Ir para o site...

CURSO DE TEOLOGIA GRÁTIS COM CERTIFICADO GRÁTIS

Pentateuco

O Pentateuco, (nome que vem do grego e significa “cinco rolos”) também chamado de Livro da Lei pelos judeus, ou às vezes referido como a Lei de Moisés, este é a famosa TORAH judaica.
Existem dois elementos que compõe este conjunto de cinco livros:
(1) História – embora não seja um compêndio de história, o Pentateuco remonta à origem da raça humana e fala das regiões pelas quais ela se espalhou.
(2) Lei – Este ponto é de tal modo proeminente no Pentateuco que recebeu o apelido de Livro da Lei (ou Torah). O 3º livro – Levítico – é inteiramente composto de leis (especialmente leis litúrgicas), os outros tem leis e discursos e história misturados. O Gênesis é o livro que narra os tempos primitivos de Adão a Noé, e de Noé a Abraão.
As leis no Pentateuco dizem respeito a todas as relações da vida humana, seja com Deus, ou seja, com o próximo. Impressionante é que toda a legislação do Antigo Testamento está contida nestes cinco livros.
Um fato maravilhoso, e isto é um dos pontos que torna a Bíblia especial, é que os dois elementos (história e lei) estão expostos como duas linhas de pensamento fantasticamente combinados, formando um rio único de informações através do Pentateuco demonstrando um plano e uma unidade admiráveis. A história sem as leis não é compreensível, nem as leis são inteligíveis à parte da história, assim se tornam um conjunto único e de uma continuidade singular.
Podemos classificar os temas de cada um dos cinco livros da seguinte forma:
Gênesis – A fundação da nação hebraica;
Êxodo – O Concerto com a nação hebraica;
Levítico – As leis da nação hebraica;
Números – A viagem para a Terra Prometida;
Deuteronômio – As leis da nação hebraica.
É importante notarmos que o Pentateuco tem aproximadamente 4000 anos de existência. Foi escrito durante o período da peregrinação do povo de Deus no deserto do Sinai (ca 1500 anos aC) e é o legado da formação da raça humana e de um povo de forma extraordinária. São as raízes do povo hebreu, sua identidade, sua história, seu papel entre as nações da terra e seu futuro.
A importância primária do Pentateuco é muito mais teológica e não tanto histórica; a história é o pano de fundo das ações de Deus no fazer surgir uma nação especial.
É nesta história inicial que Deus se revela e ensina o que significa ser Israel e servir ao Senhor como Israel. O tema central do Pentateuco está em Ex 19:4-6
“Vós tendes visto o que fiz: aos egípcios, como vos levei sobre asas de águias, e vos trouxe a mim. Agora, pois, se atentamente ouvirdes a minha voz e guardardes o meu pacto, então sereis a minha possessão peculiar dentre todos os povos, porque minha é toda a terra; e vós sereis para mim reino sacerdotal e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel.”
Este texto central olha para o passado e para o futuro – é escatológico em sua essência, transpira glória e esperança. Conta a história a partir de Abrão, chamado de dentro do paganismo sumeriano para fundar uma nação que seria uma bênção a todas as nações.
A humanidade, que Deus havia criado em Sua imagem e semelhança para governar sobre toda a criação havia violado a sagrada confiança e mergulhou todo o universo em uma ruína caótica de rebelião moral e espiritual, com trágicas conseqüências no mundo material.
Daí a importância significativa de Israel – a de anunciar este Deus ao mundo e de ser um povo sacerdotal a todas as nações, ensinando, pela via prática, o que é seguir a este Deus supremo e soberano do universo.
Assim Deus proveu o povo de Israel com uma base histórica e teológica para a sua posição como povo peculiar – isto é o que quer dizer “minha possessão peculiar”.
A palavra Torah quer dizer “ensino, instrução”. Daví, o segundo rei da nação hebréia, e o rei segundo o coração de Deus, expressa esta visão através de um louvor que se constitui no maior poema composto – o Salmo 119. Todo este salmo gira em torno da maravilha que é a Lei de Deus, o privilégio de se seguir a Lei de Deus, os seus benefícios e sua sabedoria.
No Salmo 19.7-8, Daví já nos fornece com uma visão prévia desta sua compreensão da Lei, quando diz:
A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel, e dá sabedoria aos simples.
Os preceitos do Senhor são retos, e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro, e alumia os olhos.
A importância fundamental e relevância do Pentateuco para nós hoje está em sua teologia, e não na sua forma literária ou outros aspectos. Perguntas como:
a) Que verdade Deus está nos comunicando a respeito dele mesmo?
b) O que Deus está revelando a respeito de Seus propósitos?
c) O que significava esta revelação para o Israel do AT e para a igreja do NT?
d) Qual o significado para o cristão contemporâneo? E sua igreja?
O grande tema do Pentateuco é a reconciliação e restauração da humanidade e criação que foram afetadas pela desobediência humana.
As instituições do Concerto do Sinai, as leis, os rituais litúrgicos, etc, capacitaram a nação a viver sua tarefa de serva como povo santo, e através desta santidade atrair a humanidade perdida ao único Deus vivo e verdadeiro. É apenas neste fundamento teológico-histórico que podemos entender a missão do povo santo de Deus em Cristo – a igreja, Corpo de Cristo – nos dias atuais. Disto se deriva o entendimento de que somos um povo sacerdotal.
Sl 103.17-18
“Mas é de eternidade a eternidade a benignidade do Senhor sobre aqueles que o temem, e a sua justiça sobre os filhos dos filhos, sobre aqueles que guardam o seu pacto, e sobre os que se lembram dos seus preceitos para os cumprirem.”

GÊNESIS – UM PANORAMA
Introdução
Gênesis é palavra de origem grega, singular, feminina, que significa causa, princípio, produção, geração, criação, nascimento, origem e ação de tornar-se, em oposição a ser. Conjunto dos seres criados – a Criação.
Gênesis é o nome do primeiro livro do Pentateuco, o conjunto dos livros que iniciam as Escrituras Sagradas. Moisés teria organizado o Pentateuco, em sua essência, por volta do séc. XIV a.C. mas, seu texto foi, gradualmente, completado, por redatores, posteriores a ele, que o suplementaram.
O livro de Gênesis é também citado no Novo Testamento, Atos 15, e sua temática aparece em outros documentos antigos, como o Documento de Mari, um dos mais antigos documentos existentes sobre as migrações semitas, em direção à Sumer, na Mesopotâmia. Mari, atualmente, é denominada tell Hariri. No documento citado há referências a Abraão e Jacó. No entanto as condições apresentadas, leva-nos a deduzir que a presença dos semitas, na região, era ainda pouco desenvolvida, no séc. XXVIII a. C., porque as inscrições, em língua suméria, assim como a estatuária, demonstram que a influência dos semitas, na Mesopotâmia é bem mais recente (para a questão consultar: P. Jouguet e J.Vandier in Les Premières Civilizations, Col. Peuples et Civilizations, Paris, 1950, p.115).
Ao tempo do rei Saul, sagrado em 1080, a.C., como o primeiro rei de Israel, atualizou-se a redação do Pentateuco.
O Pentateuco estabelece relações entre a história, a lei e a doutrina. Através da história é explicada a origem do povo de Deus; e através da lei, Israel seria a nação, através da qual, Deus redimiria o homem. O Gênesis descreve a origem desta nação, ao mesmo tempo em que a lei será estabelecida, posteriormente, através do texto do Decálogo, no livro do Êxodo, capítulo 20.
O texto em Gênesis pode ser dividido em duas partes:
a) Dos capítulos 1-11, em que são descritas: as origens do mundo e da espécie humana, a queda do homem e o primeiro homicídio.
b) Dos capítulos 12-50, em que é descrita a sucessão das gerações de Adão a Noé, e as de seus filhos, Sem, Cam, Jafté. Sem, seria seu filho mais velho, cujos descendentes, povoaram a Ásia: Elam, Assur, Arfaxad, Lud e Aram, fundadores de povos importantes, no povoamento da Ásia, como os elamitas, os assírios e os arameus. Abraão foi descendente de Arfaxad.
No Gênesis é relatado o maior espaço de tempo histórico da Bíblia. Seus onze primeiros capítulos são uma introdução maravilhosa às Escrituras, pois n’Elas descrevem-se, não somente a Criação do mundo, da natureza e dos os seres vivos, animais e vegetais, como a do homem, também parte desta Natureza, mas a quem fôra atribuída uma parcela da Divindade, através de sua alma imortal.
Além de tudo isto ainda são apresentadas aí, as principais doutrinas teológicas:
a) Dos capítulos 1-11, descreve-se: a origem do mundo, da espécie humana, a queda do homem, e o primeiro homicídio.
b) Dos capítulos 12-50, descrevem-se: a sucessão das gerações de Adão a Noé – de Sem , aos descendentes de Abraão, Isaac e Jacó – até a morte de José, portanto a história daqueles que aceitaram o Deus Único, àqueles, através dos quais, Deus mostrou-se ao homem.
As Escrituras foram redigidas para todos os homens, em todos os tempos. Desta forma tornou-se necessária uma linguagem que não se restringisse apenas a esta ou aquela cultura ou idioma, mas que fosse acessível a todas as línguas e culturas, em todo tempo.
O “discurso bíblico” é – tanto no Velho Testamento, como no Novo Testamento – desenvolvido através de uma linguagem simbólica, em que, o sentido do que se quer dizer, ultrapassa o da expressão literal das palavras empregadas. Por isso é que, às vezes, algumas passagens parecem ao leitor, um tanto difíceis, mesmo um tanto obscuras. Importante é que se compreendam os significados variados, de conceitos gerais, tais como: morte, vida, corpo, e outros, que são especialmente encontrados no livro de Gênesis.
É interessante ainda notar-se que o tempo, desde a criação é contado por unidades de sete dias, as semanas, correspondentes às fases do calendário lunar, tipo de cronologia, geralmente ligado aos povos pastoris.
Quanto ao “Espaço Primordial” terrestre, não se restringe somente ao espaço Palestino. O Éden, criado por Deus para o homem, achava-se em parte, em região que na Antigüidade chamava-se Mesopotâmia, que significa “Região entre rios” no caso, a região hoje chamada Iraque, situada entre os rios Pison, Gion, Êufrates e Tigris, Gênesis 2.11-14.
Inicialmente as condições em que vivia o homem, ligavam-no à Natureza, materialmente. Mas, no entanto, fôra o “sopro divino” que o tornara “alma vivente, à imagem e semelhança” de Deus, Gênesis 1.26, 5.1, 9.6, 11.7 e Tiago 3.9.
Uma vez que os seres humanos foram criados à semelhança de Deus, como não o fôra criatura alguma, homens e mulheres podem, não só refletirem como reproduzirem – dentro de sua própria condição de criaturas humanas – os santos caminhos de Deus.
Fomos criados dentro deste propósito e, num determinado sentido, seremos verdadeiros “seres humanos”, na medida em que o cumprirmos.
Por imagem e semelhança, compreende-se:
– A existência do homem como uma “alma” ou um “espírito”, isto é, como um ser pessoal, auto-consciente, com capacidade para pensar, conhecer e agir Gênesis 2.7.
– Ser criatura moralmente correta – qualidade perdida na queda – mas progressivamente restaurada por Cristo.
– Ter o domínio sobre o meio ambiente.
– O corpo humano é o instrumento, através do qual, o homem experimenta a realidade, expressa-se e exerce o domínio.
– Ter a capacidade, dada por Deus, de usufruir a vida eterna Efésios 4.24 e Colossenses 3.1-17.
A condição humana original foi transformada por incapacidade do homem em controlar a tentação da vaidade, e desobedecer a Deus, o que provocou sua “morte”. A “morte de Adão” não foi física, mas significa que o homem perdera sua comunhão com Deus, não por ter ingerido o fruto que lhe fôra proibido, em si, mas pela desobediência explícita a Deus, Gênesis 2.17-23.
Conclui-se que, neste contexto, “morte” corresponde ao afastamento de Deus, e à perda da imortalidade, que só seria restabelecida, através da vinda de Cristo.
Conseqüências:
1. A consciência do erro, que se manifestou pela vergonha de sua nudez.
2. A expulsão do Paraíso, o espaço em que fôra criado por Deus, para o abrigar.
3. A mulher passou a ser dominada pelo homem, Gênesis 3.1-17, e a parir com dor. Há aí, quanto à mulher, uma relação entre sexo, gestação, dor e dominação pelo homem.
4. Quanto ao homem a imposição de garantir o sustento a si e aos seus à custa de esforço físico, por seu trabalho.
5. Quanto à expulsão, teve por objetivo afastá-los da árvore da vida e impedi-lo que conseguissem a vida eterna, Gênesis 3.23-24. Conclui-se, que neste contexto, mais uma vez, que “morte” corresponde a afastamento de Deus e perda da imortalidade, o que só seria restabelecida, através da vinda de Cristo.
“Vagabundo e fugitivo” – Esta foi a sentença proferida por Deus contra Adão, o que significa que, sem abrigo ou proteção, foram levados ao nomadismo Gênesis 4.14.
O livro do Gênesis é o livro inicial não só da Bíblia como também de toda a história da existência. Gênesis quer dizer começo, origem. Inicia-se com o primeiro ato da criação.
O título é por demais adequado ao conteúdo do livro, pois tem a ver com a origem divina de todas as coisas, seja matéria ou energia, vivo ou inanimado. Implica em que à parte de Deus tudo pode ser rastreado até o ponto inicial quando os propósitos e obra de Deus vieram a existir. O Gênesis indica que Deus trouxe à existência “os céus e a terra”.
O sumário da conclusão do Gênesis (46.8-27) se encontra no Êxodo 1:1-7, e serve como ponte entre os patriarcas e a libertação do êxodo, ressaltando a continuidade da história do Pentateuco.
O Tema do livro de Gênesis – a criação – é duplo porém numa mesma direção:
a) A criação do universo e da raça humana;
b) A criação de um povo sacerdotal para a raça humana.
– é como se fossem dois trilhos de uma linha de trem, que começam na criação e terminam na libertação (salvação).
Entretanto, falar-se de começo apenas não é totalmente satisfatório porque não responde a uma pergunta histórica e teológica fundamental – por que? Saber o que Deus fez – que criou todas as coisas no começo – é importante, mas saber por que Deus atuou na criação e para a redenção é compreender a verdadeira essência da revelação divina.
O tema do Gênesis centra-se em torno da primeira expressão comunicadora de Deus ao homem, quando disse: “Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra”.
Deus deixa claro que Ele criou o homem e a mulher para abençoá-los para que pudessem exercer o domínio, por parte de Deus, sobre toda a criação. Foi a desobediência humana que ameaçou o propósito de Deus para a humanidade na criação. A isto Deus responde chamando Abraão, através do qual a bênção de Deus iria finalmente triunfar. Esta visão deriva não apenas do Gênesis em si, mas de uma visão total da teologia bíblica – algo de fundamental importância para uma verdadeira e saudável compreensão da revelação de Deus.
O livro é estruturado sob forma de três grandes seções:
1. a primeira dedicada aos eventos originais (Gn 1-11) escrita na forma de narrativa poética para facilitar a transmissão oral;
2. a segunda que se constitui no relato dos 3 primeiros patriarcas (Gn 12-36; 38) são relatórios acerca destes ancestrais retidos num registro familiar;
3. a terceira que é a narrativa de José (Gn 37; 39-50) sendo uma breve história contendo tensões e resoluções.
É de fundamental importância entendermos que o livro do Gênesis apresenta uma história, na forma de narrativa que abraça uma variedade de tipos literários, para comunicar clara e eficazmente sua mensagem teológica, que essencialmente está declarada em Gn 12.2.
O propósito básico do livro era o de dar à nação de Israel uma explanação de sua existência, quando estavam no limiar da conquista de Canaã. Moisés, autor profético inspirado por Deus, tinha a tarefa de esclarecer o seu povo do como e por que Deus os trouxe a existência. Ele também queria que eles soubessem que sua missão era a de nação sacerdotal, fruto de um concerto, e como sua situação presente era o cumprimento de antigas promessas.
Cuidadosa atenção dada aos temas que ligam o Gênesis aos demais livros do Pentateuco, esclarecem estes propósitos. Deus revelou a Abraão que lhe seria garantida uma terra – Canaã !2.1,5,7; 13.15); que seus descendentes deixariam aquela terra por um tempo (15.13); que eles seriam libertados da terra de seus opressores e retornariam à terra da promessa (15.16). Esta terra seria deles por todo o sempre (17.8) como sendo um centro a partir da qual eles seriam uma bênção a todas as nações da terra (12.2-3; 27.29).
José entendeu isto e viu na sua própria viagem ao Egito a preservação divina do seu povo (45.7-8). Deus o havia enviado para lá para salvar o povo da extinção espiritual e física (50.20). Viria o tempo no qual Deus iria lembrar Sua promessa a Abraão, Isaque e Jacó, e os traria de retorno a Canaã (50.24). Aquí o povo serviria a Deus como agente redentivo, um catalisador em torno do qual as nações seriam reconciliadas com Deus (Dt 4.5-8; 28.10).
Entretanto, a mensagem teológica do Gênesis vai além da estreita limitação de apenas Israel. O livro, além de fornecer a razão de ser de Israel, explica a condição humana que exigia um povo da aliança. Isto é, desvenda os grandes propósitos criacionais e redentivos de Deus que se focalizam em Israel como agente da re-criação (conceito da nova criatura) e salvação.
Lembremos que o propósito eterno e original de Deus, delineados em Gn 1.26-28, foi ao criar o homem à Sua imagem e semelhança, abençoá-los de tal forma que pudessem exercer o domínio sobre toda a criação por parte de Deus – o domínio humano sobre a criação de Deus com a sanção divina. A queda da raça humana subverteu o objetivo de bênção e domínio de Deus.
O processo de redenção e recuperação da aliança original se fazia necessário. Isto tomou forma na escolha de Abraão, através de cujo filho (Israel e em última análise o Messias) os propósitos criacionais divinos viessem a se realizar. Aquele homem e nação, unidos pela eterna aliança a Jeová, foram encarregados com a tarefa de serví-lO como modelo de um povo de domínio e o veículo através do qual um relacionamento salvífico pudesse ser estabelecido entre Deus e o mundo alienado das nações.
A história mostra que Israel falhou em ser o povo servo, um fracasso antecipado na Torah (Lv 26.14-39; Dt 28.15-68). A grande lição teológica vivencial, no entanto, é que os propósitos de Deus não podem ser para sempre frustrados. O povo de Deus do AT serviu como modelo do Reino do Senhor e agência através da qual Sua obra reconciliadora na terra poderia ser alcançada através do Seu povo do NT. A igreja existe agora como Seu corpo para servir como Israel foi escolhida e redimida para servir.
A teologia do Gênesis está envolta nos propósitos do Reino de Deus que, a despeito dos fracassos humanos, não pode ser impedido no Seu objetivo último de demonstrar Sua glória através de Sua criação e domínio.

ÊXODO – UMA VISÃO GERAL

Êxodo quer dizer “saída, caminho de saída, escape”. Moisés foi testemunha ocular de quase tudo o que está registrado neste livro, exceção às primeiras informações, que recebeu da mesma forma que as registradas no Gênesis. Foi composto como sendo um diário, tendo sido registrado à medida em que os vários episódios se desenrolaram ao longo do tempo.
É muito difícil decidir-se sobre um tema único que unifique todo o material variado deste livro.
Segue-se disto que várias abordagens ao livro, seu conteúdo e estrutura são possíveis. Umas são mais geográficas, outras mais históricas e outras ainda, mais teológicas.
Uma primeira abordagem centra na parada no Sinai onde o povo redimido encontra-se com Deus e concorda em associar-se a uma aliança com Ele como centro teológico. A perseguição de Israel no Egito; o nascimento de Moisés, seu exílio e retorno ao Egito como líder de Israel; as pragas e a poderosa saída – o próprio êxodo – todos levam ao clímax do compromisso da aliança. Da mesma forma, tudo o que vem após – o estabelecimento de métodos de culto, sacerdócio e tabernáculo – fluem do concerto e permitem o mesmo ser posto em prática.
Uma segunda abordagem olha a presença de Deus com Israel e em meio a Israel como tema central. A presença salvadora de Deus com Israel resulta na sua libertação da escravatura egípcia. A presença continuada de Deus exige obediência ao compromisso da aliança e de culto.
Uma terceira abordagem focaliza o senhorio de Deus como tema teológico central. No Êxodo Deus é revelado como sendo Senhor da história(1.1-7.7), Senhor da natureza (7.8-18.27); Senhor do povo da aliança (19.1-24.14), e Senhor do culto (25.1-40.38).
Uma abordagem, das mais interessantes, que focaliza um tema teológico central, é a que divide o livro em duas partes, uma enfocando o nascimento físico (1.1-15.27) e outra o nascimento espiritual (16.1-40.38) da nação de Israel. Esta permite ver o paralelo com a grande verdade universal: o nascimento da raça humana fisicamente e o “novo” nascimento espiritual, o que também se aplica a cada ser humano individualmente.
Apesar de muitas vezes focalizar-se os 10 mandamentos como sendo o foco central do Êxodo, esta abordagem leva a grandes falhas de entendimento teológico da ação de Deus. Uma percepção teológica importante que se ganha no re-conhecimento de que os caps. 20-23 são um concerto na sua natureza e não apenas uma lei, não dependendo de comparações com outras leis antigas da época. O livro do Êxodo não é um tratado legal abstrato e frio. É muito mais; é lei nascida de uma situação concreta do compromisso com a aliança de Jeová com a nação de Israel, que Ele mesmo libertou da escravatura egípcia.
Assim, este livro é a história de dois parceiros de um tratado – Deus e Israel. O Êxodo relata a narrativa de como Israel se tornou o povo de Deus e esclarece os termos do concerto pelos quais a nação deveria viver como povo de Deus.
O Êxodo revela o caráter do Deus santo, fiel, poderoso e salvador que estabelece uma aliança com Israel. O caráter de Deus é demonstrado tanto pelo nome de Deus quanto pelos atos de Deus. Deus se designa primeiramente como o “Eu sou”, que está presente para o Seu povo e atua em seu favor. Outro aspecto do nome de Deus é a designação de “Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó”, que ilustra Deus como Aquele que é fiel às Suas promessas aos patriarcas.
Este livro também revela o caráter de Deus através de Seus atos, preservando a Israel da fome pelo envio de José ao Egito. Os faraós vinham e iam, mas Deus continuava o mesmo preservando o Seu povo através da opressão. Deus então resgata e salva, guia e provê, disciplina e perdoa. Uma grande revelação do caráter amoroso e imutável de Deus.
O êxodo também demonstra o caráter fraco do povo, ao tempo em que demonstra o plano de Deus olhando para o passado e apontando para um futuro de promessas cumpridas.
Um ponto alto teológico se encontra no cap. 19.4-6, que delineia a verdadeira natureza de Israel e seu papel no plano universal de Deus:
“Vós tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águias, e vos trouxe a mim; agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes o meu concerto, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a terra é minha. E vós me sereis um reino sacerdotal e um povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel.”
Em resposta o povo aceitou os termos da aliança com a expressão de 19.8:
“Então todo o povo respondeu a uma voz, e disseram: Tudo o que o Senhor tem falado, faremos. E relatou Moisés ao Senhor as palavras do povo.”
Para que o povo de Israel fosse um reino sacerdotal teria que funcionar como mediadores e intercessores, pois isto é o coração da função sacerdotal. O que o concerto do Sinai fez, não foi estabelecer um relacionamento e função, pois estes há muito já haviam sido definidos. O que a aliança do Sinai realizou foi definir a tarefa do povo de Deus.
O povo de Deus foi formado para ser uma nação, levada a uma posição histórica e teológica onde poderiam aceitar voluntariamente (ou rejeitar) a responsabilidade de se tornarem instrumento de Deus para bênção de todas as nações (vide Sl 114.1-2).
Em conclusão, a teologia de Êxodo está enraizada na servitude. Está centralizada na verdade de que o povo escolhido, libertado da prisão de um povo hostil pelo poder de Jeová, foi trazido a um ponto de decisão. O que fariam com a oferta de Deus de torná-los um povo servo há muito prometido a Abraão? A sua aceitação voluntária a esta oferta generosa os obrigaria às condições, condições estas declaradas no Livro do Concerto (Ex 20.1-23.33) e no remanescente do mesmo.

LEVÍTICOS – HOLOCAUSTOS, OFERTAS E SACRIFÍCIOS

O livro de Levítico é o livro da instituição sacerdotal e litúrgica. Apesar de ser chamado de Levítico – apontando para os levitas (tribo sacerdotal) não são eles a figura central do livro mas sim o povo de Israel e Deus. O nome do livro indica apenas que é um manual para o ofício de levita.
O último versículo do livro situa o livro no seu contexto escriturístico (Lv 27.34): “Estes são os mandamentos (obrigações da aliança) que o Senhor (o Deus da Aliança) ordenou a Moisés (o mediador da aliança), para os filhos de Israel (o povo da aliança), no monte Sinai (o lugar da aliança).”
O tema geral do livro de Levítico é o de comunicar a tremenda santidade do Deus de Israel e delinear os meios pelos quais o povo poderia Ter acesso a Ele. Mostra que o abismo que separa o povo de seu Deus só poderia ser cruzado pela confissão de sua indignidade e de sua sincera adesão aos ritos e cerimoniais prescritos por Deus como pré-condição do relacionamento pessoal.
O valor intrínseco do livro de Levítico consiste em 4 realidades:
a) Levítico é uma revelação do caráter divino a nós hoje tanto como naquele tempo.
b) É uma exposição simbólica dos princípios básicos que são base para o relacionamento entre Deus e os homens, tão verdadeiro no passado como hoje.
c) Levítico fornece um corpo de uma Lei Cível para a teocracia; apesar de alguns detalhes estarem ociosos nos dias atuais, os seus princípios permanecem válidos e deveriam nortear as legislações de hoje.
d) O livro é um tesouro de ensinos tipificados e simbólicos. As maiores verdades espirituais estão entesouradas aqui como símbolos vívidos. É uma pré-revelação da pessoa e obra de Jesus Cristo.
Com estes fatos em mente vamos ao nosso primeiro estudo de uma série de 3 sobre o Levítico. Estudaremos aqui a parte referente aos holocaustos, ofertas e sacrifícios (caps. 1 a 7), que se estudados com detalhes oferecem uma fascinação irresistível, e uma seção sobre o sacerdócio (caps. 8 a 10) que é de interesse insuperável.
As Ofertas – detalhadas nos caps. 1 a 5 e as leis que as regulamentam nos caps. 6 e 7. Havia 5 tipos de ofertas, divididas em 2 grupos: as 3 primeiras eram ofertas de “cheiro suave” (oferta queimada ou de holocausto; oferta de manjares e oferta de paz ou sacrifício pacífico) eram voluntárias, e as 2 seguintes que eram “compulsórias” (oferta de expiação pelo pecado e oferta de expiação de culpas – transgressões) . Estas ofertas são riquíssimas em significado espiritual, apontando para o sacrifício supremo e multifocal do sacrifício de Cristo no Calvário. As ofertas de cheiro suave tipificam Cristo nas Suas próprias perfeições meritosas. As ofertas compulsórias (de cheiro não suave) tipificam Cristo suportando os deméritos do pecador. As ofertas de cheiro suave falam daquilo que a oferta de Cristo significa para Deus; enquanto que as ofertas compulsórias falam do que o sacrifício de Cristo significa para nós – e é em conexão com estas que encontramos nove ocorrências da expressão “e lhes será perdoado”.
Vejamos alguns aspectos distintivos destas ofertas:
Oferta de holocausto ou queimada: tipifica Cristo “oferecendo-se a Si mesmo sem mácula a Deus”. É um prenúncio de Cristo na Cruz do Calvário, não tanto no sentido de carregar nossos pecados, mas no sentido de cumprir a vontade de Deus (conforme Sua oração no Getsêmane).
Oferta de manjares: tipifica a perfeita humanidade de Cristo. A ênfase está na vida que estava sendo oferecida – estabelece a perfeição de caráter que outorga a esta oferta o seu valor inexprimível.
Oferta de paz (sacrifício pacífico): fala da comunhão restaurada resultando da perfeita satisfação alcançada em Cristo. Deus é propiciado e o homem é reconciliado – há paz!
Oferta de expiação pelo pecado: tipifica Cristo como aquele que carregou nossos pecados – “feito pecado por nós” (2 Cor 5.21).
Oferta de expiação de culpas ou transgressões: note-se culpas no plural! Tipifica Cristo como Expiador, fazendo restituição (expiação) pelas ofensas causadas pelos nossos atos errados.
Observemos a ordem destas ofertas. No estudo sobre o Tabernáculo (Êxodo) verifica-se que os móveis estão na ordem inversa da aproximação humana. Deus começa com a Arca do Santo dos Santos, movendo para fora, de Sí para o homem. A mesma seqüência é seguida nestas ofertas levíticas. Deus começa pela oferta de holocausto e termina com a oferta de expiação de culpas. Ele termina onde nós começamos. Se considerarmos estas ofertas na sua ordem inversa verificamos que elas correspondem exatamente à ordem de nossa apreensão espiritual de Cristo – a primeira coisa que vemos na cruz de Cristo ao despertarmos como crentes salvos é o perdão de nossas transgressões; e assim por diante!
Na segunda parte, a que se refere aos Sacerdotes (caps. 8 a 10), A idéia é que se o relacionamento entre os redimidos (nós) e seu santo Deus é para ser mantida, então tem que haver não apenas um sacrifício (caps. 1-7), mas também um sacerdote (. 8-10); ao lado da absolvição da culpa tem que haver a mediação! Isto também aponta para Cristo como sendo o nosso Sumo Sacerdote (Heb 10.19-21) – que fala do caminho VIVO por causa da ressurreição.
Aqui temos no Cap.8 a CONSAGRAÇÃO dos sacerdotes – são separados para Deus; no cap.9 temos a MINISTRAÇÃO quando os sacerdotes iniciam seus ofícios de servir; e no cap.10 a VIOLAÇÃO desta consagração, quando Nadabe e Abiú oferecem “fogo estranho”.
Belíssima ilustração da consagração temos no cap.8 onde vemos a ordem da consagração (vs 1 a 13) seguidas da BASE da consagração – o sangue (vs 14-36).
Notemos que Aarão foi ungido antes da morte do sacrifício e seus filhos após a morte do sacrifício. Sem o derramamento do sangue Aarão e seus filhos não podiam estar juntos na unção – apontando para Cristo estando só no Calvário. Após o derramamento do sangue, Moisés unge Aarão e seus filhos com ele. Isto tipifica Cristo e Sua casa sacerdotal – unidos em ministério sacerdotal; assim estamos todos diante de Deus pela virtude de um só e mesmo sacrifício.
Isto deveria acender em nós a consciência de que os mediadores ordenados por Deus (santos sacerdotes) estão imbuídos da continuidade do ministério da intercessão, modelado por Moisés, aperfeiçoado em Cristo, e continuado por nós.
Leis, Proibições e Sacerdócio

No estudo anterior focalizamos os Sacrifícios e o Sacerdócio. Neste segundo estudo sobre Levítico, nos caps. 11 a 17, focalizamos a parte que cabe ao POVO e o lugar do ALTAR.
As leis e proibições constantes nos caps. 11 a 16, referem-se à questão da pureza – pureza do Povo! Esta pureza tinha que ser interna e externa – pois o Deus com quem se relacionariam era um Deus santo e puro! Neste caso pureza e limpeza são sinônimos perfeitos e aqui no Levítico são considerados assim.
O propósito desta parte é “fazer a diferença entre pureza e impureza” (11.47) e de “separar os filhos de Israel de sua impureza” (15.31). Nisto reside o imperativo categórico relativo ao serviço sacerdotal – o de purificar (16.30).
Os assuntos tratados são:
– alimento puro (11) – questões de dietas;
– corpo puro (12-13.46) – nascimento de filhos, doenças (lepra), asseio;
– roupa pura (13.47-59) – tratamentos dos trajes;
– casa pura (14.33-57) – higiene habitacional;
– contatos puros (15) – higiene e preservação sexual;
– nação pura (16) – purificação nacional pelo sacrifício expiatório.
O primeiro – Alimento Puro – se referia à vida animal, pois nem todos os animais eram apropriados para consumo. Apesar de que princípios de higiene estavam envolvidos indiretamente, a lição maior a ser aprendida era porque Deus é santo Seu povo também tem que ser santo (puro) – 11:44,47. A santidade (ou separação) do povo era para ser ilustrada pelos seus hábitos alimentares distintos.
O segundo – Corpo Puro – era um exemplo da diferença entre pureza ritualística e impureza visto na impureza associada com o nascimento de crianças. Comparação com a legislação do cap.15 esclarece que a impureza é originária das liberações do corpo associadas com o nascimento e não o ato do nascimento em si mesmo. Por que estas liberações corpóreas são consideradas impuras não é perfeitamente claro. Mas sugere-se que a perda de fluidos corpóreos, em especial sangue, poderia significar o início de morte, estado de impureza última (máxima). Ainda neste tópico, considera-se as diversas manifestações de doenças infecciosas da pele (corpo) como sinal de impureza. De todas as doenças na bíblia nenhuma é mais séria do que aquelas muitas vezes (embora sem precisão) chamadas de lepra. Pela lista variada de prescrições de cura entende-se que apontam para uma variedade de diferentes afecções. Mas a questão da purificação é primordial.
O terceiro ponto – Roupa Pura – é uma conseqüência imediata do ponto anterior em função da possibilidade do perigo de contágio. Daí o tratamento adequado do vestuário do doente e por extensão de sua casa.
O quarto ponto – Casa Pura – é o seguimento natural do ponto anterior (roupa pura), em que as partes afetadas da casa deveriam ser imediatamente reparadas, ou até mesmo a destruição (derrubamento) da casa toda em casos extremos.
O quinto ponto – Contatos Puros – tem a ver especificamente com as emissões de fluídos do órgão sexual masculino por razões de doenças, fluxo menstrual e outros tipos de emissão de fluídos femininos (incluindo sangue). Não que estes fluídos fossem necessariamente inerentemente impuros, ma simbolizam impureza e por isto tem que ser purificados por um ritual apropriado e sacrifício afim de que a santidade do povo de Deus possa ser assegurada e mantida.
Finalmente (cap.16) a questão da Nação Pura – a necessidade do Dia da Expiação – o maior ato de purificação, pois envolvia toda a nação! Este era o único dia no qual o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos da tenda. Neste dia o sumo sacerdote oferecia sacrifício por si mesmo, para depois oferecer sacrifício pelo povo, e expulsava então um bode (daí “bode expiatório”) do acampamento como símbolo da remoção do pecado da comunidade. Seguindo-se a uma oferta de queima (holocausto) o acampamento era purificado de todo sangue e restos animais através de cerimoniais da banhos e queimas do lado de fora do acampamento. O escritor de Hebreus utiliza o quadro dos animais queimados fora do arraial como uma ilustração de Cristo sofrendo fora das muralhas de Jerusalém (Hb 13:11-12).
Aprendemos, através de regulamentos extremamente práticos do dia-a-dia do povo de Israel, que havia uma intrínseca necessidade de separação entre o puro e o impuro. Deus havia chamado Israel para ser um povo separado para serviço sacerdotal (Ex 19.5-6). Entretanto, Israel era constantemente tentado a se conformar aos padrões dos povos vizinhos do Egito e de Canaã (Lv 18.3). As leis do puro e impuro testemunham da ”separação” de Israel do mundo e lembrar este povo de Deus de que Não pode haver comprometimento dos padrões divinos. O Senhor havia responsabilizado diretamente a Aarão a fazer distinção entre o santo e o profano (10.10). Os caps. 11 a 15 fornecem os exemplos disto.
Alguma coisa era pura ou impura apenas na medida em que o Deus soberano a declarava assim, isto em linha com Seu próprio critério inescrutável e santidade inerente. Temos que entender que a partir da santidade perfeita e absoluta de Deus partem estes critérios cujo critério último é para nós inescrutável, pois somos limitados, imperfeitos e impuros! Apesar de nos parecerem muitas vezes arbitrários, estes valores e categorias deixam claro que a santidade é essencialmente um assunto da discreção divina. O Deus soberano criou estes critérios com finalidade educacional para nós.
Israel fora convocada para ser santa nação (santo significando separado), por isto era tanto mais necessário que os sacerdotes fossem santos e puros, que em um certo sentido seriam os mediadores dos mediadores. Isto se aplica a nós se considerarmos que somos um sacerdócio santo em Cristo, que é nosso Sumo Sacerdote.
O Altar – (cap.17) – Não podemos fugir de notar que nesse capítulo apenas, de forma muito enfática, temos 5 vezes indicação do lugar estipulado para sacrifício – o Tabernáculo / altar. O significado é muito simples: há só UM lugar e apenas um, que Deus, na Sua soberana graça, elegeu para se encontrar com pecadores penitentes – a Cruz, da qual o altar à porta do tabernáculo era um tipo! Nenhum outro sacrifício! Nenhum outro sacerdote! Nenhum outro altar! Isto aponta diretamente para Atos 4.12!
Costumes, Penas e Festas

O assunto do livro de Levítico – Comunhão através da santificação – permite olharmos o livro em duas grandes partes: a primeira centrada nas Bases da Comunhão – Sacrifício, que estudamos nas duas lições anteriores. A Segunda grande parte: O Andar na Comunhão – Separação, enfocaremos agora (caps.18-27).
Esta parte de Levítico pode ser subdividida em 4 seções:
1. Regulamentos referentes ao Povo
• Proibições sexuais
• Admoestações gerais
• Sanções penais
2. Regulamentos referentes aos Sacerdotes
• Práticas proibidas
• Pessoas proibidas
• Ofertas proibidas
3. Regulamentos referentes às Festas
• O conjunto de estações anuais
• O óleo e o pão
• A penalidade da blasfêmia
4. Regulamentos referentes á Terra (Canaã)
• O ano sabático e do jubileu
• Alternativas da aliança
• Consagrações e dízimos
Observamos que nesta parte do livro, que trata da vida de comunhão com Deus, a Expressão “Eu sou Jeová” aparece quase 50 vezes! Isto em si mesmo expressa a razão básica da insistência por parte de Deus, na santidade de Seu povo.
A primeira seção, referente à conduta do povo (18-20), consiste de regulamentos morais para o povo como nação. Inicia-se esta parte por uma introdução formal e um encerramento formal. As proibições não se constituem em um código de conduta sexual exaustivo, mas é direcionado contra as violações mais grosseiras da castidade, que eram chocantemente prevalecentes entre as nações vizinhas. Demonstra que, tanto naqueles dias quanto hoje em dia, nada é mais vital do que proteção adequada das relações matrimoniais e familiares. Os elos matrimoniais e as relações familiares são santas para Deus e os cristãos deveriam se levantar em sua defesa! Nenhuma flexibilidade ou relaxamento que ponha em risco a proteção moral de toda a comunidade pode ser permitida. Isto também é válido nos dias atuais.
Na segunda parte (21-22) a questão da conduta dos sacerdotes é tratada. Se o povo deveria ser santificado para o Senhor, quanto mais os sacerdotes! Tal como o Tabernáculo era organizado em uma estrutura tripla – o átrio exterior, o lugar santo, e o Santo dos Santos – assim a nação também foi estruturada de maneira a lhe corresponder – a congregação, os sacerdotes, e o sumo sacerdote. À medida em que cada parte do Tabernáculo se tornava sucessivamente mais santa, assim também deveria acontecer com a nação – a santificação de Israel era para alcançar o sua expressão culminante na pessoa do sumo sacerdote, que por esta razão usava uma coroa com a inscrição “Santo ao Senhor”. Da mesma maneira em que Deus conferia ao sacerdote determinados privilégios exclusivos e especiais, a partir de sua escolha, família, tribo, os sacerdotes deveria por isto serem marcado por uma extrema santidade; e para assegurar isto , mais regulamentos de conduta foram dados. Resumem-se estes regulamentos em práticas, pessoas e sacrifícios proibidos. O sacerdote deveria ser separado de tudo o que é profano afim de não dessecrar o lugar santo e a santidade divina. Esta secção do livro de Levítico fala de maneira muito enfática ao povo de Deus hoje. Há muita necessidade de uma santidade mais verdadeira e autêntica entre nós, nós os que fomos constituídos um sacerdócio santo em Cristo!
A terceira parte trata das Festas (23). Aqui temos as 5 festas sazonais do ano hebreu. A Festa da Páscoa (também chamada de festa dos pães ázimos), a Festa do Pentecostes (chamada também de festa das semanas ou dos primeiros frutos), a Festa das Trombetas, o Dia da Expiação, e a Festa dos Tabernáculos (chamada também festa do ajuntamento).
Todas estas cindo festas, ou estações determinadas, tinham em comum o fato de que eram ocasiões de sábados especiais, todas eram momentos de santa convocação, congregavam-se para culto e gratidão.
N realidade estas 5 festas são sete ao todo: as duas outras – a do Ano Sabático e a do Ano Sabático do Jubileu, são encontradas no cap.25. Assim vemos um sistema fantástico de ciclo de sete: o sétimo dia, o sétimo mês, o sétimo ano e 7 vezes 7 anos. Assim Deus forneceu um perfeito sistema de relembrar a santidade divina, através dos 10 sabáticos:
1. O Sábado semanal
2. O primeiro dia dos pães ázimos
3. O sétimo dia dos pães ázimos
4. O pentecostes
5. O primeiro dia do sétimo mês (trombetas)
6. O dia da expiação (10º dia do sétimo mês)
7. O 1º dia da Festa dos tabernáculos
8. O 8º dia da festa dos tabernáculos
9. O ano sabático (7º ano)
10. O sabático de jubileu.
O propósito destas “estações determinadas“ e observâncias mensais era a de reconhecer que toda colheita e outras bênçãos são provenientes de Deus; que todo novo ano e todo novo mês deveriam ser dedicados ao Senhor da ceara; que a terra pertencia a Deus e que era ocupada apenas por causa de Sua bondade.
Todas as festas tem um significado simbólico espiritual para o novo testamento e exemplificamos apenas 2: a Páscoa, que era a celebração do livramento da escravidão, fala da salvação! Pentecostes (pente = 50; 50 dias após a Páscoa), que era a festa do encerramento da colheita – justamente no dia do início da igreja do Senhor; justamente 50 dias após a ressurreição de Cristo! Assim todas as festas tem seu significado Neotestamentário.
Por último a Terra (25-27) – Nada menos do que 30 vezes nestes 3 capítulos há referência a Terra demonstrando que Deus quer que Seu povo entenda bem e se preocupe com aquilo que é dado graciosamente por Deus para nossa vida! Deveríamos levar mais a sério nossas possessões como sendo de fato uma dádiva divina como privilégio estendido a nós!
Nenhuma motivação maior para integridade pessoal e de comunhão pode ser encontrada do que a de Levítico 11:45.
“Eu sou o Senhor, que vos fiz subir da terra do Egito, para ser o vosso Deus, sereis pois santos, porque eu sou santo”.

NUMEROS – ESTATÍSTICA, DISCIPLINA E OFERTAS
O estudo do livro de Números pode se tornar extremamente interessante, a despeito das muitas contagens, se tivermos em mente a estrutura histórica e geográfica do livro relativo ao desempenho espiritual do povo. É impressionante notarmos como a história acontece em função da obediência e fé, ou desobediência e falta de fé do povo. Consequentemente o livro ensina as gerações posteriores que a conformidade com a aliança traz bênçãos, mas a rejeição da aliança traz tragédia e lamento.
O livro de Números também documenta a organização efetiva das tribos em uma estrutura comunitária religiosa e política discernível, em preparação para a conquista e ocupação de Canaã.
Para melhor percebermos esta fantástica montagem histórica e geográfica de cunho espiritual, vejamos como o relato é estruturado:
A primeira parte – caps 1 a 14 – diz respeito à geração antiga (a que morreu, saiu do Egito e não entrou em Canaã) e transcorre no trajeto entre o Sinai e Cades, havendo aqui uma primeira contagem, uma instrução e uma peregrinação;
Na segunda parte – caps 15 a 20 – temos o período de Transição, a peregrinação no deserto;
Na terceira parte – caps 16 a 36 – vemos a nova geração (a que nasceu no deserto e entrou em Canaã sem conhecer o Egito) transcorrendo no trajeto entre Cades e a planície de Moabe, há aqui uma nova contagem, uma nova instrução e uma nova peregrinação.
Chama a atenção que há duas gerações (a que saiu do Egito e não entra em Canaã, e a que nasce no deserto e entra em Canaã sem conhecer o Egito) o que leva a duas contagens (censos) a duas jornadas e a duas instruções! Mais impressionante ainda é que a quantidade de pessoas que saíram (603.550) do Egito é praticamente a mesma que a quantidade de pessoas que entra (601.730) em Canaã – demonstrando que Deus realmente substituiu uma geração por outra quantitativamente e qualitativamente! Lembramos que foi a primeira geração que falhou na entrada em Canaã (no 2º ano após o Êxodo) resultando na peregrinação no deserto que tinha a finalidade de substituir a geração infiel e de pouca fé.
Há um profundo valor teológico nesta história e relatos de Israel, e isto corroborado em diversas passagens no NT, chamando a nossa atenção para o fato de que isto é para nós uma lição (veja I Coríntios 10:1-12) onde destacamos o v.11 – “Ora, tudo isto lhes acontecia como exemplo, e foi escrito para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos”.
Os primeiros 4 capítulos estão em 2 pares: o primeiro conjunto assim –
1 – contagem dos adultos masculinos;
2 – distribuição das tribos;
demonstrando uma organização que tinha finalidade militar pois revela o potencial da força combatente do povo.
O segundo conjunto desta maneira :
3 – contagem dos levitas masculinos;
4 – distribuição das tarefas levíticas;
este segundo grupo tinha a função especial de administração do serviço especial de culto a Deus.
Assim temos a organização, a partir do centro do acampamento, do Tabernáculo (peça central), os mais próximos eram os levitas guardando a entrada do Tabernáculo, e as tribos “leigas” mais distantes com finalidade de proteção geral, tendo a tribo de Judá na posição de liderança de todo o contingente. Esta organização reforça a preservação da pureza do Tabernáculo! Do mesmo modo deve ser preservada a pureza do Templo que não é feito por mãos humanas – o nosso corpo!
Os demais capítulos até o cap.10 dizem respeito a preservação da santidade do lugar do Tabernáculo e da pureza do povo de Deus o que pode ser visto na bênção Aarônica (6:24-27. Temos também as provisões para a manutenção de toda a estrutura orientada por Deus, culminando nas instruções de celebração da Páscoa e do levantar acampamento para marcha.
As seguir, nos caps 10 a 14 temos o relato de que, quase 2 anos após a saída do Egito, o povo estava com saudades do Egito e da comida deliciosa de lá. Moisés, abatido com a carga da liderança solitária, conversa com Deus e o Senhor lhe provê com 70 líderes cheios do Espírito para assistí-lo na função de anciãos. Este fato enfurece a irmã de Moisés (Míriam) e o seu irmão Aarão. Ambos expressam suas desaprovações, considerando que os seus prestígios haviam sido diminuídos, e assim desafiam a verdadeira capacidade profética de Moisés. O resultado foi um castigo severo sobre os dois, uma vez que Deus falava pessoalmente com Moisés, abertamente e não através de visões e sonhos (12:5,8). O sinal disto foi demonstrado quando Moisés restaura sua irmã à pureza litúrgica e ritual.
Não sendo suficiente estes incidentes, acontece outro! Na proximidade da terra de Canaã, Deus manda que Moisés envie 12 espias (entre eles Josué e Calebe) para avaliarem a terra e trazerem relatórios. A terra era rica e fértil mas a maioria (dez deles) argumentava que não podia ser conquistada – rejeitaram a dádiva de Deus! Mais uma vez a liderança de Moisés estava em questão, chegando o povo ao ponto de exigir sua renúncia em favor de alguém que os levasse de volta ao Egito (14:4-10). Como se não bastasse Deus também estava testando Moisés ameaçando destruir o povo.
A resposta de Moisés é algo de extraordinário e ecoa até hoje como uma das maiores provas de fé e confiança e conhecimento de Deus. O argumento de Moisés foi o de que se Israel falhasse na entrada em Canaã – a Terra Prometida – o mundo inteiro veria Jeová como sendo um Deus não confiável. Deus haveria de perdoar o povo por causa de Seu próprio Nome que estava em jogo. É neste ponto que temos um dos relatos mais rígidos e ao mesmo tenros que há na Bíblia – Deus se move ao ouvir Moisés e seu argumento, mas a justiça não podia ser abolida. É aqui então que Deus anuncia a Moisés que esta geração não viveria para ver Canaã. Apenas Josué e Calebe, que confiaram na promessa e no poder de Deus foram os que pessoalmente colocaram os pés na terra que manava leite e mel (14:36-38).
Após isto o povo foi levado ao norte apenas para ser confrontado com os Amalequitas e Canaanitas para serem derrotados, começando assim a sua peregrinação errante pelo deserto do Sinai e Negev.
Aprendemos que é primordial o guardar da pureza pessoal e comunitária – moral e física – do povo que se chama pelo nome de Deus mantendo-se separado daquilo que é do mundo (representado pelo Egito) e é fundamental que guardemos a fidelidade à aliança que Deus selo com seu povo – no nosso caso em Jesus Cristo, expresso pelos princípios que governam o Reino de Deus declarados no Sermão da Montanha que se encontra em Mateus capítulos 5 a 7.
Amigo leitor, diante deste quadro, qual é a tua opção de vida? Qual é o caminho que você está trilhando? Você está olhando para as coisas deste mundo ou está com os olhos fixos em Jesus Cristo, autor e consumador da fé salvadora?
Que Deus o ilumine e abençoe na meditação para responder a estas perguntas
Designação e Leis

Estamos no meio do livro de Números. Em apenas 6 capítulos o livro cobre 38 anos de história, comparados com os 14 capítulos anteriores referentes a menos de 2 anos de história do povo! Este período pode ser considerado como uma suspensão no desenvolvimento da história de Israel. É um período de castigo em que Deus irá eliminar toda uma geração inteira por causa da desobediência e falta de fé dos 10 emissários e do povo.
Este período se inicia após o incidente de Cades onde se dá a expressão da falta de fé em Deus, e termina no ano da morte de Aarão (cap. 20). Sabemos que apenas dois personagens entrara na terra prometida, Calebe e Josué, que assume a liderança em lugar de Moisés, dá continuidade à obra de levar o povo e lidera a entrada através do Jordão na altura de Jericó.
Deste modo o livro de Números se torna o livro do progresso suspenso. Isto nos faz pensar nas diversas igrejas e crentes individuais que andam pela vida como se tivessem sua história suspensa. Não crescem, não apresentam frutos e não há desenvolvimento espiritual. Na realidade, como no caso de Israel, este período é marcado por um constante fracasso na confiança em Deus e um retorno parcial – é literalmente o que se poderia chamar de “sobrevivendo, dadas as circunstâncias”.
Nesta seção do livro são dados mais alguns regulamentos ao povo; muitos líderes se rebelam contra Moisés; são formalizadas as responsabilidades dos sacerdotes e levitas e finalmente surge a nova geração que então é recenseada.
Aprendemos algumas verdades fundamentais: quando o povo reclama contra Deus e critica Moisés, eles são severamente punidos: mais de 14000 pessoas morrem como resultado desta rebelião. Como resultado da rebelião do Corá, o próprio Corá, Datan e Abiram, juntamente com suas famílias morreram, juntamente com 250 falsos sacerdotes. O princípio teológico do Reino de Deus se faz sentir: se permitimos dissatisfação e descontentamento a permanecer em nossas vidas, isto poderá facilmente levar a um desastre espiritual e social. Deveríamos nos conter de criticar líderes e reclamarmos dos mesmos.
Talvez o incidente de maior impacto em termos de relacionamento pessoal com Deus seja o incidente que ocorreu com Moisés. Moisés diante do povo rebelde por causa da falta de água, queimando de ira, fere a rocha ao invés de falara a ela conforme a orientação de Deus. Este pecado de Moisés é descrito como uma falha em respeitar a santidade de Deus (27:14). O ato intempestivo de Moisés resultou em bênção para o povo – água abundante – mas uma maldição para Moisés: repreensão e exclusão da Terra Prometida! De acordo com o Salmo 106:32, Moisés sofreu pelos pecados do povo.
Podemos derivar algumas conclusões teológicas dos eventos deste livro:
1. A sabedoria e fidelidade de Deus fornecem razão para esperança nas situações mais tenebrosas da vida.
2. A história depende da liderança de Deus e da obediência humana, não de estatísticas militares ou expectativas humanas.
3. A teimosia humana em rebelar-se tem que encarar punição.
4. Até mesmo líderes fiéis tem que estar na expectativa de punição pela desobediência.
5. O povo de Deus precisa de uma organização adequada e liderança para poder realizar a missão dada por Deus.
6. Culto adequado é uma marca de identidade do povo de Deus.
7. Deus sempre tem um futuro para Seu povo que a sua rebelião não pode destruir.
Para os que estão em posição de liderança existe aqui uma lição preciosa: nenhum líder é indispensável para Deus. No entanto, tal como Moisés e Aarão perderam a participação no momento da vitória porque, num momento de ira e raiva, desobedeceram a detalhes da instrução de Deus., também os líderes de hoje devem aprender a lição do autocontrole e contenção emocional. Nenhum líder cresce ao ponto de estar acima e além da necessidade de confiar e obedecer a Deus. Deus prepara novos líderes para substituir os desobedientes e descontrolados. Nisto aprendemos também que Deus recompensa os líderes fiéis e obedientes.
O livro de Números conclama os líderes do povo de Deus de hoje a atitudes e posturas de fidelidade a Deus, mesmo se tiverem que conduzir um povo ou rebanho rebelde e mesmo quando as suas decisões vão contra o ponto de vista da maioria! Lembremos que Deus não é democrata e espera que os Seus líderes confiem e obedeçam.
Aprendemos que o livro de Números é um livro de esperança para um povo com uma história de rebelião.
A história de Deus é uma história de esperança para o futuro, uma chamada para a última vitória frente a derrota.
Amado aluno, você também é convocado a uma vida de revisão, obediência e fidelidade como princípios de compromisso de vida com Deus a despeito do que possa acontecer por causa deste seu compromisso.
Que Deus o abençoe e ilumine afim de que você possa crescer e brilhar neste mundo em trevas.
Os Fatos Ocorridos

Que o senhor, Deus dos espíritos de toda a carne, ponha um homem sobre a congregação, o qual saia diante deles e entre diante deles, e os faça sair e os faça entrar; para que a congregação do Senhor não seja como ovelhas que não têm pastor. (Nm 27.16-17)
Na realidade poderíamos chamar esta parte do livro de Números de “A Nova Geração” – trajeto de Cades até as planícies de Moabe. Toda uma nova movimentação se inicia; novas expectativas e novos desafios e uma nova esperança.
Esta parte pode ser dividida em três divisões:
a. A nova jornada (21 a 25),
b. A nova contagem (26 a 27), e
c. A nova instrução (28 a 36).
Esta segunda jornada toma apenas o tempo de 5 (cinco) meses, pois o povo deixa o monte de Or cerca de um mês após a morte de Aarão (que aconteceu no 5º mês do 40º ano) e chegaram nas planícies de Moabe no 11º mês do mesmo ano, momento em que Moisés inicia seu grande desafio a Israel, e que constitui o livro de Deuteronômio.
Nesta Segunda jornada vemos que o povo continua a enfrentar desafios à fé: primeiro Moisés buscou permissão do rei de Edom para passar pela estrada do rei, petição esta que lhe foi negada. Como resultado Moisés enfrentou os canaaneus de Arad, o que resultou em uma sólida vitória dos israelitas. Encorajados assim, aceleraram o passo para a Terra Prometida. Ainda assim persistiam em rebeliões de tempos em tempos, e finalmente alcançam Moabe. A sua chegada causou grande preocupação aos inimigos de Israel. O rei dos Amorreus tentou sustar o avanço do povo de Deus mas sem sucesso. O rei Og, de Basam, tentou o mesmo e igualmente sofreu uma derrota. Deste modo finalmente Moisés e o povo se encontram nas planícies de Moabe, imediatamente ao leste da Terra que Deus prometera a Abraão que lhes daria.
Porém, antes de chegarem à Terra de Canaan, teriam que enfrentar obstáculos que só poderiam superar mediante confiança e fidelidade a Deus ao tempo em que exerceriam a obediência ao mandado divino.
O primeiro obstáculo era de natureza externa ao povo: a ameaça da maldição de Balaão (22:2-24:25), maldições estas que foram transformadas, cada uma delas, em grandes bênçãos por parte de Deus para o Seu povo. Assim o plano diabólico de Balaque de amaldiçoar Israel resultou no oposto – uma magnífica demonstração das bênçãos de Deus sobre o Seu povo e, através deles, sobre todo o mundo. Aprendemos que se deixarmos as oposições e confrontos nas mãos de Deus Ele mesmo as transformará em bênçãos para nós e nossos familiares e descendentes.
O segundo obstáculo era de natureza interna do povo: a ameaça de se comprometerem com os padrões morais e sexuais dos moabitas. A licenciosidade do culto a Baal logo os atraiu para as suas armadilhas. Apenas o zelo de Finéias, filho do sumo sacerdote Eleazar, preveniu a apostasia geral. Com sua espada matou os líderes desta rodada de imoralidade, onde milhares de israelitas pereceram em virtude da praga enviada por Deus. Isto nos mostra o quão rápido nos desviamos para as coisas que o mundo oferece e nos esquecemos de Deus, isto é apostasia. Foi exatamente isto – a apostasia – ou seja, o desvio dos padrões de Deus para padrões mundanos – que a Bíblia fala que aconteceria nos últimos tempos. Fiquemos alerta para esta tendência humana de flertar com as coisas que Deus deplora.
O que Números nos ensina para hoje? Os princípios do poder e graça divinos podem vencer o fracasso da fé imperfeita, mas que esteja em desenvolvimento. Estes ensinos são de máxima importância para todos que levam a sério a autoridade do ensino do Espírito Santo.
Do livro de Números podemos aprender que:
1. a despeito de nossa rebelião, Deus irá cumprir Seus propósitos e promessas;
2. apesar de Deus permanecer fiel às Suas promessas, Ele punirá uma geração infiel;
3. a punição vinda de Deus pode nos preparar para tarefas maiores;
4. a presença fiel e sábia de Deus é o centro de toda vida;
5. fé em Deus resulta em necessidades físicas;
6. temos que respeitar líderes ordenados, mas também saber que líderes infiéis também encaram os atos disciplinares de Deus;
7. culto é a atividade principal do povo de Deus e deveria ser planejado e organizado adequadamente; e
8. esperança é a palavra duradoura de Deus, que motivará o Seu povo mesmo através dos períodos mais tenebrosos da história.
A vida na terra (prometida) é vida com Deus (35:34). O povo de Deus tem que saber como responder a Deus com gratidão e cultos regulares. Líderes de culto têm que ser escolhidos e preparados. Por causa da preparação no deserto, o sacerdócio sobreviveu desastres nacionais, tais como o próprio exílio, e preparou uma liderança para Israel, mesmo quando os líderes políticos não eram mais disponíveis.
Assim também nós hoje – as nossas igrejas, como pequenos povos de Deus – devemos preparar líderes para o culto, líderes que possam nos dirigir mesmo quando toda outra liderança não seja mais confiável.
Olhemos pois para o autor e consumador da fé – Jesus Cristo – e nos esforçar para não vacilarmos e comprometermos a santidade de Deus e com isto nosso testemunho.

DEUTERONÔMIO – OS ENSINOS
Consideramos a primeira etapa de três divisões do livro de Deuteronômio, isto é, os capítulos de 1 a 11.
O nome Deuteronômio quer dizer “Segunda Lei” ou “Repetição da Lei”. Isto se fez necessário porque a geração que recebera e ouvira a exposição da Lei Sinaítica já não existia mais. Uma nova geração estava no amanhecer da entrada na Terra Prometida. Deste modo esta nova geração tinha a necessidade de ouvir a exposição renovada da Lei e ouvir o recontar da história do surgimento do povo e da própria Lei. Paralelamente com esta renovada apresentação da história e Lei de Deus, incluiu-se um desafio para decisão diante da obra de Deus (o que será visto na terceira parte deste estudo).
É um livro caracteristicamente de transição, transição marcada por 4 tipo áreas distintas, e que são:
a. uma transição para uma nova geração (a velha, do Sinai já havia desaparecido),
b. que irá ter uma nova possessão (uma peregrinação sem terra para uma ocupação nacional de Canaã),
c. caracterizado por uma nova experiência (casas em vez de tendas, fixação em vez de peregrinação, alimento variado em vez de dieta desértica), e, finalmente,
d. uma nova revelação de Deus – Seu amor (6.5), repetida mais 4 vezes e reafirmada por Jesus aos fariseus (Mat 22.37), que é a base do toda a Lei!
Este amor vem de gerações anteriores, pois no cap 4.37 Deus diz: “E, porquanto amou a teus pais, não somente escolheu a sua descendência depois deles, mas também te tirou do Egito” , princípio este que o povo de Israel infelizmente não entendeu e que, nós hoje, também não compreendemos muito uma vez que não nos detemos em apropriarmo-nos dos princípios de vida do Reino de Deus. Para a maioria é mais fácil viver de acordo com leis e normas e não princípios, pois estes nos responsabilizam diretamente pelo nosso andar.
Estes primeiros 11 capítulos, que constituem a primeira parte deste livro, formam o que se chama de seção de Retrospectiva, os demais formam a parte Prospectiva do livro. Esta primeira parte, a da Retrospectiva, permite ao povo da transição olhar para trás e para frente, ponderando a ação de Deus sobre ambos. O povo deveria lembrar, refletir e resolver; daí nós temos retrospectiva e reflexão. Os capítulos 1 a 3 são uma “revisão do modo de vida desde o Sinai” e os caps 4 a 11 são uma revisão da “Lei do Sinai”. Isto nos ensina que também devemos olhar para trás, refletir, e depois, olhar para frente e decidir, e assim poderemos sempre dar honra e glória a Deus pelo feito e confiar em Deus pelo que está à frente. Por isto o salmista escreve (Sl 90.12) “Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios”. Percebemos que os princípios de conduta e atitude no Reino de Deus estão firmados desde os primórdios da história do povo de Deus.
A Mensagem Central desta parte de Deuteronômio é a fidelidade divina. Isto é demonstrado na revisão da vida desde o Sinai: Jeová tem sido (passado) e sempre será (futuro) fiel às Suas promessas, Seus propósitos e Seu povo! Isto se constitui num fundamental princípio da nossa fé e confiança em Deus – Ele nunca falha!
Temos também nesta parte do livro um fato básico, que na realidade está por baixo de tudo o mais, e com o qual vai o comando básico da Lei declarado no 6:4-6
“Ouve, ó Israel; o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração”
É importante notarmos que o próprio Jesus Cristo nos afirma que este é o pronunciamento fundamental e o “primeiro da Lei” (Mc 12.29-30). Notemos ainda que ele é Ordenado e deverá estar (permanecer) em nosso coração.
A estrutura desta parte de Deuteronômio é a seguinte:
1. 1:1-5 = O contexto da Aliança; leva a memória do povo a um tempo 38 anos antes – no Sinai.
2. 1:6-4:43 = O 1º sermão: Aprendendo da história do povo de Deus;
a. 1.6-3.29 = Falhas e vitórias no caminho da Terra Prometida – importante revisão para reconhecimento da ação de Deus na história.
b. 4.1-40 = Guardar os mandamentos de Deus; evitar a idolatria; maravilhar diante dos atos salvíficos de Deus.
c. Estabelecendo as Cidades Refúgio – fundamental instrumento de preservação do povo e demonstração da misericórdia divina.
3. 4.44 – 6.25 = Princípios Básicos da Aliança;
a. 4.44-49 = Introdução que situa a Aliança no contexto entre o Êxodo do Egito e a conquista do território além do Jordão.
b. 5.1-21 = O coração da Aliança: os 10 mandamentos – nunca anulados no contexto bíblico.
c. 5.22-33 = O papel desempenhado por Moisés como Mediador da Aliança – exemplo de Cristo como Mediador da Nova Aliança.
d. 6.1-25 = O princípio mais fundamental: O amor completo e exclusivo a Deus.
4. 7.1-11.32 = Princípios auxiliares da Aliança.
a. 7.1-26 = A total destruição dos canaaneus – nenhuma aliança ou casamentos eram admitidos. Isto era necessário para que Israel permanecesse a salvo da idolatria e das abominações praticadas por este povo.
b. 8.1-9.6 = Jeová como fonte das bênçãos em Canaã, demonstrado no passado através da providência do maná, do não envelhecer e gastar das sandálias e do não inchar dos pés (8.2-5)
c. 9.7-10.11 = Moisés como Mediador da Aliança e Intercessor – lembrança dos incidentes de rebelião do povo e das várias vezes em que Moisés funciona como intercessor diante de Deus e como isto resultou no renovo da aliança Sinaítica.
d. 10.12-22 = Amor a Jeová e amor aos desamparados – a fidelidade e amor a Deus não podem estar divorciados desta mesma demonstração aos desamparados.
e. 11.1-32 = Obediência como prova do amor a Deus – o amor tem que se manifestar e, em termos da aliança, isto tinha que ser demonstrado com obediência.
Desta maneira, a primeira parte do livro de Deuteronômio nos apresenta uma extraordinária revisão dos atos de Deus na história, como o povo surge – planejado por Deus – e como Moisés funciona como uma ilustração vívida de Cristo diante da nova geração (a geração da Aliança da Graça).
Vemos aqui também a necessidade primordial de darmos exclusividade a Deus em nossas vidas e isto afeta tudo o que pensamos, fazemos ou dizemos. Todo o nosso ser, viver, pensar, cultuar, falar, relacionamentos, etc. devem Ter Deus Jeová como centro exclusivo de tudo e o próximo como beneficiário da nossa postura.
Assim, e só assim, as bênçãos eternas de Deus fluirão sem fim em e através de nossas vidas.
As Festas e As Leis

Olha desde a tua santa habitação, desde o céu, e abençoa o teu povo de Israel, e a terra que nos deste, como juraste a nossos pais, terra que mana leite e mel. Neste dia o Senhor teu Deus te manda observar estes estatutos e preceitos; portanto os guardarás e os observarás com todo o teu coração e com toda a tua alma. (Dt 25.15-16)
Esta segunda seção do estudo sobre Deuteronômio, abrangendo os cap. 12 a 26, cobre uma parte central do livro e que é peculiar quanto ao seu conteúdo e propósito, tratando das Festas e das Leis que o povo deveria manter e seguir. A primeira parte (caps 12 a 16.17) trata dos recursos e das ameaças ao culto do Deus Uno (lembrando que o povo de Israel era, na época, o único povo com uma religião monoteísta). A segunda parte (caps. 16.18 a 26) trata das “distintivas” do povo de Deus (o que destaca o povo de Deus dos demais povos).
Ao analisarmos as diferentes subdivisões desta parte notamos o seguinte:
I. Recursos e Ameaças ao Culto do Deus Uno (12.1- 16.17)
a. O Santuário Central (12.1-28) – sendo Deus um Deus Uno e único, o local para Sua adoração também tinha que ser único e central – seria o lugar da habitação de Seu nome.
b. Deuses pagãos e falsos profetas (12.29-13.19) – o povo de Deus era proibido de adotar práticas de culto dos povos nativos, à luz da realidade da Unicidade de Deus e do Seu culto.
c. Preocupação distintiva por animais puros e impuros (14.1-21) – isto era para reforçar o fato de que o povo tinha que se conformar com as definições de pureza de Deus mesmo.
d. Ofertas de corações agradecidos (14.22-29) – demonstrando o tipo de atitude interior que Deus espera de Seu povo escolhido, protegido e abençoado, tributo indispensável para um relacionamento com Deus.
e. Preocupação distintiva pelos pobres e oprimidos (15.1-18) – instituindo uma forma prática de demonstrar a misericórdia e perdão de Deus.
f. Ofertas e Festas do Santuário Central (15.19-16.17) – estas eram demonstrações das várias formas de dependência e relacionamento do povo com Deus. Em especial estavam 3 festas: a da Páscoa (livramento), a de Pentecostes (suprimento e proteção) e a dos Tabernáculos (comunhão e unidade).
II. As Distintivas do Povo de Deus (16.18 – 26.19)
a. Oficiais do Reino que amam a justiça e são Fiéis à Palavra de Deus (16.18-18.22) – prevendo o desenvolvimento da história de Israel, Deus assenta as bases para a escolha e prática dos governantes bem como dos profetas através dos quais haveria da falar ao povo em épocas posteriores.
b. Distintiva da Lei Cível (19.1-21) – Uma vez que o povo de Israel se constituíam em uma comunidade religiosas, e isto por completo, mas ainda vivendo sob as contingências humanas e naturais, Deus colocou uma provisão para que a Sua justiça e misericórdia não viessem a ser manchadas – instituindo as Cidades Refúgio.
c. A Conduta da Guerra Santa (20.1-21.24) – como a nação escolhida estava para se envolver em guerras de conquista e de defesa contra povos que se opunham visceralmente a Deus e Seus governo, algumas diretivas foram postuladas afim de que o povo de fato alcançasse as vitórias previstas. Desta maneira a escolha dos militantes e estruturamento estratégico militar vieram diretamente de Deus, e o povo deveria se enquadrar nas mesmas. Isto porque as guerras eram de Deus com um cunho totalmente espiritual.
d. Mais distintivas da Lei Cível (21.15-22.4) – aqui Deus trata dos assuntos matrimoniais e familiares, tão necessários para uma sociedade estabilizada e com valores sólidos para uma educação de filhos segundo os ditames morais e espirituais do Reino de Deus.
e. A Pureza distintiva (22.5-23.18) – esta parte trata do assunto já tantas vezes abordado – o da manutenção da santidade daquilo que tem a ver com Deus, o Deus Santo de toda santidade – reflexo de todos os ensinos da Lei Sinaítica e dos ditames encontrados no livro do Levítico.
f. Relações interpessoais distintivas (23.19-25.19) – aqui Deus estabelece todas as implicações morais e éticas do relacionamento social de um povo que deveria viver de acordo com uma aliança feita para a vida baseada na fé. Fica patente nesta parte a diferença interior e exterior de um povo que se chama pelo nome de Deus!
g. Reafirmação da Aliança no Culto (26.1-15) – este é um aspecto memorial. Assim que o povo entrasse na Terra Prometida deveria instituir uma prática de culto, através de determinadas festas especiais, para reconhecer a provisão sobrenatural de Deus para manutenção de vida do povo – era a expressão máxima de gratidão.
h. Interlúdio exortativo e narrativo (26.16-19) – após a declaração de um longo corpo de estipulações, o povo foi ordenado a obedecê-las de todo coração e de toda alma (26.16). A essência era a manutenção de uma comunhão santa e sagrada, que deveria expressar louvor e honra ao Senhor dos senhores e da ceara.
Notamos que primeiro Deus lida com os aspectos concernentes ao culto que o povo deve prestar a Deus – os recursos que Deus coloca à disposição do povo para utilização na celebração de um culto que era e deveria continuar a ser diferenciado de modo distintivo de todas as demais práticas de culto existentes. Deus, o Deus Uno e Santo, requer uma liturgia e uma preparação bem como pureza especiais e perfeitas. Assim Deus mesmo se incumbe da orientação e instrução quanto à prática do culto e quanto a postura interior de cada pessoa que participasse dos cultos.
Da mesma forma, e no mesmo contexto, Deus se preocupa com as ameaças possíveis e reais existentes à celebração dos cultos que Deus estava instruindo Seu povo. A questão dos deuses pagãos ou ídolos, juntamente com seus falsos profetas, que poderiam influenciar negativamente o povo, o culto e a atitude de cada um com este respeito.
Na Segunda parte Deus trata de mostrar ao povo de como ele – o povo – é distinto (diferenciado) dos demais povos na terra. Eles possuíam uma Lei distinta de origem distinta; as guerras, todas elas, seriam guerras santas e por isto deveriam ser conduzidas de modo distinto dos demais povos. O povo de Deus deveria ser marcado por uma conduta de pureza que os distinguiria das demais culturas e religiões existentes. E finalmente o povo de Deus deveria ter padrões de relacionamento interpessoal distinto dos demais ovos e culturas.
Como nós devemos ser marcados hoje de uma qualidade de atitude e valores morais distintivos que de fato e verdadeiramente reflitam a santidade de alguém que se chama por filho do Deus vivo em Cristo?
Os Eventos
As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, mas as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que observemos todas as palavras desta lei. (29.29)

Nesta última parte do estudo de Deuteronômio (Caps 27-34), veremos os fatos e eventos finais das semanas e meses que antecedem a entrada na Terra Prometida sob a liderança de Josué, sucessor de Moisés.
Esta parte se divide em 4 divisões principais, que avaliaremos com alguns detalhes:
1. Maldições e Bênçãos da Aliança (27.1-28.69) – esta parte reflete o aspecto das sanções em caso de quebra de pontos da aliança com Deus.
a. A reunião em Siquém (27.1-10) = um cerimonial de bênçãos e maldições deveria acontecer após a conquista de Canaã, nas proximidades de Siquém, lugar onde os patriarcas haviam tido encontros com Deus – este seria o primeiro lugar de culto e de lembrança da Lei.
b. Maldições conseqüentes da desobediência de estipulações específicas da Aliança (27.11-26) = uma disposição especial havia sido prevista para este cerimonial que lidava com casos específicos de violações da aliança.
c. Bênçãos advindas da obediência geral da Aliança (28.1-14) = esta parte promete prosperidade física e material, reafirmando o propósito de Deus de exaltar Israel como povo santo, condicionado à sua obediência espiritual.
d. Maldições advindas da desobediência da Aliança (28.15-68) = Esta Segunda lista de maldições é cerca de 3 vezes maior que a lista de bênçãos! Ameaça com a perda total das bênçãos de prosperidade física e material, mostrando ainda as conseqüências políticas e sociais – Israel, ao invés de povo exaltado, se tornará povo servil, escravo. Voltariam às condições pré-êxodo.
2. Renovo do Compromisso com a Aliança (29.1-30.20)
a. Relembrando os atos salvíficos de Deus (29.1-9) = é uma recitação dos atos e fatos que marcaram a história durante os primeiros anos de peregrinação.
b. Uma antecipação da rebelião de Israel, do Julgamento de Deus seguido da graça divina sobre os arrependidos (29.10-30.10) = é uma visão profética da infidelidade futura do povo e da graça redentora de Deus que será exercida em futuro distante.
c. Grande desafio da escolha: seguir a Deus e viver, ou rebelar e morrer (30.11-20) = o povo é colocado diante de uma decisão vital antes da entrada na Terra Santa, decisão esta que deveria ser relembrada a cada instante de desafio na vida do povo.
3. O Futuro da Aliança (31.1-29)
a. Deus é o único e verdadeiro líder de Seu povo (31.1-8) = apesar de não haver um compromisso formal, esta nova geração se comprometeu em seguir e obedecer a aliança dada e feita com seus pais.
b. A palavra de Deus é para ser lida e relembrada (31.9-13) = uma provisão para o futuro que inclui um sucessor mosaico, Josué, como mediador da aliança bem como executor da lei.
c. Provisão divina para o futuro: um líder, um cântico, um Livro da Lei (31.14-29) = a provisão futura, além de um líder, incluía um cântico com o propósito de lembrar a nação do compromisso feito com a aliança, e um registro da lei afim de que as gerações futuras pudessem conhecer a vontade de Deus.
4. Cântico de Moisés e Conclusão Ministerial (31.30-34.12)
a. Apresenta um hino extraordinário de exaltação a Deus, recontando a história dos atos de Deus criando o povo (31.30-32.43).
b. Um interlúdio narrativo, antecipando a morte de Moisés, o ato final de Moisés abençoando o povo (33.1-29) e a morte de Moisés.
De um modo geral o livro de Deuteronômio nos traz a um entendimento mais profundo do nosso relacionamento com Deus e Sua Palavra. Este livro nos mostra os seguintes pontos:
a. Deus é soberano sobre a história, natureza e nossas vidas. Não devemos colocar nada, nenhuma coisa, instituição ou pessoa numa posição que esteja competindo com Seu senhorio;
b. Deus nos ama o suficiente para nos mostrar como entrar em um relacionamento com Ele pela fé;
c. Deus dá em abundância para prover para as necessidades de Seu povo;
d. Deus deseja e quer que Seu povo esteja somente e totalmente devotado a Ele. Nada deve impedir o relacionamento entre Deus e nós. Qualquer coisa que o faça é considerado idolatria;
e. Devemos amar a Deus com a totalidade de nosso ser e compartilhar este amor com outros – família e vizinhos;
f. Deus escolheu a nós, pela Sua graça, para sermos um povo especial e singular que deve refletir a Sua natureza no mundo;
g. Deus nos deu orientação (através de Sua Palavra) de como seguir e cumprir o propósito de sermos testemunhas de Seu caráter;
h. Deus abençoa aqueles que O obedecem e julga aqueles que Lhe desobedecem.
Fica claro que a obediência é o caminho da vida necessário para que a comunidade de Deus (o corpo de Cristo) mantenha a unidade, a pureza e o testemunho eficaz. Qualquer outra coisa interrompe esta comunhão fortalecedora e é considerado pecado ou rebelião. Mas lembremos que tudo isto está baseado na experiência do amor redentivo de Deus – a experiência da redenção nos leva a firmarmos este acordo de Aliança com Deus – no nosso caso na pessoa de Cristo – também aqui na base de Seu amor redentor provado no livramento de cada um.
Jamais perderemos em sermos fiéis e obedientes aos mandamentos divinos uma vez que já fomos libertos e aguardamos bênçãos ainda maiores em futuro próximo – isto Paulo expressa quando diz “manter os olhos fixos no autor e consumador da nossa fé.” (Heb 12.2).
Seja você também encorajado a manter firme os teus propósitos de obediência e fidelidade a Deus em Cristo Jesus, e serás vitorioso para a glória do Senhor que nos salvou.
CONCLUSÃO
Nesta última lição sobre o Pentateuco iremos olhar o livro (ou livros) como um todo. Os 5 livros do Pentateuco têm os seus nomes oriundos do latim (da Septuaginta grega) e que indicam o conteúdo geral dos mesmos: Gênesis: significa Origem; Êxodo: significa sair; Levítico: refere-se ao sistema levítico ou sacerdotal; Números: representa a contagem (censo) da população; Deuteronômio: é a segunda lei (repetição). A divisão entre os livros em geral indica uma mudança na direção do conteúdo, assim: Gênesis, Êxodo e Números são os livros essencialmente históricos, enquanto que Levítico e Deuteronômio são livros de instrução específica.
O Gênesis é um livro, a rigor, separado dos demais, pois relata toda a história da raça humana e dos Patriarcas. A história do povo de Israel começa em Êxodo, e é a partir deste livro que temos toda a história de Israel, especificamente falando. Na realidade poderíamos dizer que Gênesis é a história da criação da raça humana e o estabelecimento das raízes do povo de Israel através dos patriarcas. Os demais livros são a história da formação do povo de Israel, pois termina antes de sua entrada na Terra Prometida. O estabelecimento final e definitivo da nação só acontece com Josué.
A divisão entre Êxodo e Levítico é marcada pela finalização da construção do Tabernáculo (Ex 35-40) e a inauguração do culto litúrgico oficial (Lv 1-10). Números é a história da partida final do Sinai e a preparação para a entrada em Canaã. Deuteronômio fica como que separado dos outros anteriores pois é o livro que contém os maiores sermões da toda a Bíblia. O primeiro sermão de Moisés (Dt1-30) cobre os 30 primeiros capítulos do livro. São os sermões Mosaicos preparatórios para a entrada em Canaã sob o comando de Josué. É claro que dentro de cada livro há assunto suficiente para subdivisões mais específicas e que estudamos nos nossos encontros anteriores.
Notamos também que a enorme quantidade de leis no Pentateuco é elaborada e fornecida sob forma de pregação – é e Lei sermônica (ou pregada). Também observamos um outro gênero literário que é o do cântico! O povo de Israel é um povo do cântico! Eles cantavam em tempos de vitória (Ex 15), no trabalho (Nm 21:17-18), em tempos de batalha (Nm 21:14-15,27-30) e no culto (Nm 6:22-26; Dt 32:1-43). Somente disto aprendemos que o povo de Deus, do qual fazemos parte pela graça que nos foi dada em Cristo Jesus, é para ser um povo que canta, canta sempre e em todas as circunstâncias! Isto porque Deus está sempre conosco!
Quanto aos temas temos o seguinte cenário: os primeiros 11 caps de Gênesis apresentam Deus como Criador, o surgimento do pecado, o aumento da população mundial e o juízo de Deus sobre o mundo. Os demais caps do Gênesis apresentam os temas da eleição, aliança, promessa, fé e providência.
Apesar do Pentateuco ser chamado de Lei ou Torá, a lei propriamente dita ocupa apenas uma pequena parte do texto todo. Os 10 Mandamentos, que freqüentemente são chamados de Lei, não são lei no sentido técnico, pois não possuem nenhuma sanção ou penalidade para a violação das mesmas. Elas são exatamente o que o nome diz: “Mandamentos”, ordens ou regras de conduta. Mas temos outros grupos de “Lei” que são:
– o Livro da Aliança – (Ex 20.22-23.19)
– as Leis do Sacrifício – (Lv 1 – 7)
– as Leis da Pureza – (Lv 11 – 15)
– o Código de Santidade – (Lv 17 – 26), e
– o Código Deuteronômico – (Dt 12 – 26).
Temos assim que nenhuma lei aparece em Gênesis, dos 40 caps em Êxodo apenas 4 são de lei (20-23), a maior parte de Levítico e uma pequena parte de Números se referem a leis, e 14 dos 36 caps de Deuteronômio consiste de material legal.
O Livro da Aliança (Ex 24.7), com suas 65 leis, inclui regras acerca de imagens e tipos de altares (20:22-26), escravos hebreus (21.1-11), ofensas penalizadas com a morte (21.12-27), injúrias corporais (21.18-24), ofensas contra propriedades (21.25-22.17), e leis miscelâneas sociais e de culto (22.18-23.9), um calendário de cultos (23.10-19) e bênçãos e maldições (23.20-33).
Fazemos notar que as leis do Antigo Testamento foram dadas no contexto da Aliança. O povo havia experimentado a libertação (salvação), no êxodo. Deus havia tomado a iniciativa e pela graça redimiu Israel da escravidão no Egito. Deus agiu primeiro, depois conclamou o povo a responder. As leis do Antigo Testamento foram dadas ao povo redimido para dizer-lhes como viver como povo de Deus. Este princípio também existe como fundamento no Novo Testamento, especialmente na expressão do Sermão da Montanha (Mt 5 –7).
O Código de Santidade (Lv 17 a 26) é chamado assim devido à expressão “Sede santos porque Eu, vosso Deus, sou santo” (Lv 9.2). Este código reforça as leis morais e cerimoniais (não as leis civis e criminais). Este código trata do sacrifício de animais e do próprio sacrifício, relações sexuais proibidas, relacionamento com vizinhos, penalidades, regras de vida pessoal dos sacerdotes, a qualidade dos sacrifícios, o calendário de cultos, regras para as luzes no santuário e os pães asmos , blasfêmias, o ano sabático e do jubileu e finalmente bênçãos e maldições. Expressões do tipo “Eu sou o Senhor vosso Deus” e similares ocorrem 46 vezes em Lv 18 a 26!
O Código Deuteronômico (Dt 12 a 26) é parte do discurso de Moisés ao povo de Israel justamente antes de cruzarem o rio Jordão, sob liderança de Josué, para entrarem em Canaã. Estas são leis sob forma de mensagem pregada ou sermões – leis sermônicas; estão repletas de admoestações e exortações a obedecerem e respeitarem as leis, afim de que o Senhor os possa abençoar e possam viver na Terra Prometida. Muitas desta 80 leis são novas porque se dirigiam a uma nova geração (veja o estudo de Números e Deuteronômio). A restrição do culto e sacrifício a apenas um altar legítimo é limitada ao Código Deuteronômico, como também é a expressão “o lugar onde farei habitar o meu Nome”. A permissão para matar e comer animais, a nível particular, é dada apenas aqui em Deuteronômio (12.15). As leis para os juízes, profetas, sacerdotes e reis ocorre apenas aqui neste Código.
Em Deuteronômio a Páscoa é para ser observada em apenas um lugar legítimo (16.7); e as Leis para as Guerras Santas (isto é dirigidas e orientadas e solicitadas por Deus) são dadas apenas neste código. Note-se que a idolatria e o 1º Mandamento são preocupação de todos os Códigos
Aprendemos neste estudo que a santidade e pureza do povo é uma necessidade e responsabilidade absoluta para uma vida com Deus. Este povo foi eleito para ser santo porque deus é Santo. Isto também se aplica ao povo santo do Novo Testamento. Para isto baste estudarmos o sermão da Montanha, que reflete todo este material e o ensino de Paulo às igrejas, expresso em Efésios (1.4) onde aponta a nossa responsabilidade de eleitos de Deus em Cristo Jesus de que fomos eleitos para sermos santos e irrepreensíveis.
Tal é a profundeza e seriedade da vida de um povo que é adotado por Deus em Cristo Jesus (Jô 1.12) e que tem o privilégio de viver para um Deus cujo Reino não é deste mundo. Por isto os padrões também não são deste mundo – e isto desde os primórdios!
A Deus toda glória e honra por nos ter dado este privilégio, e a nós a ação presente do Espírito de Deus para que não manchemos esta honra sublime e maior e não maculemos a obra suprema de Jesus Cristo, nosso Salvador.

CURSO DE TEOLOGIA GRÁTIS COM CERTIFICADO TAMBÉM GRÁTIS - lIGUE: 1141716380

Nossas Redes Sociais

Em breve começaremos a postar conteúdo em nossas redes sociais. Siga-nos e aguarde.

Atenção! Estamos em FASE DE TESTE, algumas funcionalidades ainda estão sendo desenvolvidas e as disciplinas ainda estão sendo organizadas e divididas em lições e aulas. Se você quiser nos ajudar, clique aqui (ou se tiver whatsapp, clique aqui) e envie o seu feedback sobre como podemos construir o melhor curso de Teologia GRATUITO do Brasil. Obrigado!