Ir para o site...

CURSO DE TEOLOGIA GRÁTIS COM CERTIFICADO GRÁTIS

Métodos de Estudos Bíblicos

Poucas observações bastariam para ressaltar nosso dever como estudantes de teologia do estudo diário das Escrituras. Note que é um dever e não uma opção, considerando que este era o proceder de Nosso Mestre, da Antiga Comunidade e dos próprios escritores bíblicos. O que conhecemos da Revelação de Deus está na forma de um Livro que necessita ser estudado para poder obter dele uma plena, absoluta e segura compreensão dessa revelação. Este estudo pressupõe, ou parte do pressuposto que o futuro pastor (ou líder de Comunidade Evangélica) é e será um estudioso das Escrituras, por essa razão este estudo dará uma orientação metodológica para que esse estudo seja eficaz.
Todos os que se aproximam das Escrituras, utilizam-se de um método de estudo da mesma, consciente ou inconscientemente. Não há problema em ter um método de estudo das Escrituras, desde que esse método seja válido e nos conduza a resultados verdadeiros. É necessário verificar se o método que utilizamos para estudar as Escrituras é bom. Mesmo aqueles grupos que afirmam não estudar a Bíblia, têm seu modo especial de basear nela os seus pensamentos. Outros, mas conscientes da necessidade de estudo, utilizam-se de Comentários, Dicionários Bíblicos, livros de estudo dirigido e outras obras, para obter compreensão do texto bíblico. Ouvir palestras, aulas, “garimpar” estudos na Internet, comprar muitos livros e assistir a pregações é para a maior parte das pessoas o único método de estudar as Escrituras que conhecem. Uma pergunta aqui é oportuna: Por que devo estudar as Escrituras com um método específico? Uma infinidade de pessoas já não fez estudos que estão em bons livros, enciclopédias e dicionários bíblicos? Qual é a razão de tentar estudar de novo? Como resposta apresentamos quatro boas razões:
Razão 1- Não podemos absorver a “teologia” dos que nos rodeiam. Uma leitura atenta nas Escrituras comprova que esta sempre foi a causa principal do desvio da fé do povo de Israel, ele absorveu os conceitos e costumes dos povos vizinhos, apesar das claras advertências que lhe foram dadas. “Modismos” criam teologias e tendências doutrinárias que, por se tornarem populares, agradam a multidões de pessoas despreocupadas com o estudo sério e a comprovação acurada da verdade. O que chamamos de “modas” teológicas não é necessariamente sinônimo de sucesso espiritual correto, pois, esse sucesso na maioria das vezes está fundamentado numa mentira.
Usando um método correto
Primeira razão para o estudo das Escrituras: Não podemos absorver a “teologia” dos que nos rodeiam.
Vejamos como exemplo: as multidões seguiram aqueles homens que se revelaram contra Moisés no deserto, o bezerro de ouro teve sucesso como atrativo visível para uma nova fé, nesse momento o povo de Deus criou uma nova “teologia”. Era a moda do momento cantar e dançar em volta do novo ídolo que brilhava sob os raios do sol matinal. Era contagiante a alegria desse povo, eles pareciam tão felizes! Josué pensou até que eram gritos de batalha. Porém, não havia nada de verdade, era a alegria e o entusiasmo momentâneo de uma falsidade religiosa nova e atraente, uma falsidade cheia de dança e euforia. Condenável condição do povo! Triste desvio da fé! Tudo era vão e ilusório (Leia atentamente: Êxodo 32:4-7 e versos 17-19). Na sua misericórdia, porém, O Eterno corrigiu o povo, com severidade, é certo, mas deveriam aprender uma dura lição, uma amarga experiência que ficaria marcada para gerações futuras. Examinemos a fé à luz da razão e da revelação que foi dada. Examinemos pelas próprias Escrituras toda nova tendência, todo modismo e teologia nova. Sejamos, especialmente como futuros líderes, de uma fé madura suficiente para poder discernir o certo do errado. Com certeza o Pai Celestial se agrada de “verdadeiros adoradores”. João 4:23.
Razão 2 – Para termos um método correto de estudo das Escrituras: Evitar a má exegese encontrada na literatura “cristã” sobre a Bíblia. Se um teólogo preparar seus comentários sobre as Escrituras Sagradas fundamentado na consulta de alguns comentários bíblicos suspeitos de heresias como, por exemplo: de Testemunhas de Jeová, Ciência Cristã, Reverendo Moon, etc, ou até comentários e dicionários bíblicos editados pelo cristianismo, porém de autores cuja opinião não se ajusta com a Bíblia, vai acabar ensinando mentiras em nome da fé. O teólogo deve aprender que o único critério de verdade das Escrituras Sagradas é a própria Escritura Sagrada. O ponto fundamental é que não podemos ensinar opinião humana incorreta, porém, ao mesmo tempo devemos ser honestos em reconhecer que entre toda a palha há comentários que se ajustam com a verdade, a esses comentários corretos, dentro do padrão da verdade, daremos o maior valor. Aqui convêm citar o critério bíblico: “examinai tudo e reter o bem” (I Tessalonicenses 5:21). Devemos aprender a ter uma perfeita noção de discernimento para distinguir o trigo da palha, o ouro da escória. Esperamos que neste curso o futuro teólogo aprenda a ter esse discernimento.
Entendemos em primeiro lugar que Deus deseja ser buscado para ser conhecido, portanto, se Deus ama suas criaturas, cuida delas e anela traze-las de volta à Sua comunhão, então, com certeza a revelação é possível e necessária. Necessária porque as opiniões humanas são pessoais, e, portanto, não são guias seguras e nem suficientes nas questões como a vida, a fé e o destino eterno. As opiniões humanas são variadas e sempre contraditórias.
Isto nos leva a compreender a necessidade de Deus se revelar mediante Sua Palavra, de maneira escrita, clara, objetiva, simples e compreensível. Se o Eterno falasse com cada homem em segredo, o homem poderia dizer em público o que achasse ser mais de acordo com seu próprio proveito, enquanto outro homem diria justamente o contrário do primeiro, resultando daí a confusão.
Usando um método correto
Segunda razão para o estudo das Escrituras: Evitar a má exegese encontrada na literatura sobre a Bíblia
Razão 3 – O teólogo não tem um “interprete oficial” da Bíblia. Como por exemplo: Acreditam os católicos que seja o papa o único a determinar o que é certo ou errado em questões de doutrina, ou como os Russelitas (Testemunhas de Jeová) que afirmam que o único interprete correto da Bíblia é o chamado “corpo governante”. O teólogo deverá aprender a estudar de forma correta para determinar com exatidão o que a Escritura está dizendo. Se não fizermos isto, estaremos de alguma forma endossando uma espécie de “credo oral” que substitui as Escrituras como critério de verdade. Deve perceber que inúmeras vezes o “credo oral” passou a ser “credo escrito” (Exemplo: credo de Nicéia). E se estabeleceu definitivamente na igreja como doutrina. Não é assim que um verdadeiro teólogo deve agir, se ele é e continuará a ser um estudante espiritual da Palavra ele mesmo deverá aprender de Deus a encontrar o sentido correto das palavras bíblicas que encontra em seu estudo. Deverá ser estabelecido como verdade unicamente o que as Escrituras realmente ensinam e nunca uma tradição, por mais anos ou séculos que ela tenha. Há nos Evangelhos evidente condenação por manter tradições que não são verdades. (Mateus 15:6).
Usando um método correto
Terceira razão para o estudo das Escrituras: Determinar com exatidão o que as Escrituras estão dizendo, pois não temos um interprete oficial.
Razão 4 – Reconhecimento da autoridade das Escrituras com Sagradas. Com toda certeza Deus deveria dar à humanidade perdida uma revelação por escrito, para revelar-se desde o início e dando assim, a conhecer o Plano de Salvação. Deveria ser uma Revelação com (1) autoridade suficiente para não ser questionada, e para que a mensagem divina pudesse ser (2) preservada para todas as gerações. Deveria ser ao mesmo tempo uma Revelação (3) escrita, para evitar que a mensagem seja esquecida, alterada ou distorcida. Deveria ser (4) inspirada e (5) conclusiva, para impedir que seja substituída por outra de opiniões humanas, variadas e contraditórias. Finalmente, deveria a Revelação ser (6) compreensível, objetiva e clara, ao alcance de todos, para que todo aquele que deseje alcançar a salvação prometida, encontre na simplicidade da Revelação esse Caminho. Em resumo acreditamos que Deus nos deu uma revelação com autoridade, por escrito, inspirada e compreensível.
Usando um método correto
Quarta razão para o estudo das Escrituras: Reconhecimento da autoridade das Escrituras como Sagradas – Necessária, por escrito, inspirada, conclusiva e compreensível.
O Eterno quer que o teólogo se aproxime o máximo possível de sua Vontade. As Escrituras é o registro dessa Vontade divina. Logo, é essencial que estudemos a Palavra de Deus e procuremos compreendê-la. Um dos conselhos mais repetidos nas Escrituras, direta ou indiretamente é justamente para que procuremos entender a Revelação.
Deus é sábio. Se Ele, na Sua sabedoria deixou Sua Vontade revelada em um livro, então temos a certeza de que é possível compreender a vontade de Deus pelo estudo das Escrituras. Se não o fizermos ou desistirmos da tarefa, estaremos desconsiderando a sabedoria divina.

MÉTODOS DE ESTUDOS BÍBLICOS
Num curso teológico deve haver necessariamente um método de estudo das Escrituras, pois, já analisamos em detalhes as razões e a necessidade de ter um método adequado de estudo. O Texto Sagrado deve ser estudado seguindo um padrão, uma forma que seja correta e evite os desvios “teológicos”, devemos seguir um método que nos aproxime com exatidão da verdade bíblica. Se falarmos em método, falaremos em metodologia. Vejamos a definição de conceitos:
Método: 1. Procedimento organizado que conduz a certo resultado. 2. Processo ou técnica de ensino. 3. Modo de agir, de proceder. 4. Regularidade e coerência na ação.
Metodologia: Conjunto de métodos, regras e postulados utilizados em determinada disciplina e sua aplicação.
(Dicionário Aurélio, Século XXI, Editora Nova Fronteira, 2001).
O método para o estudo que prepara um pastor é conhecido como método histórico-crítico.
O que chamamos de histórico-crítico é o método de estudo e pesquisa bíblica que procura levar em consideração o contexto histórico que envolve o texto, fazendo uma análise e avaliação profunda, acurada (crítica) de todas as relações desta informação com o sentido original do texto. É importante notar a frase: “sentido original”, pois uma ênfase quanto ao sentido gramatical e histórico da narrativa bíblica é a meta ou alvo deste método. Realiza-se com o texto bíblico a tarefa de um pesquisador, o mesmo trabalho de um historiador que avalia um documento antigo com o propósito de compreende-lo, pois acreditamos que essa é a única maneira de encontrar o significado original do texto.
Deve-se, antes de tudo, ao estudar um texto levar em conta a época e a situação original em que o texto foi escrito. Considere: A Escrituras Sagradas é a palavra do Eterno dada através de pessoas históricas – Ele “falou pelos profetas” (Hebreus 1:1-2), portanto, o trabalho de compreender as Escrituras é o trabalho de um historiador, e a história é uma ferramenta de trabalho. O próprio texto bíblico, em geral, contém elementos históricos suficiente para nós dar uma idéia da situação original. Neste ponto dois elementos precisam ser levados em consideração quando tratamos das Escrituras Sagradas:
Elemento 1 – Sua particularidade histórica contrabalançada por sua validade eterna. O que isto significa? A particularidade histórica diz respeito ao que estava acontecendo na situação original, porém a relevância eterna leva em conta que mesmo em uma situação diferente, a mensagem original tem importância para cada geração posterior.
Elemento 2 – Nosso método é um método crítico porque requer o uso de nossas faculdades mentais em raciocínios, julgamentos, estudos, pesquisa, esforços. Lembremos que a Eterna Inteligência e Bom Censo de Deus estão refletidos em Sua Palavra. É necessário que usemos a inteligência que ele nós deu para compreende-la. A palavra: “crítico” tem geralmente um sentido negativo, não queremos usa-la nesse sentido. O método é crítico porque pretende avaliar os resultados obtidos e em construir um pensamento correto, portanto, é uma crítica construtiva e nunca contra as Escrituras.
Sendo assim, a tarefa de um teólogo na sua aproximação da Bíblia é dupla; Primeiro, um teólogo deve descobrir o que o texto significa originalmente, esta tarefa tem um nome científico, é chamada de exegese. Em segundo lugar, devemos aprender a discernir o mesmo significado na multiplicidade de contextos novos ou diferentes dos nossos próprios dias, esta é a tarefa da hermenêutica. Em definições clássicas você poderá encontrar que a hermenêutica abrange ambas tarefas, mas em tratados mais recentes a tendência tem sido separar as duas.
Para um estudo correto, na forma e no método de estudo de um teólogo, exegese é ler e explicar os textos sagrados em empatia com os escritores bíblicos. O teólogo é primeiramente, no estudo exegético, um historiador que analisa os documentos. Todavia, o teólogo deve ir além da análise puramente interpessoal, ele deve assumir a fé que o escritor possuía para entender seus escritos e sua forma de pensar. Exegese no método de um teólogo é um trabalho: científico, crítico, histórico, literário e espiritual, sendo que, a ordem destes fatores poderá ser primeiramente espiritual, sem deixar de usar o resto das ferramentas.
A seguir, devemos acrescentar que a hermenêutica é necessária para a exegese. Exegese é uma palavra que vem da língua grega, sendo composta da preposição EK (de) e da forma substantiva do verbo HEGEOMAI (ir, guiar, conduzir) e significa “conduzir para fora” o sentido original de um texto. Na exegese nos procuramos entrar no texto (EIS), e ficar nele (EM), para então sairmos dele (EK) tirando lições para nós. A hermenêutica é a síntese dos resultados da exegese, tornado-a relevante para o leitor, ou auditório.
O trabalho de estudar as Escrituras Sagradas é um grande projeto, mas também um grande desafio. Deve ser conduzido com todo cuidado e perseverança. Excelência e compenetração são o mínimo que se pode almejar no estudo do Livro.
O trabalho de um teólogo deve ser caracterizado pela alta qualidade. Na exposição e no ensino dos preceitos e conceitos bíblicos, esta alta qualidade só é atingida com empenho e dedicação. No prefácio de sua edição Manual do Novo Testamento Grego, edição de 1735, J. A. Bengel, escreveu: “aplica-te totalmente ao texto: aplica-o totalmente a ti”.
A maior parte dos desvios da verdade está na confusão entre a palavra dos homens e a Palavra do Deus. (lembre-se da questão da tradição, no estudo T_0031). Pelo estudo acurado e cuidadoso da palavra Divina devemos nos assegurar de transmitir a mais pura vontade divina, e não apenas nossa opinião sobre ela. A Escritura não pode falhar (João 10:35), este é um dos pressupostos de Jesus, devemos aprender a pensar e acreditar dessa maneira também.
A inescrutabilidade – O que isso significa? (Deuteronômio 29:29) Existem coisas que nunca saberemos agora, deste lado da eternidade. Diante disso devemos ter especial cuidado ao lidar com o que não foi claramente revelado nas Escrituras, não estamos autorizados a fazer conjeturas ou construir suposições sobre assuntos obscuros, pois muitas coisas foram guardadas sob o conhecimento apenas de Deus. (Atos 1:7, é um exemplo disto).
O que se requer de um teólogo é um trabalho em três etapas: Estudar (exaustivamente o texto), compreender (o texto no seu contexto histórico) e explicar (com exatidão e correção).
Vejamos um exemplo: Em Atos 8, podemos notar estes três elementos. A Escritura estava sendo lida (pelo etíope – verso 28), mas não estava sendo compreendida (versos 30-31). Filipe, quando entrou em contato com o etíope, já compreendia o texto (porque tinha estudado em profundidade), e, portanto, explicou corretamente a passagem (versos 32-36). O etíope não entendia o texto apesar de fazer a pergunta correta: “a quem se refere o profeta?” (verso 34). Faltava-lhe informações históricas e textuais; de fato; faltava-lhe uma visão maior do plano de Deus, ou seja, do significado das promessas messiânicas no livro de Isaías.
O grande perigo que existe em esboçar uma metodologia é levar alguém a pensar que cada item é independente dos outros. Na verdade todos os itens do método proposto são interdependentes e formam um conjunto inseparável. Quatro palavras-chaves resumem o método: TEXTO – CONTEXTO – PALAVRAS – IDÉIAS. Estas são as ferramentas empregadas na busca de informações fundamentais para a compreensão das Escrituras.
No próximo estudo iniciaremos as considerações sobre estas quatro palavras-chaves da metodologia para o estudo das Escrituras. Esta ordem deve ser mantida em toda aproximação da Palavra do Eterno.
Quem estuda somente os homens, adquire o corpo do conhecimento sem a alma; e quem estuda somente os livros, a alma sem o corpo. Quem adiciona observação àquilo que vê, e reflexão àquilo que lê, está no caminho certo do conhecimento, com a certeza que ao sondar os corações dos outros, não negligencie o seu próprio. Caleb Colton.
O propósito de ter um método de estudo é a total transformação da pessoa. O método visa a substituição de velhos e destruidores hábitos de pensamento por novos hábitos vivificadores. Em parte alguma este propósito é visto mais claramente do que na forma em que um teólogo se aproxima do texto. E texto é a primeira palavra-chave que define o método (veja de novo estudos anteriores). É no texto que devemos aplicar toda nossa energia mental, pois o primeiro passo no estudo das Escrituras, seguindo o método histórico-crítico, é estabelecer o texto.
É preciso ler com cuidado a passagem, notando qualquer dificuldade textual, palavras desconhecidas e estruturas gramaticais. Também é necessário observar o gênero literário (se é epístola, narrativa, poesia, alegoria, parábola, etc.), e se dedicar ao estudo do texto.
O teólogo é um homem transformado pela Palavra de Deus. Como se processa isto? Em Romanos 12:2 lemos que a transformação é mediante a renovação da mente. A mente é renovada quando colocamos nela as coisas que a transformarão: “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Filipenses 4:8). Você notou a virtude que encabeça a lista? “Tudo o que é verdadeiro”, isto é significativo, pois indica a prioridade a ser buscada no estudo.
O estudo é o veículo básico que nos leva a ocupar o pensamento, quando estamos concentrados no estudo, o pensamento não está por conta de seus próprios inventos. (mente desocupada, oficina do diabo – Já ouviu este velho provérbio?). Estudo é um tipo específico de experiência em que, mediante cuidadosa observação de estruturas objetivas, levamos os processos do pensamento a moverem-se numa determinada direção. As Escrituras Hebraicas instruem no sentido de as leis serem escritas nas portas e nos umbrais das casas, e atadas aos punhos, de sorte que “estejam por frontal entre os vossos olhos” (Deuteronômio 11:18). A finalidade desta instrução era dirigir a mente de forma repetida e regular a certos modos de pensamentos referentes a Deus e suas ordenanças e às relações humanas. O que estudamos determina que tipos de hábitos devem ser formados.
O processo que ocorre no estudo deve distinguir-se da meditação. A meditação é um processo mais devocional; o estudo é analítico.
A meditação saboreará o texto; o estudo deve explicar o texto. Embora a meditação e o estudo muitas vezes se superponham e funcionem concorrentemente, constituem dois processos diferentes. Acreditamos que o estudo do texto deve vir primeiro, pois proporciona ao texto uma determinada estrutura, objetiva, e dentro da qual a meditação pode funcionar com êxito, o estudo estará a serviço da meditação, precedendo-a.
O método histórico-crítico aplicado: O primeiro passo no estudo de um texto é a:

A repetição é uma forma de canalizar a mente de modo regular, numa direção específica, firmando assim hábitos de pensamentos. A repetição desfruta, hoje de certa má fama. Contudo, é importante reconhecer que a pura repetição, mesmo sem entender o que está sendo repetido, em realidade, afeta a mente interior. Hábitos arraigados de pensamentos podem ser formados apenas pela repetição, mudando assim o comportamento. Esse é o princípio lógico central da psicologia, que treina a pessoa para repetir certas afirmações regularmente (por exemplo, para quem tem problema de auto-afirmação ou problema de auto-imagem negativa, deve repetir a frase, acreditando na verdade nela contida: amo a mim mesmo incondicionalmente). Nem mesmo é importante que a pessoa esteja consciente do processo mental que está desenvolvendo; basta que a afirmação seja repetida. A mente interior é assim treinada, e afinal responderá modificando o comportamento para conformar-se à afirmação. Naturalmente, este princípio tem sido conhecido durante séculos, mas só em anos mais recentes recebeu confirmação científica. É por isso que a programação de televisão tem tanta importância, os anunciantes sabem disso e fazem da repetição uma forma de fixar na mente do tele espectador um determinado produto. O mesmo processo é aplicado na música, pela repetição constante de uma letra musical, a verdade nela contida se fixa também mentalmente.

A concentração é o segundo elemento prático no estudo. Se além de conduzir a mente repetidas vezes ao assunto em questão a pessoa concentrar-se no que está sendo estudado, a aprendizagem aumenta sobremaneira. A concentração centraliza a mente. Ela prende a tenção em detalhes específicos. A mente humana tem a capacidade incrível de concentrar-se. Ela está a todo instante recebendo milhares de estímulos, cada um dos quais capaz de armazenar-se em seus bancos de memória enquanto se concentra nuns poucos apenas. Esta capacidade natural do cérebro aumenta quando, com unidade de propósito, concentramos nossa atenção num desejado objeto de estudo.
Quando não apenas de maneira repetida canalizamos a mente num determinado sentido, concentrando nossa atenção no assunto, mas entendemos o que estamos estudando, então atingimos um novo nível.

A compreensão nos leva ao discernimento da verdade contida no texto e provê uma base sólida na percepção dessa verdade, de maneira que se torna clara para nós e para ser explicada. O estudo das Escrituras, como feita por um teólogo, começa com as Escrituras e com a mente aberta para ela. O Texto é a passagem ou trecho das Escrituras que vai ser estudado envolvendo os três itens acima: Repetição, concentração e compreensão, na verdade três passos que não podem deixar de ser levados em conta na hora do estudo.
Voltamos nossa atenção para os estudos anteriores, onde definimos as palavras-chaves da metodologia de estudo das Escrituras, a primeira palavra-chave é: Texto. Um resumo do que temos considerado até aqui.
Abordamos o texto para o estudo seguindo os três passos definidos nesta lição: repetição, concentração e compreensão.
“O vocábulo texto deriva do latim texere, que significa tecer, e que figurativamente quer dizer reunir, construir, compor e expressar o pensamento em contínuo discurso ou escrita. O substantivo textus indica então o produto do ato de tecer, o tecido, a trama, e, assim, no uso literário, a trama do pensamento de alguém, uma composição contínua” J. A. Broadus, O Sermão e o seu Preparo – Casa Publicadora Batista, 1967, Segunda edição, Rio de Janeiro, pág. 15.
Primeiro Passo No Estudo Crítico-Histórico-Literário das Escrituras – Estudo do Texto
Considere com atenção esta declaração de Jerônimo a propósito da Vulgata:
“De velha obra me obrigais a fazer obra nova… Qual de fato, o sábio e mesmo o ignorante que, desde que tiver nas mãos um exemplar (novo, ou da Vulgata), depois de o haver percorrido apenas uma vez, vendo que se acha em desacordo com o que está habituado a ler, não se ponha imediatamente a clamar que eu sou um sacrílego, um falsário, porque terei a audácia de ACRESCENTAR, SUBSTITUIR, CORRIGIR alguma coisa nos antigos livros? Um duplo motivo me consola desta acusação. O primeiro é que vós, que sois o soberano pontífice, me ordenou que o fizesse, o segundo é que a verdade não poderia existir em coisas que divergem…” Enciclopédia Barsa – Serviço de Pesquisa, No 1.976 – Carta de S. Jerônimo ao papa Damaso, a propósito da Vulgata. Extraído de: Introdução à Bíblia (I – Introdução Geral) de Caetano M. Perella, O. M. e Luigi Vagaggini, O. M. Edição da Editora Vozes. (parêntese e destaque são nossos).
Todo estudante do Curso de Teologia tem a obrigação de examinar com atenção a declaração de Jerônimo em que ele reconhece ter feito mudanças, acréscimos e alterações na Bíblia. Uma outra conceituada obra de consulta, a Enciclopédia Delta-Larousse nos informa que por outras obras de Jerônimo sobre as Escrituras e por causa, especialmente, de sua tradução para o latim (Vulgata), Jerônimo tornou-se o fundador “da exegese católica” Delta-Laroussse, Vol. VI pág 3.131. Surge assim uma interpretação muito apropriada aos interesses da Igreja que se configurava através de Concílios, pois sabemos que exegese é uma interpretação da Bíblia, que se for moldada nos padrões católicos resulta numa teologia católica.
O professor presbiteriano B. P. Bittencourt que é Doctoris Philosophian Pela Boston University, USA, e com pós-graduação na Rüprecht Kart Univertät, de Heidelgerg, Alemanha, no seu excelente livro: O Novo Testamento – Metodologia da Pesquisa Textual, Terceira Edição, Revista, Atualizada e Ampliada, Editora JUERP, Rio de Janeiro, na página 167, escreve:
“Sabe-se que a Vulgata é base sumamente fraca para uma tradução da Bíblia. Deve-se lembrar que Figueiredo traduziu a Bíblia no século 18, depois de muitas tentativas para a publicação de uma edição crítica dos textos originais e da Vulgata, e essas tentativas tornaram-se fonte de corrupção textual em vez de melhora. Frederic Kenyon, grande crítico inglês, diz sobre a Vulgata, quanto ao Novo Testamento, o que, sem dúvida, se poderia aplicar também ao Antigo: ‘Tanto quanto interessa a uma tradução do Novo Testamento, a Vulgata é meramente revisão das velhas versões latinas, mais ou menos boa, embora não exata nos Evangelhos, muito superficial nos outros livros’” Citando Handbook, pág. 218.
Notamos, portanto, que os eruditos reconhecem que a Vulgata não é exata nos Evangelhos, e muito superficial no resto dos livros, uma base sumamente fraca para uma tradução. Qualquer que se aventurar a fazer uma tradução da Vulgata para outra língua estará cometendo um sem número de erros. Portanto, a Vulgata Latina é uma clara demonstração de como a corrupção textual pode se perpetuar. Na página 127, o Dr. Bittencourt afirma o seguinte:
“Acaba o estudante de ver, metodicamente apresentado, as múltiplas e variadas formas que a corrupção textual tomou nos primeiros séculos da transmissão do texto do Novo Testamento”.
Diante de uma afirmação tão clara, como podem algumas pessoas ainda afirmar que a Bíblia não sofreu corrupção textual?
Começou a corrupção textual apenas com Jerônimo no quarto século? Não, a corrupção textual já tinha começado muito tempo antes dele. Tertuliano (anos 160-220) e que, portanto, viveu muito antes de Jerônimo já mencionava o fato de que os originais da Bíblia se tinham perdido e o que existia eram copias adulteradas, corrompidas da Bíblia. De Tertuliano o professor Dr. Bittencourt escreve:
“Embora Tertuliano faça referência a cartas autênticas em sua época, os originais já se haviam perdido e a corrupção textual já tivera início”. Pág. 118
Ainda sobre essa época chamada de “patrística” (relacionada com os ‘pais da Igreja’) e sobre a corrupção do texto o Dr. Bittencourt acrescenta:
“Orígenes… no seu comentário sobre Mateus queixa-se de que as diferenças entre os escritos dos Evangelhos se haviam tornado grandes, quer através da negligência de alguns copistas, quer através da perversidade audaz de outros, que alongam ou abreviam o texto”. Pág. 118.
Por favor, leia de novo o documento acima, examine cada frase e comprovará que nos primeiros séculos a Bíblia sofreu grande influência e muita coisa foi mudada, quer seja intencional ou casual. “Diferença entre os escritos dos Evangelhos”, isso não lhe diz nada? Não? Não é possível que você não veja o alcance desta frase de um erudito. Por essa razão, única razão, como teólogo, ou futuros teólogos, devemos ter em alta estima o texto original, na busca do mais autêntico e na restauração do sentido original da Palavra. Como verdadeiros e sinceros estudantes da Palavra de Deus voltamos nosso olhar e entendimento para o sentido semítico, isso para o Antigo Testamento, ou seja, o entendimento hebreu das Escrituras Hebraicas, posicionando o texto em estudo, se for do Antigo Testamento, no seu contexto histórico, que era o mundo semítico, numa cultura hebraica, da época da Palestina – Onde, como exemplo muito comum, o ato de rasgar a roupa e encher a cabeça de cinza era uma expressão de luto, dor e tristeza. Com relação ao Novo Testamento, cujas obras foram escritas em grego, nosso olhar como estudantes da Bíblia e nossa aproximação dela deve ser crítico (no sentido científico que essa palavra tem), devemos estar examinando cada frase, cada palavra somente à luz do que é mais próximo do original. Lembrando que o escritor da Bíblia quer sejam profetas, quer seja apóstolo, com raras exceções eram semitas, eram hebreus, numa época distante da nossa em que muitas palavras por eles usadas têm um sentido e um significado próprio para essa cultura e época. Como Teólogos devemos sempre confessar nossa fidelidade às Escrituras nos seus textos originais.
A Vulgata Latina, de Jerônimo ganhou valor e prestígio na Igreja de Roma, e foi considerada como a rainha das versões, tanto é, que até pouco tempo, no mundo inteiro, a missa (liturgia Católica) era ministrada em latim, porém, a Vulgata prevaleceu e prevalece ainda até hoje, mesmo que outras vozes se tenham levantado em protesto contra ela, como exemplo: pessoas que levantaram seu grito de protesto contra a Vulgata podemos citar um documento extraído da Enciclopédia Delta-Larousse, Vol. III, pág 1.116:
“Ulrico de Hutlen, defensor do humanista Reuchlin, que iniciara as controvérsias religiosas chamando a atenção para as traduções defeituosas da Vulgata”.
Ora! De novo você encontra uma declaração honesta, e se você é também honesto em sua fé, acredite que a Bíblia sofreu por causa de traduções defeituosas. Estamos considerando a Vulgata Latina porque foi ela que formou a base da maioria das traduções das Bíblias chamadas de Católicas. Nota: Isso será assunto de estudos mais detalhados na disciplina “História do Texto Bíblico”. Apenas mais um pequeno acréscimo sobre a Vulgata Latina.
Os Discursos Mudam a Mentira em Verdade
Gostaríamos agora que o estudante prestasse especial atenção nesta declaração de um cônego católico:
“O católico recebe a Sagrada Escritura como sendo a própria Palavra de Deus, recebe a garantia de que todos os livros da Bíblia, com suas diversas partes, tais como se apresentam na versão Latina chamada Vulgata, são inspiradas, isto é, têm como autor o próprio Deus, e assim sendo não podem conter erro algum”. Artigo do cônego Gustave Bardy, com imprimatur da Igreja Católica Apostólica Romana: Divione, dei XXa, octobris 1935 – Assinado por G. Jacquin, v. g. para a Enciclopédia Delta-Larousse, Vol. IV, pág 1.839.
Esta é uma afirmação, talvez, arrogante demais. Atribuir à Vulgata inspiração divina, é um discurso bem preparado para induzir os católicos a crer que a Bíblia não contem erros. Se nos já sabemos que o próprio Jerônimo, tradutor da Vulgata confessa que fez acréscimos, mudanças e correções nos Livros tradicionais, então é obvio que uma afirmação como a de cima é uma declaração improcedente.
Posteriormente, os papas Gregório VII (1073-1085) e Inocêncio III (1198-1216), usaram a autoridade da Igreja para conservar unicamente essa versão latina, a Vulgata, evitando qualquer outra versão ou tradução feita dos originais. O Concílio de Tousousse na França, em 1229, decretou que ninguém poderia usar outra versão da Bíblia que não fosse a Vulgata Latina, e para impor esse decreto a Igreja usou a Inquisição, que durante 400 anos perseguia e mandava matar qualquer pessoa que tivesse uma versão diferente da Vulgata Latina, como exemplo desses fatos podemos citar vários, bastam dois exemplos para uma amostra. Francisco Enzinas na Espanha foi encarcerado pela inquisição católica (1544), por ter traduzido e publicado o Novo Testamento em espanhol. Da mesma maneira lembramos de Miguel Servet, condenado à fogueira, sendo queimado lentamente pelo “crime” de discordar de traduções mal feitas.
Com estas considerações não queremos desfazer da Bíblia, mas fazer com que todo estudante de Teologia compreenda que devemos ter o máximo de cuidado no estudo da Bíblia para não cometer os mesmos erros do passado e ensinar o que não era original dos apóstolos e profetas. Quando ensinar um “assim diz o Senhor” que não seja falso, mas firmemente fundamentado no alicerce da Palavra.
Ainda hoje, em nossos dias, depois de 1965, logo após o Concílio Vaticano II, a Igreja de Roma começou as comemorações do dia da Bíblia, na semana do dia de 30 de setembro, data do falecimento de Jerônimo, que traduziu para o Latim a versão chamada Vulgata, versão que foi definitivamente oficializada no Concílio de Trento (1545).
Finalmente, para concluir esta parte relacionada com a Vulgata citamos de novo o Dr. Bittencourt:
“A fim de purificar o texto da Vulgata, várias edições foram feitas por Alcuino, Teodulfo, Lanfrano e Estevão Harding, durante a Idade Media. Cada tentativa de restaurar o trabalho de Jerônimo piorou o que existia. Daí resultar que os 8 mil manuscritos da Vulgata hoje conhecidos apresentam as mais curiosas contaminações. Chama-se Vulgata esta tradução de Jerônimo por ter esta versão grande circulação na Igreja Católica desde o sétimo século, e gozar da aprovação da Igreja Católica como versão autorizada, o que aparece, depois na forma explícita na primeira edição do papa Sixto V, em 1590, e do papa Clemente II, em 1592, até a Nova Vulgata, esta última edição foi feita por iniciativa do papa Paulo VI pela constituição apostólica em 25 de abril de 1979, época em que começou a circular. Esta nova Vulgata… apresenta inumeráveis alterações do texto de Jerônimo em matéria puramente estilística… sendo que a edição de 1590 já havia sofrido mais de 5 mil alterações”. Pág. 95-96.
Este documento do Dr. Bittencourt nos apresenta a informação de que a Vulgata foi tão infiel ao original que em 1590 foram feitas mais de cinco mil alterações e mesmo assim não foram suficientes para purificar o texto de Jerônimo. Terminando está primeira parte, em que foram examinados fatos e conclusões de eruditos sobre a Vulgata, fazemos algumas perguntas: Como um teólogo deve encarar os fatos? Como podemos ter certeza de que a Bíblia que temos em mãos não é mais uma outra “vulgata” com seus inúmeros erros? Como foi que a Versão de João Ferreira de Almeida chegou até nós? Como estudar a Bíblia? A resposta então se torna óbvia: Devemos aprender a estudar a Bíblia de maneira correta, para não fazer interpretações erradas que levem a conclusões também erradas. Neste Curso estamos aprendendo uma metodologia de estudo da Bíblia que nos levará a conclusões verdadeiras sobre a revelação divina.
Estamos na primeira parte do estudo – O texto – Considerando o que foi exposto sobre a Vulgata, concluímos que o Texto Bíblico em estudo, Deveria representar o conteúdo da mensagem que o escritor bíblico quis transmitir. Deveria ser a mensagem original, no seu contexto literário histórico. Deveria expressar a verdade. Quando usamos a palavra “deveria” no condicional, é porque todos sabemos a dificuldade que qualquer estudante das Escrituras encontra, pois as Bíblias em português são traduções e muitas vezes não é a mensagem nas palavras literais dos escritores originais. Muitas traduções já são, na verdade, uma INTERPRETAÇÃO do texto, portanto, NÃO é o texto original. Por causa disto devemos aprender a conferir a fidelidade da tradução que vamos estudar. Está ela de acordo com o sentido original? Expressa corretamente o pensamento do autor? Não houve modificação de palavras e frases no texto em estudo? Esta disciplina responderá essas questões teológicas.
A maioria dos brasileiros sabe que a Bíblia não foi escrita originalmente em português. De alguns anos para cá se tem popularizado em especial duas versões bíblicas uma chamada de Corrigida e outra chamada de Atualizada. Lembremos que a palavra “Versão” indica uma tradução da Bíblia para uma determinada língua e indica sua modalidade específica, por isso falamos em Versão Corrigida e Versão Atualizada. Nestas duas versões encontramos numa leitura de um mesmo texto diferenças em algumas palavras, na sua maior parte são diferenças de estilo (estilísticas) e não de conteúdo. Essas diferenças entre Corrigida e Atualizada, porém, não tem causado tantas questões como as suscitadas por Versões mais recentes que não são baseadas na tradução tradicional de João de Ferreira de Almeida, de 1748.
Se hoje um brasileiro, recém convertido, entrar numa livraria evangélica e perguntar por uma Bíblia para comprar ficará consternado e até confuso ao ver tantas Versões. Então surgem algumas perguntas que necessariamente devem ser respondidas. Pois na maioria das vezes é o pastor, ou líder de uma Comunidade Cristã que deve responder: Por que existem tantas Versões da Bíblia? Por que aquela Versão não tem todas as palavras que minha Versão tem? E se há palavras diferentes, e até palavras omitidas, qual é a Versão mais certa? Será que mais de uma pode ser correta? Se há somente uma certa, porque existem as outras e são também “Bíblia” – Palavra de Deus? Como pode uma instituição cristã vender aos crentes Versões contraditórias até?
Você está percebendo que estas perguntas podem surgir na mente de qualquer novo convertido e ir com essa pergunta para o pastor? Qualquer pessoa que entra numa livraria evangélica verá uma infinidade de Versões. Já fiz a experiência de fazer essas perguntas para um irmão encarregado de uma livraria, e a impressão que me causou a resposta foi que não havia tanto interesse no conteúdo da Bíblia, mas em ter uma variedade delas para poder vender a pessoas com diferentes gostos. Não queria ter saído da livraria pensando que era apenas uma questão de “comércio”, gostaria de ter recebido uma resposta mais perto da adequada.
Como então tirar proveito do estudo da Bíblia: Lembre que estamos até aqui estudando a primeira parte do método, ou seja, o que se refere ao TEXTO. Então, é significativo a esta altura ter uma resposta correta da pergunta: Por que existem tantas Versões da Bíblia? Se nos estamos estudando um texto, como podemos saber se o texto em estudo é o correto de acordo com a Versão que tenho em mãos?
A Importância de uma Tradução.
Quando o salmista escreveu que as Escrituras era uma luz no seu caminho (Salmo 119:105), com certeza estava se referindo às Escrituras Hebraicas que ele conhecia. Mas, para a maioria dos brasileiros que não conhecem Hebraico, não seria uma luz, pois, não entenderiam nada do que está escrito. A menos que as palavras hebraicas fossem traduzidas para o idioma nacional.
Se a fé vem pelo ouvir a pregação e o ouvir da pregação é da Palavra de Cristo (Romanos 10:17). Como então poderíamos ter fé se as Palavras de Cristo não fossem traduzidas. Agradecemos a Deus pelas traduções, e agradecemos mais ainda pelas traduções que se aproximam das fontes originais.
Voltemos nossa atenção para a problemática das Versões: imaginemos um professor de Bíblia ensinando sobre a parábola dos dois filhos (Mateus 21:28-32) e não entender porque seus alunos insistem em dizer que o primeiro obedeceu a seu pai, enquanto ele está lendo claramente em sua Bíblia que o segundo é que obedeceu. Se ele tivesse tomado conhecimento dos problemas crítico-textuais envolvidos neste texto, não teria sido apanhado de surpresa. A resolução deste enigma é que o professor está usando a Almeida Revista e Atualizada (desde agora: ARA) e os alunos estão usando a Versão de Almeida Revista e Corrigida (desde agora: ARC). Uma versão diz que é o segundo filho que obedeceu, enquanto que outra diz que foi o primeiro.
(Nota: O aluno deve guardar as abreviaturas das versões ARA e ARC).
Um bom modo de procurar estabelecer o texto certo, mesmo quando não se tem acesso ou condições de consultar um texto original com aparato crítico (veja nota), é consultar muitas versões do texto bíblico em estudo. Ler e comparar várias traduções pode mostrar variações devidas a problemas textuais (diferentes manuscritos usados como fonte de tradução), ou mudanças de entendimento na tradução do original. É importante lembrar que a maior parte das diferenças entre traduções (versões) é devida a este segundo fator. Entretanto, há casos em que um estudo minucioso comparando as diversas traduções ajuda a ver as diferenças devidas a problemas de transmissão do texto.
Nota: Aparato Crítico são as explicações em pé de página que se encontram nas Bíblias em Hebraico e Grego, explicando a razão das variantes. Variantes: são as diferenças de um mesmo versículo que se encontra entre vários manuscritos antigos.
A leitura de Colossenses 3:4 em várias versões mostra que há uma possível divergência de origem crítico-textual sobre qual o pronome certo que deve ser colocado ali: “nossa” (apoiado por ARA, ARC) ou “vossa” (apoiado pela Bíblia de Jerusalém [BJ], Bíblia na Linguagem de Hoje [BLH] e pela versão revisada de Almeida [VR]). Neste caso a divergência tem pouca importância para o sentido geral do texto (como a maior parte das variações textuais da Bíblia), mas é bom saber usar as traduções para encontrar estas variações. E, uma vez encontradas, elas são uma alerta para prestar maior atenção.
Antes de continuar, é importante dar uma palavra sobre as versões bíblicas. A ARC é geralmente a mais problemática nas questões crítico-textuais, por basear-se num texto grego preparado antes do desenvolvimento da crítica textual. Ela foi baseada no chamado Texto Recebido (Textus Receptus). Versões católicas como BJ e a Bíblia editora Ave Maria (BAM) são úteis por usarem textos críticos mais modernos. Porém, é necessária uma palavra de cuidado: as versões católicas são sempre influenciadas pela Vulgata Latina; e, por isso, muitas de suas decisões crítico-textuais não são imparciais. Sobre a BJ é necessário dizer algo mais: o espírito não ortodoxo de alguns comentários textuais aconselha o uso da mesma com reservas. A BLH e VR parecem ser as mais atualizadas no que diz respeito às variações dos textos, assim mesmo, parece que a BLH tem a tendência de emendar muito o texto do Antigo Testamento. A ARA é boa, embora não tão atualizada quanto esta última. A Mattos Soares (MS) serve para ver o que diz a Vulgata, já que não é uma tradução dos originais, mas da famosa versão de Jerônimo. Estas palavras sobre as versões são gerais, havendo necessidade de avaliar, em cada leitura, os méritos de cada uma delas.

Em Colossenses 2:2 vemos que a BJ segue um texto inferior ao seguido por ARC, ARA, BAM, BLH e VR. Como era de se esperar MS segue a Vulgata. Assim cada leitura das versões merece análise cuidadosa. No caso de Mateus 21:28-32, o texto da ARC é melhor do que o da ARA e VR.
Imaginemos uma cena: A Igreja onde foi convidado usava a Versão chamada: NVI Nova Versão Internacional, sabendo disso, e como a palestra tratava justamente sobre Versões, para iniciar pedi que abrissem a NVI em Atos 8:37, então eu li a passagem na minha versão: “Disse Filipe: Você pode, se crê de todo o coração. O eunuco respondeu: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus” Atos 8:37.
Os irmãos ficaram procurando o texto na NVI e para supressa comprovaram que Atos 8 tem o versículo 36 e então pula para o 38, omitindo o 37! A NVI não tem o verso 37 de Atos 8. Você estudante de teologia pode também fazer essa comprovação em qualquer livraria evangélica que venda a NVI. Isso ilustra o que estamos tentando ensinar. As Versões apresentam diferenças, e elas devem ser consideradas com cuidado a fim de não sair por ai pregando o que não é original.
Uma “Testemunha de Jeová” (errados na doutrina da Trindade) está visitando de casa em casa e para tentar provar a malfadada teoria antitrinitária faz com que o novo convertido leia 1a João 5:7-8 e apela para o argumento de que esse texto é uma interpolação (acréscimo posterior) e confunde o pobre irmão dizendo que todos os outros textos que falam da Trindade na Bíblia também foram acrescentados. O que é falso. Uma afirmação verdadeira, 1a João 5:7-8 foi de fato um acréscimo posterior, mas é falso afirmar que outros textos também são acréscimos.
Sobre 1a João 5:7-8, inserimos a seguir a explicação dada pela Sociedade Bíblica do Brasil SBB.
Estimado irmão,
Recebemos mensagem eletrônica do irmão argüindo-nos acerca do motivo por que algumas palavras de 1João 5.7-8 aparecem entre colchetes na tradução de Almeida Revista e Atualizada.
Sobre esta questão, precisamos compreender o significado dos colchetes na RA. Isto nos aprendemos ao ler no artigo “Explicação de Formas Gráficas Especiais, Títulos, Referências e Notas”, adendo ao “Prefácio à 2a. Edição”: algumas passagens do Novo Testamento aparecem entre colchetes. Estas passagens não se encontram no texto grego adotado pela Comissão Revisora, mas haviam sido incluídas por Almeida com base no texto grego disponível na época (Mt 6.13).
Almeida traduziu a Bíblia para a Língua Portuguesa no século XVII. O Novo Testamento em português ficou pronto em 1681. Almeida traduziu-o a partir de um texto grego denominado Textus Receptus (“o texto recebido”), que fora compilado pelo famoso humanista holandês Erasmo de Roterdã no início do século XVI. A tradução de Almeida a partir dos manuscritos que ele possuía em sua época cristalizou-se na chamada Edição Revista e Corrigida (RC), publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil e adotada por inúmeras denominações evangélicas em países de fala portuguesa, destacando-se Portugal e Brasil. A RC espelha bem o teor do Textus Receptus utilizado por Almeida.
Quando a tradução de Almeida já estava concluída, Deus permitiu que arqueólogos, historiadores e teólogos verificassem um considerável avanço no achado, recuperação e decifração de manuscritos bíblicos, alguns dos quais indisponíveis a Almeida na época em que traduziu a Bíblia. A Edição Revista e Atualizada (RA) surgiu em 1956 em decorrência dessas novas descobertas, quando a Comissão Revisora da Sociedade Bíblica do Brasil achou por bem confrontar o texto de Almeida com os novos manuscritos encontrados. A RA passou por uma segunda revisão em 1993, afinando ainda mais o texto bíblico aos textos originais em hebraico, aramaico e grego, pelo que é uma das mais amadas e adotadas traduções da Bíblia Sagrada no Brasil e no exterior.
Dito isto, fica um pouco mais simples compreender a diferença de tratamento dado àquelas palavras de 1João 5.7-8 na RC e na RA. Na primeira – que corresponde à tradução mais antiga de Almeida – as palavras “no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra” constavam do texto original grego utilizado pelo tradutor. Já na RA, confrontando-se a tradução de Almeida com os manuscritos encontrados (mais antigo e, portanto, mais próximos do tempo em que João escreveu sua primeira carta) e desde que as referidas palavras não contradizem nem ofendem a mensagem bíblica da salvação em Cristo Jesus, estas palavras foram colocadas entre colchetes. Com isto, a RA respeitou o trabalho valioso de João Ferreira de Almeida, sem, contudo, ter aberto mão da fidelidade ao melhor texto original grego a que se tem acesso nos dias atuais.
(Nas traduções desenvolvidas pela própria Comissão de Tradução da Sociedade Bíblica do Brasil, todavia, como é o caso da Bíblia na Linguagem de Hoje, as palavras questionadas de 1Jo 5.7-9 foram eliminadas por completo do texto bíblico).
Por fim, acerca da procedência das palavras questionadas de 1Jo 5.7-8, convém mencionar a opinião do Dr. Bruce Metzger, uma das maiores autoridades atuais sobre os manuscritos gregos do Novo Testamento, que coopera com as Sociedades Bíblicas Unidas, a fraternidade da qual a Sociedade Bíblica do Brasil faz parte. Conforme o Dr. Metzger, todos os manuscritos gregos mais antigos do Novo Testamento (datados dos séculos II e III) omitem as palavras “no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra” em 1Jo 5.7-8. Estas palavras só começaram a aparecer em comentários e sermões sobre o texto de 1João no final do século IV e, muito posteriormente, em um manuscrito latino do século XIII. Segundo o Dr. Metzger, as palavras aqui em questão podem ter sido o comentário que um copista (pessoa encarregada de copiar a Bíblia na Idade Média) fez na margem do pergaminho em que trabalhava; um copista posterior, ao tomar o manuscrito mencionado como texto base para sua cópia, incorporou o comentário marginal do seu outro colega ao texto bíblico, erro que mais recentemente foi descoberto sem grandes dificuldades pela comparação dos manuscritos mais recentes com os mais antigos.
Sendo isto para o momento, agradecemos muitíssimo sua paciência e atenção. A Sociedade Bíblica do Brasil faz votos de que o irmão continue sendo um leitor fiel e dedicado da Palavra do Senhor, fonte de orientação e consolo eternos.
Cordialmente em Cristo,
p/ Comissão de Tradução
Sociedade Bíblica do Brasil
traducao@sbb.org.br
A leitura de várias versões contribui, como já dissemos, para a compreensão do TEXTO apresentando as diferentes maneiras de traduzir o original para o português. Geralmente as traduções convergem para um mesmo sentido, usando palavras diferentes. Isto já explica muitas coisas para o estudante de teologia. Ocasionalmente, haverá divergências de sentido entre elas: nestes casos é necessário um estudo mais detalhado.
O texto de Colossenses 2:15 apresenta uma pequena dificuldade de tradução percebida pelos que não podem ler o original, na comparação das traduções. ARC diz: “… triunfou em si mesmo”, enquanto ARA (e também VR, BJ, BLH, BAM) diz: “… triunfando… na cruz”. A diferença de sentido não é grande, mas há uma diferença. Neste caso as duas traduções são possíveis, mas a última é a melhor, pela gramática e pelo contexto. Entretanto, àqueles que não podem ler o texto grego resta apenas constatar o problema e aguardar auxílio externo para resolver a questão. De qualquer forma, é bom sempre antecipar os problemas, ficando atentos às possíveis contribuições na sua resolução.
É importante NÃO usar versões esquisitas ou contaminadas como a dos auto-denominados “Testemunhas de Jeová”. Se tiver uma, veja a adulteração flagrante do texto em Colossenses 1:15-20 em favor de sua blasfêmia da “criação” de Jesus. Versões desse tipo só atrapalham. Além de não terem sido feitas com base nos originais (são traduções de traduções), elas só podem nos fazer incorrer nos erros incorporados ao texto dessas “versões”.
Um pouco deste cuidado deve ser usado com respeito a todo tipo de Bíblia com notas e auxílios nas margens e rodapés. A Bíblia de Scofield é uma destas que não recomendaríamos a quem deseja fazer um estudo sério. O sistema de notas empregado direciona o intérprete a um sistema teológico completamente estranho ao dos escritores inspirados. A Bíblia Vida Nova é menos culpável de direcionamento doutrinário do que a de Scofield, mas também se deve ter cuidado ao examinar algumas de suas orientações doutrinárias. Não deve ser usada como ferramenta inicial de trabalho. Se o aluno quiser, pode usar a Bíblia Vida Nova no momento que for consultar os comentários: neste ponto ela é uma fonte útil de informação e esclarecimentos. O mesmo conselho se estende às versões católicas com anotações. Com relação à chamada de Bíblia Viva, na verdade ela não é uma versão; mas uma paráfrase. É quase um comentário, e sendo assim, é melhor utiliza-la mais tarde, nos estudos. A consulta de comentários bíblicos encontrados ao pé de página de muitas Bíblias comentadas, não deve servir de base para a formação doutrinária, mas apenas como fonte de consulta crítica e geral. Por que? Por esses comentários tem o sabor e influência de seus autores humanos, da mesma forma como será um absurdo elaborar uma teologia e uma doutrina com base nos títulos de parágrafos e de capítulos, esses títulos de parágrafos e capítulos são acréscimos posteriores.
Uma vez estabelecido o texto certo pela consulta do texto original, seja hebraico, aramaico ou grego e a comparação de várias traduções, ficamos prontos para a segunda etapa do tratamento do texto: estabelecer a estrutura do texto. Assunto de nossa próxima lição.

Estabelecer a estrutura do texto é compreender que tipo de material escrito está diante de nós e qual a forma de sua apresentação. É neste momento que devemos compreender as relações gramaticais e sintáticas do texto. Também é o momento de avaliar os recursos literários de que o autor lançou mão.
A simples divisão dos capítulos e dos versículos não pode ser usada como base para a estruturação do texto bíblico. A divisão em capítulos do Novo Testamento foi feita em 1206 por Stephan Langton, (posteriormente arcebispo de Cantuária); a divisão em versículos é de 1551, feita por Roberto Estevão (Stephanus) impressor parisiense. “Tem sido dito freqüentemente que Stephanus fez sua divisão em versos enquanto andava a cavalo e ao sabor do balanço do animal, o que, embora não se possa provar, perece ser verdade, pois há lugares onde a divisão é inteiramente arbitrária”. Bittencourt, B P. – “O Novo Testamento – Língua – Cânon – Texto”, São Paulo, ASTE, 1965, 1ª Edição, págs 172-173.
A divisão em parágrafos já constitui melhor ajuda para o estudante. Em Colossenses 4:1 temos o exemplo de uma divisão de capítulos infeliz. O problema se agrava em Versões como a ARA que transformam 4:1 em um parágrafo novo, destacado de 3:18-25.
Devemos compreender que 3:18 até 4:1 é uma estrutura literária única e deve ser tratada como tal. É possível dividi-la em subparágrafos como fez a BLH, mas mesmo assim, deve ficar claro que todos eles formam uma “tábua de conselhos domésticos”.
Os livros bíblicos podem ser encarados como representantes de diferentes tipos de literatura. As epístolas são comparadas a cartas, enquanto o livro de Apocalipse já pertence a outro gênero literário (Apocalíptico-profético). Isaías tem características completamente diferentes dos evangelhos.
Na medida do possível ler e adquirir o livro: “Entendes o que Lês?” de G. D. Fee e D. Stuart – Edições Vida Nova.
O entendimento do tipo ou natureza de literatura não deve abranger apenas o aspecto global do livro, mas também o trecho específico que estamos estudando. Os gêneros literários podem variar muito dentro de um mesmo documento. Nos Evangelhos (que são um gênero literário incomparável) temos discursos, narrativas, parábolas, citações do Antigo Testamento, milagres e sumários. No livro de Daniel, metade do livro é composta de narrativas e a outra metade de visões e interpretações das mesmas. Devemos então especificar a natureza literária do texto que estamos tratando em particular. Podemos ter oração a Deus, exortação, discurso profético, citação do Antigo Testamento, narrativa, alegoria, discurso didático, polêmica, citação de um documento histórico, explicação editorial, sumário ou resumo, cântico ou poesia, simbolismo, parábola, relato de milagre, etc. Uma variedade enorme de gêneros e tipos pode compor um único documento. Não devemos ser absolutamente técnicos na classificação destes gêneros, mas é preciso aprender a diferencia-los e entende-los. Por exemplo: A carta aos Colossenses de Paulo tem sido dividida em duas partes: Doutrinária e Parenética (ou prática). Embora esta classificação seja primária, é, em geral verdadeira. Saber situar um texto em uma ou outra destas partes da carta está incluído no processo de caracterizar o tipo de texto que estamos estudando. Sendo assim, notamos que o texto de 4:7-17 de Colossenses pode ser classificado como “notícias”, notas pessoais, recados e saudações. O importante é notar que tem características próprias em relação ao resto do livro.
A observação de partículas como: “portanto”, “porque”, “pois” e “ora” é muito importante. Elas mostram o relacionamento de subordinação ou coordenação de frases ou de seções inteiras da carta. Em Colossenses 3:5 a palavra “pois” liga o que segue com o que foi dito anteriormente. Os colossenses deviam “fazer morrer a natureza terrena” por participar das coisas do alto (3:1-4). A palavra “pois” está ligando os pensamentos. Está marcando a transição da causa para o efeito.
Observar os recursos literários que o autor empregou em sua obra é também parte da boa observação da estrutura do texto. Recomendamos que o estudante da Bíblia saiba identificar figuras de linguagem no texto (figuras de palavras, de construção, e de pensamento). É útil recordar este assunto em uma gramática. Esta compreensão ajuda a não perder a mensagem do escritor por não entender o veículo que ele utiliza para transmiti-la.
“Língua dos anjos” em 1ª Coríntios 13:1 é uma hipérbole. Há uma fina ironia na palavra “justos” em Marcos 2:17. A designação de Cristo como “cabeça” da igreja, o “corpo” é uma metáfora (Efésios 5:22-33). A expressão “carne e sangue” como se encontra em Gálatas 1:16 substitui a idéia de pessoas, sendo, portanto, uma sinédoque. Mais importante do que saber nomear estas figuras de linguagem ou modos de falar é identificá-las.
“Produzindo fruto” em Colossenses 1:6 é uma destas figuras (metáfora) e é facilmente entendida como tal, mas o que dizer de “toda criatura debaixo do céu” em 1:23: é literal (impossível), é sinédoque (criaturas – homens), ou é uma hipérbole (exagero)? Neste último caso a compreensão fica muito alterada, conforme a figura que identificamos. “Luta” em 2:1 é uma bela metáfora para descrever o ministério cristão! E assim, a estrutura e natureza do texto ficam cada vez mais claras.
Enfim, mesmo sem buscar termos técnicos para definir o que está vendo, o estudante da Bíblia deve ficar atento a todo tipo de padrão ou estrutura que o ajude a entender a direção que o texto está tomando.
O USO DO DICIONÁRIO PORTUGUÊS
O dicionário português é uma das primeiras necessidades do leitor da Bíblia. A linguagem da Escritura é nobre, e muitas vezes a dificuldade de compreensão começa no nível de entendimento dos vocábulos. Os exemplos são muitos: o que são “chocarrices” em Efésios 5:4? Poucas pessoas sabem o que quer dizer esta palavra em português “normal”. O que é “dolo”? Talvez os advogados conhecem bem o termo, mas não as pessoas comuns. O que é o “geco” (Provérbios 30:28)? Há bons dicionários que não definem este termo, quanto mais os que não conhecem este regionalismo. O uso do dicionário português, nestes casos, é essencial.
Neste momento do estudo, procura-se ter uma compreensão inicial do que o texto estaria dizendo. Será uma compreensão provisória, mas importante como alicerce do trabalho posterior. Não é possível ir até as próximas etapas se não conseguirmos ler o que o texto pode estar dizendo
O dicionário português não será usado apenas para palavras que não entendemos, mas para todas as palavras que julgarmos necessário estudar. Isto é recomendável, pois a função do bom dicionário é definir o sentido das palavras no uso cotidiano. Precisamos saber todas as possíveis significações atuais do vocábulo, para buscar, posteriormente, a
que mais se adapta ao sentido bíblico naquele texto e contexto. O dicionário, portanto, não está errado em definir “batizar” como “pôr nome, alcunha ou epíteto a” entre outras
coisas: ele está mostrando como as pessoas usam e compreendem este verbo na atualidade. Este não é o significado bíblico do termo, mas é como muitos entendem erroneamente o texto bíblico. Torna-se então, importante saber como o dicionário classifica e ressalta o uso comum de um termo para saber explicar o que realmente a palavra de Deus quer dizer com ele.
Todo cuidado é pouco no uso do dicionário português. Ele se assemelha a uma pesquisa de mercado: não emite juízos sobre o certo ou o errado, mas apenas diz qual o uso popular do termo. O dicionário define palavras pelo uso que se faz delas, logo o dicionário em português não basta em nosso estudo. De forma alguma ele deve ser considerado um “juiz” para resolver os dilemas de significado.
Em boa parte dos casos o dicionário português nos dá sinônimos da palavra, o que é muito útil no entendimento e transmissão do seu significado a outros. A paráfrase utilizará muitos destes significados paralelos ou sinônimos, se forem corretos.
Estabelecer o texto certo, assim como estabelecer a estrutura do texto, são as primeiras tarefas do estudante da Bíblia (teólogo). A partir de então há segurança para uma análise do contexto, a estrutura maior onde o nosso texto está inserido. Este trabalho se faz por meio de leituras repetidas do texto, inclusive de versões diferentes. O teólogo conhece bem o texto antes de fazer seu estudo mais detalhado. Porém o texto está rodeado de um contexto, não é uma ilha literária, o texto faz parte de um conjunto e será esse conjunto que nos vamos estudar agora: O CONTEXTO.
Estudando uma abordagem ao contexto em estudo, vamos definir o que é um contexto: É o ambiente da passagem bíblica. Ele é composto pelos versículos que rodeiam a passagem estudada: os anteriores e posteriores, no livro estudado. É também o mundo que rodeia a passagem, sendo especificamente o mundo do escritor e dos receptores dessa mensagem bíblica. O contexto contém, portanto, elementos históricos, culturais, literários, lingüísticos, além de espirituais. Em alguns textos o contexto pode ter vários níveis: o contexto histórico da narrativa, o contexto literário da narrativa no livro que a contém e o contexto do autor e dos leitores, que pode ser diferente dos dois primeiros. Sendo o contexto “o todo do qual o texto é parte”, ele é a chave para compreender o argumento inteiro.
Usando a metáfora do teatro, o contexto é principalmente o cenário e o “pano de fundo” onde a peça se desenrola; secundariamente é também o “pano de frente”, isto é, as cortinas, a reação do público, etc. Ou seja, tudo o que contribui para a melhor compreensão da peça.
A importância do contexto.
Não é possível falar demais sobre a importância do estudo do texto no seu contexto. Iremos apresentar agora alguns itens para mostrar este fato. Os princípios e exemplos citados servem de incentivo a uma boa pesquisa do contexto, e já ensinam como trabalhar com ele.
1 O contexto ajuda a não torcer a Palavra de Deus. Os que deturpam ou torcem a Palavra são chamados de ignorantes e instáveis (2a Pedro 3:16). Estes termos descrevem não apenas o caráter destes “torturadores da Palavra”, mas também seu modo de estudar a Bíblia: são despreparados e sem alicerce para o estudo. O contexto fornece preparo e alicerce sólido para uma boa exegese. Uma frase como “a ressurreição já se realizou” pode ser a afirmação de uma verdade, como a ressurreição espiritual que indica o cumprimento da “nova vida em Cristo” (Colossenses 2:12 e 3:1), ou a declaração de uma heresia (2a Timóteo 2:17-18); tudo depende do contexto em que essa frase é interpretada.
2 O sentido correto da Bíblia vem do contexto. Esta é quase uma repetição do que dissemos acima. Pensemos em um caso específico como, por exemplo: o que é a blasfêmia contra o Espírito Santo? Todo tipo de resposta tem sido dada para esta questão. Há quem associe este pecado com a de “mentir ao Espírito Santo” de Atos 5:3, 4, 9. Outros gostam de responder citando o misterioso “pecado para a morte” de 1a João 5:16-17. Hebreus 6:4-8 também entra na lista das explicações propostas. Qual destas é a melhor explicação?
O problema mencionado acima seria facilmente resolvido se, antes de tudo, tivéssemos buscado o texto que fala da blasfêmia contra o Espírito Santo e estudado o texto no seu contexto. Marcos 3:28-29 é um dos trechos que falam deste assunto. Observando o contexto notamos que os escribas estavam atribuindo o poder de Jesus sobre os demônios ao próprio diabo. Jesus argumentou mostrando que isso não era lógico, pois o diabo não iria destruir seu próprio domínio. A expulsão dos demônios, ao contrário, apontava para o fato de que Jesus era mais poderoso de que Satanás. Foi neste momento que Jesus falou sobre o pecado contra o Espírito. No último versículo deste parágrafo há uma explicação chamada “editorial”, ou seja, do autor e não de Jesus. “Isto porque diziam: está possesso de um espírito imundo” Marcos 3:30. Grifamos a expressão “isto porque” para mostrar que ela já é uma resposta, mostrando do que se trata a blasfêmia contra o Espírito Santo. Blasfemar contra o Espírito, em Marcos, é atribuir ao diabo a obra do Espírito; é a rebeldia de não aceitar a maior evidência que Deus pode dar, na atuação de Seu Espírito.
Poderíamos trabalhar mais ainda com o contexto de Marcos e ampliar a resposta, mas o que foi feito basta para mostrar a importância do contexto e para deixar uma advertência: cuidado com as associações de certos textos com outros que nunca foram escritos para serem ligados entre si num mesmo contexto.
3 O sentido correto das palavras vem do contexto. Isto é normal em qualquer língua do mundo. O verbo “apanhar” pode ter sentidos completamente diferentes. Por exemplo: “O menino desobediente apanhou do pai” usa o verbo em um sentido diferente da frase: “O menino apanhou do chão a carteira do pai”.
No estudo da Bíblia, e esse é o tema desta disciplina, isto é muito importante. Há uma tendência de definir uma palavra de antemão e depois tentar impor esse sentido a todos os textos em que ela ocorre. A Melhor prática é observar o sentido que a palavra assume em função dos vários contextos em que essa palavra é usada, e só então definir o conceito geral do texto em questão. Uma comparação entre Tiago 2:24 com Efésios 2:8-9 leva alguns a pensarem numa contradição. Quem estaria errado: Paulo ou Tiago? Martinho Lutero ficou do lado de Paulo, e considerou o escrito de Tiago como algo de pouco valor. Não precisamos ir a extremos como estes, basta reconhecermos que as palavras “fé” e “obras” estão sendo usadas em sentidos diferentes em cada um dos textos, pois se trata de épocas diferentes na vida de Abraão. Esta atribuição de significados não é arbitrária: é decorrente de uma análise cuidadosa dos contextos.
4 O contexto é a garantia da verdade nas escrituras. “Um texto fora do contexto é um pretexto” diz o adágio dos estudos de exegese. Qualquer um pode ensinar o que quiser usando a Bíblia, se conseguir ignorar o contexto. Até o diabo fez isso, tirou o texto do contexto para tentar Jesus. Satanás citou parte do Salmo 91 (verso 11 em parte e todo o verso 12) fora do contexto. Ele até omitiu uma parte de sua citação, a fim de favorecer seu argumento. De qualquer forma, o Salmo 91 fala de confiar em Deus e não de usar Deus. É Deus quem decide (verso 14), e não há como obrigar Deus a fazer de outra maneira. (Lucas 4:10-11).
Muitos livros de “doutrina” ou de apologética (polêmica religiosa) têm essa tendência. No calor da disputa, quase ninguém se lembra de perguntar o que o texto significa no seu contexto, mas apenas se ele é conveniente para “dizer o que eu quero que ele diga”. O melhor modo de estudar as Escrituras é aprender a pensar de acordo com o contexto: é aprender a extrair a mensagem inteira de textos longos; é também ler como leram os primeiros leitores.
Lembro de uma historia que ouvi, se ela é verdade não posso afirmar, por isso a passo aos alunos da forma como a escutei. Um certo obreiro foi convidado a participar de um congresso. Ele viu nesse convite uma oportunidade de ganhar um dinheiro extra, e mandou imprimir mil camisetas com o logotipo e o lema do congresso. Arrumou uma mesinha na entrada do local de reuniões e colocou o filho como encarregado de vender as camisetas. No último dia de reuniões, foi verificar o resultado se seu negocio e viu com surpresa que só tinha vendido vinte camisetas, horrorizado comprovou que estava com um prejuízo de 980 camisetas. Como ele tinha o sermão de encerramento, subiu aquela noite no púlpito, e disse:
“Amados irmãos, hoje eu tenho uma mensagem de Deus para vocês”. – Aleluia! Exclamou entusiasmada a platéia que lotava o recinto – “Deus falou comigo!” – continuou o pregador – E Ele diz, com voz clara e audível que eu deveria seguir a Bíblia e que eu deveria obedecer também o que ela diz. Então eu pergunte a Deus. O que eu devo fazer Senhor? Eu fiz a mesma pergunta de Paulo no Caminho de Damasco. Então o Senhor me respondeu: “Abra a Palavra e leia, leia e obedeça!”.
“Irmãos, então, tomei a minha Bíblia e abri, a leitura que o Senhor me mostrou estava em Marcos 10:21. O Senhor me diz, pela sua Palavra: “Vai, vende tudo…”.
“Agora eu tenho que obedecer e vocês têm que cumprir essa ordem do Senhor, eu estou com 980 camisetas ali na entrada, elas são abençoadas pelo Senhor, e Deus me diz: Vai vendo tudo, por isso eu não posso sair daqui até não ter vendido até a última delas. Irmãos… Está escrito, vai e vende tudo, eu tenho que obedecer”.

Não sei se é verdade, mas essa história ou estória ilustra muito bem o que estamos querendo passar a nossos alunos, muitos textos das Escrituras são usados para afirmar as mais estranhas coisas, e mal usados para desculpas suspeitas, sem falar nas inumeráveis heresias que são o fruto de um punhado de textos fora do contexto. Portanto, se não pesquisarmos bem o contexto de uma passagem bíblica, corremos o perigo de ensina-la fora de seu sentido original, em interpretações que não passam de tentativas de achar um significado para ela.
No estudo do contexto há um fator importante a ser considerado, que é o estudo da palavra em se mesma. As palavras são comparadas a tijolos com os quais a comunicação seja ela falada ou escrita, é construída. O correto significado das palavras é a chave numa comunicação correta. Se você deseja se comunicar e se fazer entender, deve conseqüentemente empregar o correto uso das palavras, em especial com um significado apropriado. No estudo das Escrituras nada é tão importante como o estudo original das palavras. Depois de estudar o texto e seu contexto devemos fixar nossa atenção nas palavras. Vamos definir o estudo de palavras – É a atividade de descobrir o significado original de uma palavra no texto bíblico. Lembremos que as palavras transmitem idéias, expressam sentimentos, indicam ações e demonstram qualidades. Nosso alvo como teólogos será entender o significado que as palavras tinham para o autor bíblico que a empregou, e que conseqüentemente há de ser o significado dos primeiros leitores da obra. Devemos nos colocar como leitores na época em que autor usou a palavra para expressar suas idéias. Nos veremos porque. Um estudo cuidadoso é necessário, visto que as línguas se modificam de geração para geração, e não desejamos descobrir o que a palavra pode significar hoje, mas, sim, o que ela significou originalmente.
Há palavras na Bíblia cujo significado bíblico difere do sentido moderno. É o caso da palavra “piedade” como é empregada no Novo Testamento. Conforme o uso dos autores do Novo Testamento “piedade” significa temor a Deus, respeito e reverência em relação a Deus. Ou seja, piedade é o que devemos ter em nosso relacionamento com Deus, um adjetivo derivado explica melhor este sentido: Piedoso. O sentido moderno da palavra “piedade” é completamente diferente, significando dó, pena, uma demonstração de compaixão. A palavra hebraica, empregada no Antigo Testamento também significa dó, pena e compaixão. Portanto, estamos também diante de um caso em que, pelo menos nas versões, há diferença de sentido das palavras de Testamento para Testamento. Se você consulta um dicionário verá a explicação dos dois sentidos, porém o mais conhecido é o sentido que expressa um sentimento de dó e pena por outros. No Novo Testamento não ocorre este uso, mas apenas aquele em que “piedade” é o modo certo de relacionar-se com Deus. Este exemplo ilustra a necessidade de fazer um bom estudo de palavras na pesquisa e relação entre Texto, Contexto e Palavra.
O estudo de palavras também é importante pelo fato de nossas versões fazerem uso de termos que mudaram de sentido. A palavra “caridade” é um bom exemplo. Nas versões antigas (como ARC) este termo é o principal para designar o “amor” (ARA). De acordo com o dicionário, este último uso é o mais correto. Mas talvez a “caridade” seja entendida como amor a Deus em algumas regiões do Brasil, porém, em geral, o termo “caridade” é mais associado a atos de benevolência (dar esmolas) do que com a dedicação e amor a Deus. Os tradutores bíblicos, ao empregar a palavra “caridade” talvez desejassem imprimir um sentido mais nobre e elevado a esta palavra grega, pois geralmente se emprega em grego a palavra “ágape” em contraste com “fileo”. Portanto, as diferenças de sentido das palavras como usadas em versões bíblicas é um forte incentivo para o estudo das palavras.
O estudo de palavras não é, porém, feito apenas para evitar usos seculares e errôneos de um termo. É bom lembrar que existem diferenças no sentido das palavras de contexto para contexto. A palavra “carne” é um exemplo deste tema. Esta palavra: “carne” pode significar literalmente a parte do corpo que está em contraste com os ossos (Lucas 24:39), onde Jesus mostra que mesmo após a ressurreição ele tem “carne” e ossos. Pode também significar o corpo todo (Colossenses 2:5 – “ausente quanto à carne…” Original grego) palavra que é traduzida corretamente como “corpo”. A palavra carne pode significar ser humano, como em João 1:14, onde se explica que o Verbo (Jesus) se fez carne (não só carne, mas também ossos, pele, sangue, etc), isto é, um ser humano. Pode também significar a descendência humana e mortal como em Romanos 1:3. Pode significar o lado exterior ou terreno da vida (Filipenses 3:3-4). Pode ser usada para designar o instrumento voluntário do pecado, ou a nossa natureza cheia de pecado (Romanos 7:5, 18, 25; Gálatas 5:13, 16-17; Judas 23). Notamos em especial que todos estes sentidos são bíblicos e corretos, mas o significado muda de acordo com o contexto. É possível indicar o sentido exato do termo em todos os contextos em que aparece. Aqueles que insistem em afirmar que uma palavra tem sempre o mesmo significado, sem ter feito antes uma boa pesquisa para chegar a essa conclusão, eles correm o risco de ensinar o erro e cair em contradição. Qual é então a regra? Há termos com um só significado, mas encontra-los depende da pesquisa. Da mesma forma, afirmar vários sentidos para um termo é algo que tem de ser provado. Mais uma vez o contexto é a chave para encontrar o exato sentido das palavras. O estudo de palavras para uma explicação correta da Bíblia é encontrar o sentido da palavra no texto e contexto que está sendo estudado e analisado.
Algumas palavras bíblicas evocam significados próprios à luz de sua história. É o caso da palavra “ágape” (traduzida como: amor), que é definida em termos bíblicos pelo ato de Deus em enviar Jesus ao mundo para ser oferta pelo pecado. Somente à luz da história bíblica é que o termo adquire seu sentido pleno. Assim também palavras como “Reino”, “sacerdócio” e “unção”. O estudo da sua história é a chave para entender o pleno significado dessas palavras.
Certas palavras bíblicas têm um significado técnico específico, ou até podemos dizer, um uso teológico do termo. Por exemplo: a palavra “sacrifício” e seus cognatos, sempre evocam e se referem (literal ou figurativamente) às ofertas rituais do Antigo Testamento, jamais significando “passar privações” ou “sujeitar-se a uma situação difícil” O termo é técnico na Bíblia e é usado para explicar o abate de animais em oferecimento a Deus. A palavra Abba, não traduzida, mas sempre transliterada, as vezes como Aba, é um termo técnico que quer dizer “Pai” em sentido mais pleno do que apenas “pai”. (Marcos 14:36; Romanos 8:15; Gálatas 4:6), expressa em sentido mais amplo o modo de Jesus orar a Deus, e posteriormente a igreja orar.
Há palavras que possuem vários significados e às vezes esta compreensão é essencial para o entendimento do texto. A palavra grega “diatheke” é usada para significar tanto “testamento” como “aliança” em Hebreus 9:15-20. Os dois sentidos do termo são usados em um mesmo contexto para ilustrar um argumento do autor. Somente um cuidadoso estudo das palavras pode tornar entendível a diferença no uso da palavra.
Há casos em que uma palavra possui um sentido quase intraduzível para o português, o que é em grego ou hebraico uma única palavra, deve ser traduzida em muitas palavras. Por exemplo: a frase “Enviados, pois, e até certo ponto acompanhados” que tem em português sete palavras em grego é uma só (Atos 15:3).
Certas palavras são pictóricas, ou seja, são usadas para evocar um quadro na mente do leitor. Os filipenses eram cidadãos romanos, pois sua cidade era uma colônia romana. Viviam como romanos. Então Paulo usa a palavra “vivei” em Filipenses 1:27 como uma expressão que estabelece os direitos do cidadão de um reino. Evoca a idéia dos cristãos vivendo como cidadãos do reino de Deus, procurando viver nessa conformidade. O estudo da palavra ajuda a ver melhor o quadro pintado por ela (ARA coloca uma nota neste verso para tentar preservar a imagem sugerida por Paulo).
Algumas palavras possuem sinônimos e antônimos que ajudam a conhecer e especificar melhor o seu significado. É o caso da palavra “novo”. Pode ser a tradução de dois termos originais no Novo testamento grego – “neos” ou “kainos”. A primeira designa mais a idéia de novo em tempo e, a segunda, a idéia de novo em qualidade. Há casos onde as duas palavras têm o mesmo significado e sentido (Mateus 9:17), e outros casos em que o sentido diferente é importante para se ter uma melhor compreensão do texto (2a Pedro 3:13) Uma nova qualidade de céus e terra. Em Lucas 5:39 um vinho “novo” recém fabricado. Da mesma forma o uso de antônimos facilita o entendimento: “Velho” homem contra “novo” homem (Efésios 4:22, 24) kainos; (Colossenses 3:9-10) neos.
Há termos cuja etimologia é importante ou instrutiva. Tomemos por exemplo: a palavra “santo” (em hebraico = qadosh). A origem desta palavra é uma raiz que significa “separação” ou “extirpação”. Nesta origem, ou estudo etimológico, há, portanto, uma boa ilustração no sentido da palavra. Palavras como “Igreja” (Ek-klesia), “evangelho” têm origem etimológica, formação histórica interessantes que nos ajudam a compreender melhor o uso da palavra.
Há palavras que se conhecem como palavras aparentadas, cuja relação é importante e útil. As palavras “graça” e “dom” em português, são traduções de “charis” e “charisma” em grego. As palavras vêm de uma mesma raiz e a definição ou ilustração de uma pela outra ajuda a entendê-las.
Há palavras que não foram traduzidas, mas transliteradas: Batismo, diácono, presbítero, etc, são termos não traduzidos, mas transliterados; ou seja, a palavra é igual (ou quase) ao termo grego original, escrito com letras do nosso alfabeto. A idéia original do termo só aparece através do estudo da palavra em sua origem: Batismo = imersão.
Palavras teologicamente importantes. Há palavras que encerram um vasto conteúdo ou implicação teológica e, portanto, merecem toda nossa atenção. Por exemplo: a palavra “resgate” em 1a Timóteo 2:6 é importante para compreender a natureza da obra salvadora de Jesus. Palavras como “justificação”, “graça”, “perdão”, “comunhão”, “adorar” e salvação entre muitas outras, sempre merecem estudo e consideração.
Poderíamos citar outros inúmeros casos, mas estes são os mais comuns. Apenas para enfatizar o fato de que estudos deste tipo, estudos do texto, do contexto e de palavras é que nos ajudam a deixar os preconceitos de lado e encarar a verdade bíblica com toda sua pureza.
Nos estudos anteriores concluímos assuntos importantes de como devemos estudar com proveito e acima de tudo com exatidão as Sagradas Escrituras, agora vamos analisar a Paráfrase. Vamos chamar de Paráfrase ao resultado do estudo, ou seja, são as conclusões às quais chegamos após tanto esforço. A Paráfrase é como se fosse tradução e explicação do texto nas suas próprias palavras. E podem ser feitas de duas maneiras básicas:
1. Ser uma descrição fiel do pensamento do autor.
2. Uma explicação às necessidades atuais dos ouvintes.
O trabalho conclusivo de um método de estudo é sempre apresentado na forma de um sermão (homilia), ou uma aula, ou um estudo bíblico. Paráfrase é, portanto, fazer a exegese passar pela hermenêutica. (tarefa pessoal: procurar no dicionário o significado destas duas palavras).
Em outras palavras “paráfrase” propriamente dita nos dá a idéia de explicar um texto ou um documento com maior número de palavras do que o próprio texto. Uma paráfrase usa termos diferentes dos contidos no texto em que se baseia, pois o seu propósito é comunicar a mesma mensagem d modo mais entendível ou para uma melhor compreensão do que o original. Seu alvo é explicar, traduzir, ou como diz o ditado popular “trocar em miúdos”, é falar a linguagem comum.
A palavra paráfrase tem a sua origem no grego: PARAPHRASIS. No grego a palavra é composta de: PARA = “ao lado de”; e de: PHRAZÕ = “propor em termos claros, dizer algo para ser compreendido”, esta palavra ocorre em Mateus 15:15 significando, “explicar, interpretar, expor”. Onde Pedro solicita a Jesus uma “paráfrase” da parábola, e é justamente isso que Ele fez, expôs em outras palavras o conteúdo do texto anterior (a parábola).
A importância da Paráfrase.
1. É importante para verificar se entendemos o texto bíblico que terminamos de estudar. A paráfrase será o “teste” do estudo. Se, depois de fazer todo o trabalho de empregar o Método de Estudo das Escrituras, ainda não conseguimos explicar o texto com nossas próprias palavras, a conclusão óbvia é que não houve real entendimento. Quando entendemos o texto, ele pode ser explicado. Talvez seja uma explicação difícil, no caso de um texto complexo, mas haverá sempre um meio de esclarecer a sua mensagem.
A paráfrase que simplesmente repete as palavras do texto bíblico não tem valor. Se uma palavra do texto for usada na paráfrase é necessário que essa palavra ou expressão seja compreendida bem por todos em sua forma original, ou seja, no próprio texto. Uma paráfrase pode usar o termo “graça de Deus” se todos os leitores ou ouvintes já souberem muito bem do que se trata. Caso contrário, é necessário explicar o termo. Já imaginou alguém evangelizando um incrédulo, que nunca entrou numa igreja usando expressões como: “o pastor da igreja é um instrumento ungido”; “O apóstolo dos gentios ensinou…”; “nos evangelhos sinóticos se explica que…”. O pobre homem que nunca ouviu o “significado” de tais expressões não entenderá nada, não haverá comunicação e, portanto, a pregação ou evangelização será mais difícil. Lembre que o Espírito Santo não vai traduzir para o homem palavras complicadas ou próprias de denominações, pois sabemos que cada denominação vai acunhando termos próprios. Devemos, antes de tudo, numa paráfrase ter a certeza de que somos compreendidos.
Colossenses 4:6, diz: “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um”. Este texto não pode ser parafraseado como se segue: “O modo cristão de responder a cada pessoa é: primeiro, usar palavras agradáveis, e em segundo lugar, usar palavras temperadas com sal”. Isto não é paráfrase! Houve apenas uma inversão da ordem do texto. Es termos “palavras agradáveis”, “temperadas com sal” e até às vezes o próprio verbo “responder” precisam ser explicados, neste contexto, ou seja, explicando o que Paulo tencionou dizer, ou como ele diria isso mesmo aos brasileiros.
O fato de considerarmos difícil realizar a paráfrase de um certo texto, isto indica que ele deve ser novamente estudado. Quando percebemos, ao iniciar a paráfrase, que ela contém elementos difíceis de explicar com as nossas palavras, o texto está então nos convidando para nova análise, novo aprofundamento e novo estudo.
2. Organizar e resumir as idéias principais são outras razões para entender a importância da paráfrase. Durante todo o processo de estudo, o estudante acumula uma série de fatos, idéias, conclusões e lições. No momento de fazer a paráfrase ele vai poder sintetizar todo este material, dando ênfase aos elementos relevantes. A paráfrase nos força a ter algo para dizer, e não apenas muitas idéias isoladas das quais queremos falar. O estudo do texto, como aprendemos nesta disciplina, pode ser comparado à reserva do material para a construção de uma casa; a paráfrase é o uso deste material.
Justamente neste ponto deve haver uma separação entre o estudo de pontos secundários e dos pontos essenciais do texto. A paráfrase não deve perder-se nos detalhes e esquecer o ponto principal. Todos os estudos ajudam a compreender o texto, mas a paráfrase dará o peso justo a cada material conforme as exigências do próprio texto. Dando importância ao que é essencial, se tornará mais clara a mensagem.
No livro de Neemias encontramos o exemplo de uma excelente paráfrase: “Leram no Livro, na lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia”. Neemias 8:8.
Ao usar a linguagem do povo, os eventos do dia e as necessidades do momento, a paráfrase faz com que a Palavra Eterna de Deus seja entendida pelos homens de hoje. O estudo bíblico tem como alvo à clarificação da mensagem do texto, de forma que muitos possam aprender dele.
3. A paráfrase também ajuda para ilustrar a verdade. Na paráfrase podemos usar idéias e ilustrações que não estão evidentes no texto, mas que o explicam com justiça. Para ilustrar a expressão “árbitro contra vós outros” de Colossenses 2:18, certo comentário contou a história de um “falso-juiz” que interveio em uma corrida, prejudicando muitos atletas por seu rigor excessivo. A ilustração é excelente, pois se fundamenta num bom estudo do pensamento de Paulo; e, ao mesmo tempo, transmite bem a idéia da expressão “juizes severos e desautorizados” que ficam criando regras e regrinhas que prejudicam a vida cristã de muitos. Uma boa paráfrase é uma verdadeira obra de arte, onde a mensagem original é mantida, mas os elementos para a transmissão da mesma só podem ser obtidos depois de bastante reflexão.
Quando estudamos a Bíblia, não devemos obedecer unicamente a critérios pragmáticos. Quem estuda o texto apenas para achar respostas práticas para as suas questões, corre o risco de transformar a Palavra de Deus em uma forma de espelho onde ele só pode ver sua própria imagem. Por outro lado, é necessário admitir que sempre haverá algo a aprender. O estudo bíblico é uma disciplina acadêmica cujo valor é incalculável, e cujo alvo é o intelecto; mas se trata, acima de tudo, de um confronto com deus e seu modo de agir com o ser humano.
A paráfrase irá ressaltar o aspecto prático dos textos bíblicos, tanto daqueles de ênfase prática, como também os de feição mais doutrinária. A paráfrase traz o texto da antiguidade para os nossos dias. O estudo bíblico geralmente tem dois horizontes; o primeiro é o horizonte do escritor e dos ouvintes originais; o segundo é o nosso. A paráfrase é a tentativa de aplicar ou entender um texto bíblico no nosso horizonte (hoje), a partir daquilo que o texto diz no seu primeiro horizonte (original).
É muito comum ouvir exposições da Palavra contaminadas com idéias populares ou preconcebidas. Um método apropriado no Estudo das Escrituras e a paráfrase do texto nos ensina a colocar tudo em “pratos limpos”, pois estes estudos nos ajudam de uma maneira prática a trocar o modo subjetivo de ler a Bíblia por um modo objetivo. As aplicações de um bom estudo e uma boa paráfrase não são introduzidas por uma frase subjetiva: “eu acho que o texto diz…” mas sim por uma idéia objetiva da frase “O texto diz…”.
Exemplo de paráfrase:
Texto: Lucas 8:25
Uma pergunta sem resposta: “onde esta a vossa fé” – depois de acalmar a tempestade, depois de ter acabado com a fúria dos ventos e ter aquietado o mar bravio, Jesus pergunta pela fé de Seus discípulos. Por que eles não responderam? Nem o mais impetuoso dos apóstolos, Pedro, teve desta a vez a coragem e responder.
Se Jesus hoje, em meio às tormentas humanas, os conflitos da sociedade moderna, e em meio a velas desgarradas pelos ventos da incerteza, perguntasse “onde está a vossa fé?” Teria o homem chamado de “atualizado” alguma coisa a dizer? Ou talvez o mesmo silencio ecoasse através dos tempos e de novo Jesus ficaria esperando sua resposta?
Sentimentos em Conflito: “Possuídos e temor e admiração” – O medo era a barreira que lhes impedia de compreender “quem era aquele que os ventos lhe obedeciam”. A admiração aqui não era um sentimento de respeito, mas, a expressão grega usada neste texto expressa um sentimento de espanto, assombro ou surpresa por causa do milagre. Diante do inesperado e à vista do que é incompreensível ao coração humano, perdemos a visão de Jesus, nos perguntamos um aos outros, e esquecemos de perguntar para Deus. Ele tem a resposta: este que acalma os ventos e tranqüiliza a fúria das ondas é meu Filho. No silêncio da bonança, no meio do mar, agora quieto. Deus fala a nosso coração. Ele, Jesus, pode acalmar teus temores.
Curso: Métodos de Estudo das Escrituras
É a Bíblia a Palavra De Deus?
Embora a Bíblia seja um Livro de texto sobre a fé, seja mais um livro de doutrina e religião, muitas vezes tocam em outras matérias como história, geografia e ciências. Quando toca, podemos conferir comparando-a com a arqueologia, etc. Se a Bíblia fosse escrita pelo Criador que sabe tudo, esperaríamos precisão.
Além disso, a Bíblia foi escrita há 2000-3500 anos, quando os erros
científicos eram abundantes. Descrentes já procuraram impiedosamente achar
erros Nela. Mas se, apesar disso, podemos confirmar que não contêm os erros
comuns daquela época – se verdadeiramente fala fatos que eram desconhecidos
pelos cientistas até séculos mais tarde – então isso reforçaria bastante a
nossa confiança de que não vem dos homens, mas sim de Deus.
Considere os exemplos a seguir nos quais a Bíblia já foi provada ser
precisa, mesmo quando estudiosos não concordaram com Ela.
História e geografia
1. A nação hetéia
A Bíblia freqüentemente fala desta nação antiga (2 Samuel 11:3, 6, 17, 24;
Gênesis 15:19-21; Números 13:29; Josué 3:10), mas durante anos descrentes
argumentavam que a Bíblia estava errada, pois a história nada falava desse povo. Depois, em 1906, Hugo Winckler desenterrou Hattusa, o capitão heteu. Agora sabemos que, no auge, a civilização hetéia disputou com o Egito e a Assíria em esplendor!
2. Pitom e Ramessés
A Bíblia diz que os escravos israelitas construíram estas cidades egípcias
usando tijolos de barro misturado com palha, depois de barro com restolho, e
depois apenas de barro (Êxodo 1:11; 5:10-21). Em 1883, Naville examinou as
ruínas de Pitom e achou os três tipos de tijolos.
3. O Livro de Atos
Sir William Ramsay era um descrente que procurou contestar Atos traçando as
viagens de Paulo. Em vez disso, suas investigações fizeram dele um cristão
tenaz da precisão do Livro! O ponto decisivo foi quando ele provou que, ao
contrário da sabedoria já aceita, a Bíblia estava certa quando deixa
subentendido que Icônio ficava numa região diferente de Listra e Derbe (Atos
14:6). (Veja Free, Archaeology and Bible History, 317.)
Considere estas citações de arqueólogos notáveis:
“… pode ser afirmado categoricamente que jamais uma descoberta arqueológica
tem negado uma referência Bíblica. Um grande número de descobertas
arqueológicas foram feitas que conferem em resumo claro ou em detalhes
exatos afirmações históricas na Bíblia. E, pela mesma moeda, uma avaliação
adequada de descrições Bíblicas tem levado a descobertas incríveis” – Dr.
Nelson Glueck (Rivers in the Desert, 31).
“… a arqueologia tem confirmado inúmeras passagens que tinham sido
rejeitadas por críticos como não-históricas ou contraditórias a fatos
conhecidos…. No entanto descobertas arqueológicas mostraram que estas
acusações críticas estão erradas e que a Bíblia é confiável justamente nas
afirmações pelas quais foi deixada de lado por não ser confiável. Não
sabemos de nenhum caso no qual a Bíblia foi provada errada” – Dr. Joseph P.
Free (Archaeology and Bible History, 1, 2, 134).
Ciência
Qual é a forma da terra?
“Ele é o que está assentado sobre a redondeza da terra, cujos moradores são
como gafanhotos; é ele quem estende os céus como cortina e os desenrola como
tenda para neles habitar”. (40:22).
Isaías escreveu isso quando os homens acreditavam que a terra era plana
(“redondo” = “um circulo, esfera” – Gesenius). Hoje temos fotos tiradas do
espaço que mostram a forma da terra, mas como Isaías sabia disso?
Como a terra é sustentada (apoiada)?
“Ele estende o norte sobre o vazio e faz pairar a terra sobre o nada.” (Jó
26:7).
Os homens antigos acreditavam em muitos erros (quatro pilares enormes, nas
costas de Atlas, etc.). Como Jó sabia a verdade?
O que fica no mar de acordo com este versículo?
“… as aves do céu, e os peixes do mar, e tudo o que percorre as sendas dos
mares.” (Salmos 08:8).
Os homens não sabiam das sendas dos mares até que Matthew Maury leu este
versículo e resolveu achá-las. Ele descobriu as correntezas do oceano, e
ficou conhecido como o Pai da Oceanografia. (Impact, 9/91, pág. 3-4).
O que esse versículo nos diz sobre os rios?
“Todos os rios correm para o mar, e o mar não se enche; ao lugar para onde
correm os rios, para lá tornam eles a correr”. (Eclesiastes 1:7).
Hoje entendemos como isso acontece através do ciclo da água e da evaporação.
Como Salomão sabia disso?
A Bíblia contradisse teorias não-comprovadas, mas se for entendida
corretamente nunca contradiz qualquer fato científico comprovado. No
entanto, muitas vezes afirmou verdades científicas séculos antes dos homens
conhecerem-nas.
Enquanto a Bíblia já foi provada ser precisa repetidamente, aqueles que
criticam a Bíblia foram incapazes de provar o contrário. Isso certamente
fortalece nossa fé em outros ensinamentos Bíblicos.
Um achado Arqueológico.
Ao lado encontramos um achado arqueológico. O esqueleto de um homem crucificado, o tumulo tem o nome de “Yehochanan” e pode ser visto como pelo buraco que foi feito pode ser colocado o prego romano empregado na execução. Esta é uma evidência concreta e real de que a morte por crucificação era um método comum empregado pelo Império Romano no primeiro século. Podemos observar na figura ao lado, um resto do pé e a reconstituição feita em gesso mais a esquerda.
Outro detalhe é que se conservou a forma e tamanho do prego usado, pois ao que tudo indica Yehochanan foi retirado da cruz e não retiraram o prego do pé.
COMENTÁRIOS SOBRE VERSÕES
A Bíblia do Rei Tiago (uma versão inglesa muito consultada pelos teólogos) criada por um grupo de tradutores católicos e protestantes. Esta era a única maneira de produzir um texto geralmente aceitável, mas a tentativa de neutralidade não foi bem sucedida. Os católicos tentaram junto ao parlamento Inglês, se sobrepor e os protestantes acusaram os tradutores de estarem a favor dos católicos, Em todo caso, a Bíblia sobreviveu, mas os tradutores tiveram que usar a “exatidão política.” Depois de muitos debates, e divergências sobre as palavras “politicamente corretas.”
Fizeram ressurgir palavras que já não eram usadas na língua inglesa por séculos. Palavras obscuras, velhas e obsoletas foram trazidas à tona a fim de fornecer a exatidão política para a Bíblia do Rei Tiago, mas que ninguém poderia compreender. Ao mesmo tempo, William Shakespeare fazia do mesmo modo com suas peças.
Se nos olharmos os livros de referência que existiram antes desta Versão e de Shakespeare e os que existiram imediatamente após, veremos que o vocabulário da língua inglesa aumentou por mais de cinqüenta por cento, em conseqüência das palavras trazidas da obscuridade pelos escritores do século XV.
Embora eminentemente poética, a língua da Bíblia inglesa autorizada é completamente diferente de toda a língua falada por qualquer um na Inglaterra ou nos estados Unidos.
Não carrega nenhuma relação com o grego ou ao latim de que foi traduzida. Mas desta interpretação canônica aprovada, todas as Bíblias inglesas restantes emergiram em suas várias formas. Apesar de todas essas dificuldades, é a remanesce mais próxima de todas as traduções da língua inglesa dos manuscritos gregos originais. Todas as versões inglesas modernas, corrompidas significativamente, são completamente insustentáveis para o estudo sério por qualquer um, porque têm suas próprias anotações específicas.
COMO SE FAZEM ALGUMAS TRADUÇÕES
Nós podemos citar uma versão extrema de como se trabalha na prática. Podemos olhar uma Bíblia emitida atualmente (hoje) em Papua no Pacífico em Nova Guiné onde há tribos que experimentam a familiaridade em uma base diária com um animal, com o porco. Na edição atual de sua Bíblia, cada animal mencionado no texto, se originalmente é um boi, leão, burro, carneiro ou o quer que seja, agora é um porco! Mesmo Jesus, o “Cordeiro tradicional de Deus”, nesta Bíblia é o “Porco de Deus”! Assim, para facilitar a confiança, nos Evangelhos e na Bíblia em geral, nos devemos olhar os Manuscritos gregos originais com suas palavras usadas no seu contexto original.
Muitas palavras não conseguem uma tradução exata para a língua nativa, isso acontece porque as palavras originais não têm nenhuma contraparte direta em outras línguas.
Nós fomos orientados que o pai de Jesus, José era um carpinteiro. Por que não? Assim que dizem as traduções, mas, isso não foi dito nos evangelhos originais.
A melhor tradução, explica realmente que José era um mestre de ofício. A palavra “carpinteiro” era apenas o conceito da época do para um artesão.
Qualquer um que conheça a Maçonaria, por exemplo, reconhecerá o termo “ofício”. O texto maçônico interpreta que José era mestre ou professor.
Vamos olhar a água e o vinho de Canaã, depois da história em que a Bíblia nos diz, e que era um evento sobrenatural, um milagre. O casamento de Canaã é descrito somente em João. É relatado que quando quiseram o vinho, sua mãe, Maria diz: “Acabou o vinho”.
O Evangelho relata que a pessoa que ocupava o cargo era um mestre de cerimônias. Isto define de forma específica que era uma cerimônia de casamento (bodas). Porém os costumes judeus da época desmentem o costume romano e por isso, o texto traduzido é adaptado. A festa só poderia ser um pré-casamento (noivado) isso mais de acordo com o costume judaico da época. Pois, o vinho nessa festa só era disponível aos sacerdotes e aos judeus celibatários, não aos homens casados, noviços ou quaisquer que não fossem “santificados”. O ritual de purificação da água foi permitido somente para um, conforme foi indicado no livro de João.
NOTA: Se hoje o judaísmo não aceita o Novo Testamento é principalmente devido a deturpação romana de seus costumes mais antigos. Não há nada mais desagradável do que ver nossa cultura deturpada pela ignorância dos costumes culturais.
A QUESTÃO DO MONTE SINAI
As escavações arqueológicas 1891 são restritas a regras de exploração. No Egito e na Mesopotâmia, tiveram que ser aprovadas e só foram financiadas por determinadas fontes. E estas fontes eram controladas por um grupo de autoridades. Uma destas autoridades designadas era o “Fundo Egípcio de Exploração”, que foi fundada na Grã-Bretanha em 1981.
Nas primeiras páginas dos artigos da associação do Fundo Egípcio informava: “O objetivo dos fundos é promover o trabalho da escavação com a finalidade de ilustrar as narrativas do VT”.
O que isso significa na realidade é: Se algo fosse encontrado pelos arqueólogos que estejam de acordo com as Escrituras como é ensinada hoje, seria o público informado sobre ela; qualquer outra coisa seria considerada mitologia.
Se não servisse interpretação corrente dada na Bíblia, não chegaria ao domínio público. Isso foi há 100 anos atrás.
Nós sofremos ainda de muitos regulamentos e, de acordo com as leis vigentes no País, a descoberta é colocada num envoltório e fechado secretamente como é o exemplo da montanha so Sinai.
Há poucas informações nos círculos internos e acadêmicos e de muitas descobertas nada escrito é para o domínio público.
No contexto do livro do Êxodo há uma montanha significativa nomeada na Bíblia. Situa-se na Península do Sinai, que é um triângulo entre o Egito e o Jordão. É conhecida pelo nome de Horeb. Foi chamada mais tarde de Sinai e depois, para Horeb outra vez. Esse é o nome que o remanesce da narrativa bíblica nos legou enquanto nos incorporamos a progressão da história e essa história e a de Moisés, tirando os Israelitas do Egito e seu encontro com Jeová na montanha sagrada.
Há aproximadamente 1360 aC, não existia nenhuma montanha chamada Sinai e nem na época de Jesus.
O Monte Sinai está atualmente no sul da península do triângulo e foi batizada por monges cristãos gregos que lá construíram uma pequena missão, pois decidiram que ali era o Sinai.
Hoje ainda existe um local chamado Monastério de Santa Catarina.
Seria realmente a Montanha do Sinai Bíblico?
O Êxodo pode explicar o local onde a verdadeira Montanha Sagrada estava e o percurso que Moisés e os Israelitas fizeram entre o Egito e o Jordão.
Seguindo a rota dada no Êxodo, ficaria centenas de milhas afastado do Monastério do Sinai que é mostrado nos mapas de hoje.
Além disso, está longe, a milhares de metros do Mar Vermelho onde Moisés separou as águas.
Em árabe, Horeb quer dizer “deserto”. O Monte Horeb e as montanhas de deserto são bem conhecidas. Fica a 2000 pés acima do nível do mar, exatamente onde o livro do Êxodo revela a rota do Egito.
Em 1890, Egiptólogo Britânico Flinders Petry da Universidade de Londres, patrocinado pelo “Fundo Egípcio de exploração”, publicou confidencialmente os resultados de seu trabalho; mapas, fotografias, registros foram entregues, porém, suas anotações não foram colocadas à disposição do público e suas anotações só poderiam ser lidas por membros oficiais.
Segundo o relato bíblico, os Israelitas derreteram ouro (para fazer o carneiro de ouro); lá não havia nenhum resquício de materiais de fundição.
Porém encontraram lajes de pedra e abaixo destas, armazenados com cuidado 4 a 5 toneladas de um tipo de pó, o mais fino e branco possível. Embalados firmemente no assoalho. Não havia indícios de metalurgia em milhas de distância, mas pó branco era obtido de queimadas de plantas para produzir alcalinos. Porque queriam alcalinos?
Por outro lado, porque o fariam a 2600 pés da montanha e não no vale?
Os resultados nunca foram publicados.
O Monte Sinai fica no deserto de Neguev, no sul de Israel, e não na desértica península egípcia do Sinai onde segundo a Bíblia, Moisés recebeu de Deus as duas tábuas dos Dez Mandamentos. É o que diz o arqueólogo italiano Emanuel Anati, que passou 19 anos fazendo escavações em Karkom, este monte que já era considerado sagrado pelos povos que habitaram suas proximidades na Idade do Bronze e onde foram encontrados restos de altares, objetos de cultos e lápides. “O Monte Sinai, segundo o Êxodo é o Karkom, na cidade de Eilat, às margens do Mar Vermelho.”
A descoberta de um altar feito de pedra talhada em forma de meia-lua, “Símbolo do deus babilônico: Sin,” coincide com a tese que desta esta raiz Sin derivou o nome Sinai para o Monte.
A VERSÃO DOS SETENTA (LXX)
Os líderes do judaísmo em Alexandria foram responsáveis por uma tradução do Antigo Testamento hebraico para o grego, que integraria a Biblioteca de Alexandria, e foi chamada de Septuaginta, ou Versão dos Setenta (LXX). Esta tradução já estava concluída em 150 a.C. e foi feita por eruditos judeus e gregos, provavelmente para o uso dos judeus alexandrinos. Assim que a igreja primitiva passou a utilizar a Septuaginta como Antigo Testamento, a comunidade judaica perdeu o interesse na preservação do original hebraico. Esta versão teve um papel muito importante para o estudo e divulgação do Antigo Testamento em outras línguas, já que os textos hebraicos apresentam grande dificuldade de compreensão.
Outras versões surgiram após a Septuaginta, devido à oposição do cânon judaico a esta tradução. São elas:
A versão de Áquila (130 a 150 d.C.) – manteve o padrão de pensamento e as estruturas de linguagem hebraicas, tornando-se uma das versões mais utilizadas pelos judeus.

A revisão de Teodócio (150 a 185 d.C.) – revisão de uma versão anterior – a dos LXX ou a de Áquila.
A revisão de Símaco (185 a 200 d.C.) – preocupou-se com o sentido da tradução, e não com a exatidão textual. Exerceu grande influência sobre a Bíblia latina, pois Jerônimo fez grande uso desse autor para compor a Vulgata Latina.

Os Héxapla de Orígenes (240 a 250 d.C.) – promoveu-se uma visão comparativa dos textos hebraicos com a tradução dos LXX, de Áquila, de Teodócio e de Símaco, procurando harmonizar os textos em busca de uma tradução fiel do hebraico.

Uma edição do texto hebraico, por volta de 100 d.C., veio a estabelecer o texto massorético.
A Vulgata Latina
Sendo o grego, considerado pela Igreja como a língua do Espírito Santo, o latim assumiu o papel de língua popular imposta pelos soldados nas conquistas romanas, motivo pelo qual a Bíblia latina recebeu o nome de Vulgata.
Os Textos Massoréticos
Alguns sábios judeus, chamados massoretas, iniciaram, entre os séculos VI a X d.C., um trabalho de padronização dos textos hebraicos do Antigo Testamento. Estes textos, como se sabe, foram escritos praticamente sem vogais. No trabalho de padronização, foram inseridas as vogais nos textos originais, o que contribuiu para o desaparecimento dos mesmos.
Provas da Veracidade do Antigo Testamento
Coleção Babilônica em Sterling Memorial Library

O Cilindro da Conquista de Jerusalém VI século antes de Cristo
Nabucodonosor II (604-562 Antes de Cristo). Este cilindro comemora a reconstrução do templo do deus babilônico na cidade de Marada e a conquista da cidade de Jerusalém (2 Reis 24:10-17 etc.).
Literature: W.W. Hallo, “Nebukadnezar Comes to Jerusalem,” in Jonathan V. Plaut, ed., Through the Sound of Many Voices: Writing Contribute on the Occasion of the 70th Birthday of W. Gunther Plaut (Toronto, Lester and Orpen Dennys, 1882) 40-57.

Museum number: NCBT 2314.
A seguir encontramos um excelente exemplo de como deve ser feita uma pesquisa histórica e bíblica. O (a) aluno (a) poderá notar as muitas referências a consultas de livros e obras especializadas, tudo isso para comprovar uma verdade: Existiu a cidade de Nazaré?
Introdução
Neste estudo trataremos da cidade de Nazaré, primeiro, como ela é citada nas fontes cristãs, pois nos registros encontramos várias citações dessa cidade como sendo uma cidade da Galiléia, como exemplo, podemos citar o registro de que era nessa cidade o lar de Maria e José encontramos também a narrativa de que nessa cidade havia uma sinagoga judaica
Até certa altura das investigações, os estudiosos e pesquisadores acreditavam que a cidade de Nazaré tinha sido apenas uma tradição, um certo arranjo literário para dar credibilidade á profecia de que Ele seria chamado “Nazareno”. Eles tinham chegado a essa conclusão porque não encontravam nenhuma citação da cidade fora da Bíblia. Por exemplo, podemos citar o resumo feito por Jack Finegam:
“No Antigo Testamento, Josué 19:10-15 contém uma lista de todas as cidades da tribo de Zabulon…, mas não há nenhuma menção a Nazaré. Josefo, que foi responsável pelas operações militares nessa área durante a Guerra dos Judeus…, cita 45 cidades da Galiléia, mas não toca no nome de Nazaré. Além disso, o Talmude, apesar de se referir a 63 cidades da Galiléia, não menciona Nazaré sequer uma vez”.
É interessante notar que os textos judaicos que abarcam uma totalidade de quase 1.500 anos não falam absolutamente nada de Nazaré. Haveria alguma razão para deixar ¬de falar dessa cidade? Por que especificamente o Talmude judaico nunca falou dela? Nos teremos as reposta no decorrer desta pesquisa.
A Arqueologia Descobre Nazaré
A pesar do silêncio, a pesar de tudo, as escavações feitas pela arqueologia veio em auxílio da história, trazendo surpreendentes fatos sobre a existência de uma aldeia na região da Galiléia chamada: Nazaré.
Quando falamos que Nazaré era uma “aldeia”, estamos descrevendo uma característica fundamental da condição dessa pequena vila, portanto, devemos em primeiro lugar identificar corretamente essa nomeação. Consideremos as características topográficas da região da Galiléia no início da dominação romana. Por causa dessas características do terreno existiam a chamada “Alta Galiléia” e a chamada “Baixa Galiléia”. Esta última possui quatro serras com altura um pouco acima dos 300 metros. Entre essas pequenas serras encontramos vales que correm no sentido leste-oeste.
O formato entre serras e vales, forma um contraste entre altos e baixos, como se fosse o telhado de uma casa, porque por outro lado, temos na Alta Galiléia a serra de Meiron que chega a uma altura de quase 700 metros, que seria considerado como a parte mais alta do “telhado”.
Os estudos demonstram que a aldeia de Nazaré poderia ser encontrada no extremo sul de uma das quatro serras que formavam a Baixa Galiléia. A área da Baixa Galiléia era de aproximadamente 24 por 40 quilômetros, e havia um considerável número de centros urbanos e de aldeias espalhados pela região. Muitas outras aldeias foram construídas na mesma região ao pé dos outros três morros ou serras, porém, ao contrário, no morro ou serra de Nazaré as aldeias e povoados estão construídos no topo. Isso fazia com que essas aldeias ficassem isoladas do resto das regiões urbanas, e principalmente das estradas e caminhos mais usados para o intercambio comercial. É importante levar em consideração este ponto, pois era o fluxo de comercio que determinava se uma cidade era maior, menor, vila ou apenas uma aldeia, ou seja, a classificação era político-¬comercial. Na época em estudo, isto é, o primeiro século de nossa era, ou era comum, na região da Galiléia existia uma cidade grande, não pela quantidade de habitantes, mais pela influência comercial. Era o movimento de mercado que determinava se uma cidade era grande, menor ou vila. Seguindo esse critério de classificação a cidade grande na época era Beisã (em grego era conhecida como Citôpolis). Na mesma classificação, agora como cidades menores, se encontravam Séforis e Tiberíades. Segundo estudos históricos, quando Herodes Antipas recebeu as regiões da Galiléia e Peréia para ocupar o cargo de Tetrarca, no ano três antes da Era Comum, ele “fortificou Séforis para que ela se tornasse a jóia de toda a Galiléia, e mudou o nome da cidade para Autocratoris”.
O autor judeu Flávio Josefo quando descreve sua campanha militar na Galiléia, menciona a cidade de Séforis como: “situada no coração da Galiléia, cercada por diversas aldeias”. Certamente Nazaré era uma dessas aldeias, cujos nomes não foram incluídos nas listas de registros judaicos.
Estamos agora em condições de entender a razão pela qual Nazaré não foi citada nas listas judaicas, pois essas listas incluíam unicamente as cidades grandes, menores e vilas, as aldeias e aldeolas não eram citadas, pois não tinham destaque comercial, e sendo que as aldeias da Serra de Nazaré estavam no topo do morro, eram isoladas das rotas de comercio. Na classificação político-comercial não se incluíam aldeolas sem importância. Talvez seja essa também a razão pela qual se faz uma menção pejorativa sobre Nazaré: “De Nazaré pode sair alguma coisa boa?” mostrando que na época a aldeia de Nazaré era um povoado insignificante.
Podemos encontrar também uma forte razão para entender o motivo pelo qual o Messias de Israel mudou de cidade ao início de sua vida pública, o Evangelho de Mateus registra o fato com estas palavras: “e, deixando Nazaré, foi morar em Cafernaum, situado a beira-mar, nos confins de Zabulon e Naftali”
A Reorganização do Sacerdócio Confirma a existência da Cidade de Nazaré
É um fato reconhecido por todos que a cidade e o templo de Jerusalém foram destruídos pelos romanos no ano 70 da Era Comum. Posteriormente, na terceira guerra entre judeus e romanos no ano 135 da Era Comum, os judeus foram novamente derrotados e desta vez foram também expulso do território de Jerusalém pelo imperador Adriano, que para quebrar qualquer sentimento nacionalista mudou o nome da cidade para Aelia Capitolina. O que aconteceu com o sacerdócio judaico depois da diáspora (dispersão)?
Uma leitura atenta do primeiro livro das Crônicas, no capitulo 24 encontramos que o sacerdócio judaico, na época do rei David, foi dividido em 24 turnos por ano, cada turno de 15 dias que se revezavam nos ofícios do templo, na época da destruição do templo ainda funcionavam esses 24 turnos, tanto é que o sacerdote Zacarias, o Pai de João “o batizador”, era do turno de Abias, ou seja, do oitavo turno O interessante neste estudo é comprovar que depois que o templo foi destruído os judeus reorganizaram as 24 ordens e as distribuíram pelas cidades e aldeias da Galiléia O que a arqueologia descobriu de importante em relação com esses 24 turnos reorganizados?
“A primeira menção a Nazaré fora dos textos cristãos foi encontrada numa Inscrição fragmentária feito num pedaço de mármore cinza escuro encontrado em Cesaréia, em agosto de 1962, e que datava do século III ou IV da Era Comum (…) Havia uma lista dessa localidade: afixada à parede da sinagoga de Cesaréia, construída no ano 300 E.C. O texto reconstituído da Inscrição diz: “Décima oitava ordem religiosa [ Hapizzez], [reinstalada em] Nazaré”
Outras escavações foram feitas pelo franciscano e erudito em história Bellarmino Bagatti, durante cinco anos entre 1955 e 1960, no terreno da velha Igreja da Anunciação, na atual cidade de Nazaré. O que foi descoberto?
Sabemos que no final do século II antes da Era Comum a dinastia judaica conhecida como os asmodeus, conseguiu conquistar finalmente a cidade de Samaria, que a essa altura já era uma cidade grega, com a queda de Samaria foi aberto o passo para a conquista da planície de Esdrelon e toda a região da Galiléia. Foi nessa época, exatamente, que Nazaré foi de novo reconstruída.
“No século segundo antes da Era Comum voltamos a encontrar uma grande quantidade de artefatos o que indica que a aldeia foi fundada novamente nesse período (…) Isso significa que a aldeia tinha menos de duzentos anos no século I da Era Comum”
Era a cidade de Nazaré uma aldeia de grande movimento comercial?
Bagatti também encontrou varias grutas artificiais dentro de aldeia antiga, além de cisternas para água, prensas de azeitonas, tonéis de óleo, mós e silos para grãos. Isso significa que a atividade principal dos aldeões era a agricultura, nenhuma das descobertas aponta para algum tipo de prosperidade ”.
Todos os dados indicam que Nazaré era uma aldeia no topo da serra da Baixa Galiléia, cuja principal atividade era a agricultura. Os dados servem para moldar um quadro sobre “o Galileu” como também era chamado. Portanto, os habitantes da aldeola de Nazaré eram na sua maioria agricultores, pobres, de baixa posição social, era uma classe desfavorecida, e ao que tudo indica, tinham, sem dúvida até um “modo de falar” diferente, ou seja, um sotaque aramaico característico, próprio dos camponeses da Baixa Galiléia.
Sendo assim, o quadro que a arqueologia e os estudos da época nos dão do Galileu e sua gente é de pessoas muito humildes, comuns, homens e mulheres, camponeses das aldeias e dos morros, trabalhadores da agricultura, os menos favorecidos por uma sociedade de elites, pessoas que sobreviviam dos produtos do campo e do artesanato tais como tecelão e carpinteiro. A esta altura podemos também destacar o fato de como as classes sociais mais abastadas desprezavam as classes humildes, isso sempre foi uma constante das civilizações, tanto no passado como no presente. A título de exemplo: Na importante obra do pesquisador e erudito professor Ramsay MacMullen pode-se ler um apêndice intitulado: “O léxico do esnobismo” onde o autor cita uma longa lista de termos e palavras utilizadas pelos autores gregos e romanos nos primeiros séculos para mostrar como eram profundom os preconceitos que as classes dominantes tinham das classes desfavorecidas. Esses termos incluíam as palavras “tecelão” – tanto de “tecelão” de lã (eriurgo) como o “tecelão” de linho (linurgo), assim também era incluído o termo de “carpinteiro” (técton), a mesma palavra usada em Marcos (o Evangelho grego de Marcos).
É importante notar ainda que ao nome da pessoa, muitas vezes se incluía seu ofício, para designar dessa maneira a origem humilde, como podemos encontrar na leitura grega de Marcos , onde o Messias de Israel é nomeado como “carpinteiro”, ou seja, se lhe atribui o ofício, por outro lado no Evangelho de Mateus ele é reconhecido apenas como “o filho do carpinteiro”.
Em resumo, e para concluir este estudo, podemos notar que os fatos apontam para a realidade histórica de uma aldeola chamada Nazaré, edificada nos morros da baixa Galiléia, é dessa aldeia humilde, pobre, de pessoas trabalhadoras, do campo e do artesanato, que no primeiro século de nossa Era, aparece um Homem, reclamando o direito de ser o Messias, reclamando o direito de ser o cumprimento de uma promessa milenar dada a um povo. Ele era o Messias de Israel. Era O homem de Nazaré o Messias prometido pelos profetas hebreus.

CURSO DE TEOLOGIA GRÁTIS COM CERTIFICADO TAMBÉM GRÁTIS - lIGUE: 1141716380

Nossas Redes Sociais

Em breve começaremos a postar conteúdo em nossas redes sociais. Siga-nos e aguarde.

Atenção! Estamos em FASE DE TESTE, algumas funcionalidades ainda estão sendo desenvolvidas e as disciplinas ainda estão sendo organizadas e divididas em lições e aulas. Se você quiser nos ajudar, clique aqui (ou se tiver whatsapp, clique aqui) e envie o seu feedback sobre como podemos construir o melhor curso de Teologia GRATUITO do Brasil. Obrigado!