em sua palavra; aqui a principal questão esta relaciona a atitude que tivemos para com Jesus Cristo e não simplesmente se fomos bons ou maus durante nossa vida.
O fim destes é mencionado como sendo a segunda morte, a diferença é que esta é definitivamente de sofrimento, tem caráter eterno; é eterna. Todo o inferno, Satanás e seus anjos; todos estarão lá; enquanto isso os salvos se alegram e bradam a vitória consumada; eles entram na santa cidade e desfrutam eternamente da presença de Deus.
CAPÍTULO 16
O ESTADO ETERNO
Com o fim das dispensações chegamos a uma condição totalmente nova, que não está relacionada com o tempo ou espaço, ou seja, não é passageira nem terrena, mas eterna e celestial.
Deus ainda tem duas coisas a fazer, que são: recriar a terra e instalar seus redimidos na cidade Santa; a Nova Jerusalém celestial.
16.1 A RECRIAÇÃO DA TERRA
“Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe” (Ap 21:1)
Mesmo depois da purificação da terra feita no inicio do milenio, esta foi novamente contaminada com a soltura de Satanás, não que o trabalho de Deus não tenha sido bem feito mas a retirada “provisória” da maldição foi para que as condições fossem favoráveis para a vida milenial. Alguns comentaristas acreditam que esta maldição permanecerá na terra mesmo na duração do milênio, no entanto as condições apresentadas para a era messiânica não são cabíveis numa terra amaldiçoada; pensam desta maneira pelo fato de ainda haver vestígios da natureza humana, portanto, pecaminosa, demonstrada pela desobediência no fim da era, no entanto o que Deus fará é impedir que o poder da maldição vem a agir no período milenial deixando sua total exterminação para o momento da destruição da atual criação. Pedro falando acerca desta destruição disse: “Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios” (IIPe 3:7). Vemos que o versículo fala de uma destruição pelo fogo no mesmo tempo do julgamento final dos ímpios, e como já vimos isso acontecerá no juízo do Grande Trono Branco, entre o milênio e instauração no novo céu e da nova terra.
O apóstolo João inicia a narração de sua visão já com o novo céu e a nova terra, não nos dando detalhes de como será esta destruição, como também o porque de uma nova criação. O que é fato é que o mundo em que vivemos será consumido pelo fogo e nada mais restará dele; com certeza a escolha pelo fogo por parte de Deus tem a ver com a simbologia que o envolve; o fogo representa purificação e é esta a intenção do Deus Soberano Criador.
Um grande questionamento que surge em torno dos textos concernentes ao estado eterno (Ap 21 e 22:1-6), é o fato de haver suposta semelhança com a descrição do milênio, ou seja alguns comentaristas acreditam que estes textos não se referem a uma condição eterna, nem de uma cidade literal vinda do céu, mas da vida no período milenial. Apesar de haver posições contrárias, de um modo geral os pré-milenistas acreditam que os capítulos 21 e 22 estão em ordem cronológica e não se tratam de uma retrospectiva ao assunto abordado em Ap 20:4-6, onde é mencionado o milênio; para se crer que os textos em discussão não se referem ao estado eterno precisa-se negligenciar fatos e características marcantes tanto do milênio como do estado eterno, com, por exemplo, na cidade apresentada no capítulo 21, 1) haverá um muro com doze portas ao seu derredor, em cada uma destas portas haverá um anjo e sobre elas estará escrito o nome de uma tribo de Israel (21:12), e seus doze fundamentos representam os doze apóstolos (v.14), esta descrição jamais pode ser aplicada ao milênio (v.17-21). 2)A medida da cidade é exata, diferente da Jerusalém milenial (v.16). 3) Nesta cidade não haverá templo (v.22) enquanto no milênio este é imprescindível. 4) a cidade não necessitará de luz do sol nem da lua (v.23-24), diferente do milênio, pois a humanidade necessitará deles para a sobrevivência. 5) ali não entrará nada impuro, mas somente os inscritos no livro da vida (v.27); o milênio testemunhará uma ultima rebelião contra Deus. Por tudo isso fica provado que os textos em pauta são relativos ao estado eterno e a Jerusalém celestial e nunca à vida terrena no milênio.
16.2- A NOVA JERUSALÉM
O apóstolo João faz um relato detalhado da Nova Jerusalém; já foi concluído que ela não se trata de uma cidade terrena, mas sim, celestial e eterna. Vejamos algumas características importantes a respeito dela:
a) Ela desce do céu, da parte de Deus (vs.2,10): Jesus em sua promessa registrada em Jo14:2, disse que iria preparar um lugar para seus remidos, este lugar é justamente esta santa cidade vinda não de algo terreno e passageiro, mas do próprio Deus que em seu filho não só justificou os que creram com também lhes forneceu uma morada onde Jesus também estará por toda a eternidade. A referencia “desce do céu” parece indicar que a cidade estará na órbita da nova terra; o que é inconcebível é que comentaristas localizem a cidade literalmente na nova terra.
b) Nela não há tristeza (v.4): “E Deus enxugará dos olhos toda a lágrima”. Não que lágrima represente tristeza, mas todo choro pela morte, pranto,angustia ou dor. A alegria e felicidade eterna reinarão na morada dos remidos.
c) Ela tem a gloria de Deus (v.11; 22:5): A gloria do Senhor será suficiente para todas as necessidades desta cidade celestial; parece lógico que tendo recebido corpos espirituais, estes não necessitarão do sol ou da lua, portanto a própria presença do Senhor iluminará a Nova Jerusalém. Deus será a fonte de energia e Cristo a lâmpada que resplandecerá por toda a eternidade.
d) Deus e seu filho são o templo da cidade (v.22; 22:3-4)): A presença de Deus e de Jesus não serão espirituais mas, literais, verdadeiramente veremos o seu rosto. Para os amilenistas isto é total absurdo, fantasia, mas para os que têm ansiosamente aguardado a eterna redenção é motivo de fortalecer-se em Cristo Jesus.
e) Será isenta de qualquer pecado ou maldição (8;27;22:3): Nenhum pecado ou pecador entrará na cidade; nenhuma maldição existirá. Devemos lembra que Satanás, e seus demônios, a morte e o inferno já passaram e estão no lago de fogo e enxofre (Ap20:10,14).
f) Nela haverá um rio e uma árvore (22:1,2): O rio representa a vida que procede do Cordeiro; a árvore da cidade retrata a árvore da vida do éden, só que desta não será necessário a do conhecimento (Gn 2:9) para provar seus habitantes pois estes já foram provados e aprovados por Deus; são agora os redimidos pelo sangue purificador de Jesus Cristo.
Eis que venho sem demora. Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro.Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente, venho sem demora. Amém!

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