Ir para o site...

CURSO DE TEOLOGIA GRÁTIS COM CERTIFICADO GRÁTIS

Missiologia

Após a queda do homem Deus toma a iniciativa de ajudar o homem. Tendo infringido a ordem divina que proibia o homem de comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Apesar da gravidade desse ato de desobediência, Deus se inclinou por ajudá-lo, prometendo um Redentor vindouro (Gn 3.15).
A humanização de Jesus se constitui num grande milagre na Bíblia, Jesus, o verdadeiro e eterno Deus (1Jo 5.20). “Aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Fp 2.7). Era o verbo eterno assumindo carne humana (Jo 1.14; 1Tm 3.16). Este milagre foi possível devido à ação soberana do Espírito Santo no ventre de Maria (Lc 3.15).
“Vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei” (Gl 4.4,5).
A vitória de Cristo sobre o Diabo na cruz do calvário, erroneamente ensinada como derrota de Deus, foi o momento que Deus despojou Satanás (Cl 2.15) “maniatando assim o valente”(Mt 12.29). “Visto que os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que, pela morte, aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é o diabo, e livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão” (Hb 2.14,15).
1.2. A obra do calvário é de alcance universal
Não obstante “o mundo está no maligno” (1Jo 5.19). Apesar da inconteste manifestação do diabo no mundo, a Bíblia registra, de forma inequívoca, o interesse do Espírito Santo em aplicar a obra de Jesus realizada no Gólgota, como remédio divino para os males espirituais dos homens em todas as nações. Na cruz do Calvário, Deus estava reconciliando o mundo consigo mesmo (2Co 5.19).
Apesar da salvação ganha por Jesus ser de alcance universal, a maior parte do mundo, ainda não conhece o benefício do qual tem direito de gozar. Lembremo-nos de que a mesma Bíblia que diz que Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29), também diz: “IDE por todo o MUNDO, pregai o evangelho a toda a criatura”(Mc 16.15).
1.3. A ordem missionária de Jesus
1.3.1. A quem foi dada a ordem missionária?
A Grande Comissão de Jesus não foi dada aos líderes religiosos de Israel, tampouco aos membros do Sinédrio de Jerusalém, etc. A ordem missionária foi dada aos discípulos. No momento da ascensão de Jesus, os discípulos com Ele reunidos, representavam a Igreja na sua vocação e missão no mundo.
A ordem missionária foi dada a Igreja hodierna. A Igreja de hoje está ligada à Igreja primitiva, não apenas por suas raízes históricas. Esta se identifica com aquela na responsabilidade de evangelizar os povos em todas as nações. Por isto, os seus membros devem ser treinados para serem testemunhas de Jesus até aos confins da terra (At 1.8).
1.4. O conteúdo da ordem missionária
1.4.1. Obediência Inquestionável
A primeira palavra da ordem missionária de Jesus é “ide”. Esta palavra é um verbo no modo imperativo, exigindo uma ação decisiva. Apesar disto, muitas vezes o trabalho de evangelização não vai além de projetos e de planejamento. Ainda se repete em nossos dias aquilo que Débora, no seu cântico sobre os reis de Canaã, falou sobre a tribo de Rubem. Ela disse: “Nas correntes de Rubem foram grandes as resoluções do coração … Porque ficaste tu entre os currais? … Nas divisões de Rubem tiveram grandes esquadrinhações do coração” (Jz 5.15,16). Rubem não fez como a tribo de Zebulom, que “expôs a sua vida à morte” (Jz 5.18). Ela ficou no meio dos currais com grandes planos e projetos. Jesus não convidou os discípulos para somente fazerem planos e projetos. Ele os mandou ir ao campo, que é o mundo.
1.4.1.1. “Ensinando as nações”
A palavra “ensinando” vem da palavra grega “matheteuo” o que significa “fazer discípulos”. Neste sentido ele só aparece, aqui e em Atos 14.21. Jesus disse, conforme Marcos 16.15 – “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho”. É pelo poder do evangelho que os homens são transformados em discípulos de Jesus (Rm 1.16). A Palavra da cruz tem poder (1Co 1.23,24; 2.1-4).
1.4.1.2. “Batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”
Como se vê, o batismo em água fazia parte da ordem missionária de Jesus. Os salvos devem, pelo batismo, unir-se à Igreja. Os apóstolos praticavam esta ordem. Deste modo “foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas” (At 2.41-47).
1.4.1.3. “Ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado”
A palavra “ensinando” aqui usada vem da palavra grega “didasko” e significa dar instrução. Ensinar aos crentes é uma ordem de Jesus. Isto nos mostra a grande importância do ensino (Ef 4.11), mas todos os que evangelizam devem dar também a sua cooperação neste sentido, como o fez o casal Áquila e Priscila (At 18.26).
1.4.2. Estes Sinais Seguirão aos que Crerem
O evangelista Marcos na Ordem Missionária, (Mc 16.15-18), se refere aos maravilhosos sinais que acompanhariam o batismo com o Espírito Santo, e acerca do qual Jesus havia orientado os seus discípulos a buscarem (Lc 24:49; At 1.4,5,6). Podemos então, observar que estes sinais realmente acompanharam a evangelização levada a efeito pelos apóstolos. Vede At 3.7-16; 5.12-16; 9.32-35,37-42 etc.
Estes sinais não se restringiam àqueles tempos, pois estão em vigor hoje também (At 2.39). Jesus disse: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós” (Jo 20.21). Portanto, é desta maneira que Jesus, deseja enviar a cada um de nós para a sua seara. Isto é, ele quer que os sinais sigam o nosso trabalho na evangelização (Mc 16.20).
1.5. A abrangência da ordem missionária
1.5.1. Até aos Confins da Terra
Jesus disse: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura” (Mc 16.15). Conforme Lucas, Ele também disse que eles pregassem a todas as nações, começando por Jerusalém (Lc 24.47; At 1.8). Para Deus o mais importante é que todos os homens venham ao conhecimento da verdade (1Tm 2.4), estejam eles perto ou longe. Se cada crente hoje obedecesse à ordem missionária de Jesus, e se cada Igreja estivesse disposta a ouvir Deus falar e a obedecer-lhe (Mt 13.1-4), enviando aqueles que Deus chamou para anunciar a sua Palavra, então o mundo inteiro receberia a Palavra salvadora.
1.5.2. A Nossa Própria Comunidade
De acordo com Atos 1.8 a obediência à ordem missionária de testemunhar de Jesus, deveria começar em Jerusalém, neste caso, onde estava a Igreja local. Isto não quer dizer que os membros da Igreja local só devam começar a pregar o evangelho noutras paragens quando já tiverem saturado a sua cidade da mensagem do evangelho. Pelo contrário, diz que a Igreja deve ter uma visão global da necessidade de toda a humanidade, pois segundo palavras de Jesus, “o campo é o mundo” (Mt 13.38). Deste modo, o mundo, nosso campo de atividades evangelísticas, começa onde habitamos.
1.5.3. Conceituação de Evangelização e Missão
Estas duas expressões são muito usadas entre nós e muitos gostariam de saber se existe alguma diferença entre elas quanto ao significado. Vejamos.
1. Ambas as expressões têm, conforme o Novo Dicionário da Língua Portuguesa (Aurélio), uma só significação;
2. É uso generalizado nas nossas Igrejas falar de evangelização quando a pregação da Palavra é feita dentro das fronteiras do país, e falar de missão quando é feita fora delas. Desta maneira, evangelização não é mais importante que missão e vice-versa. Se alguém pensa que missão é algo superior à evangelização deve corrigir a sua idéia.
1.6. A duração da ordem missionária
3. Quando Jesus deu a ordem missionária Ele terminou dizendo: Eis que estou convosco todos os dias até à consumação dos séculos (Mt 28.20). Portanto a ordem missionária continuaria até à consumação dos séculos. Por isso a ordem missionária tem hoje a mesma atualidade e vigência como no dia em que Jesus subiu ao céu.
4. Jesus deu a ordem missionária para que todos os homens conheçam o seu convite à salvação (1Tm 2.4). Fica portanto bem claro que enquanto existirem pessoas ou nações que ainda não ouviram o evangelho da graça, esta ordem continua a ter vital importância. A Bíblia diz: “Uma geração vai, e outra geração vem” (Ec 1.4). Está assim bem claro que ainda que a geração que foi tenha sido evangelizada, a outra geração que vem também precisará do evangelho.
1.7. A ordem missionária deve ser obedecida
1. A palavra de Deus nos ensina que devemos estar “sujeitos às potestades” (Rm 13.1), e isto “pela consciência” (Rm 13.5). Se é necessário obedecer a ordens dadas pelas autoridades humanas, quanto mais necessário não é a obediência a uma ordem dada pelo Salvador de todo o mundo que é o Senhor dos senhores e Rei dos reis? (1Tm 6.15).
2. A não obediência a esta ordem significa que os homens que não foram alcançados pelo evangelho, por causa da nossa desobediência, estão indo para as trevas, sem saber que Jesus está esperando por eles, para lhes perdoar todos os seus pecados.
A Bíblia fala do crente como um atalaia e diz: “Não o avisando tu, não falando para avisar ao ímpio acerca do seu caminho ímpio para salvar a sua vida, aquele ímpio morrerá na sua maldade, mas o seu sangue de tua mão o requererei (Ez 3.18). Vemos assim que é importante obedecer.
3. Jesus conta também com a SUA cooperação na evangelização. Assim como o pai, conforme a parábola, disse ao seu filho: “Filho, vai trabalhar hoje na minha vinha!” (Mt 21.28), assim também Jesus te convida para uma voluntária cooperação no maior empreendimento do universo – levar a mensagem do perdão a todos!
1.8. Motivos da obra missionária
A obra missionária significa o privilégio de levar, da parte de Cristo, a mensagem de reconciliação com Deus aos povos que vivem além das nossas fronteiras. Jesus entregou esta incumbência à sua Igreja confiando que ela prontamente atenderia a sua orientação.
1.8.1.O perigo Iminente Em Que Vivem Os Povos Sem Salvação
Pode-se bem dizer que a expressão bíblica “Livra os que estão destinados à morte” (Pv 24.11), descreve de modo expressivo o significado da obra missionária. Os homens no mundo estão debaixo do juízo de Deus por causa dos seus pecados (Rm 3.9,19; Gl 3.10). Eles estão a caminho da condenação eterna. Jesus porém, pela sua morte vicária na cruz, abriu a porta do perdão e da anistia, para toda a humanidade (Tt 2.11,12). Por isso, para os que aceitarem aquilo que Jesus fez por eles, não há mais nenhuma condenação (Rm 8.1; Jo 5.24). É portanto indispensável que todos os povos venham a conhecer a possibilidade que têm de alcançar por meio de Jesus, a anistia geral de todos os seus pecados.
1.8.2. A mensagem de reconciliação
O livro de Ester registra a história do decreto elaborado pelo primeiro ministro Hamã, o inimigo dos judeus, determinando que todos os judeus que viviam nas cento e vinte e sete províncias do reino dos Medos e dos Persas, fossem mortos num mesmo dia, isto é, no dia treze do duodécimo mês daquele ano. Pela intervenção abnegada e corajosa da rainha Ester, o mau Hamã foi desmascarado e castigado diante do imperador Assuero, que consentiu que se elaborasse um novo decreto segundo o qual os judeus teriam o direito de se defenderem. O dia previsto no primeiro decreto para a matança dos judeus estava se aproximando, e eles ainda nada sabiam sobre o novo decreto. Por isso foram tomadas providências para que, em tempo, uma cópia desta nova decisão fosse enviada para todos os judeus, espalhados pelo reino. A história bíblica relata que os correios, sobre ginetes das cavalariças do apressuradamente, saíram impelidos pela palavra do rei (Et 8.14). Assim esta notícia alvissareira chegou a tempo, e “para os judeus houve luz, e alegria, e gozo, e honra” (Et 8.16), em lugar de tristeza e mortandade.
Deus quer agora, pelo seu Espírito, despertar a sua Igreja para que ela, sem demora, “enquanto é dia” (Jo 9.4) envie-lhes a mensagem da paz e do perdão. A cidade de Nínive estava condenada à destruição, mas o profeta Jonas chegou a tempo com a Palavra do perdão de Deus, e a cidade foi salva (Jn 3). E nós. Qual será a nossa atitude?
1.8.3. Deus nos considera como seus despenseiros
A Bíblia diz que somos “despenseiros da multiforme graça de Deus” (1Pe 4.10), e “despenseiros dos mistérios de Deus” (1Co 4.1). Ele deu à sua Igreja a incumbência de ministrar aquilo que Deus, pelo evangelho, oferece aos Povos. Se alguém é nomeado tutor de bens de outro, não pode beneficiar-se a si mesmo, mas tem obrigação moral de cuidar que os tutelados venham a receber a sua parte integral. Deus espera que os seus despenseiros sejam fiéis (1Co 4.2), irrepreensíveis (Tt 1.7), e bons (1Pe 4.10).
Este segundo motivo apela seriamente para a nossa consciência, obrigando-nos a avaliar como estamos cumprindo a nossa responsabilidade. Vez por outra Deus diz aos seus despenseiros: “Dá contas da tua mordomia” (Lc 16.2). Diante da nossa responsabilidade pelos povos, Deus nos pergunta hoje: Onde está o teu irmão? (Gn 4.9). Ele faz esta pergunta porque tem posto sobre nós esta responsabilidade. Caro estudante! Tens tu sentido a chamada e a responsabilidade de cooperar nesta obra? Onde está o teu irmão? Já fizeste tudo por ele?
1.8.4. A grande responsabilidade dada aos crentes
A grande responsabilidade que pesa sobre os crentes conscientes da situação dos perdidos é deveras real.
O fato que está registrado em At 16.6 ocorreu por ocasião da segunda viagem missionária de Paulo.
Depois de ter fundado várias Igrejas e visitado outras, Paulo regressou à Jerusalém onde foi tratar de assuntos referentes à obra do Senhor. Pretendendo partir para uma segunda viagem missionária, era seu propósito visitar as Igrejas já fundadas e levar palavras de estímulo e confiança aos crentes.
Mas o plano de Deus era bem outro, e por essa razão os planos de Paulo foram modificados. Paulo, nessa viagem, foi despertado por uma visão na qual ele viu um homem da Macedônia clamando: “Passa à Macedônia e ajuda-nos” (At 16.9). Este homem representava as multidões que viviam na Europa, inteiramente dominadas pelo mais cruel paganismo. Quando Paulo o viu, concluiu que Deus o havia chamado para anunciar àqueles povos a palavra (At 16.10). Por isto ele logo providenciou transporte para lá. A atitude de Paulo é mais um belo exemplo para todos nós. Ele viu o resultado da obediência ao plano divino.
1.8.5. O motivo que Paulo apresentou aos romanos
Paulo desejava ir a Roma porque, disse ele, “Sou devedor”. E acrescentou: “Estou pronto para também vos anunciar o evangelho” (Rm 1.14,15). Nós, que tivemos a nossa dívida cancelada diante de Deus, somos como Paulo, devedores. Devemos aos outros o evangelho que de graça recebemos, isto é, temos responsabilidade pelos que não são salvos. Façamos, pois, tudo para saldar a nossa dívida diante da humanidade, porque a Bíblia diz: A ninguém devais coisa nenhuma, a não ser o amor (Rm 13.8). Com amor poderemos também dizer como Paulo: “Estou pronto” para anunciar o evangelho.
1.8.6. O maravilhoso resultado do trabalho missionário
Nos Atos lemos como nos rastros da Igreja missionária levantaram-se muitas Igrejas. Na Ásia Menor lemos a respeito das Igrejas em Éfeso, Colossos, Filadélfia, Esmirna, Sardes, etc. Na Europa lemos sobre Tessalônica, Filipos, Corinto etc. Mas temos exemplos muito mais próximos de nós. No Brasil o trabalho foi iniciado pela obra missionária. E o trabalho missionário, realizado pelas Igrejas brasileiras, tem o prazer de ver como várias Igrejas poderosas foram levantadas.
1.9. Métodos do trabalho missionário à luz do Novo Testamento
Os motivos da obra missionária apresentados, devem impulsionar-nos à ação missionária e não somente fazer-nos parar em palavras e reuniões. Porque uma ação missionária somente se torna vitoriosa se for feita na trilha dos métodos apontados nas Escrituras.
Meditemos sobre os três “canais principais” da ação missionária:
a) O envio de missionários ao campo;
b) a intercessão com cooperação eficiente; e
c) A contribuição para o suporte material da obra.
1.9.1. O envio de missionários ao campo
Paulo escreveu: E como pregarão, se não forem enviados? (Rm 10.15). A Bíblia mostra diferentes formas de se ir ao campo:
a) De forma permanente, enviado pela Igreja, conforme a direção do Espírito Santo (At 13.1-4). Esta forma é indispensável e insubstituível.
b) De forma ocasional. Filipe foi enviado pelo Senhor em uma missão específica, para ajudar o ministro da Etiópia a achar o caminho da salvação (At 8.26-40). Ele obedeceu, e o resultado foi maravilhoso.
c) De forma especial. Atos revela que famílias, para ajudarem no trabalho missionário, mudaram-se para o campo junto com os missionários trabalhando na sua profissão secular. Exemplo: Áquila e Priscila (At 18.1-3; 26-28; Rm 16.3,5 etc).
1.9.1.1. A intercessão
Embora Paulo orasse muito no seu trabalho (2Tm 1.3, 1Ts 3.10; Fp 1.4; ele pedia a todas as Igrejas que orassem por ele (Rm 15.30,31; Ef 6.18-20, Fp 1.9). Oração em favor da obra missionária é como o apoio da artilharia à infantaria.
1.9.2. A Contribuição
O fator econômico é um meio importante de suporte material da obra missionária, pois os missionários nada tomam dos gentios (2Jo v.7). A contribuição supre as necessidades do missionário (Fp 4.16-18), como também do trabalho (2Co 9.12-15). O contribuinte é recompensado (Fp 4.18).
Fiquemos certos de que todo aquele que participar da Obra Missionária, seja qual a forma de contribuição, será participante das bênçãos celestiais pois nada passa desapercebido aos olhos do Senhor, e é Ele quem tem a recompensa para dar a cada um.
1.10. Qualificações do missionário
A Evangelização de todos os seres humanos é a grande prioridade, finalidade e a mais sublime tarefa confiada pelo Senhor à sua Igreja. A ordem imperativa de Jesus. “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15), deve ser obedecida na íntegra, pois o desafio atual das almas ainda não alcançadas pelo Evangelho de Jesus é muito grande, ou seja, cerca de 46% da população mundial, 2,6 bilhões de habitantes, ainda não ouviram a palavra de Deus uma única vez na vida, conforme demonstram as estatísticas atuais.
Como o sucesso deste empreendimento celestial depende decisivamente do perfil do homem a ser enviado para o campo missionário, enumeramos abaixo algumas das qualificações para que ele possa alcançar êxito no desempenho desta tarefa. Vejamos:
1.10.1. Espirituais
1. Ser nascido de novo – Jo 3.3,5; Lc 22.32; 1Tm 3.7.
2. Profundo amor e comunhão com Deus – At 5.41; 21.13- 22.15; 2Co 5.11,14; 1Jo 1.1,3.
3. Vocação missionária – At 20.23,24; 21.13; 1Cr 9.16-1 8.
4. Plena convicção da sua chamada – Gl 1.15; 2Tm 1.1.
5. Conduta irrepreensível – 2Tm 2.15; Rm 2.22; 1Co 9.27.
6. Ardente amor pelas almas perdidas e preocupação em ganhá-las – 1Co 9. 1 9-22.
7. Conhecimento da Palavra de Deus – At 8.35; 6.10; 18.28; 2Tm 2.15
8. Cheio do Espírito Santo e de fé – At 4.8,31; 6.3,8; 7.55; 2Co 10.4-6
9. Liderança eficaz para dirigir, motivar, planejar e distribuir responsabilidades a seu grupo de trabalho Jz. 7.1-21.
10. Domínio próprio – Pv 16.32; 25.28; Gl 5.22.
11. Imaginação, criatividade e iniciativa.
12. Humilde, serviçal e hospitaleiro – At 20.1 9; Lc 9.48; 1Tm 3.2.
13. Vida devocional diária – Mt 26.41; Lc 18. 1; At 10.9, 10.
14. Maturidade espiritual e emocional.
15. Sensibilidade às necessidades, sofrimentos e temores do ser humano – Mt 9.36.
16. Capacidade de discipular – Mt 28.19; 2Tm 2.2.
17. Relacionamento e ética humana – Rm 12.18.
1.10.2. Familiares
1. Esposa – participante da mesma chamada do marido – 1Tm 3.11;
2. Filhos – problemas se estiverem na idade da adolescência ou mocidade;
3. Testemunho – toda a família deve ter bom testemunho.
1.10.3. Administrativas
Experiência como dirigente de congregação, onde houve:
1. Evidências claras da chamada missionária;
2. Comprovação de uma liderança eficaz;
3. Confirmação de Deus no seu trabalho.
1.10.4. Materiais
1. Curso Teológico;
2. Domínio do idioma do País de destino;
3. Profissão definida para países onde não poderá entrar como missionário. Exemplo: enfermeiro, médico, dentista, projetista, desenhista, etc;
4. Dependendo da região a que se destina eventualmente conhecimento de primeiros socorros, higiene, prevenção de doenças, etc.
1.10.5. Físicas
O Missionário e toda a sua família devem gozar de boa saúde física, emocional e mental.
1.10.6. Transculturais
1. Curso eficiente para toda a família com relação: ao País de destino, com relação a usos e costumes, clima, regime político, religiões e seitas, moeda, vestuário, etc.
2. Facilidade de adaptação a outras culturas e raças.
3. Distinção entre princípios bíblicos e costumes.
1.11. Estratégias de missões
É muito complexo o assunto, tendo em vista que a humanidade é muito heterogênea (ocorrência cíclica de gerações diferentes), como fazer para alcançar os povos com formações étnicas tão distintas? Há método padrão definido? Como iniciar evangelização de determinado povo com características culturais e lingüísticas antagônicas à nossa? Está aí a razão principal de conhecer e aplicar as diferentes Estratégias Missionárias.
Durante algum tempo, pensou-se que havia um método fixo para evangelização do mundo e que o mesmo método poderia ser aplicado a todos os casos, não importando o povo a ser evangelizado e nem as suas peculiaridades, o que na realidade isso é praticamente impossível. O método usado para evangelizar um povo não serve para ser repetido na evangelização de outro povo. Os missiólogos, após estudos de situações bíblicas e históricas, verificaram a impraticabilidade de estratégias padrões.
Entretanto no caso especificamente espiritual, podemos conceituar Estratégia Missionária da seguinte maneira – “É o meio pelo qual se pretende atingir alvos preestabelecidos na evangelização de povos. Ele não revela falta de espiritualidade ou de fé, como alguém pode insinuar, ela simplesmente tem o cuidado em descobrir o plano de Deus e sua vontade e como aplicá-lo com melhor sucesso a determinado povo”.
1.12. Noções Específicas
1.12.1. O que é antropologia?
Segundo o dicionário de Antropologia: “É o corpo de disciplinas que se consagram ao estudo dos grupos humanos sob o prisma dos tipos físicos e biológicos e sob o prisma das formas de civilização sem escrita atualmente existentes. … É a ciência do homem tomado na totalidade das suas manifestações e das suas dimensões” .
1.12.2. O que é povo?
É a unidade cultural tradicional, ou grupo de indivíduos, delimitado principalmente pela língua.
1.12.3. O que é nação?
É um agrupamento de seres em geral fixos no mesmo território, ligados pela origem, tradições e lembranças, costume, cultura, interesses e aspirações.
No programa de Estratégias Missionárias, devemos ressaltar a importância em Fazer Discípulos. Fazer discípulos implica em ensinar, repassar experiências e conhecimentos até que o discípulo capte naturalmente os ensinamentos bíblicos, e, por conseguinte, não venha levianamente desviar-se do Caminho. Não basta pregar uma só vez, e ir para outro lugar, sem sequer conhecer o fruto da semeadura, é verdade que pode existir casos especiais de salvação, isto é com o Senhor. O nosso dever é PREGAR mas o Senhor é que salva. Entretanto isso não nos isenta de fazer a nossa parte. Lc 14.23; 1.1-4.
Fazer Discípulos – quer dizer também multiplicar os bons resultados na evangelização (Aqui cabe um capítulo à parte). Jesus sempre se preocupou em fazer discípulos. O apóstolo Paulo ao despedir-se da Igreja de Éfeso, ele disse- “Como nada que útil seja, deixei de vos anunciar, e ensinar publicamente e pelas casas” (Atos 20.20).
1.12.4. Nota importante
Não podemos fazer bons discípulos, se nós mesmos ainda não fomos bem discipulados, é necessário aprender primeiro e corretamente, a fim de não mistificar a mensagem do Evangelho. O Evangelho não pode ser responsabilizado pelas imprudências humanas. (1Tm 3.6; Rm 12.7; 1Tm 5.17 e At 13.1).
1.12.5. Cuidados especiais
Na pregação do Evangelho, o pregador terá que ter a qualificação adequada de acordo com o seu auditório, tanto a nível individual como coletivo, exemplos:
a. Faixa Etária;
b. Auditório Comum;
c. Auditório Misto (diferentes classes de nacionalidades);
d. Educação (nível de Escolaridade);
e. Nacional (mesma língua);
f. Internacional (outras culturas e línguas).
O estudo das Estratégias Missionárias, implica também em descobrir os dons dos membros da Igreja para multiplicidade de trabalho existente no crescimento da Igreja (Lc 2.52; 1Co 7.7; 1Co 12.4; 1Co 4.1; Ef 4.8; Tg 1.17)
Conforme a preliminar acima do nosso estudo, não há métodos fixos para a evangelização, contudo as particularidades de cada povo nos levam a diferentes estratégias. Entretanto é necessário que os missionários conheçam antecipadamente os seus Povos Alvos, no sentido de não trabalharem aleatoriamente.
1.12.6. Alguns exemplos
a. O Senhor Jesus humanizou-se para se identificar com o homem – usou muita linguagem compreensível com o Homem, e na sua Estratégia usou os seguintes exemplos: Água, Pescadores, Lei com os Doutores, Agricultura, etc.
O apóstolo Paulo se fez de Judeu para ganhá-los (1Co 9.19-22 );
b. O Método do Tempo, (Ec 3.1-17, Rm 3.11: At 17.26 e Lc 12.42)”.
c. O Método do Planejamento – Deus foi criando o Mundo, Etapa por Etapa. Ele tem poder para fazer tudo de uma só vez e desta forma podia ter feito o Mundo num só dia (Gn 1.3 -31; Gn 2.1-25).
d. Deus planeja destruir a humanidade – Noé é escolhido para executar o projeto: Gn 6.13-22; Gn 7.1-16. Podemos verificar a maneira inteligente que Deus escolheu para transmitir a Noé toda orientação para construção da ARCA, nos seus mínimos detalhes e segurança para a sobrevivência de toda a espécie e de sua própria família.
Neste caso específico há uma grande Estratégia, que Noé levou muitos anos para completá-la. Isto nos leva a compreender que não estamos aptos e nem devemos falar tudo de uma só vez. Infelizmente há muitos pregadores que não se comportam com este cuidado, e descarregam tudo no ouvinte, e este por sua vez, não aproveita nada do que ouviu. (Jo 16.12)
A Palavra deve ser sempre temperada. (Mt 13.52)
Na construção da Arca, cabe um estudo específico (Gn 6.14-22).
a. Construção – Material Qualificado;
b. Compartimentos – Divisões Internas;
c. Medidas Precisas- Comprimento – Largura e Altura;
d. Medidas das Janelas;
e. Andares Baixo, segundo e terceiro;
f. Pronta, deverá ser betumada por dentro e por fora.
O cuidado especial que NOÉ teve em fazer a Arca, o selecionamento dos animais segundo as suas espécies – macho e fêmea – e o suprimento alimentar.
NOÉ era homem normal – mas na orientação de Deus, foi uma benção.
Como deve ser a Retaguarda Missionária (Rm 10.14,15), na aplicação das Estratégias Missionárias?
a. Oração – Os primeiros passos para que o Senhor indique os candidatos;
b. Bom testemunho, experiência no trabalho e que sejam vocacionados;
c. Contribuição financeira sistemática da Igreja e voluntários;
d. Assistência com material adequado ao exercício Missionário tanto a nível nacional como também exterior;
e. No caso internacional, é de bom alvitre, que se visite o Missionário pelo menos uma vez a cada dois anos, e na medida do possível, que se mantenha com ele correspondência (que haja departamento para isso).
1.13. Missões transculturais
Para fazer missão transcultural, necessitamos entender a natureza de uma cultura. Segundo o Aurélio, cultura é “o complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições e doutros valores espirituais e materiais transmitidos coletivamente e característicos de uma sociedade.”
Observemos esta definição dada no século XIX por antropólogos da Alemanha. “Cultura é a herança total do homem não transmitida biologicamente”. Cultura é o sistema total de normas de conduta aprendidas que são comuns aos membros de uma sociedade em particular, e que não são o resultado da natureza biológica do homem.
Em termo mais popular, pode ser definido como a totalidade do modo de vida de um grupo étnico determinado, isto inclui, a forma que este povo vê a realidade cósmica, os valores que lhe são comuns, e as normas de conduta que aceitam como normais em seu meio. Inclui também a forma como considera a existência do mundo e da humanidade, as coisas que lhe custam muito trabalho obter e manter, e a forma em que se trata entre os parentes e os vizinhos.
Toda pessoa tem uma maneira mental de ser, uma forma diferente de ver as coisas e de reagir frente a elas, isto quer dizer, que vai sendo moldado pela cultura em que vive, e isto o afeta desde a sua infância até a sua morte.
1.13.1. O Que é transculturação
Vamos nos valer outra vez de Aurélio. Eis o que ele diz: Transculturação é o “processo de transformação cultural caracterizado pela influência de elementos de outra cultura, com a perda ou alteração dos já existentes”.
Aqui fica bem claro, de início, que evangelização transcultural não é substituir valores de uma cultura por outros de cultura diferente. O que importa, na evangelização, são os princípios bíblicos. Estes, sim, podem exercer influência a alterar situações contrárias à fé cristã.
1.13.2. O que é missão transcultural
O prefixo trans deriva-se do latim e significa “movimento para além de”, “através de”. Portanto, em linhas gerais, missão transcultural é um movimento que, pelo caráter universal de sua mensagem, não se restringe a uma só cultura, mas tem alcance abrangente, em todos os quadrantes da terra, onde quer que haja uma etnia que ainda não tenha ouvido o evangelho.
Em Mateus 28.18-20 descobre-se que “toda” é a palavra chave. Isto implica na afirmação de que o princípio da universalidade está implícito no Evangelho, que deve ser pregado a todos os povos, para, igualmente, resultar na conversão aos milhões de pessoas oriundas de todas as raças.
A idéia de universalidade, globalidade ou totalidade transparece, ainda, quando o número quatro salta diante dos nossos olhos na expressão aparentemente repetitiva de Apocalipse 5.9. “tribo, língua, povo e nação.” Aqui o mundo está dividido em quatro áreas para reforçar a perspectiva do que será o resultado do alcance globalizado da pregação em todo o mundo.
Outro ponto no mesmo texto é que a palavra nação é a mesma usada em Mateus 28.19, que se traduz do grego “ethnos” de onde se deriva a expressão portuguesa “etnia”.
Etnia tem a ver com grupo biológico e culturalmente homogêneo. No aspecto antropológico, a definição da palavra “etnia” ultrapassa o nosso conceito formal sobre fronteiras geográficas nas quais se assentam politicamente os países do mundo. Cerca de 12 mil povos distintos estão distribuídos em pouco mais de 250 países.
Em suma, missão transcultural, no dizer de Larry Pate, autor do livro Missiologia, é a proclamação do amor de Deus, que ultrapassa as fronteiras culturais, raciais e lingüísticas. Ele deseja que todos, sejam os pigmeus da África ou os homens de negócios da Ásia, tenham a oportunidade adequada de seguir a Cristo”.
1.14. Destruindo os mitos da missão transcultural na igreja local
1.14.1. Quais Seriam Esses Mitos no Âmbito da Igreja local?
1.14.1.1. Só Igrejas Grandes ou Ricas Podem Fazer Missão Transcultural
Esta é uma falsa idéia que circula em muitas Igrejas de porte médio ou pequeno, como justificativa para o seu não envolvimento. Segundo este conceito, Igrejas que disponham de poucos recursos jamais poderão comprometer-se com o trabalho missionário e nem mesmo enviar missionários. Mas a prática de países onde a tarefa de fazer Missões já está consolidada revela que os maiores recursos saem exatamente de Igrejas pequenas, que, somadas, conseguem superar muitas vezes os alvos de Igrejas grandes ou ricas. A Igreja de Antioquia não esperou enriquecer-se para enviar os seus primeiros missionários, Barnabé e Paulo (At 13.2).
1.14.1.2. Só Pessoas de Bastante Recursos Financeiros têm Condições de Contribuir para a Missão Transcultural
A visão bíblica sobre, contribuição é clara: deve ser proporcional à renda de cada um, seja pobre ou rico. Este princípio transparece em diversos textos bíblicos, como, por exemplo, em 1 Coríntios 16.2.
Paulo está tratando, neste texto, de contribuições destinadas aos irmãos de Jerusalém, que enfrentavam circunstancialmente uma crise econômica. Na recomendação do apóstolo está implícita a idéia de proporcionalidade, quando ele afirma: “ … ponha de parte o que puder ajuntar, segundo a sua prosperidade”. As contribuições para missão transcultural se regem pelo mesmo princípio. Mesmo que os recursos pessoais sejam menores, cada um poderá estabelecer o valor da contribuição proporcionalmente à sua remuneração mensal.
A história de missões mostra que, na maioria dos casos, não foram os ricos os únicos responsáveis pelo envio de recursos para a evangelização transcultural. Muitos missionários foram e têm sido sustentados pela oferta da viúva pobre, da lavadeira do trabalhador braçal e de outros irmãos de menor poder aquisitivo.
1.14.1.3. A igreja local deve primeiro evangelizar sua cidade para depois voltar-se para a evangelização transcultural
Este é outro mito muito difundido por desconhecimento da interpretação correta de Atos 1.8. Em alguns casos é, somente, uma justificativa pouca convincente para a indiferença.
A idéia de Atos 1.8 é de simultaneidade. “Tanto em… como em…” é a expressão que aclara o sentido do texto. Não há aqui nenhuma alusão a um processo gradativo, ou seja, à idéia de se evangelizar primeiro a área local para depois pensar-se em terras de além-mar. A evangelização transcultural tem que ser vista sob enfoque mundial, incluindo-se aí o trabalho local da Igreja. É ação simultânea.
1.14.1.4. É preciso antes levantar recursos suficientes para então investir em missão transcultural. Esta é também, uma premissa falsa.
A Igreja que esperar ter recursos suficientes nunca vai investir na evangelização transcultural. É uma questão de lógica. Os recurso são rotativos, isto é, entram e saem. Sempre há despesas “prioritárias” para serem cobertas pelo caixa.
1.15. Como implantar uma igreja
O objetivo do Ministério entre culturas depois de pregar e evangelizar é o de estabelecer Igrejas. Deste princípio se utilizou o Apóstolo Paulo.
As Igrejas locais constituem nas principais pedras de construção do Reino de Deus, sobre a terra. Nas Igrejas locais a dinâmica do poder espiritual se move eficazmente. São nelas onde o Espírito Santo reparte os dons aos crentes, de modo que a unidade completa pode funcionar como representante do amor e do poder de Deus no lugar que foi fundada.
Tratando-se de Igrejas fundadas por um ministério intercultural, necessitamos usar princípios autóctones, desde o começo da fundação. É muito mais fácil iniciar uma Igreja em forma apropriada, que transformá-la em uma Igreja autóctone depois que já está estabelecida.
AUTÓCTONAS: Quer dizer original de um país, ou um lugar em particular, “nativo, aborígene, indígenas”.
Quando se comunica bem a mensagem do evangelho, em qualquer cultura há a possibilidade de arraigá-la no coração das pessoas, muda- se a forma de ver a Deus, as outras pessoas, e o mundo de forma geral.
Semelhantes transformações exercem um profundo efeito na sociedade, e o evangelho chega a ser altamente apreciado pelas pessoas. Quando isso acontece, ele pode estender-se com muita rapidez, e muitos podem desejar ouvi-lo e aceitar a Cristo.
Para fazer com que o evangelho seja autóctone de qualquer cultura, é necessário que haja Igrejas autóctones.
Igrejas autóctones são aquelas cujos membros praticam as verdades espirituais, sociais e morais do Cristianismo Bíblico segundo as pautas culturais da sua própria sociedade, e percebem como o evangelho vai transformando suas vidas como resposta às suas necessidades, atendidas por Deus mediante a direção do Espírito Santo e da palavra ensinada.
1.15.1. Observemos os elementos básicos desta definição
1. Os membros das Igrejas autóctones não somente crêem na verdade do evangelho mas, a praticam na vida diária.
2. O evangelho afeta a forma em que adoram, a maneira com que trata o seu próximo e inclusive seus próprios valores e ética pessoal.
3. Não estão marginalizados da sua sociedade por haver adotado normas culturais estrangeiras. Compreendem, como também praticam a verdade do evangelho, sem sair das pautas culturais do seu povo.
4. Apreciam de verdade sua vida cristã, porque vêem no evangelho, a resposta às suas frustrações espirituais e às suas necessidades mais íntegras.
5. Reconhecem que a autoridade das escrituras é o fundamento da sua fé e que podem confiar que o Espírito Santo ensinará.
As Igrejas autóctones exercem certa atração sobre a totalidade da população da sua sociedade. O comportamento dos seus membros, não parece estranho ao povo da sua comunidade, a conduta social e moral dos crentes se ajusta às normas gerais da sociedade, porém exibem normas mais elevadas conforme as da Santa Palavra de Deus.
O Missionário deve estar preparado para permitir que a nova Igreja, seja parte da Organização Nacional, evitando que seja chamada ou identificada como uma Igreja Estrangeira !!!
1.16. Missões locais
Não gostaria de ser julgado como quem enfatiza o óbvio, mas julgo necessário reafirmar da mesma maneira que Paulo repetia suas exortações aos Filipenses (Fp 3.1) – o que há muito venho sendo exortado: que a evangelização agressiva ao estilo apostólico é necessária. Paulo previa que em determinado período na história da Igreja, haveriam de surgir grupos contrários à doutrina bíblica como única regra de fé, e tentariam adulterá-la, adaptando-a conforme as suas próprias concupiscências (Tm 4-3.4). Por esse motivo devia-se pregar, instar, redargüir, repreender e exortar com grande amor a tempo e fora de tempo, (2Tm 4.2), ou seja, cada oportunidade de anunciar o evangelho deve ser aproveitada com a máxima diligência. Esse princípio foi praticado na íntegra por Daniel Berg desde as suas viagens pelo interior da Ilha de Marajó, no Pará: mesmo sem saber expressar com clareza língua portuguesa, em cada pessoa que encontrava via uma alma perdida que precisava urgentemente do Salvador. Era como se fosse a última oportunidade daquela alma; e se ele, como pregador, não anunciasse as boas novas de salvação, o Senhor haveria de requerer responsabilidade (Ez 33-7,9). Outro princípio paulino que bem assegura o desenvolvimento deste tema é encontrado em 1Co 9.22, onde o apóstolo busca todos os métodos disponíveis ao seu alcance, e, até as alternativas que estavam além das suas possibilidades para salvar os seus ouvintes. Por isso sugere no texto: “Fiz-me tudo, para todos, para que por todos os meios chegar a salvar alguns”. A aplicação da estratégia de Paulo para os nossos dias, pode-se resumir da seguinte maneira: utilizar todos os métodos pedagógicos; todos os meios de comunicação; todos os equipamentos tecnológicos disponíveis e investir todo o dinheiro, em todos os lugares, a qualquer hora, como todo pessoal, com todas as forças, com todo ânimo, com todos os instrumentos e grupos musicais recomendáveis, etc. para pregar o evangelho”. (Pr. José Wellington B. da Costa – Revista Obreiro – Abril / Maio 1996)
1.16.1. Porque fazer missões
1.16.1.1. Para expansão do Reino:
“A Igreja que representa o Reino de Deus na terra, é comparada a:
a. Rede – Mt 13-47
b. Grão de mostarda – Mt 13-31.32
c. Fermento – Mt 13.33
d. Semente – Mt 13-4.8
Obs.: A expansão da Igreja primitiva: através da perseguição.
1.16.1.2. Para que o mundo saiba das boas novas – Mt 24-14
a. Os despenseiros das boas novas estão na Igreja; 1Co 4-1.2.
1.16.1.3. Para testemunho a todas as gentes – Mc 16.15 1 At 1.8 4. Preparação da chegada do “fim”
a. Um mau exemplo: Igreja de Éfeso – Ap 2-1 (a perda do entusiasmo do primeiro amor).
b. Um bom exemplo: Igreja de Filadélfia – Ap 3.7 (Igreja dedicada à obra missionária).
“Quem realiza a obra do ministério não são os ministros, mas os membros da Igreja, segundo escreveu Paulo em Ef 4.11.13. Eles são treinados e aperfeiçoados para a obra do ministério. É a Igreja que evangeliza, prega e ora pelos doentes… Podemos ser uma Igreja evangelística se realizarmos nossas estratégias. Infelizmente estamos discutindo o ontem, enquanto o amanhã se apresenta para nós hoje. Os métodos mudam, mas a mensagem permanece. Precisamos dispor de métodos adequados à realidade atual. Diria até que todos métodos adequados às realidades regionais… As estratégias têm de ser aplicadas de acordo com a situação que estamos vivendo”. “Geremias do Couto – Revista Obreiro – Abril/Maio 1996”.
1.17. Panorama de missões mundiais
Em 1860 visitava a Inglaterra Hudson Taylor depois de um período de árduo trabalho na China, em suas palestras e conferências no interior do país ele proclamava a necessidade de se alcançar os chineses, pronunciou a seguinte frase: “Um milhão por mês morrendo sem Deus”, estas palavras soavam aos ouvidos da sua audiência e muitos respondiam o seu apelo. Estavam sendo Criados os fundamentos de uma grande sociedade missionária (missões para o interior da China) MIC.
1.18. A população mundial e povos do mundo
Ao determinar a grande comissão em (Mc 16.15) entre os anos 32 a 33 AD a população mundial era de aproximadamente 175.000.000 de habitantes; mais de 1950 anos depois somos mais de 5,7 bilhões de pessoas. A bem da verdade este crescimento populacional não é correspondido com o crescimento do evangelho no mundo.. Vejamos alguns dados:
1.18.1. Explosão da população mundial
Estes números nos dão uma visão geral da explosão populacional da terra. A cada ano a necessidade de pregar o Evangelho aumenta de maneira surpreendente e é necessário um esforço missionário como nunca antes foi praticado.
Somente a unção do Espírito Santo, derramada no coração da liderança das Igrejas Nacionais, pode minorar este quadro desolador. Esta responsabilidade é de cada um de nós também. Está escrito: … Até aos confins da terra (At 1.8)
1.18.2. A urgente necessidade de evangelização
Há urgência da Igreja de Jesus Cristo tomar uma posição ativa na evangelização, as nossas desculpas já não encontram eco dentro da nossa própria comunidade. A Igreja em Antioquia, colocou todo o seu potencial à serviço das missões, dali o apóstolo Paulo partiu para suas três viagens missionários, daqui foram fundadas todas as Igrejas da Ásia Menor. O apóstolo Paulo diz: “Mais em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da Graça de Deus” (At 20,24).
Está escrito no Sl 96.3 “Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos povos as suas maravilhas”. Metade da população terrestre não têm chance de ouvir as boas novas do Evangelho. Esta responsabilidade não foi dada aos anjos, mas aos homens mais precisamente a sua Igreja (Mt 28-18-20).
1.18.3. Ainda há tempo!
Esta é a visão panorâmica de um mundo que vive sem Deus, sem paz e sem salvação, a espera da esperança libertadora e salvadora do Evangelho de Cristo Jesus. Não podemos nos conformar, nem encarar tal fato de maneira natural, este fato é inquietante, para os que amam a Cristo Jesus e querem ver cumprido o escrito em Ap 7.9 “Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão a qual ninguém podia contar, de todas as nações e tribos, e povos, e línguas que estavam diante do trono e perante o Cordeiro, trajando vestidos brancos e com palmas nas suas mãos”.

CURSO DE TEOLOGIA GRÁTIS COM CERTIFICADO TAMBÉM GRÁTIS - lIGUE: 1141716380

Nossas Redes Sociais

Em breve começaremos a postar conteúdo em nossas redes sociais. Siga-nos e aguarde.

Atenção! Estamos em FASE DE TESTE, algumas funcionalidades ainda estão sendo desenvolvidas e as disciplinas ainda estão sendo organizadas e divididas em lições e aulas. Se você quiser nos ajudar, clique aqui (ou se tiver whatsapp, clique aqui) e envie o seu feedback sobre como podemos construir o melhor curso de Teologia GRATUITO do Brasil. Obrigado!